Crônica diária
O tempo passa para todos
Como diz o título desta crônica, e mais grave quando vamos constatando que às vezes mais impiedosamente para uns, do que pra outros. Dia sete passado, foi um dia em que isso aconteceu comigo. Toca o meu celular (modelo antigo de dez anos atrás, desses que ainda abrem no meio para serem atendidos, mas já sem anteninha externa) e ao tentar faze-lo, segurando um copo de shop na mão direita, quase derrubei tudo. Estou "levemente" trêmulo. Me nego acreditar que seja o "alemão". Debito na conta dos medicamentos que venho tomando. Consegui atender a ligação sem derrubar a bebida. Mas acendeu um alerta. Meia hora depois encontro um casal de velhos amigos, e não reconheci a esposa. Ela ficou encantada de me ver, mas tenho certeza de que se o marido não a tivesse alertado: " Olha o Eduardo!" ela não teria me reconhecido. Acontece que almoçava com o casal outro companheiro de jornadas esportivas de muitas décadas. Com ele havia cruzado no estacionamento, em oportunidade recente, e ficara perplexo com o seu envelhecimento, e não fui reconhecido. Na mesa, diante do providencial "Olha o Eduardo!" deu tempo para recompormos nossas velhas saudações. Mas percebi que nunca mais teríamos nos cumprimentado. Segundo abalo do dia. Passadas umas horas, novo chamado pelo jurássico celular: " Esqueceu do aniversário dos seus netos?" Esqueci, fui obrigado a confessar. Pedro e João estavam completando sete anos. Não tive como mentir. Avô não pode mentir para filha ou netos. Mas nem precisa, em nossa idade, não enganamos mais ninguém. O livro "Patrimônio" do Philip Roth continua repercutindo na minha memória. Sei por outro lado que logo logo também vou esquecer que li essa joia biográfica. A culpa vai ser da Ciclosporina.
Como diz o título desta crônica, e mais grave quando vamos constatando que às vezes mais impiedosamente para uns, do que pra outros. Dia sete passado, foi um dia em que isso aconteceu comigo. Toca o meu celular (modelo antigo de dez anos atrás, desses que ainda abrem no meio para serem atendidos, mas já sem anteninha externa) e ao tentar faze-lo, segurando um copo de shop na mão direita, quase derrubei tudo. Estou "levemente" trêmulo. Me nego acreditar que seja o "alemão". Debito na conta dos medicamentos que venho tomando. Consegui atender a ligação sem derrubar a bebida. Mas acendeu um alerta. Meia hora depois encontro um casal de velhos amigos, e não reconheci a esposa. Ela ficou encantada de me ver, mas tenho certeza de que se o marido não a tivesse alertado: " Olha o Eduardo!" ela não teria me reconhecido. Acontece que almoçava com o casal outro companheiro de jornadas esportivas de muitas décadas. Com ele havia cruzado no estacionamento, em oportunidade recente, e ficara perplexo com o seu envelhecimento, e não fui reconhecido. Na mesa, diante do providencial "Olha o Eduardo!" deu tempo para recompormos nossas velhas saudações. Mas percebi que nunca mais teríamos nos cumprimentado. Segundo abalo do dia. Passadas umas horas, novo chamado pelo jurássico celular: " Esqueceu do aniversário dos seus netos?" Esqueci, fui obrigado a confessar. Pedro e João estavam completando sete anos. Não tive como mentir. Avô não pode mentir para filha ou netos. Mas nem precisa, em nossa idade, não enganamos mais ninguém. O livro "Patrimônio" do Philip Roth continua repercutindo na minha memória. Sei por outro lado que logo logo também vou esquecer que li essa joia biográfica. A culpa vai ser da Ciclosporina.

Um comentário:
O esquecimento é a derradeira forma de sobrevivência.
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