16.2.17
A palavra do ano já
esta eleita
EMPODERAMENTO. Como
sabem todos os anos surgem palavras que como peste, como um vírus, toma conta
dos textos escritos ou falados na mídia. Dela para as redes sociais. E o mundo
se contamina. Não há vacina que imunize o leitor, ou o locutor de rádio e TV.
Todos são aos poucos vítimas dessa palavra. O ano de 2016 a palavra foi
PÓS-VERDADE. No inglês post-truth, foi eleita a palavra do ano pelo Oxford
Dictionary. Segundo o próprio dicionário o verbete significa "relativo a,
ou que denota circunstâncias nas quais fatos objetivos são menos
influenciadores na formação da opinião pública do que apelos à emoção ou à
crença pessoal." Em outras palavras: é quando a versão ou boato é mais
importante que o fato. É quando a mentira vence a verdade. A campanha e vitória
do Trump, e o referendo do Brexit foram determinantes para essa consagração. O
ano de 2017 mal começou e a palavra "empoderamento" já sai na frente
como franca favorita aqui no Brasil. Se você procurar no Dicionário Michaelis
vai encontrar o seguinte: "empandeiramento, embandeiramento, e
empanturramento", mas nada sobre empoderamento. Já no Aurélio trás o
seguinte: "Ato ou efeito de empoderar ou empoderar-se." Fica
claro que essa palavra veio do ato de dotar "poder" a alguém ou
alguma causa. Temos lido e ouvido o termo ligado ao feminismo e racismo. O
empoderamento feminino e o ativismo pela igualdade racial. Como esses
dois assuntos prometem só aumentar, a eleição de "empoderamento" como
palavra de 2017 esta garantida.
15.2.17
Dois aniversários
A família reunida
Fernando de olho na Lara, fantasiada de mulher maravilha
A velinha ficou por conta da alegre Lara
E no "bolo" da vovó Paulinha, quem soprou foi o Luiz. Soprou e comeu tudo...
Paulinha dia 6 e Fernando Almeida dia 11. Comemoramos os dois num único jantar em família. Era para ser o MOMA (Modern Mamma Osteria), mas não havia mais lugar as sete da noite. São Paulo é assim, entrou na moda, esquece. Vai ter fila. Atravessamos a rua e fomos jantar no DUI CUOCHI. Bom também. São Paulo é assim.
Crônica diária
Mais uma piada pronta
Eu estava postando minha crônica sobre escritores prolixos, livros longos, e minha aversão pela verborragia usada pelos advogados quando leio os comentários que transcrevo abaixo. Minha crônica tinha por título "Curto e bom nº2". Não darei os nomes por razões óbvias. Mas acreditem, é absoluta verdade.
AW- CV, o estribo de sua pena (rectius teclado) não fica longe do talento....
AW - Esse corretor substituiu estro por estribo. Pode isso?
CV - hahaha, aw (no minutivo, demonstrando intimidade e carinho) não fez diferença a troca, pois não sei o que é estribo nem estro. Mas à primeira vista li "o estribo de sua perna"...aí fiquei intrigada.
AW - Desculpe meu "latinório", CV, porque é vezo de advogado velho. Esclareço,
pois, que rectius significa, mais ou menos:"ou seja" e "quer dizer". No texto, estro (substituiu pena, caneta no sentido poético de estravasar inspiração). Assim estaria no lugar de teclado. Certo?"
Eu estava postando minha crônica sobre escritores prolixos, livros longos, e minha aversão pela verborragia usada pelos advogados quando leio os comentários que transcrevo abaixo. Minha crônica tinha por título "Curto e bom nº2". Não darei os nomes por razões óbvias. Mas acreditem, é absoluta verdade.
AW- CV, o estribo de sua pena (rectius teclado) não fica longe do talento....
AW - Esse corretor substituiu estro por estribo. Pode isso?
CV - hahaha, aw (no minutivo, demonstrando intimidade e carinho) não fez diferença a troca, pois não sei o que é estribo nem estro. Mas à primeira vista li "o estribo de sua perna"...aí fiquei intrigada.
AW - Desculpe meu "latinório", CV, porque é vezo de advogado velho. Esclareço,
pois, que rectius significa, mais ou menos:"ou seja" e "quer dizer". No texto, estro (substituiu pena, caneta no sentido poético de estravasar inspiração). Assim estaria no lugar de teclado. Certo?"
14.2.17
Crônica diária
"A marcha fúnebre pelos campos de alho"
"O Pai Morto" de Donald Barthelme é um verdadeiro carnaval literário em
que vale quase tudo. Fábulas de moral duvidosa, diálogos íntimos
improváveis, definições enciclopédicas, reflexões metafísicas, aventuras
sexuais, detalhes orgânicos (tamanho da língua) das girafas, e por aí a
fora. Tudo dito sem nenhuma ordem com o objetivo de divertir o leitor,
contrariando todas as normas e conceitos até então estabelecidos (1975)
numa liberdade artística completa. O autor, revelado nos anos 1960 nas
páginas da revista The New Yorker, escreveu livros de ensaios, contos e
romances. A subversão e irreverência de sua narrativa influenciou
inúmeros autores e sua obra é considerada um dos grandes momentos de
renovação da literatura do século XX. Logo nas primeiras páginas da
leitura de "O Pai Morto" lembrei do estilo do Olivier Perroy e lhe
escrevi perguntando se conhecia Barthelme. Até agora não obtive
resposta, mas aposto que ele o conhece desde 60.
13.2.17
Blog do Chapa
Ando com saudade do meu blog CHAPA
O QUE É CHAPA
Você já deve ter visto nas margens das estradas e rodovias brasileiras, umas pessoas "acampadas" , próximo da entrada das cidades. Geralmente, se identificam, como CHAPA.São os GUIAS para motoristas, no perímetro urbano, e ajudam nas cargas e descargas do material transportado.
Há muitos anos acalento a idéia de publicar um LIVRO com fotos dos CHAPAS DO BRASIL.
Enquanto esse sonho não se realiza, vou postar, aqui as fotos do futuro LIVRO.
Crônica diária
Demonstração de autoridade
Sei que muito antes o pais já padecia desse mal, e muito se escreveu
sobre isso. Mas em 1958, portanto cinquenta e nove anos atrás, o genial
Rubem Braga, mais uma vez ele, escreveu: "O falso sentimento de
dignidade funcional, de "importância" do servidor público brasileiro é
um dos aspectos mais antipáticos de nossa vida cotidiana. Ele nunca se
sente, na realidade um servidor; ele só se sente "autoridade" -- e como
tal não se julga obrigado a dar satisfação a ninguém. " E termina a
crônica dizendo: "O homem do povo não tolera desprezo, a superioridade, a
empáfia dos funcionários pagos para servi-lo." Tudo continua do mesmo
tamanho e forma. Talvez até pior, porque o povo anda, ainda menos
indignado, e mais servil.
12.2.17
Crônica diária
Bizarro país
Foi o senador Ronaldo Caiado, quem escreveu recentemente sobre a
bizarrice dos brasileiros que "amam um emprego, mas odeiam quem os
cria". É verdade, o empregador no Brasil é considerado um inimigo,
apesar de ter criado o que o povo mais ama: um emprego. Até os governos
são odiados, apesar de serem os maiores empregadores. Grande parte da
culpa esta na mentalidade sindical, que parte do princípio de que o
patrão explora o empregado. No Brasil existem segundo o Ministério do
Trabalho 11.257 sindicatos, além de confederações e centrais, todos
sustentados pelo imposto sindical, pago inclusive pelos não
sindicalizados. A nota abaixo se fosse dada pelo Vão Gôgo, e Stanislaw
Ponte Preta, ou ainda pelo Macaco Simão, ninguém estranharia: "Há no país um Sindicato dos Empregados em Entidades
Sindicais (SP) –o sindicato dos sindicalistas–, sem falar em outro das
Indústrias de Camisas para Homens e Roupas Brancas de Confecção e
Chapéus de Senhoras (RJ)". É a piada pronta. Enquanto isso temos
mais de 12 milhões de desempregados, loucos por um emprego, e ávidos por
poder fazer uma greve, e portar cartazes contra quem os empregou. País bizarro, este. País em que a triste realidade é tão absurda que vira anedota.
11.2.17
Crônica diária
Qual das notícias (ruins) vamos comentar
A quantidade de notícias ruins que se sucedem diariamente é incrível. Se
pegarmos de primeiro de Janeiro para cá, entre rebeliões em presídios,
greves de policiais, morte de ministro em acidente aéreo, troca de
titular no Ministério da Justiça, eleição no Senado e na Câmara, só para
citar as mais rumorosas, precisaríamos de laudas e laudas todos os
dias. Não é o nosso caso. Dispomos de dez linhas, e as vezes meus
leitores ainda acham longas. Por que disse que eram notícias ruins?
Porque estão inter-relacionadas. E isso é mau. O governo, absolutamente
legítimo, porque eleito pelo voto popular, e não por mim, enfrenta
problemas gravíssimos herdados de seus antecessores. Eles na oposição só
atrapalham. Negam qualquer responsabilidade. Governos estaduais
quebrados. Polícia mal remunerada. Presídios depredados com
superlotação. Justiça morosa. Governo central aumentando ministérios,
quando a promessa era corta-los drasticamente. Ministro da Justiça,
Alexandre de Moraes, autor da tese de quem ocupa cargo no governo não
pode assumir cadeira no STF. Ele, autor da tese, saí do Ministério da
Justiça, onde criou várias trapalhadas, para ocupar a vaga do Teori
Zavasky. E para completar, o legislativo trabalha célere no sentido de
mudar leis, garantindo aos políticos e partidos benesses junto ao TRE.
Gilmar Mendes reagiu, Rodrigo Maia voltou atrás, mas foi indiciado pela
Lava Jato, como represália. Lobão, homem do ainda poderoso Sarney ganha a
batalha para presidir a mais importante comissão do Senado.
Constituição e Justiça. Como todo mundo sabe, Lobão e seus padrinhos
Renan e Romero Jucá já são investigados em vários processos. Sabatinar o
Alexandre de Moraes, seu possível juiz, é muito conveniente. Como
veem, o Congresso volta das férias, e ao invés de se dedicar às urgentes
e relevantes pautas nacionais, cabeludíssimas, como Reforma da
Previdência, e Reforma Política, tratam de cuidar de seus próprios
interesses. Como sempre. Mais uma vez em total dissonância com a opinião
publica.
Comentários que merecem um post
João Menéres deixou um novo comentário sobre a sua postagem "VARAL do Canadá":
Em Pintura não me lembro de ter visto alguma vez um varal !
E gosto de ver a saia a esvoaçar...
Até me lembrei da Marilyn !...
Postado por João Menéres no blog . em sexta-feira, 10 de fevereiro de 2017 08:25:00 BRST
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Crônica do Alvaro Abreu
Vergonheira
Saí
de férias logo depois das prisões explodirem no norte e no nordeste do
país, com relatos impressionantes de afronta à condição humana e à
justiça. Bandidagem contra bandidagem, medindo força, delimitando
território, mostrando que nem tudo está sob o controle do Estado. A
ausência de notícias me fez bem. A alienação tem lá suas vantagens.
Ao
chegar de volta, soube da greve do pessoal da polícia militar, com
familiares portando faixas e cartazes, batendo panelas diante das
câmeras, bloqueando a saída da tropa. No domingo à noite, me disseram
que meus netos não retornariam às aulas na manhã seguinte porque as
escolas estariam fechadas, por medida de segurança. Confesso que achei
um tanto exagerado. Na manhã da segunda feira, fui trabalhar ouvindo no
rádio notícias sobre saques de lojas, roubo de carros, assaltos à mão
armada, muitas mortes, ruas vazias. Acabava assim minha desinformação
sobre as dimensões do descalabro que se instalou por aqui, que
aterroriza e faz pensar nos seus significados e desdobramentos. Mas
ainda nada sei sobre as reais razões e interesses que o motivaram e o
sustentam.
A
falta de policiamento ostensivo nas ruas abre espaço para bandidos
profissionais agirem livremente e, bem pior, cria ambiente para que
pessoas comuns também se aventurem na atividade saqueadora, como ocorre
quando um caminhão tomba na estrada e derrama a mercadoria no
acostamento. Saqueia-se
em ritmo frenético, livre de culpa. É o lado bestial orientando pernas e
braços, estimulando a conquista de bens alheios, mesmo que ao preço de
porções de vergonha e de honra de cada consciência. Sabe-se
como é difícil e demorado educar, civilizar, uma pessoa. O que dói e
chateia é constatar que esse esforço de fixar valores sociais básicos
pode ser aniquilado por esquemas que estimulam corrupção e por decisões
que facilitam a prática de violências e crimes em larga escala. É fato
que o ser humano precisa de leis e aparatos que o protejam de seus
próprios instintos predatórios. Os homens responsáveis pela ordem
pública jamais poderiam desconsiderar essa verdade.
Vitória, 08 de fevereiro de 2017
Alvaro Abreu
Escrita para A GAZETA
10.2.17
Crônica diária
A mulher manca
De fato Diogo Mainardi tem razão. Não sei exatamente de quem estava falando pois quando liguei a TV o programa Manhattan Connection já estava no final e só ouvi: "...as mulheres mancas são as melhores na cama"... ou coisa parecida. Digo que tem razão não por experiência própria, mas pelo relatado pelo Leonardo, meu amigo, de quem falo devezemquando, sobre uma sua aventura amorosa. Leonardo é um experimentado amante. Casou-se três vezes. A primeira com sua paixão juvenil. Depois teve um casamento burocrático onde gerou três filhos homens. E finalmente é casado com uma mulher 25 anos mais moça do que ele. Quase da idade de seu filho mais moço. Antes, e nos intervalos entre seus casamentos, namorou muitas mulheres. Nunca teve casos durante os casamentos. Foi sempre fiel. Mas teve mulheres casadas, solteiras, viúvas, moças e mais maduras. É realmente um homem experiente sexualmente. Confidenciou-me o seguinte: "Nunca transei com uma mulher tão boa de cama como a Juliana.". Perguntei o que a diferenciava das outras. "Ela era manca". Como assim? "Pois é, linda de rosto e de corpo, mas tinha as pernas levemente em X, e mancava um pouco. Tinha 32 anos na ocasião, e era separada do marido. Ele, um pastor protestante, achava que a Juliana era tarada. Não deu conta do recado, pegou o chapéu e a deixou. Juliana era um assombro na cama. Talvez para compensar o complexo do seu defeito nas pernas ela extrapolava em sensualidade e sexo. Quem a via socialmente não dava muita coisa. Até nem percebia o leve defeito. Ela sabia vestir-se e comportava-se de forma a não chamar atenção para seu ponto fraco. Mas quando tirava a roupa e partia para o amasso era imbatível. Insaciável. E muito competente em se fazer desejada. Se seu comportamento fogoso era para compensar o problema, criava outro, assustando seus parceiros. Só não casei com ela, me confessou o Leonardo, com receio de que com os anos eu também não desse conta do recado." O Diogo tem razão.
De fato Diogo Mainardi tem razão. Não sei exatamente de quem estava falando pois quando liguei a TV o programa Manhattan Connection já estava no final e só ouvi: "...as mulheres mancas são as melhores na cama"... ou coisa parecida. Digo que tem razão não por experiência própria, mas pelo relatado pelo Leonardo, meu amigo, de quem falo devezemquando, sobre uma sua aventura amorosa. Leonardo é um experimentado amante. Casou-se três vezes. A primeira com sua paixão juvenil. Depois teve um casamento burocrático onde gerou três filhos homens. E finalmente é casado com uma mulher 25 anos mais moça do que ele. Quase da idade de seu filho mais moço. Antes, e nos intervalos entre seus casamentos, namorou muitas mulheres. Nunca teve casos durante os casamentos. Foi sempre fiel. Mas teve mulheres casadas, solteiras, viúvas, moças e mais maduras. É realmente um homem experiente sexualmente. Confidenciou-me o seguinte: "Nunca transei com uma mulher tão boa de cama como a Juliana.". Perguntei o que a diferenciava das outras. "Ela era manca". Como assim? "Pois é, linda de rosto e de corpo, mas tinha as pernas levemente em X, e mancava um pouco. Tinha 32 anos na ocasião, e era separada do marido. Ele, um pastor protestante, achava que a Juliana era tarada. Não deu conta do recado, pegou o chapéu e a deixou. Juliana era um assombro na cama. Talvez para compensar o complexo do seu defeito nas pernas ela extrapolava em sensualidade e sexo. Quem a via socialmente não dava muita coisa. Até nem percebia o leve defeito. Ela sabia vestir-se e comportava-se de forma a não chamar atenção para seu ponto fraco. Mas quando tirava a roupa e partia para o amasso era imbatível. Insaciável. E muito competente em se fazer desejada. Se seu comportamento fogoso era para compensar o problema, criava outro, assustando seus parceiros. Só não casei com ela, me confessou o Leonardo, com receio de que com os anos eu também não desse conta do recado." O Diogo tem razão.
Comentários que valem um post
"SÃO PAULO É UMA ILHA CERCADA DE BRASIL POR TODOS OS LADOS" E.P.L.
Li Ferreira Nhan deixou um novo comentário sobre a sua postagem "Crônica diária":
Uma das melhores definições de São Paulo!!!
Postado por Li Ferreira Nhan no blog . em quinta-feira, 9 de fevereiro de 2017 00:52:00 BRST
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Fernando Cals Devo ter tido sorte em duas ocasiões com o grande Lucio Costa. Na primeira vez, ao precisar fazer uma consulta sobre um projeto, fui atendido por ele mesmo - que era o diretor - de uma maneira tão acolhedora e - humilde para quem já era o cara que projetada o plano piloto de Brasília - que até me emocionou. Na segunda vez - quando ele estava praticamente recluso em seu apartamento no Leblon - novamente foi atencioso e amigo. Nessa ocasião, no entanto, já era uma estranha figura, arredia e doente. Fiquei tão impressionado com deu triste aspecto físico - bem como com o deplorável estado de abandono do seu apartamento - que telefonei para sua filha - Maria Elisa, amiga minha - pra saber se ela sabia das condiçōes em que se encontrava seu pai. Ela me disse que sabia de tudo mas ele não queria mudar nada. Realmente, apesar da solicitude do mestre Lucio Costa nessas duas vezes que estive com ele - como disse, devo ter tido sorte - sua descrição e bem ele. Grande Lucio Costa! Abração Eduardo.
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Li Ferreira Nhan deixou um novo comentário sobre a sua postagem "Crônica diária":
Uma das melhores definições de São Paulo!!!
Postado por Li Ferreira Nhan no blog . em quinta-feira, 9 de fevereiro de 2017 00:52:00 BRST
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Fernando Cals Devo ter tido sorte em duas ocasiões com o grande Lucio Costa. Na primeira vez, ao precisar fazer uma consulta sobre um projeto, fui atendido por ele mesmo - que era o diretor - de uma maneira tão acolhedora e - humilde para quem já era o cara que projetada o plano piloto de Brasília - que até me emocionou. Na segunda vez - quando ele estava praticamente recluso em seu apartamento no Leblon - novamente foi atencioso e amigo. Nessa ocasião, no entanto, já era uma estranha figura, arredia e doente. Fiquei tão impressionado com deu triste aspecto físico - bem como com o deplorável estado de abandono do seu apartamento - que telefonei para sua filha - Maria Elisa, amiga minha - pra saber se ela sabia das condiçōes em que se encontrava seu pai. Ela me disse que sabia de tudo mas ele não queria mudar nada. Realmente, apesar da solicitude do mestre Lucio Costa nessas duas vezes que estive com ele - como disse, devo ter tido sorte - sua descrição e bem ele. Grande Lucio Costa! Abração Eduardo.
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9.2.17
Crônica diária
Padrão comportamental
Ser misantrópico não é doença nem mania, é padrão comportamental. Rubem
Braga descreve o urbanista Lúcio Costa como "uma pessoa de exagerada
modéstia e uma rude misantropia, capaz de responder a um amigo que o
hospeda um fim de semana e lhe pergunta quando voltará: "Nunca mais".
Misantropia por definição é a aversão ao ser humano e à natureza humana
no geral. Também engloba uma posição de desconfiança e tendência para
antipatizar com outras pessoas ou um determinado grupo de pessoas. Um
misantropo é alguém que desconfia da humanidade de uma forma
generalizada. Seu antônimo é afabilidade, cortesia, sociabilidade,
cordialidade. Todos nós temos em doses moderadas um pouco de tudo isso.
8.2.17
Crônica diária
Caí na estrada
Já fazia um tempo que não viajava para interior de São Paulo. De carro.
De avião e ônibus não se vê, e não se sente tudo, como de automóvel. E
não se tem a liberdade da velocidade e paradas desejadas. Fui sem
pressa. Fui com olhos de ver, e recordar um trajeto que fiz dezena de
vezes na vida. Mas fazia tempo que não fazia. Conclusão: São Paulo é uma
ilha cercada de Brasil por todos os lados.
7.2.17
Crônica diária
Quem seria o Trump no Brasil
Falei do efeito Trump no mundo, e uma leitora perguntou-me quem seria o "Trump" no Brasil? Trump´s surgem de formas e maneiras muito diversas. Sempre quando o clima político é favorável. Uma das condições importantes para esse surgimento é a rejeição aos político profissionais. Nessas circunstâncias Trump´s florescem com facilidade. No caso atual do Brasil a cruza de Roberto Justus com o Bolsonaro daria um Trump perfeito. Bolsonaro em recente eleição para a presidência da Câmara obteve dez minguados votos entre 513 eleitores. Logo, estamos livres desse perigo, pelo menos por enquanto.
Falei do efeito Trump no mundo, e uma leitora perguntou-me quem seria o "Trump" no Brasil? Trump´s surgem de formas e maneiras muito diversas. Sempre quando o clima político é favorável. Uma das condições importantes para esse surgimento é a rejeição aos político profissionais. Nessas circunstâncias Trump´s florescem com facilidade. No caso atual do Brasil a cruza de Roberto Justus com o Bolsonaro daria um Trump perfeito. Bolsonaro em recente eleição para a presidência da Câmara obteve dez minguados votos entre 513 eleitores. Logo, estamos livres desse perigo, pelo menos por enquanto.
6.2.17
Crônica diária
Não erga só um braço
Pergunto-me como pude viver 73 anos sem saber disso. E não se trata do
odor das axilas. É coisa séria que pode salvar sua vida. A verdade é que
nunca fui escoteiro. Mas trabalhei nas selvas amazônicas. Não sabia que
em caso de emergência, quando se esta precisando de ajuda, e uma
pequena aeronave sobrevoa a região, e se tem a sorte de chama-la atenção
com fumaça ou um pano agitado na ponta de uma vara, nunca erga só um
braço. Um braço só significa: "tudo bem". Essa é a convenção
internacional. Pedido de socorro precisa que levante os dois braços.
Aprendi essa importante lição com o alpinista e escritor Jon Krakauer.
Um colega seu em situação de extrema emergência foi avistado por uma
aeronave e quando ela fez um rasante ele ergueu o braço direito. O avião
voltou a repetir a manobra duas outras vezes mas o alpinista
acreditando estar a salvo havia ido recolher seus pertences para
abandonar o acampamento. O braço direito para o alto havia sinalizado
para o piloto que estava tudo bem. A aeronave foi embora sem acionar o
socorro. Lembrem-se disso numa situação de emergência.
5.2.17
Crônica diária
Trump e o Mundo

Comentários que valem um post
João Menéres deixou um novo comentário sobre a sua postagem "Crônica diária":
Entre os citados, conheço o Saint-Exupéry e o Ian McEwan ( há séculos ).
Os advogados de defesa dos criminosos de colarinho branco são dos mais prolixos que eu conheço.
Muito mais que esses escritores de obras de 600 e mais páginas.
Postado por João Menéres no blog . em sábado, 4 de fevereiro de 2017 07:20:00 BRST
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4.2.17
Crônica diária
Curto e bom nº2
Estou cada dia mais convencido de que nenhuma história precisa mais do que 200 páginas para ser bem contada. Estou dizendo com isso que todo livro não deveria passar desse tamanho. Há na literatura inúmeros exemplos de escritores que ficaram famosos com obras de diminuto número de páginas. E alguns autores que, com uma ou duas pequenas pérolas, se imortalizaram. Tenho, com o passar do tempo, tido um prazer cada vez maior em escrever. Mas cada dia mais enfastiado em enfrentar escritores prolixos. Certos livros de 600 páginas, por mais famosos que possam ser, não me convencem. Poderiam tranquilamente ter um terço do tamanho e dizer a mesma coisa. Como disse, meu prazer em escrever só aumenta, porém com muita atenção em faze-lo de forma clara, simples, direta e enxuta. Acredito que tenho feito progresso nesse sentido. E cada vez mais me irrito com os textos de gente culta que desejam demonstrar sua erudição nos fazendo engolir palavrões cafonas e pretensiosos. Haverá um dia que os advogados redigirão textos legíveis, objetivos, e de entendimento geral. Só nos laudos médicos, elaborados por especialistas, se pode admitir o uso de palavras técnicas e de compreensão limitada. Em literatura nunca.
Listo como bons exemplos de pequenos grandes livros:
Morangos mofados (1982) do Caio Fernando Abreu (Caio F,)
Lavoura arcaica (1975) do Nassar Raduan
O Pequeno Prícipe (1943) de Antoine de Sant-Exupéry
O jardim de cimento (1978) do Ian McEwan
Uma confraria de tolos (1980) do John Kennedy Toole
Estou cada dia mais convencido de que nenhuma história precisa mais do que 200 páginas para ser bem contada. Estou dizendo com isso que todo livro não deveria passar desse tamanho. Há na literatura inúmeros exemplos de escritores que ficaram famosos com obras de diminuto número de páginas. E alguns autores que, com uma ou duas pequenas pérolas, se imortalizaram. Tenho, com o passar do tempo, tido um prazer cada vez maior em escrever. Mas cada dia mais enfastiado em enfrentar escritores prolixos. Certos livros de 600 páginas, por mais famosos que possam ser, não me convencem. Poderiam tranquilamente ter um terço do tamanho e dizer a mesma coisa. Como disse, meu prazer em escrever só aumenta, porém com muita atenção em faze-lo de forma clara, simples, direta e enxuta. Acredito que tenho feito progresso nesse sentido. E cada vez mais me irrito com os textos de gente culta que desejam demonstrar sua erudição nos fazendo engolir palavrões cafonas e pretensiosos. Haverá um dia que os advogados redigirão textos legíveis, objetivos, e de entendimento geral. Só nos laudos médicos, elaborados por especialistas, se pode admitir o uso de palavras técnicas e de compreensão limitada. Em literatura nunca.
Listo como bons exemplos de pequenos grandes livros:
Morangos mofados (1982) do Caio Fernando Abreu (Caio F,)
Lavoura arcaica (1975) do Nassar Raduan
O Pequeno Prícipe (1943) de Antoine de Sant-Exupéry
O jardim de cimento (1978) do Ian McEwan
Uma confraria de tolos (1980) do John Kennedy Toole
3.2.17
Crônica diária
"Curto e bom"
Eu ainda não havia recebido meu exemplar do ultimo livro do Aloísio de
Almeida Prado, "A vida e amores de Cristóvão Colombo" quando recebo um
e-mail de Lisboa, do Jorge Pinheiro, solicitando o endereço do autor,
para que ele pudesse agradecer. Enviei, e tive como resposta um
comentário que me fez rir. Disse o Jorge que já tinha agradecido ao
Aloísio, e lido o prefácio. Achou: "Curto e bom". O citado prefácio é
meu. Escrevo estas linhas com a certeza de que ninguém mais irá se
manifestar sobre esse prefácio. Aliás, digo nele, que prefácios, na
maioria das vezes, não são lidos, ou são desnecessários e enfadonhos.
Optei por fazê-lo curto. E fico feliz por ter agradado o autor, que usou parte dele na contra capa, e que o
Jorge tenha achado bom.
Comentários que valem um post
João Menéres deixou um novo comentário sobre a sua postagem "Mais um":
Curioso ver o DANCE COMIGO ao lado deste varal ( bonito, digo já ).
Parece uma sequência cinematográfica !
Postado por João Menéres no blog . em quinta-feira, 2 de fevereiro de 2017 04:26:00 BRST
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sonia a. mascaro deixou um novo comentário sobre a sua postagem "Crônica diária":
Eduardo, ótimo você falar deste livro. Li há muito tempo e gostei demais. É como você escreveu, uma incrível reportagem do Jon Krakauer, uma história real muito bem escrita, que prende você do começo ao fim. Vi também o filme lançado em 2008, que gostei muito e às vezes revejo. A direção impecável é do Sean Penn e o ator que interpreta Chris McCandless é o ótimo Emile Hirsch.
Este livro/filme faz a gente refletir muito sobre a relação do homem com a natureza.
Bjs!
Postado por sonia a. mascaro no blog . em quinta-feira, 2 de fevereiro de 2017 15:37:00 BRST
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2.2.17
Crônica diária
O pecado de Eike Batista
Ruth de Aquino escreve na revista Época que "Eike Batista não é santo
nem diabo". Tenho minhas dúvidas. E ela continua: "Eike hoje paga pela
ostentação, pelos carrões, jatinhos, barcos e botox. O povo não perdoa
ricos exibidos." Aqui minha discordância é absoluta. Ele esta pagando
pelos crimes, que ele próprio, confirma ter cometido. Quanto ao povo não
perdoar "ricos exibidos", o povo não perdoa rico. Quem não gosta dos
exibidos, pobres ou ricos, é a imprensa.
E ela é formadora e fomentadora de opiniões. O povo adora o luxo. O
carnaval é a maior prova disso. Jogador de futebol e novo rico, que era o
caso do Eike, são vítimas do pecado da ostentação. Mas o povo não tem
nada com isso. Ele continua nas filas das loterias tentando a sorte para
se tornar milionário. Só aí vai deixar de odiar os ricos. E muito
provavelmente vai ostentar.
1.2.17
Crônica diária
Jon Krakauer - "Na
Natureza Selvagem"
Nem o nome do autor nem
de seu livro vocês devem ter ouvido falar. O escritor americano nascido em 1954
é autor entre outros do "No ar rarefeito". Isso também não quer dizer
muito. Mas a história verídica de que trata neste livro certamente já ouviram
falar, ou viram o filme na TV. É sobre a vida do aventureiro Chris McCandless,
jovem saudável, de família rica que é encontrado morto no ônibus 142,
abandonado na floresta gelada do Alaska. Um romance de ficção não consegue ser
tão rico em ação e desprendimento, quanto a vida real desse jovem de 24 anos
morto em Agosto de 1992. Para quem gosta de aventura este livro é prato cheio.
Só não recomendo para pessoas insatisfeitas com a vida do nosso
cotidiano. Temo que se motivem, e se influenciem, com as ideias do Alex,
pseudônimo adotado por McCandless.
Comentários que valem um post
João Menéres deixou um novo comentário sobre a sua postagem "Crônica diária":
Até arrepia este poema de Newton Braga, de tão belo !...
Postado por João Menéres no blog . em terça-feira, 31 de janeiro de 2017 06:46:00 BRST
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Marilia Braga Prezado Eduardo,
Acabei de levar o maior susto, ao encontrar sua mensagem falando de meu pai, Newton Braga. Você em pouco tempo tornou-se um daqueles "amigos desconhecidos", aquelas raras pessoas que temos a sorte de encontrar (em pessoa ou não, como é o caso) e logo desenvolver uma empatia, uma relação de amizade e admiração. Quanto ao meu pai, só posso dizer que é uma lástima vocês não terem tido essa oportunidade, pois a "química" seria perfeita e imediata. Você captou muito bem a personalidade dele, e ainda mais, a idéia de que entre ele e Rubem não havia e nem poderia haver - ao contrário do que constantemente ouço - a comparação de que um era melhor do que o outro. Tanto em personalidades como em estilo eram completamente diferentes. Rubem era, no bom sentido, destemido e ambicioso, e a ambição máxima de Newton era o sossego, tomar sua cachacinha com os amigos e depois escrever seus casos. Apesar de ter escrito mais de cem poemas, só escreveu até os dezoito anos, como mais ou menos demonstra a poesia que você compartilhou. Um grande abraço, Marilia
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Até arrepia este poema de Newton Braga, de tão belo !...
Postado por João Menéres no blog . em terça-feira, 31 de janeiro de 2017 06:46:00 BRST
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Marilia Braga Prezado Eduardo,
Acabei de levar o maior susto, ao encontrar sua mensagem falando de meu pai, Newton Braga. Você em pouco tempo tornou-se um daqueles "amigos desconhecidos", aquelas raras pessoas que temos a sorte de encontrar (em pessoa ou não, como é o caso) e logo desenvolver uma empatia, uma relação de amizade e admiração. Quanto ao meu pai, só posso dizer que é uma lástima vocês não terem tido essa oportunidade, pois a "química" seria perfeita e imediata. Você captou muito bem a personalidade dele, e ainda mais, a idéia de que entre ele e Rubem não havia e nem poderia haver - ao contrário do que constantemente ouço - a comparação de que um era melhor do que o outro. Tanto em personalidades como em estilo eram completamente diferentes. Rubem era, no bom sentido, destemido e ambicioso, e a ambição máxima de Newton era o sossego, tomar sua cachacinha com os amigos e depois escrever seus casos. Apesar de ter escrito mais de cem poemas, só escreveu até os dezoito anos, como mais ou menos demonstra a poesia que você compartilhou. Um grande abraço, Marilia
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"...o Varal de Ideias é uma referência de como um blog deve ser ." Agnnes
(Caminhos e Atalhos, no mundo dos blogs)..."parabéns pelo teu exemplo de como realmente se faz um blog...ou melhor tantos e sempre outstandings...".
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