Crônica diária
Comparando coisas diferentes
Em junho de 2015, portanto há um ano e nove meses escrevi sobre o que
tinha lido do Herzog de Saul Bellow. Fui, percebo hoje, muito
influenciado pela reputação e informações sobre o livro e o autor.
Parei, naquela época na metade do livro. Só retomei a leitura este mês
de março de 2017. Alguma razão, diferente do que escrevi em 2015 deve
ter me afastado da difícil leitura. Acabo de ler, e não sou crítico
literário, só um leitor assíduo, o romance Caçando Carneiros do Haruki
Murakami, livro que o projetou internacionalmente. Dele se pode extrair
algumas observações: os dois personagens principais não tem sequer nome.
O livro todo conta com mais três ou quatro personagens. Um J, um Rato,
Um homem Carneiro, e outro de terno preto. Em seguida voltei ao Herzog
numa derradeira tentativa de terminar a leitura. Não consegui acabar.
São tantos os nomes e são tantos os personagens citados que a história
fica enfadonha. São tantas as palavras que carecem de asterisco, e nota
de rodapé, que cansam o leitor. Treze páginas de apresentação do autor, e
de sua festejada obra, assinada pelo não menos famoso Philip Roth,
valem pelo livro. Dirão alguns de vocês: "Mas não pode comparar um
Premio Nobel de Literatura com um escritor japonês de relativo sucesso".
Respondo que leio só por prazer. E o Haruki me da, e sempre deu, muitas
horas de pura satisfação e alegria. Para que sofrer? Ler o Herzog do
Bellow é uma cansativo exercício de memória, atenção, reflexão, que
retira qualquer ideia de prazer. Poderão dizer que estou comparando
Shakespeare com Paulo Coelho. Retruco dizendo que não chego a tanto, mas
que considero Shakespeare uma leitura para determinados dias e poucas
horas, e Paulo Coelho jamais, em tempo algum. Não sei se me entendem. E
entre os elogios que fiz em 2015 na resenha ufanista que produzi do
Herzog, fico com esta minha impressão desfavorável deste mês. Ou devo
ter emburrecido nesses vinte e um meses.

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