Crônica diária
Laços de sangue
Valter Ferraz acaba de publicar um livro de poesia, e letras musicais,
sob o pseudônimo de Cesar Lavalle. O nome é bom. As poesias também. As
razões alegadas ao fazer dessa forma foi de que esses poemas eram de
eras priscas, e que hoje não eram mais sua praia. Isso me fez lembrar a
história do escritor medíocre (nada a ver com o Valter, muito pelo
contrário) que depois de publicar, sem nenhuma repercussão várias
novelas, contos e romances, resolveu escrever um romance ousado e
experimental, escondendo-se atrás de um pseudônimo. O livro foi um
enorme sucesso. Sucederam-se edições sobre edições. Os direitos foram
vendidos para traduções nos Estado Unidos, Europa e Ásia. O pseudônimo
ficou conhecido e famoso. O autor era um mistério, e o mistério aumentou
sua fama. Diziam tratar-se de uma escritora, mulher e linda. Outras
versões davam como certo que era produto de um grupo de jovens
universitários, que de brincadeira inventaram o nome do autor. Tudo isso
só fez o livro vender mais. O verdadeiro escritor fracassado entrou em
profunda depressão, e apesar de rico, com os direitos autorais, acabou
se matando. Melhor teria feito se tivesse matado o pseudônimo. No caso
do Valter, ele próprio denunciou a brincadeira na orelha do livro do
Cesar. Com isso fica salvo de futuras pendengas.

Um comentário:
Obrigado, amigo Eduardo. Como sempre generoso em suas postagens, fazendo a divulgação do amigo ilustre e desconhecido. Talvez fique famoso e rico como o autor que você relata. Prometo: não esquecerei do amigo que vislumbrou um talento onde impera apenas um esforçado poeta/letrista da adolescência.
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