Crônica diária
O inatingível
Tenho uma sala, num prédio de escritórios, na cidade de São Paulo. Como
moro em Santa Catarina é lá que cuidam das minhas coisas. Comprei em
1997, dezenove anos atrás, portanto, e nunca participei de uma reunião
ou assembleia de condomínio. A sala é pequena, o condomínio e o IPTU
proporcionais. Mas como estava na cidade e o horário era conveniente fui
com meu filho, pela primeira vez, à assembleia ordinária. Como de
habito nessas ocasiões, mesa posta com lápis e copos d´água. Duas
senhoras representantes da administradora do edifício e três ou quatro
condôminos. No horário previsto para a segunda convocação, pontualmente
entrou na sala o dono da unidade e síndico do condomínio. Advogado,
muito simpático, conduziu a reunião que levou duas horas para tratar dos
seis pontos da pauta. Antes foi eleito o presidente dos trabalhos
secretariado por uma das funcionárias da administradora. Terminada a
assembleia, todos se levantaram, se despediram e ficamos meu filho e o
síndico por ultimo. Ao estender a mão para me despedir disse: "Já havia
ouvido falar muito do senhor". Ele é mais novo do que eu. Respondi com
uma pergunta: "Bem ou mal?" e sorri! Ele ficou embaraçado com a
pergunta, titubeou, procurou as palavras certas e saiu-se com essa: "Nem
bem, nem mal, mas que era inatingível!" Rimos. E completou: "Agora sei
porque morando em Santa Catarina fica difícil, mesmo".

2 comentários:
Se tivesse ouvido falar mal do Eduardo, não iria referir que já tinha ouvido falar muito do senhor !
Inatingível é uma espécie de aura que se nos cola e que afasta intimidades que podem redundar num excesso de socialite.
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