Crônica diária
Cordilheira, Daniel Galera e a memória
Eu achava graça quando minha mãe com
cinquenta e poucos anos dizia não lembrar do início de um livro quando ainda
estava no final. Ela viveu mais trinta e tantos anos e acabou morrendo sem
reconhecer ninguém. Conto isso porque estou a menos de quarenta páginas do fim
do livro "Cordilheira", do Daniel Galera, que tenho, agora, absoluta
certeza de já ter lido. Ao compra-lo tive dúvidas, mas não lembrava da capa,
embora o nome me parecesse familiar. Mas poderia ser um engano. Poderia ser
memória da lista de livros escritos pelo autor, e sempre citados nas orelhas.
Ao iniciar a leitura tive lampejos de memória, e momentos de absoluto
ineditismo. Com o correr da história sempre muito bem escrita, como de hábito
na literatura do Daniel, e neste caso na primeira pessoa de uma mulher. A
leitura prende e flui. Faltam quarenta páginas para terminar. Tenho absoluta
certeza de já ter lido. E, consequentemente, escrito uma resenha sobre o livro.
Vou no "procurar" do O Ultimo Blog e lá esta: 20 de Janeiro de 2014.
"Cordilheira, Daniel Galera". Agora sei do que falava minha mãe aos
cinquenta anos.
"Com este ultimo livro lido, completo a obra
de Daniel Galera definitivamente um dos bons jovens escritores brasileiros. Na
verdade não é preciso dez linhas para afirmar, com toda ênfase, que sua
literatura é importante. Domina os diálogos, a construção de personagens, a
dinâmica de uma trama verossímil e a magia do bom contador de história. Tive
contra ele o preconceito inicial da idade. Muito jovem. Depois os títulos e
capas. Sou muito sensível a esses dois fatores sem nenhuma importância. Mas sua
escrita, seus personagens e seus romances me convenceram, e colocaram-no entre
meus preferidos autores nacionais. Viva a boa fase da literatura brasileira.
Depois de Guimarães Rosa, Érico Veríssimo, Graciliano Ramos, e
alguns outros, a safra de grandes escritores esta repleta de promessas
verdadeiras. Autores que estão ganhando traduções em diversas línguas. Editoras
que estão investindo nos jovens, como nunca o fizeram na história da literatura
tupiniquim. Viva, e escreva muito Daniel Galera."

2 comentários:
É o problema de quem lê compulsivamente. Nada de grave.
A minha memória é mais visual...
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