Cosmerina,
sonhei com você
No interior da
Bahia é comum colocarem nomes curiosos, para dizer o mínimo, nas crianças. Uma
delas, a Cosmarina, hoje casada, mora em São Paulo, e trabalha em casa. Logo
que foi contratada ficou convencionado, a seu pedido, que seria chamada de Có.
Essa explicação se faz necessária porque pode parecer que a chamamos de Có por
ela trabalhar de cozinheira. É magrinha e sem estudo. Muito tímida e risonha.
Temos, ela e eu mútua dificuldade de nos entender. Eu falo paulistano, e ela
baiano do interior do estado. Nossa comunicação parece com aquela do
apresentador de TV que chama o repórter, e ele leva um tempo, às vezes enorme,
para responder. Esse fenômeno se chama "delay" (atraso, em
português). Pois é, minhas conversas com a Có são assim. Eu falo, ela me olha
com atenção, fica alguns segundos muda, e parece que minhas palavras se
congelaram nesse espaço entre nós. Por fim ela responde, e aí sou eu que não
entendo o que ela fala. Tenho que pedir para ela repetir, e depois de algumas
tentativas acabo deduzindo o que ela disse. Uma tristeza. Esta noite, imaginem
vocês, eu sonhei com a Có. Sonho colorido. E não foi bem com ela, mas com o que
tinha feito. Abri meu guarda roupa e a gaveta das meias estava cheia de
verduras. Alfaces, rúculas, repolhos enormes, cenouras e tudo que comumente é
guardado na gaveta da geladeira. Só não ficou claro se as meias estavam na
geladeira. Acordei rindo. Obrigado pelo sonho, Có.
João Menéres deixou um novo comentário sobre a sua postagem "
Flores para a Delegada":
Muitos parabéns, Eduardo !
Agora, queremos é vê-los nas mãos dos leitores aqui no VARAL DE IDEIAS !
Postado por João Menéres no blog . em quinta-feira, 6 de abril de 2017 05:17:00 BRT
Finalmente nas mãos do autor
Antes, só uma imagem enviada pela gráfica
Agora os pedidos já estão no Correio, e que quiser pode solicitar pelo e-mail: epl.escrit@gmail.com
ou pelo telefone 11 30794433 horário comercial, de segunda a sexta.
“Ferrugem” de
Marcelo Moutinho
Nunca havia
ouvido ou lido nada sobre esse escritor carioca. Comprei o livro porque gostei
da capa, e das poucas primeiras linhas da orelha assinada por Alberto Mussa.
Nela o autor do texto fala sobre a escrita que "remava contra a maré, da
onda do novo que tomava conta do país". De fato, os contos do Marcelo são
como eram os melhores contos brasileiros. Ele domina a narrativa, constrói
personagens com poucas palavras, e prende atenção do leitor com seus contos
curtos. Ora o narrador é do gênero feminino, ora é masculino. Cria com muita
competência diálogos inteligentes e verossímeis. Só tem um defeito: os contos
desapontam nos seus finais. Criam uma expectativa, e frustram o leitor. Dá a
impressão, cria a expectativa de que vai acontecer alguma coisa, e não
acontece nada.
Depois vem a queima, pintura e nova queima. Vamos aguardar.
Esse mundo anda complicado
Mas é o único que temos. Pelo menos conhecido até hoje. Trump assina uma
desautorização do tratado que o Obama havia assinado com relação à
emissão de gases. Os Estados Unidos são os maiores poluidores do
planeta. Leio que estão "queimando" twitter do Trump, literalmente. Mais
poluição. No mesmo dia a Premiê Theresa May assina a ativação do
Brexit. Não sei exatamente quem perde mais com a saída do Reino Unido da
União Europeia. Mas a França, e sua direita radical, gostariam também
de sair. Aí ninguém segura a Espanha e Portugal. A Alemanha reinará
soberana sobre a UE que sobrar. No Brasil a Polícia comete uma gafe
federal, para fazer jus ao seu nome, anunciando ao mundo que a carne
brasileira é fraca. O rombo nas contas públicas só fazem aumentar. O
ministro da Fazenda, noticia aumento de impostos para ajudar a tapar o
rombo. Os donos das fazendas não tem para quem vender seu gado. O BNDS
vai ter problemas para receber a dinheirama que despejou nos
frigoríficos interditados. A chapa Dilma-Temer começa a ser julgada.
Será que a pinguela chega até 2018?
José Luiz deixou um novo comentário sobre a sua postagem "
Comentários que valem um post":
Tendo a ver textos demasiado curtos como notas ou anotações, não como
crônicas. Simpatizo com o alongamento dos textos do Eduardo, próprio de
quem tem narrativas, visões e reflexões para transmitir e estimular.
Postado por José Luiz no blog . em terça-feira, 4 de abril de 2017 08:55:00 BRT
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Lara fazendo bolhas de sabão. Muitas... (Abril 2017)
O real perigo de um novo aventureiro
Na situação em que se encontram os políticos e partidos no Brasil, o
perigo do surgimento de um aventureiro que se apresente como única
solução é enorme. E não se governa um país continente, como o nosso, sem
sólidas bases partidárias, políticas e populares. Nem mesmo o exercito
com toda a sua força, através das armas, e de sua estrutura nacional,
tem condições de governabilidade sem o apoio popular. A volta dos
militares é a pior das hipóteses. Esta fora de cogitação. Nossas
instituições tem maturidade, e experiência suficientes, para superar o
atual impasse. O grande perigo é aparecer um aventureiro e se apresentar
como solução mágica. E quando se duvida que isso possa acontecer da
noite para o dia, o exemplo do atual prefeito de São Paulo, João Dória,
demonstra clara e objetivamente essa possibilidade. Não que ele seja em
si um aventureiro. Mas demonstrou que se pode construir uma imagem
nacional, ou uma miragem no deserto, que é a política no país neste
momento. Em pouco mais de três meses de gestão na Capital paulista,
falando e agindo como gestor, e se dizendo não político, já ganhou um
lugar de destaque na corrida à presidência em 2018. No caso específico,
nada contra a pessoa do Dória, que na melhor das hipóteses será um
candidato natural ao governo do estado. Mas demonstra que é possível, em
poucos meses, construir uma candidatura à presidência da republica.
Outra coisa, e muito diferente, é conseguir governar sem o apoio de uma
coligação de partidos, do congresso e do povo. Os três melhores
exemplos, e os mais recentes são Jânio Quadros, Fernando Collor, e
Michel Temer. Diante desse dilema, além das reformas econômicas em
andamento, o que mais importa é uma reforma política, e reforma
partidária, que permita uma eleição em novos padrões e moldes em 2018. A
manutenção e apoio a operação Lava Jato é fundamental. A punição dos
culpados, com cassação de seus mandatos, e inexigibilidade dos
envolvidos em crimes de caixa 2, ou corrupção, bem como cassação dos
partidos envolvidos, é fundamental. É preciso começar do zero. Ainda que
para tanto tenhamos que enterrar uma geração de políticos e de
partidos, criados no equivoco de que toda essa bandalheira é normal.
Lembro
que no passado éramos em torno de cinco pessoas assíduas contigo, agora
a gira de uns 20 ou mais. Muito Bom! mas eu prefiro as crônicas
curtinhas.
UM VARAL EM BARCELONA, 1964
(foto de Isabel Colita) Enviada por José Luiz Fernandes
A falta que
vocês me fazem
Quem escova os
dentes dede a mais tenra idade, quem faz barba todos os dias, quem tem o
intestino regular sabe que não se pode deixar de ir ao banheiro, escovar os
dentes, duas ou três vezes por dia, e barbear-se toda manhã. Quem publica uma
croniquinha, diária tem a mesma necessidade, depois de um tempo. Já são mais de
1580 crônicas, que correspondem a 1580 dias seguidos, ou mais de quatro anos ininterruptos. Vicia. Vicia e cria dependências. Hoje sou completamente dependente de vocês.
Vocês leitores são a razão direta deste meu vício. O que começou como uma
brincadeira foi se tornando um prazer, depois um desafio, e finalmente uma
grande responsabilidade. Acordo antes das sete da manhã, porque sei que tem
leitor me esperando. Ando o dia todo atento, com tudo o que ocorre ao meu
redor, para eleger assuntos para as crônicas. É um exercício mental melhor do
que palavra cruzada. E por mais que se aprenda no dia a dia, somos sempre
surpreendidos com as reações de vocês. Da crônica que não se espera nada, dá um
IBOP danado. Outras em que se deposita grande expectativa, a audiência não se
confirma. Apesar de não se poder agradar a todos, o número sempre crescente de
leitores, e pedidos de "amizade", esta crescendo. Sinal de que
estamos no caminho certo. Um pouco de política, um pouco de literatura, de
crítica dos costumes, e algumas pitadas de pura bobagem, são os meus
ingredientes. Tempera-los, e administrar doses corretas é meu dever. Já nem
reclamam mais quando passo das dez linhas. Ou não estão lendo, ou estamos
evoluindo.
Brócolis picados, cozidos com bacon na frigideira e coberto com uma generosa fatia de queijo
Março de 2017
Por que plátano é
banana?
A palavra esta
com agrônomos e com os espanhóis. Recebi uma imagem, enviada pelo meu filho em
Miami, de um prato com camarões, arroz integral, abacaxi, pimenta, feijão preto
e plátanos fritos. Pareciam bolinhos de banana à milanesa que eu adoro. Mas
segundo o Guilherme eram plátanos. Publiquei a foto no meu blog, pela
excentricidade de comerem camarões com feijão preto. Nem chamei atenção, para
não demonstrar ignorância, que não sabia do que se tratavam os plátanos fritos.
João Menéres, grande amigo e fotógrafo da cidade do Porto, escreveu me
perguntando como chamávamos banana aqui no Brasil. Por que na Espanha chamam de
plátanos. Respondi que plátanos era uma
variedade de árvore e nunca soube que dela se comesse alguma coisa. E que
banana, aqui era banana. E o João retrucou que em Portugal plátano é plátano.
Ficamos, João e eu sem saber por que banana em Miami é plátano? De
qualquer forma camarão com feijão preto não dá.
Oswaldo Goeldi - grandissimo artista - famoso grabador brasileiro -
tive a sorte e o privilegio de ser aluna e depois grande amiga.
Escreveu:
"Myra Landau fala uma linguagem própria, esta no grupo de artistas
que querem "dizer " algo com suas criações individuais .
Possuidora duma rica fantasia tem como ajuda invulgar sentido de cor
e uma linha que vibra e canta nos seus desenhos e gravuras.
E uma personalidade forte cheia de talento que não se perdera nas encruzilhadas. "
Baseado, Chopp
& Cia
O título do
livro não tem nada a ver com o delicado tema tratado. A foto da capa é no
mínimo ambígua. Lembrou-me a foto do meu primeiro casamento, feita pelo
fotógrafo inglês Roger Bester, no ano de 1969. O álbum do casamento era uma
caixa de Ipê, parecida com essas que servem para guardar charutos, presente do
José Carlos Ferreira, meu amigo e artista plástico Boi. Mas o Ketubah, xale
judaico, em primeiro plano na capa, entre duas mãos dadas, mãos masculinas,
sinalizavam para o assunto do livro. O autor, meu querido médico, e diretor do
centro de hematologia do Hospital Alberto Einstein, Dr. Nelson Hamerschlak,
explica a razão do título. Foi um sonho. Mas o livro trata de um pesadelo da
vida real. Através de muita luta, terapia, estudos, e a participação fundamental
da esposa, com muito amor, conseguiu superar o drama e torna-lo um motivo
de felicidade e orgulho. As pessoas que me conhecem, e sabem o que penso
a respeito de relações homoafetivas, não vão esperar que tenha modificado meus
sentimentos a respeito. Mas sou obrigado a confessar que além da enorme estima
e admiração que nutro pelo meu médico, cujos méritos dentro da profissão, em
especial, da sua especialidade, onde é sobejamente reconhecido como o melhor, o
Dr. Nelson me surpreendeu. Já conhecia suas qualidades como líder de uma equipe
de ponta, dentro do hospital onde trabalha. Já sabia do seu lado humano, e
sensível no trato com seus pacientes. Tinha notícia do lado boêmio e de músico
apaixonado. Sabia do seu amor à família, de quem sempre falou com alegria
indisfarçável. O que não supunha é que tivesse superado um pesadelo, que a vida
o impôs, com tanta coragem, garra e determinação. O livro é sobre esse terrível
processo.
AS POSTAGENS ANTERIORES ESTÃO NO ARQUIVO AÍ NO LADINHO >>>>>
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Falaram do Varal:
"...o Varal de Ideias é uma referência de como um blog deve ser ." Agnnes
(Caminhos e Atalhos, no mundo dos blogs)
..."parabéns pelo teu exemplo de como realmente se faz um blog...ou melhor tantos e sempre outstandings...".
(Vi Leardi )
Não vá perder sua hora....
Blog não é tudo, tudo é a falta do blog ....
( Peri S.C. adaptando uma frase do Millôr )
" BLOG É A MAIOR DAS VERTIGENS DA SUBJETIVIDADE " - Maria Elisa Guimarães, MEG ( Sub-rosa )