Crônica diária
Seleção brasileira de cronistas
Ganhei de presente do meu filho a seleção dos 100 melhores crônicas
brasileiras elencadas por Joaquim Ferreira dos Santos. 62 escalados.
Cronistas escolhidos de 1850, quando inventaram a crônica, como a
entendemos hoje, a 1920. Há quem diga que a carta de Pero Vaz de
Caminha tenha inaugurado o gênero. Depois da bênção dos modernistas de
bermudas de 1920 a 1950, década de ouro de uma geração de craques. De
1960 à década de 2000, uma turma extraordinária de cronistas. Definições
saborosas do que é uma crônica. Gustavo Corção, sobre a crônica
brasileira: " uma maneira leve de tratar as coisas graves, e uma maneira
grave de tratar as coisas leves". Ou como recomenda Machado de Assis: "
Há um meio certo de começar a crônica por uma trivialidade. É dizer:
Que calor! Que desenfreado calor!". Joaquim Ferreira dos Santos faz uma
deliciosa introdução falando da origem e forma pelas quais passou a
crônica que já foi considerada literatura menor, por pensarem que ela
não permaneceria. A presente seleção prova o contrário. Ela não só
sobreviveu aos tempos como hoje ocupa meia página dos maiores jornais
diários. Ela passou por fases entre relato dos acontecimentos da semana
(folhetins), a um casamento entre jornalismo e literatura, chegando aos
moldes atuais. Mas chegou a ser chamada de "cães vadios, livres
farejadores do cotidiano" segundo Antonio Cândido. O mais célebre dos
cronistas, no dizer de Manuel Bandeira, Rubem Braga era sempre bom, mas "
quando não tem assunto então é ótimo". Bermuda também foi uma de suas
alcunhas. Finalmente a crônica é composta de humor, observação,
cotidiano, poesia e literatura, não importando sobre o que ela trata, e
sim como ela trata. Só não pode ser chata. A seleção vai de Machado e
João do Rio a Antonio Prata, numa diversão garantida.

Um comentário:
Na 2ª parte da selecção dos melhores cronistas ( de 1921 a 2021 ), há um nome incontornável dos Melhores Cronistas : o de EDUARDO P. LUNARDELLI.
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