Crônica diária
Brasil sem heróis
Entre algumas carências nossa terra não tem heróis.
E se os tivesse, falta lhes caráter. Macunaíma que o diga. E na falta de heróis
para serem homenageados Emy Cezarino (1917-1987) virou nome de viaduto em
Bauru. Depois de um início de carreira como prostituta nos estados do
sul, se estabeleceu em Bauru, e no ano de 1947 se torna dona do bordel.
Construiu o maior prostíbulo do Brasil. Não é pouca coisa, num país onde a
concorrência é grande e competente. Numa construção em área de doze mil
metros quadrados, com quarenta quartos, sauna, piscina, bar e restaurante,
abrigava o melhor plantel de putas da época. Era exigente na assistência à
saúde das suas meninas, e tinha como clientes ilustres Jânio, Goulart e
Vinícius de Moraes. Foi figura nacionalmente conhecida como Eny de Bauru.
Benemérita cafetina que mantinha creches, orfanatos e a boa convivência com os
poderes constituídos. Na falta de heróis melhores, vamos batizando viadutos em
memória de cafetinas. Por que só seus ilustres usuários viram nome de pontes,
estradas, aeroportos e ruas?

2 comentários:
O serviço público e a beneficiência aliadas.
Não diria que "só seus ilustres usuários viram nome de pontes, estradas, aeroportos e ruas". Antes, em sua grande maioria, são seus "ilustres filhos".
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