Crônica diária
A culpa é do moldem
Há coisas que eram essenciais a pouco tempo, e deixaram de existir, ou
quase. Como canivete, prendedor e pérola na gravata, corrente de relógio
de bolso, abotoadura, polaina, só para ficar nos penduricalhos
masculinos. Outras surgiram, e fazem parte de nosso dia a dia de forma
imprescindível. Exemplo? Celular, tablets, e o tal do moldem. Sem o
moldem seu computador, ou o sinal de internet, não funciona. Entre o
moldem e o computador pode, ainda, estar o roteador. Termos que não
existiam a muito pouco tempo. Minha casa, que tem nome: Piacaba, na
praia e lagoa de Ibiraquera, em Santa Catarina, é a ultima da rua, que
recebe (mal) o sinal da internet. As casas, minhas vizinhas, não tem
sinal. Isso até parece coisa de dezesseis anos atrás (uma eternidade)
quando não tínhamos lixeiro, iluminação pública, e carteiro, que
continua não passando por aquelas bandas. Por essa razão o técnico da Oi
vive em casa. Nunca é o mesmo. Os serviços são terceirizados, e o
atendente é sempre um novo. A culpa nunca é da linha telefônica, da
empresa. É sempre problema interno, que não é com eles. Ou... do moldem.
Aí eu troco o moldem, e volta a funcionar a internete. Mal, lenta, mas
funciona. Com isso fui juntando moldens. Tenho uma dúzia deles. Esta
semana deu pane no sistema. Ligamos para a Oi, e informaram que estavam
em manutenção e que as dezoito horas voltaria o sinal da internet. Não
voltou. Ligamos novamente e agendaram um técnico para depois de amanhã.
Como ficar quarenta e oito horas sem internet? Impossível. Me leva à
loucura. No dia seguinte voltamos a ligar, explicamos a urgência e
tivemos a confirmação de que o técnico viria na parte da tarde. De fato
uma hora depois ligou perguntando como chegar no endereço. Passada meia
hora chegou. A culpa mais uma vez era do moldem. Claro! As tomadas e
filtros eram novos. Só poderia ser o moldem. Peguei um dos meus doze,
descartados por eles, e trocamos com o que "estava com defeito".
Funcionou. Mas me prometeu que no dia seguinte alguém da Oi iria trazer
um novo mais moderno. E trouxeram. Não é preto. Branco e do tamanho de
um maço de cigarro. A cada dia esses aparelhos eletrônicos diminuem de
tamanho. Até o dia que não vão mais existir como conhecemos hoje. Virão
embutidos nos finíssimos e levíssimos notebook, tablets e congêneres.
Roteador será aparelho do passado. A Piacaba continuará a ser a ultima
da rua e a receber um sinal precário, e não terão mais em quem jogar a
culpa.

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