Crônica diária
A vaia da Semana Moderna
Por absoluta coincidência esta crônica escrita dia 19 passado foi
prevista publicação no dia em que se comemora a fundação de São Paulo:
25 de janeiro. As datas anteriores já estavam comprometidas. E o assunto
é a famosa vaia que os participantes da Semana de Arte Moderna de 22
receberam. Foi a glorificação do evento. Foi sua consagração. E estou
sabendo através da leitura do livro "A Capital da Vertigem", de Roberto
Pompeu de Toledo, que foi encomendada por um dos patronos da Semana,
Paulo Prado, autor intelectual da vaia, segundo Di Cavalcanti. Havia
outro suspeito: Oswald, que sempre negou. A Semana consistiu numa
exposição de artes plásticas, e em três dias de apresentações, na
segunda, quarta e sexta-feira dias 13, 15 e 17 de fevereiro de 1922.
Corria mansa, morna e pacificamente e não teria cumprido sua finalidade
não fosse as vaias do ultimo dia. Por essa razão acredita-se que tenha,
mesmo, sido orquestrada por seus idealizadores. Paulo Prado teria
chamado o amigo Cícero Marques, o meticuloso recenseador dos prostíbulos
da rua São João, em seu livro "De pastora a rainha", e pedido:
"Promova uma vaia! Tenho horror de isso ficar parecendo com festinha."
Menotti, que participava da Semana, notou que os vaiadores se
encontravam em pequenos grupos, estrategicamente distribuídos pela
plateia. Para ele, seria evidente de algo encomendado e ensaiado. De
qualquer forma, foi uma santa, sagrada vaia. Segundo Pompeu de Toledo
"nunca houve vaia tão consequente em São Paulo". Claro que seu livro
trata da história de 1900 a 1954. Recentemente tivemos outras vaias
colossais, em estádios de futebol, onde a Dilma, como Presidente da
República, foi chamada, em coro uníssono, de FDP.

2 comentários:
Então foi a consagração da Pesidenta !
Anda cheia de olheiras e terrivelmente magra. Estão a dar cabo da mulher...
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