25.7.21

Crônica diária

 Só não vale palavrão



Gabeira é um observador político competente. Muitas vezes ouvi e li suas previsões se confirmarem. Sua experiência como parlamentar dá, ao hoje jornalista, uma vantagem enorme sobre seus colegas. Ontem (quinta feira) ele disse, em seu comentário na Globo News, que não tinha gostado da "cara" do Bolsonaro. Recomendou que os repórteres se debruçassem sobre o estado de saúde do presidente. E foi um pronunciamento numa rádio do Paraná onde o Jair Messias confessou ter sido um parlamentar de muitos partidos, e todos do centrão. Centrão esse que jurou combater em sua campanha para presidente. Acabar com o "toma lá, dá cá", e com a velha política. Hoje, com seu governo totalmente ligado ao centrão, assume seu passado, e nega completamente tudo que prometeu ao ser eleito. Cria novos ministérios e entrega o ministério formulador do governo, Casa Civil, para um líder do Centrão que em passado recente o chamou de fascista. Com a palavra os cegos, e surdos. Com a palavra os bolsonaristas. Só não vale palavrão.

 

 

24.7.21

Crônica diária

 

Terceira via
Vou logo dizendo que sempre tive certeza de que seria nossa ultima esperança. Quanto à sua viabilidade muitos fatores são determinantes. O STF, e suas atitudes, são um desses fatores. Ao absolver o réu Lula, e condenar por suspeição o juiz Moro, exerceu um papel fundamental. Trouxe de volta tudo que o bolsonarismo desejava. Mas se nem Lula e Bolsonaro são os responsáveis pela indefinição do candidato de centro, o que não deixa de ser verdade, essa responsabilidade cabe ao egoísmo, falta de espírito publico, patriotismo, dos que se apresentam como postulantes nesta disputa. Candidaturas e alianças inconciliáveis como as de Ciro Gomes. Outros dispostos a composições desde que seu nome prevaleça na cabeça da chapa. E há ainda os, eleitoralmente fortes, reputação ilibada,  que não estão dispostos a colocarem suas cabeças numa disputa impatriótica, mesquinha e portanto suicida. Dou nome aos bois: Mandetta, Ciro, Dória, Eduardo Leite, Jereissati, por enquanto.

Crônica do Alvaro Abreu

 

Morrendo de rir

 

A charge de Amarildo na edição do último dia 12 deste jornal previu o final de uma etapa do governo, caracterizado por bobagens, bravatas e ameaças. No desenho do nosso astuto chargista, uns tantos brasileiros estão rolando no chão de rir, diante de Bolsonaro declarando que não haverá eleições se o sistema de votação não mudar. De lá pra cá, a coisa só fez se agravar. A derrota da PEC do voto impresso é fava contada. 

 

A substituição de um general de confiança por um político profissional, dotado de grande capacidade de mobilização de forças e apetites, será a marca da mudança de padrões. Trazer Ciro Nogueira pra dentro do Palácio é a expressão exata da capitulação do estilo capitão bravateiro. Com tal decisão, tomada por desespero, ele abre acesso aos seus segredos, delírios e intenções. E, mesmo não sendo rei, meio que fica nu e sem retaguarda confiável. Já não bastava ter Lira tomando conta do dinheiro e das votações, sempre de olho na unidade do Centrão e encantando boa parte da oposição. 

 

O degringolamento do prestígio e do poder do presidente parece irreversível. Na impossibilidade de se manter impune no comando, só lhe resta ceder parcelas crescentes de poder e comprar apoios cada vez mais caros. E sem qualquer garantia de fidelidade e subordinação. 

 

Não tenho conhecimento de situação tão bizarra, que até parece um torto semipresidencialismo. Teremos uma dupla de gulosos fazendo política do “venha a nós” 24 horas por dia, enquanto o Presidente engasga e rola na cama. É uma condição de sobrevivência inteiramente perigosa e incômoda para pessoas que agem por impulso e prepotência. Bom exemplo disso foi a aprovação do Fundo Eleitoral de valor astronômico, que transformou um aliado em inimigo, com ameaças de abertura de processo de impeachment.

 

Já se vê que muitos de seus fiéis seguidores estão ficando sem graça. Mais do que isso, já tem gente debandando. Li, esta semana, que “Weintraub articula candidatura ao governo de SP fora da órbita de Bolsonaro”. 

 

As pressões de uma igreja evangélica multinacional sobre o presidente ultrapassaram limites e podem ter aberto mais um flanco. Na condição de enviado especial disfarçado, Mourão foi à África para reunião sobre língua portuguesa e na volta veio trazendo a negativa categórica do presidente de Angola em receber membros da bancada evangélica.

 

A aprovação de legislação que restringe nomeação de militares para funções no serviço público, que já conta com a simpatia do pessoal de farda, será petardo definitivo no discurso de “meu Exército''.

 

A esperteza de Kassab, ao defender o nome do presidente do congresso para as próximas eleições, deve ter provocado muitos soluços presidenciais, por quebra de expectativa de fidelidade eventualmente prometida. Por essas e outras, a terceira via vai ganhando força, gostem ou não os dois candidatos que se sentem invencíveis.

 

Vitória, 22 de julho de 2021

Alvaro Abreu

Escrita para A GAZETA

23.7.21

Crônica diária

 Dilema cruel


 Nessa absurda situação de polarização entre esquerda e direita em que Lula e Bolsonaro nos meteram, ficamos no absurdo dilema entre o corrupto competente (sem nenhum viés ideológico), e o miliciano e fascista incompetente.

 

22.7.21

Crônica diária

 A Pandemia e a Educação


Não posso garantir que esse fenômeno tenha efeito global, mas com certeza no Brasil a falta de aulas presenciai durante um ano e meio, com as escolas públicas e privadas semiabertas refletirá de forma dramática no que no futuro será conhecido como "geração pandemia". A ausência do convívio escolar, e deficiência na aplicação do curriculum escolar, já de a muito precário, terá reflexos perversos no desenvolvimento da criança, e de todos os alunos de uma forma geral. Não há como recuperar esse tempo perdido e suas consequências serão definitivas na qualidade dos profissionais de amanhã. A pandemia matou, e quem não foi a óbito, e ficou hospitalizado, de alguma forma carrega sequelas cuja cura completa ainda não sabemos qual é. Nos próximos 15 a 20 anos a "geração pandemia" sofrerá não só no aspecto da saúde, mas da falta de um ano e meio sem escola, e seus reflexos no desenvolvimento pessoal e intelectual. Se antes saíam do curso médio analfabetos funcionais, imaginem agora. "Tá ligado, mermão?" "Total, mano". 


 


21.7.21

Crônica diária

 Lembranças de Cataguases

Murakami, no livro " Sul da fronteira, oeste do Sol", fala dos problemas de um filho único, seu amor infantil, juvenil, e maduro. Escreve sobre a paixão por uma outra filha única, e algumas relações com garotas que puxavam de uma perna, por conta de paralisia infantil. Umas a perna direita, dando uma volta com o pé antes de tocar no chão. Outra a perna esquerda, só arrastando levemente o pé em direção reta. Mas eram problemas quase imperceptíveis, em que nada as desmereciam. 

Não vou fazer um espoiler do livro. Vou contar que lendo lembrei de uma garota em Cataguases, que meus colegas hão de testemunhar, tinha também qualquer problema com a posição dos pés, ao andar, tanto que seu apelido entre nós era "deixa que eu chuto". Nem por isso era menos cortejada. Eu mesmo a namorei e tenho gratas lembranças das sessões de cinema, e das nossas bulinações. Dito isso, fui conferir no Google se o verbo bulinar estava correto no sentido que empreguei. Uma surpresa. Vejam o que ele diz entre outras definições: "Bulinar significa também procurar contatos volupuosos, isto é, apalpar uma pessoa maliciosamente, tocar suas parte, principalmente em locais públicos, sobretudo em aglomerações, no cinema, na praça, na praia etc., sempre sem concordância da pessoa bulinada." Nada disso, a menina de Cataguases adorava bulinar e ser bulinada. 

 

20.7.21

Crônica diária

 Encontros inesperados


O cinema e atualmente a TV fazem de pessoas que nunca vimos de carne e osso nos parecerem íntimos desconhecidos. Recentemente aconteceu de encontrar uma pessoa num resort, cercado pela família, e nossos olhares se cruzarem. Talvez, e nunca saberei ao certo, por ser da mesma faixa etária, num ambiente onde éramos minoria, entre jovens casais e seus filhos de quatro a sete anos. Éramos uns poucos avôs no recinto. Encaramo-nos por segundos, cada um tentando adivinhar quem era o outro, e desistimos, desviando o olhar. Meia hora depois, puxando pela memória descobri tratar-se do ex deputado federal pelo Piauí, Heráclito Fortes. Inconfundível. Talvez um pouco mais velho, e ainda mais gordo. Bom orador, e grande conhecedor de aeronáutica. Via e ouvia, pela TV Câmara, muitos discursos e debates travados da tribuna. Hoje um pacato cidadão comum, que levei algum tempo para lembrar de onde o conhecia. Ele nunca tinha me visto na vida.

 

19.7.21

Crônica diária

 Haruki Murakami

 


Gosto quando encontro livro novo, mesmo quando tenha sido publicado originalmente há vinte nove anos, como é o caso deste "Sul da fronteira, oeste do sol", de um dos mais famosos autores da literatura japonesa. Acontece com ele e com outros seis ou sete escritores de quem sou fã absoluto. E muitas vezes fico um ou mais anos sem ler um livro novo desses meus favoritos. E ao começar a leitura tenho nítida impressão de estar pessoalmente ao lado do autor ouvindo a história. Seus modos particulares de escrever não mudam de livro para livro, assim como a voz e a maneira de se expressar tem características pessoais próprias. Chamam a isso estilo. Com o tempo, e várias leitura do mesmo autor vão nos abastecendo de informações pessoais ou características de seus personagens habituais ou recorrentes que nos fazem parecer íntimos ou pelo menos nossos conhecidos de longa data. É sempre muito agradável reencontrar velhos amigos e deles ouvir histórias novas.

 

18.7.21

Crônica diária

 CPI já cumpriu seu papel


A CPI da Covid do congresso que deveria ser um instrumento de investigação a serviço do governo que se diz paladino da moralidade e de reputação ilibada, tornou-se um órgão de denúncias graves contra o executivo, com uma tropa de choque  governista completamente aturdida com os fatos levantados, e sem condições de defender o seu governo. Só isso, e já no atual estágio, não precisando nenhum outro prazo, nenhuma outra prova a não ser as já colhidas e reunidas pela CPI. Daqui para frente só haverá constrangimento. O Exército, pela participação do general da ativa Eduardo Pazuello, ex ministro da saúde, e duas dezena de coronéis. Constrangimento aos deputados e senadores da base aliada. Constrangimento ao Onyx Lorenzoni, Chefe do Gabinete da Casa Civil, que reagiu de forma desproporcional, e equivocada, exibido documentos verdadeiros, alegando falsidade, e ao invés de determinar investigações contra as graves denúncias, exonera um funcionário subordinado ao General e coronéis corruptos, e envolvidos no rolo de compra de "fumaça", e não tratando com seriedade a compra de vacina da Pfizer, depois de meses sem dar resposta às suas diversas ofertas. A hilária alegação de que as propostas eram em inglês e não havia no ministério ninguém em condições de responde-las, não é só uma piada, é um escárnio, e o retrato escancarado de má fé, e incompetência da gestão do Pazuello, hoje servindo no Palácio. Assim como os outros militares da reserva que serviram no ministério da saúde e ocupam cargos na ante sala da presidência.  Ou o presidente demite todos os envolvidos e promove  investigação através da Polícia Federal, inclusive seu líder Ricardo Barros, ou ele Bolsonaro será o único e maior responsável pela morte de 530 000 mortes no Brasil, e assumirá a responsabilidade desse genocídio.

17.7.21

Crônica diária

 

 
Eduardo Krause é um excelente escritor que dia desses postou um texto engraçado, mas delicado por tratar-se de um gaúcho. Declinou quase todos os tempos do verbo urinar. Começou dizendo que evitava usar o urinol de banheiros públicos quando estavam lotados, mesmo antes da pandemia. Mas no caso, era um banheiro num pequeno restaurante, com dois urinóis. Ele se habilitou num deles, e em seguida entrou outra pessoa e perguntou se ele se importava de urinarem juntos? Ele respondeu, constrangido, que não. E o camarada acrescentou: "Não sendo o governador, não tem problema, não é?" Só nesse momento ele desvia o olhar do seu enrugado membro para encarar o indivíduo a seu lado. Como estavam de máscara, não conseguiu perceber, além do olhar, qual era a real intenção com a piadinha. Curiosamente o fato do Rio Grande do Sul sempre ter se gabado da machice dos seus homens, agora convive com um governador gay declarado. Outros tempos. Continuou seu ato urinário separando as bolinhas de naftalina com o seu fluxo hídrico, e agradecido pela benesse inesperada das máscaras, que protegem nossas bocas de sorrisos amarelos como o xixi.  

16.7.21

Crônica diária

 Cuba volta ser notícia


Morreu Guevara, morreu Fidel, e hoje o presidente de Cuba é um senhor chamado Miguel Diaz-Canel, cuja imagem é pouco conhecida fora do país. Pela primeira vez em mais de 60 anos milhares de cubanos saíram às ruas, no domingo passado, para um protesto que é considerado o maior da história recente. As pessoas gritavam: " liberdade" e "abaixo a ditadura". 

Curiosamente o regime comunista não conseguiu resolver os problemas de Cuba. Uma pequena e miserável ilha onde a falta de liberdade e a pobreza convivem há 60 anos com o mesmo discurso: "que atribui a atual crise que atravessa a ilha ao embargo dos Estados Unidos". 

Com a propagação das manifestações, o presidente do país, Miguel Díaz-Canel, fez um pronunciamento na TV para convocar seus apoiadores a tomarem as ruas para "confrontar" os manifestantes. "A ordem de combate está dada: os revolucionários devem ir para as ruas", disse ele.

Com a palavra os comunistas brasileiros, e os eleitores do Lula e do PT. 

 



14.7.21

Crônica diária

 Estranho, mas vou me acostumando

Eu não gosto de frio. Por outro lado os médicos me aconselharam a não tomar sol, sem muita proteção. Para compensar tomo Vitamina D. Mas não é a mesma coisa. Elas podem fazer efeito benéfico internamente no organismo, mas as minhas pernas e pés continuam branco leite. Não tem nada mais feio do que isso. Ahh tem sim, pé com joanete. Fazia algum tempo que, mesmo na praia, eu não andava de calção. Tênis e moletom. O resultado é aquela terrível aparência de queimadura comercial. Careca, braços e mãos morenos, e o resto branco neve. Com a idade, até com isso a gente se acostuma.


13.7.21

Crônica diária

 Intenção de voto 

 


Essas pesquisas de intenção de voto há mais de um ano das eleições é exatamente como olhar uma nuvem. É o registro do momento. Dois minutos depois a nuvem, e a pesquisa, podem ser completamente diferentes. Mandetta em abril de 2020 segundo o Datafolha tinha 76% que consideravam sua gestão muito boa. Saí do ministério e aparece em julho de 2021 com 34% nesse mesmo quesito. A pergunta que fica no ar é como sua avaliação pode ter caído tanto, ele não estando à frente do ministério? Claro que apareceram outros candidatos, e o ex-ministro sofreu durante esse tempo, sem palanque,  fortes e mentirosos ataques. Ao contrário de Moro, ídolo inconteste em 2018 e 2019, nas pesquisas atuais nem é lembrado. Mas é bom lembrar, por outro lado, que o Bolsonaro seis meses antes das ultimas eleições também não aparecia bem na foto. E deu no que deu. Infelizmente. Espero que Mandetta, ultimo colocado nessas pesquisas da semana passada, e único representante da terceira via, nessas pesquisas, possa se eleger em 2022. Volto a defender como vice, em sua chapa, a senadora Simone Tebet. Com isso a volta dos políticos no exercício da política, e não a volta ao passado, com gente corrupta e despreparada.

 


12.7.21

Crônica diária

 Sobre o impeachment


Algumas vezes tomo (sem consentimento dos autores) seus comentários para desenvolver minhas ideias. Mais uma vez o lúcido paulista, residente em Campinas,  Alcides F. Vidigal escreveu a respeito de um eventual impeachment do Presidente: 

"Com Bolsonaro entrando no radar do impeachment a partir da dura nota do Pacheco, muito além da meramente protocolar, que se soma a ainda mais dura resposta de Barroso e este com apoio massivo do restante do Poder Judiciário; que serão agravada pelas manifestações das massas da classe média eleitora, que ocorrerão no dia 12 de setembro, pode ter, finalmente, ter selado o destino de seu (des)governo." 
Sou um dos eleitores desse maluco que, no terceiro mês de governo,  passei a fazer severas críticas e oposição, alertando para suas já perceptivas intenções de dar um golpe e se perpetuar no poder.Nos dois anos seguiintes essas intenções foram sendo demonstradas à luz solar. Durante esse período, mais de 100 pedidos de impeachment foram protocolados na câmara dos deputados. Eu escrevi contra. Ponderava que o país estava usando em demasia esse legítimo instrumento da democracia. E sua banalização enfraquece as instituições, e empalidece  o regime democrático. Não é um processo rápido, e durante seu desenrolar os três poderes ficam praticamente imobilizados. Com a pandemia exigindo providências emergenciais, a economia engessada, desemprego e grande parte da população passando necessidades, advogava que seria menos ruim deixar o Bolsonaro terminar seu desgoverno. E naquela ocasião ele ainda tinha apoio de grande parte dos eleitores e motociclistas deste país. Por incrível que pareça. Agora não. A ultima pesquisa do Datafolha nos indica que 54% dos consultados é favorável ao impeachment, contra 42% contrários. Essa dado mostra, estatisticamente, que o evento  entrou no radar, não só do Pacheco, do Barroso, dos ministros do Supremo, como do povo que irá de forma inequívoca demonstrar nas ruas no dia 12 de setembro. Somado a esse capital poderoso e soberano, o descontentamento, entre os militares da reserva e da ativa, com o presidente, parece nunca ter chegado ao máximo tolerável. E por fim, falando em militares, há quem diga que eles não aceitarão mais fazer continência ao ladrão condenado, caso seja candidato e se for eleito. Como essa possibilidade é real, sou obrigado, mais uma vez, para evitar um mal maior, passar a apoiar o impeachment do Bolsonaro, criando novas condições para o pleito de 22. 

 

Amarildo

 


11.7.21

Crônca diária

 Saia justa


Minha neta em início de alfabetização: "Vovô, você passa isso na cara?" Vendo o frasco de perfume na pia. Respondo: "Não, é da sua avó!"

10.7.21

Crônica diária

 Temperatura alta

Enquanto na serra de Santa Catarina a temperatura esteve em menos 7,5º graus centígrados, na política ferve. Com a mesma intensidade que caí a popularidade do presidente, sobe a do ex-presidiário (condenado não por motivação política, mas em duas instâncias, em vários processos, por corrupção e chefiar uma quadrilha). Esse terrível panorama somado à existência de uma CPI no Congresso, faz com que o país viva um delicado e perigoso momento. O dólar que havia recuado, por razões econômicas, volta a subir por incertezas políticas. Pesquisas de opinião pública mostram Lula à frente do Bolsonaro numa eventual eleição em 2022. Ganha no primeiro e segundo turno. Não há, infelizmente uma terceira via competitiva. Na pesquisa aparecem Dória e Ciro com boa vantagem sobre Mandetta. Eduardo Leite, do Rio Grande do Sul, e Moro, não aparecem. E com a prisão do depoente na CPI, Roberto Dias, ex-diretor do Ministério da Saúde, e as declarações do presidente da CPI, senador Omar Aziz, sobre os inúmeros militares envolvidos no "rolo" da compra de vacina, os comandantes das Forças Armadas e o ministro da Defesa, general Walter Braga Netto, publicaram uma nota oficial com uma ameaça.  O texto diz que “as Forças Armadas não aceitarão qualquer ataque leviano às Instituições que defendem a democracia e a liberdade do povo brasileiro”. O senador sente-se ofendido e reclama do Presidente da casa, uma resposta do Senado. Assinam a nota, além de Braga Netto, Almir Garnier Santos, comandante da Marinha; Paulo Sérgio Nogueira de Oliveira, comandante do Exército; e Carlos de Almeida Baptista Junior, comandante da Aeronáutica. Bolsonaro em baixa, temperatura em alta.

Crônica do Alvaro Abreu

 

Jogar fora, nem pensar

 

 

Assunto alegre é o que não falta por aqui: neta crescendo rapidinho, com cabelo de cima da cabeça arrepiado no melhor estilo cacatua; goiabeira meio maluquinha, produzindo adoidada em pleno inverno de vento sul insistente; perda de Bill, irmão do finado Kill, aos 16 anos, já bem magrinho e com andar robocop, depois de receber muitos dengos, inclusive o de poder dormir dentro de casa durante um mês inteiro; a imunização de praticamente todos os membros do nosso clã familiar expandido e do círculo de amigos; e as quedas progressivas nas perdas diárias de brasileiros por covid-19.

 

Mas não há como deixar de lado a insensatez e as maracutaias relacionadas aos processos de compra de vacinas pelo governo federal. A partir de uma denúncia muito bem calculada, feita ao Presidente numa tarde de final de semana, vai se descortinando uma espécie de guerra entre quadrilhas ou, para usar um termo mais em voga, entre facções, por dinheiro graúdo.

 

Basta prestar atenção nas notícias sobre fatos envolvendo civis e militares nomeados para cargos de chefia dos órgãos responsáveis por compras bilionárias, que afetam a vida de tanta gente, lá no Ministério da Saúde. Ao que se sabe, todos eles foram indicados por políticos e empresários conhecidos e com passado relativamente nebuloso. Em complemento, também se fica sabendo de um deputado, que lidera pelo governo, operando com potência e agilidade na aprovação de legislação e de providências relacionadas com compras governamentais estratégicas. 

 

Para engrossar a complexidade do enredo e aumentar o suspense da novela, fica-se sabendo, também, que subiram ao palco novos atores, recém-saídos de malocas e esconderijos. Amadores e profissionais, inclusive um reverendo, oferecem ótimas oportunidades de negócio, posam de detentores de influência e de acesso a gente muito enfronhada no poder central. 

 

O que se oferecia como uma pechincha, transformou-se numa fonte de fortunas potenciais e instigou ganâncias generalizadas. Ainda não se sabe os detalhes, mas tem todo jeito de guerra de foice no escuro. O pessoal da CPI acaba de acender a luz.   

 

Começo a acreditar que a coisa está ficando esquisita e em bases definitivas. A divulgação de sucessivas descobertas de irregularidades e de conexões indevidas no trato do dinheiro público para salvar vidas produz estragos relevantes nos níveis de confiança no governo. Vai se consolidando a impressão de que a vaca já está indo pro brejo. Há até quem acredite que ela já teria ultrapassado o famoso ponto de não retorno, de onde ninguém, mesmo que se valendo de todo tipo de recurso e de habilidade, conseguirá tirá-la.

 

Ainda não dá para imaginar os próximos capítulos dessa história de terror, mesmo porque, o artista principal pode querer jogar o script oficial no lixo e tentar escrever um outro, a seu gosto e dos seus. Oremos mais um pouco. 

 

Vitória, 08 de julho de 2021

Alvaro Abreu

Escrita para A GAZETA


9.7.21

Crônica diária

 Feriado em São Paulo, 9 de julho

 

 

Depois de quatro dias de férias, e um ócio completo, voltamos para a realidade, e logo em seguida um feriado. Feriado estadual não interrompe as atividades nacionais, nem as cobranças bancarias. A CPI da Covid, de quem não tive notícias durante uma semana, continua com as oitivas de funcionários públicos desse ministério, o mais "confuso" do governo Bolsonaro. Confuso para não dizer corrupto. Na quarta- feira passada, finalmente, uma "ordem de prisão" deixou de ser só ameaça, e prenderam o Roberto Dias, ex-diretor. Além de "rolos" do ex-ministro Ricardo Barros, atual líder do governo na câmara, e representante do "centrão", a digital do ex-ministro Pazuello e de um sem número de coronéis, cabos, e outros militares estão presentes. Não fica bem para o nosso Exército. Como não fica bem para o STF a indicação de advogados ligados a credos, e sem o curriculum básico para o posto de maior relevância no poder judiciário. Esse desprestígio da suprema corte  reflete-se em toda sociedade. Estamos vivendo além do distanciamento social, por conta da pandemia, um distanciamento econômico e cultural do mundo mais evoluído. O que fizemos na última década foi despencar em todos os índices de desenvolvimento. A não ser o da mediocridade onde estamos nos adiantando aceleradamente.

 

8.7.21

Crônica diária

 Hora de voltar

Depois de ter satisfeito meus leitores com todas as informações solicitadas, dando conta do nome do resort, localização, e um breve apanhado das atividades, com atenção especialíssima para o restaurante e comida do hotel, chegou o dia de fazer o check-out, as 15:00. Pela manhã ainda tomamos sol na piscina, por ter declinado uma trilha de cinco quilômetros. Aproveitei para acabar a leitura do “Doramar ou a Odisseia” histórias do Itamar Vieira Junior, cujo livro anterior ganhou o Jaboti e outros dois prêmios literários com o “Torto arado”, sobre quem já escrevi. Resolvi voltar a conferir o Itamar, o mais novo xodó de nossa literatura, e não me decepcionei, pelo menos em dois contos do livro de doze. Os outros dez achei o mais do mesmo, muito repetitivos, no tema e na forma. Mas confesso, também, que o ambiente do resort Clara não combinava com uma leitura desse calibre. Por sorte nossa o sol se escondeu entre nuvens cinzas durante o lauto almoço, e fazer as malas, e partir foi menos dolorido se, o dia e temperatura, estivessem diferentes. Fazia 16 graus, o vento frio, e a volta sem o trânsito, que esperávamos por conta do horário, fizemos os 79Km numa hora e cinquenta e seis minutos. Voltar para casa sempre é muito bom, depois de quatro dias de muito ar livre, beleza da arquitetura, e paisagismo, ao pé de uma linda represa em Ibiúna. Da próxima vez quero conhecer a unidade mãe, Resort Clara, Dourados, SP, onde o tema hotel fazenda é ainda mais levado a sério. As crianças acabaram não conhecendo de perto uma galinha e não puderam estabelecer a comparação com uma vaca. Brincaram de dar cenoura para coelhos, andaram a cavalo e pônei, e conheceram um casal de seriema solto perto das baias, onde cobras e lagartos não ousam chegar. Há uma reserva de mato logo em frente.

 


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