15.12.16

Crônica diária



Michel Laub e seu novo livro "O Tribunal da Quinta-feira"

Tudo que havia lido do Laub eu gostei. Com a maior curiosidade li seu ultimo romance. O assunto AIDs e a promiscuidade com que vivem os jovens nos dias de hoje me fez da leitura um ato de esforço. Ele continua escrevendo muito bem. A trama é bem urdida. Os personagens bem desenhados. O assunto é que não me interessou. A culpa é minha, e não do jovem escritor. Espero o próximo. 

PS- Havia recomendado-o (o escritor, não o livro) para minha querida amiga Myra Landau, na Holanda. A filha comprou alguns livros do Laub e inclusive "O Tribunal de Quinta-Feira". Não conseguiu acabar de ler e disse que iria joga-lo no lixo. Desculpe Myra.

14.12.16

Museu em NY

E.P.L.

Crônica diária

 Finalmente Fidel

Eu precisava completar a quinta citação ao Fidel Castro em toda minha vida. Morreu no sábado 26/11/2016 e só hoje vou ter tempo para tratar desse personagem por quem nunca tive nenhuma estima. Nem nos meus verdes anos, quando um dos meus heróis era o Che (1964). O Fidel foi citado por mim, procurei saber nos arquivos dos blogs quatro vezes. Esta será a quinta, e muito provavelmente a ultima, a não ser que o Lula morra um dia desses e eu tenha que me referir ao encontro que terão no inferno. As quatro citações são curiosas. A primeira em 6/12/2006 falo sobre uma nova série de esculturas que estava iniciando e o título era: "ORGANO HUMANOS ou ORGÃOS HUMANOS ou HUMANOS ENGANOS Sob esse titulo, que mais parece discurso do Fidel Castro (repetitivo e longo), em 2000 iniciei uma série de ESCULTURAS..." A segunda em 30/05/2007 Fidel é citado por mim, por ter sido retratado por Bernard Safran, pintor de gente, capas da revista TIME, de cenas urbanas de NYC, e rurais do interior da AMÉRICA. Retratista e fotógrafo.
 A terceira em 29/04/2014 numa das minhas crônicas "Paquetá já não é mais Cuba"
onde digo que o Humberto Werneck escreveu que o Nelson Rodrigues quando queria reduzir a nada o regime do Fidel Castro, fulminava: "Cuba é uma Paquetá". Passados mais de cinquenta anos Paquetá já não é mais Cuba. Compara-la, hoje a Cuba, seria um escárnio."
A quarta e ultima vez, agora em 28/04/, quando citei a amizade do Lula e Fernando de Morais com Fidel, a propósito de uma viagem de Navio onde eu teria, e por grande sorte, não tive, o desprazer de ter o Fernando à bordo. Ele na ultima hora apresentou um atestado médico e não participou do Navegar é Preciso na sua 6º edição. Dilma acabava de ser impinchada. A esquerda estava arrasada.Como podem depreender desse breve histórico dos meus escritos sobre o falastrão ditador, ele para mim não teve nenhuma importância, a não ser meus sentimentos de profunda pena do povo cubano e de seus admiradores. Lamento por exemplo que minha querida amiga Ítala Nandi tivesse estado em Cuba, e  elogiasse Castro. Mas isso é coisa do passado. Finalmente Fidel morreu, depois de mais de 500 tentativas frustradas, sabe-se lá do que. Dele o Mundo esta livre. Falta agora livrar seu povo da miséria que os 45 anos de poder não os livrou.

13.12.16

Comidinhas da Piacaba

Linguiça e spaghetti com molho de tomate e queijo ralado.

Crônica diária

Rio 1940, um bando do barulho

É inevitável que eu divida essa história hilária com vocês, apesar de alguns leitores estarem reclamando que ando falando muito do Antônio Maria, Rubem Braga, e outros cronistas. Esta que conto hoje li no "Antônio Maria" por Joaquim Ferreira Dos Santos publicado em 1996.  Maria morreu em 1964, com 43 anos. Chegou ao Rio, vindo de Pernambuco e foi ser locutor de futebol na rádio Ipanema, em 1940, com dezenove anos de idade. Foi o criador de expressões que se eternizaram no vocabulário dos locutores. "O atacante chuta e a bola no fotógrafo", (fora do gol, claro). Mas o grupo nessa época era composto de Jayme Ovalle, Di Cavalcante, Stefan Zweig, Rubem Braga e Rosário Fusco, todos disputando as mulatas com os malandros numa democracia literótica-racial atrás dos Arcos da Lapa. Foi no meio desse caldeirão num apartamento na Cinelândia que  Maria jogou suas malas logo depois de descer a bordo do Ita Almirante Jaceguai. No Cassino da Urca, Carmem Miranda fazia seus dois últimos shows antes de embarcar definitivamente para os States. Eram  companheiros de quarto do Maria, Fernando Lobo, que chegou ao Rio a bordo de uma banda de Jazz. Em outra cama Abelardo Barbosa o futuro rei dos auditórios Chacrinha. Dorival Caymmi também vivia por lá e segundo contou o Chacrinha, em suas memórias, vendia uísque falso para equilibrar o orçamento. No apartamento ao lado ficava o pintor Augusto Rodrigues. Um determinado dia o locutor que na época se chamava speaker quase matou o Chacrinha bêbado e afogado. Acreditem se quiserem, mas a cena é de chanchada dos filme dos anos seguintes. Chacrinha semi-submerso, bêbado, Maria, na privada, lia uma revista com os pés em cima da barriga do amigo. Maria tinha 1,80m. Pesava 120 quilos. Também bêbado. Sem querer seu peso foi acabando de submergir Chacrinha. Se não fosse Fernando Lobo abrir a porta repentinamente, e ver a cena: "Chacrinha já roxo, tentando botar a cabeça para fora da água. Decadência lamentável. Um  pernambucano fugido da seca ia morrer afogado no Rio vitimado por outro retirante". Por outro lado o autor de "Chuvas de Verão", Fernando Lobo, quando flagrado roubando um prosaico litro de leite da porta de um vizinho, respondeu à pergunta: "Qual é seu nome?", e Lobo disse: "Antônio Maria, senhor." "Miséria absoluta."

Trechos transcritos literalmente do livro de Joaquim Ferreira Dos Santos

12.12.16

Lagoa de Ibiraquera

 Banho na Lagoa
 É muita água
As águas da Lagoa nos gramados da Piacaba
 Dez 2016

Crônica diária

Nós, os corneteiros da atualidade

Tive essa sensação outro dia. Tudo aconteceu em poucas horas. Fui fazer uns exames de sangue no Fleury da Av, Brasil, às 6:30h e encontro o Kabeça, com trajes esportivos aguardando a chamada. Ao cumprimenta-lo me veio à cabeça dizer que o encontro era oportuno porque estamos no mês azul. A cara, que era de largo e bem humorado sorriso, ficou meio congelada e percebi que ele nunca ouvira falar no assunto. Então expliquei, outubro rosa, câncer de mama, novembro azul, câncer de próstata. Haaa.. bom! Eu tiro de letra todo ano. Dando entender que o motivo do exame atual não eram o do PSA. Pouco tempo depois, saio da.minha coleta e encontro o Cesário cuja filha é casada com o Paulo Levy, escritor policial, que me cumprimenta com bom dia, Como vão os livros? E como estava com  "O Diário do Antonio Maria" na mão ele pegou para olhar. Eu repeti a minha brincadeirinha do mês azul. Novamente cara de quem não estava sabendo de nada. Olhei para a atendente, uma linda matinal menina, que sorria com o diálogo. Expliquei ao Cesário, que se fez de desentendido. Nem confirmou nem negou. Recomendei que lesse Antonio Maria. Mas ele não vai. Passadas umas horas vou almoçar e encontro o Dadiche pai do Paulo Levy, e a  Madu, amiga de velhos tempos, que me cumprimenta como "Meu querido escritor", nos beijamos e ela completou:"Estou lendo o Ian McEwan que você recomendou". Em poucas horas tive a certeza de que nós cronistas podemos não fazer literatura mas corneteamos prá valer. Para escrever diariamente  é preciso estar informado. Minimamente. E adoramos quando alguém nos recomenda fortemente um bom livro. Tenho feito isso, insistentemente, com o Mortais de Atul Gawande. Só naquele dia recomendei para dois médicos do Einstein, e para minha prima Stela, viúva do Roberto Godoy Moreira médico ortopedista, que fraturo o fêmur. Queda. Essa é a razão, segundo o Atul Gawande, de maior taxa de mortalidade nos Estados Unidos. Por que? Porque somos mortais.

Comentários que valem um post

João Menéres deixou um novo comentário sobre a sua postagem "Crônica diária":

Insuportável a cada dia que passa !
Sempre fui alérgico a feministas e a tudo que cheire a fundamentalismo.
E aprecio uns olhos femininos que brilhem e sejam expressivos.

Postado por João Menéres no blog . em domingo, 11 de dezembro de 2016 07:11:00 BRST 

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11.12.16

Aracuã


Aracuã nas palmeiras da Piacaba. Dez 2016

Crônica diária

A mulher perfeita

 Vou aqui só repetir, de memória, tudo que já ouvi e li sobre o assunto. Nada do que segue é originalmente meu. Aviso para evitar problemas domésticos. Já não estamos mais nas décadas douradas de 50 e 60 quando Antonio Maria vivia e escrevia, abertamente, confessadamente, sobre aquilo que gostava. O mundo era muito mais livre (e as mulheres não sabiam). Por exemplo dizia que as coisas que mais amava era "mulher,  bebida,  comida, e o cigarro". Hoje seria execrado pelas feministas, que o taxariam de machista, pelos AA (Alcoólicos Anônimos) de incitação à bebida, e pelos não fumantes de estar poluindo o ambiente. O mundo ficou cínico, preconceituoso e muito chato. O cigarro é proibido em toda parte. Onde esta o direito humano? Todo mundo sabe que a mulher ideal é a santa no altar, a executiva eficiente no lar, a profissional competente que prioriza a família, intelectual só o suficiente para manter uma boa conversa com o marido, atleta nas viagens, companheira nos esportes passeios e férias, educada ao vestir-se, falar e comer, quieta nos silêncios do marido, e puta na cama. Bom humor permanente, nem é preciso lembrar. Antonio Maria não gostava de  determinadas vozes femininas.Agudas estridentes. Eu priorizo os pés femininos. Mas vai de gosto. Ele morreu aos 43 anos. Casado namorava menininhas de 20. Não suportaria estar vivo hoje com esse politicamente correto nos atazanando a vida. 

PS- Na Argentina acossar, perseguir ou declamar cantadas com teor sexual em Buenos Aires poderá terminar em multa de até R$ 200,00 reais (equivalentes) ou serviço comunitário de até dez dias

10.12.16

NY

Há muito tempo atrás. Talvez esteja na hora de voltar...

Crônica diária

No melhor estilo "comunista"

Outro dia falei do "O Diário de Antonio Maria" que me impressionou muito. Depois li dois livros "magrinhos" de crônicas. Todos póstumos e sem nenhuma repercussão comercial. Além de muito feio, muito gordo e suarento, era um sedutor. Vivia na década 50 e 60  (morreu aos 43 anos, em 1964), no que convencionou-se chamar época dourada do Rio de Janeiro. Escrevia para sobreviver, de maneira sempre muito precária, no Globo, e para a Rádio Mayrink Veiga. Escreveu também na Veja. Gastava com a noite e com bebidas muito mais que suas rendas.  Trocava cheques para postergar suas dívidas com agiotas. Quando se viu sem nenhuma outra saída financeira resolveu procurar o José Olímpia e pedir 30 mil cruzeiros adiantados pelos direitos de um livro de crônicas. Olímpio ofereceu a metade, pois 30 mil seria seu lucro quando a edição fosse toda vendida. Disse em seu diário que não sabia se a oferta tinha lhe revoltado ou humilhado, o certo é que resolveu continuar trocando cheques com dois agiotas, um pagando a dívida do outro, e editar por conta própria seus livros. Coisa que nunca fez em vida. Para os padrões dos anos 50 e 60 suas ideias, atitudes, comportamento eram do boêmio com muito espírito. Tinha na vida, apesar de casado, e criando dois filhos, sua primeira paixão: mulheres. Muito depois vinha bebida, cigarro, etc.Disse mais: " A mulher é meu espetáculo predileto".  Hoje seria considerado um machista insuportável, um cronista execrável, um jornalista desprezível. No entanto seus textos são comparáveis aos dos melhores  escritores de sua época. Voltarei a contar o que li no seu diário. Vocês não vão acreditar. Oscar Niemeyer recepcionando amigos, arquitetos estrangeiros, em festinhas com mais de dez mulheres nuas. No melhor estilo "comunista".

Comentários que valem um post

João Menéres deixou um novo comentário sobre a sua postagem "Um testamento":

O Eduardo é uma pessoa perfeitamente realizada.
Não o seria se fosse ignorado.
Pessoalmente fico ainda espantado com a sua permanente labuta.
E, apesar das contrariedades que as tintas acabaram por lhe provocar, não se sentiu PERDIDO NA VIDA !
Eu admiro muitas das suas pinturas, esculturas e a imensa escrita !

Postado por João Menéres no blog O ÚLTIMO BLOG em 8 de dezembro de 2016 21:30 

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 Elio Teixeira Junior E. P. L. para mim você sempre foi meu ídolo, ao ler esse comentário talvez esteja até surpreso, mas é assim mesmo, de onde menos se espera surgem “as coisas”.
Não preciso conhecer todas as suas obras, mas te conheço, na minha adolescência trabalhamos juntos por um pequeno espaço de tempo, e nesse pouco espaço de tempo, foi possível adquirir conhecimento que contribuíram para minha formação, “tipo um professor”, erramos sim, nós todos estamos evoluindo, então errar, é o esperado, nos fazendo pensar que poderia ser diferente...
Atualmente sou funcionário público, casado, pai de 4 filhos, bacharelando em direito, mas infelizmente isso me faz ausentar das pessoas mais importante do meu circulo, e isso realmente é chato, mas necessário, e se de alguma maneira somos importante pra alguém, independente das condições decorrida na vida passada ou atual, serás sempre reconhecido/importante e nunca esquecido.


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Alvaro Abreu

Meu prezado Eduardo,

Como havia dito, lá fui eu ler o que você escreveu e dei de cara com uma espécie de testamento muito do mal feito e impreciso. Injusto, seria melhor.
Digo isso fundamentado nas minhas próprias razões e emoções:
1. você me foi apresentado por uma grande amiga sua, que lhe tem como espécie de trunfo;
2. você é generoso, a ponto de dizer o que pensa e sente e, como isso não bastasse, publica, corajosamente, o que outros escrevem;
3. pinta uma mulher de azul que convida para dançar, que me seduz desda primeira espiada em imagem pequena;
4. gosta de pedras;
5. consegue ficar sozinho, por muitos dias, em casa de praia, mas demonstra interesse em receber amigos para conversar com calma;
6. nada vi do que tenha esculpido, mas só de ver imagens que você pendurou - hidrantes coloridos (desconfio de um deles), pé de moça (bonita?) em sapato de arame, Clarisse peituda e mão de madeira segurando lâmpada (apagada), posso imaginar o que de muito criativo, simpático, instigante e bonito você já conseguiu fazer com as mãos; 
7. eu, cá com minhas colheres, fico pensando que você é um homem bom e muito produtivo, desses que poucos conheço.

Grande abraço.
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Jacinto Gomes O meu obrigado encabeçado Já deixei uma cartinha no Varal. Um grande abraço do sempre seu Jacinto

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Blogger JG disse...
Querido amigo, se não fosse a Li, esta sua postarem passava-me ao lado. Fico até ruborizado ao ler o que escreve. Não mereço tanto. Sei que lhe devo uma carta "à moda antiga". Ainda não consegui faze-lo. Desde que adoeci algumas coisas que considerava indispensáveis ficaram em segundo plano por via do cansaço e desanimo que a quimioterapia meteu no meu organismo. Quase não ligo o computador e se, por vezes, ligo o celular é apenas para ver o correio. No FB apenas faço a partilha de coisas antigas. Mas vou melhorar e voltar às lides, estou certo. E será em breve. Só me resta deixar aqui um abraço de profunda amizade que lhe tenho. E um beijo para a Paulinha.


sexta-feira, 9 de dezembro de 2016 16:49:00 BRST
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Excluir

Assim caminha a humanidade

Vídeo feito por Paula Canto. O autor do blog e Lara no dia de vacina.

9.12.16

Jacinto Gomes, uma referência na blogosfera









Para quem não sabe ( será que existe ainda quem não saiba?? ) Jacinto Gomes ou simplismente JG foi autor de alguns dos melhores blogs da internet! ZOO BIZARRO, BLOG DA SABEDORIA e o seu famoso O SÉCULO PRODIGIOSO ( Arte do século XX ), entre outros que  eu  lia diariamente,  copiava-os, decorava-os! Aprendi tudo que acredito saber de bom, na arte de fazer um blog, com as postagens, ideias, conceitos, imaginação desse homem que modesta e timidamente se escondia atrás de duas letrinhas: JG. Eram tantas e de tão boa qualidade suas postagens, em mais de um blog ao mesmo tempo, que cheguei a pensar tratar-se de uma dupla de autores: o J e o G.... Mas o destino nos levou, um dia,  a encontra-lo em Lisboa, onde mora, e nos tornarmos amigos, como se já fôssemos íntimos, há muitos anos! Uma figura ímpar, uma personalidade e cultura admirável. Um dia, sem mais nem menos, encerrava seu  blog, eu ficava órfão, no outro, sem maior alarde abria novas páginas na internet. Sempre uma superando as anteriores. Já faz um tempo esta afastado dos blogs. Participa, sempre discretamente, das páginas do Facebook, o que considero um desperdício e perda de tanto talento e sabedoria. Mas todos seus fãs tem razões e esperanças em acreditar que um dia volte, com tudo que sabe e conhece, a nos ensinar na blogosfera! Um forte abraço, caro JG.

8.12.16

Às visitas e QUERIDOS (as) amigos (as).

Pela primeira vez, como salientou a querida Li, o Varal em 10 anos deixou de postar nos dias 7 e 8 de Dezembro. Estou na Piacaba, muito bem de saúde, mas completamente ilhado. As chuvas e ventos da semana passada causaram graves danos ao meu jardim, e às linhas de transmissão de energia elétrica, telefone, e portanto Internet. No FB consegui via Paulinha, em São Paulo, fazer as publicações normalmente. Seria exigir muito que ela também fizesse as postagens aqui no VARAL. Agradeço aos amigos que se preocuparam com minha ausência, e peço desculpas pelo atraso, completamente alheio à minha vontade.

Hidrantes de NY



Para ilustrar os dias terriveis que passamos sob forte chuva, sem telefone, sem internet, e muitas horas sem energia= sem TV = sem notícias, só umas imagens antigas de hidrantes de NY

Crônica diária

Um testamento

Depois de 23 dias com 73 anos completos é chegado o momento de fazer um testamento. Quando jovem fiz cinema como diretor. Depois pintei cinquenta anos. Esculturas durante dez. E de seis anos para cá escrevo. Sou portador de mielodisplasia que matou Portinari. O chumbo das tintas, e os solventes, também quase me mataram. Nem por isso sou reconhecido pelo que fiz, muito pelo contrário, dias atrás minha querida amiga e artista plástica Myra Landau escreveu não me reconhecer como pintor, mas que adora o que escrevo. Ouvi, não há muito tempo, de um jornalista e escritor, que eu era um retratista de talento. Só esta faltando dizerem agora que a única coisa prestável feita por mim, foram os meus filminhos dezesseis milímetros, que nem existem mais. Uma vida completamente inútil, vista pelo lado cultural e intelectual. Do outro lado cometi pecados, cortei árvores, porque o tempo era de cortar. Depois plantei muitas. Tive filhos, e netos. E até cometi alguns livrinhos. Fiz tudo com muita determinação. Em todas as fazes da vida acreditava serem as coisas mais importantes do mundo, aquilo que me ocupava. Hoje percebo que deveria ter me dedicado mais aos outros, do que às minhas coisas. Elas não são nada, afinal, e as pessoas com quem convivi, em todos os níveis, é que importam. 

7.12.16

Falta de energia elétrica

Estivemos uma semana sem telefone, sem Internet, e muitas horas desses dias sem energia. Um caos. Essa a razão do atrazo, primeiro em 10 anos de vida, das postagens do VARAL

Crônica diária

Rubem Braga já reclamava

Tenho reclamado que muita gente CURTE no Facebook sem ler o texto. E pior, tem gente, por sorte não são muitos, que sem ler o texto, comenta-o. Fico sabendo que não é novidade, e muito menos um efeito da internet. No final de 1930 e início de 1940, Rubem Braga já afirmava que seu conto "Eu e Bebu na hora neutra da madrugada", relacionado entre os grandes contos da literatura brasileira, nem o ilustrador, Santa Rosa, houvesse lido. Prova disso, argumentava, é que o desenho não trazia qualquer relação com o assim chamado conto, onde o Diabo, entre bêbado e tristonho, conversa com o cronista. Outra polêmica criada pelo criador de caso, como era conhecido, foi sua peremptória afirmativa de que nunca fez ficção, assim era possível concluir que ele esteve mesmo com o Diabo.  

6.12.16

Natal 2016


Com foto de Paula Canto

Crônica diária

"Me engana que eu gosto"

Com as palavras do título acima encerrei a crônica de 18 de Novembro passado. Não se tratava de gostar de ser traído, corneado. Nada disso. Mas no dia anterior havia postado "A camisinha e eu" e meus leitores parecem ter gostado. O número de curtições foi muito além da média diária. E um dos leitores deixou este comentário: "Luis Alberto Barbosa Essa crônica me fez saudoso, lembrou a casa de minha infância e relembra também os escritos do Rubem Braga...". Claro que não acreditei. Mas como havia dito dia 18, "Me engana que eu gosto".
 

5.12.16

Tamanho não é documento

Acabo de comprar no Sebo, e de ler o minúsculo livrinho Crônicas de Antônio Maria. Menor que meu "Poema [entre chaves]" e muito menor do que o "Dance comigo". Tamanho não é documento.

Crônica diária

 Antonio Maria

"Um craque na sombra" é o título da crônica de outro craque que é Humberto Werneck, no Estadão. Por mero acaso ontem falei sobre os intelectuais que em sua maioria tem seu "visual quase inóspito". Foi com esse adjetivo que o Humberto descreve o Maria (como o chamava seu amigo Vinícius de Moraes, ou "Marieta", como era chamado por Rubem Braga). Quem primeiro falou do Antônio Maria, que anda muito esquecido, foi o Luis Fernando Veríssimo. O assunto era crônica, e ele o pôs nas alturas. "Um dos maiores, se não o maior, disse esse homem de poucas e exatas palavras." Ser o maior entre Rubem Braga, Paulo Mendes Campos, Fernando Sabino, Luiz Martins, Nelson Rodrigues, Veríssimo, e do próprio Humberto não é pouca coisa. Antonio Maria morreu de infarto aos 43 anos, numa madrugada na porta da  boate da moda em Copacabana. Não teve tempo de ver seus textos diários, publicados na imprensa, impressos em livros. Eles foram póstumos e não passaram das primeiras edições. Apesar do baita cronista, não foi reconhecido como escritor. É lembrado como compositor de "Ninguém me ama", Manhã de Carnaval" e outras preciosidades. Ivan Lessa em 1968 reuniu pela primeira vez em livro "O jornal de Antonio Maria", com apresentação de Vinícius e prefácio de Paulo Francis. Mesmo assim levou 12 anos para ser reeditado pela ultima vez. Humberto informa que os sebos tem suas obras, incluindo "uma seleta magrinha (77 páginas) denominado "Crônicas". Humor e amor, não necessariamente nessa ordem, foram seus temas prediletos. "Homem feio, gordo, suarento, e descuidado no vestir-se" limitava a pedir à moça, que desejava conquistar, 15 minutos de conversa. Elas se rendiam às belezas do seu espírito. Uma delas, efêmera, foi Danusa Leão no auge da sua beleza.

4.12.16

Clarice poderosa

Foto da década de 50 enviada por José Luis Fernandez. Digna da Revista Playboy.
Ontem falei da elegância entre escritores, e cá esta uma exceção para confirmar a regra. Elegantíssima.

Crônica diária

A elegância do escritor

Dia desses o Ricardo Ramos Filho escreveu que por ser escritor, (e no caso dele, neto e filho de escritores), obviamente presta atenção nas palavras. E é verdade. Geralmente quando se vê fotografia de jornalistas e escritores percebe-se que nunca ligaram muito para as aparências. Suas roupas são modestas, e descuidadas. Dirão que a vida dessa gente das letras é muito mal paga. É verdade, também. Estou lendo a biografia do Rubem Braga, que não foge à regra da desatenção com o vestuário, reclamava o tempo todo dos baixos salários dos jornalistas e a renda do escritor. Mas há profissões em que o salário é tão baixo quanto ao de um intelectual e a preocupação com a aparência é constante. E para completar a regra, essas pessoas são geralmente descuidadas com a língua, e com as palavras. Cada macaco no seu galho. Desconfie de escritor muito elegante.

Comentários que valem um post

João Menéres deixou um novo comentário sobre a sua postagem "Crônica diária":

Agora percebo porque o Eduardo consegue sobreviver como editor....
Por ser um mãos largas, a ideia devia ser do seu neto João !

Postado por João Menéres no blog . em sábado, 3 de dezembro de 2016 07:01:00 BRST 

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Crônica do Alvaro Abreu


Mais camas no PDU?
Vitória está finalizando mais uma edição do PDU - Plano Diretor Urbano, que regulará a ocupação do seu território e as atividades que poderão ser realizadas em cada um de seus bairros e terrenos, de suas ruas e avenidas. Elaborar um PDU é tarefa que exige esforço e contribuição de muita gente e que deve ser presidida, obrigatoriamente, pelo compromisso de tentar equacionar demandas em favor do bem comum. Atuais e, sobretudo, futuras. Todas as cidades devem ser pensadas como lugar bom para os seus habitantes e para quem as frequente para trabalhar, estudar e se divertir e, de quebra, para os que passem por ela.
Aqui em Vitória, praticamente tudo o que é consumido e utilizado vem de fora: combustíveis, alimentos, pregos, energia elétrica, móveis, água potável, lâmpadas, automóveis, internet, barbante e tudo o mais. E como nada vem pra cá de graça, isso consome reservas e reduz a capacidade de investir. O que é mais grave ainda: o município não tem sido capaz de gerar produtos e serviços que possam ser “exportados”, para o resto do país e para o exterior. Isso impede a vinda de dinheiros novos que ajudem a movimentar sua economia e a equilibrar o balanço de pagamento com o mundo.
Essas questões ganham relevância porque restam pouquíssimas áreas livres de boas dimensões, passíveis de serem ocupadas de forma estratégica para o desenvolvimento município. Tenho um xodó especial por duas delas: a que está destinada ao Parque Tecnológico, em Goiabeiras, e aquela situada entre o Shopping Vitória e o mar. Consta que conseguiram introduzir na minuta do novo PDU autorização expressa para que se possa construir, nas duas áreas, milhares de quartos e suítes. Aí, fico me perguntando se não seria mais inteligente se a cidade continuasse reservando a primeira área para sediar empresas inovadoras, que geram emprego, renda e impostos e, a outra, para abrigar novas instalações de uso coletivo e ambientes próprios ao lazer, ao ócio e à contemplação, tornando a cidade ainda mais agradável aos seus habitantes e mais atraente aos turistas.
Vitória, 30 de novembro de 2016
Alvaro Abreu
Escrita para A GAZETA

3.12.16

Ainda vem NY

Paulinha em NY. Foto de arquivo. E.P.L.

Crônica diária

Coisa de neto 

Como não consigo evitar, todo ano faço aniversário. Este não foi diferente. Setenta e três é um número onde nunca esperei chegar. E chego em razoável forma. Recebi um telefonema de Ribeirão Preto, onde moram minha filha, marido e três netos. Ligaram para me cumprimentar. O Pedro com seis anos sugeriu à mãe que dessem um presente ao avô: "Que tal dar um dinheirinho?" Cinco moedas para o meu cofrinho.

Comentários que valem um post



 João Menéres deixou um novo comentário sobre a sua postagem "Crônica diária":

Não se preocupe, Eduardo, pois o seu estilo de crónica é único !
Eu que o diga pelos excelentes momentos que me está a proporcionar com o DANCE COMIGO !

Postado por João Menéres no blog . em sexta-feira, 2 de dezembro de 2016 08:51:00 BRST 

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José Luiz Fernandes deixou um novo comentário sobre a sua postagem "Crônica diária":

O Eduardo Almeida Reis é um admirável escritor. Cultura enciclopédica, profundamente conhecedor dos meios rurais, cronista, historiador... e que humor agradável de ler! Merece, e não é de hoje, muito maior divulgação.

Postado por José Luiz Fernandes no blog . em sexta-feira, 2 de dezembro de 2016 04:49:00 BRST 

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 José Luiz Fernandes deixou um novo comentário sobre a sua postagem "Paulinha em NY":

A foto lembra a imortal canção do Orestes Barbosa: Chão de Estrelas

"pisavas nos astros distraída..."


Postado por José Luiz Fernandes no blog . em sexta-feira, 2 de dezembro de 2016 08:16:00 BRST 

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2.12.16

Paulinha em NY

Há muitos anos atrás...

Crônica diária

Ana Cristina Reis

Até pouco tempo eu era o único cronista da família. E quando só se tem um, não havendo com quem comparar, estava absolutamente soberano. Agora tenho a filha da Cristina minha prima. Mas era de se esperar. Filha do Eduardo Almeida Reis, tem por quem puxar, como diria minha mãe. O Eduardo além de ter sido casado com minha prima era muito amigo do meu pai. Visitava-o com frequência. Usou-o como personagem de um de seus livros, pelo menos. Com seu charuto, numa família que só nosso avô fumava, e seu bom humor contagiante, onde não primávamos por ele, pelo humor, o casamento durou pouco. Mas deixou uma cronista de mão cheia. E Global, para completar. Não é preciso dizer mais nada. Fui absolutamente aniquilado. A cronista da família é a Cristina Reis. Nós os Lunardelli continuamos seus súditos.

1.12.16

No estilo Macgaiver



O cronista e colhereiro Alvaro Abreu, que meus leitores do Varal já estão conhecendo, pois me honrou com uma coluna de suas crônicas, fez dias atrás, um comentário curioso. Ao ver uma foto do novo deck da Piacaba, disse, entre outras observações, que o chuveiro que aparece na imagem era no estilo Macgaiver. Não vou mentir que esse nome não me era familiar, mas realmente nunca assisti nenhum capitulo do seriado. Fiquei sem entender direito a piada. Mas aproveitei para contar para o Alvaro que sobre a mesa, da foto, haviam pedras roladas que é outra das minhas manias. Tenho aos montes. Trago de toda parte por onde passo. Viagens nacionais ou internacionais guardo como souvenir um pedregulho. Tive inúmeros casos em alfândegas, e problemas com as balanças dos aeroportos. Minto que são para um aquário. É o mais crível possível para uma pessoa normal poder admitir. Já tive pedrinhas confiscadas em praias da Bahia. Tenho inúmeras histórias com elas. O curioso é que o Alvaro me responde juntando quatro imagens das sua vasta coleção. Ele também é catador de pedras. E aproveitou para me explicar qual é o estilo Macgaiver a que se referiu sobre meu chuveiro. Transcrevo para que percebam a graça: "Saiba que Macgaiver é o rei da gambiarra. Ele consegue fazer um avião com barbante, cuspe e pedaços de bambu, que me diz chuveiro de praia..."

Crônica diária



Coisas da idade

Encontrei por acaso na farmácia do nosso bairro uma amiga de infância de minha irmã mais velha. Mais velha porque tive três. A Helena morreu aos oito anos. E a Estela é nossa caçula. Quando ela nasceu eu já podia ser pai. Mas a Cecilia Carmen era amiga da Elisa. E ela estava aguardando o farmacêutico para tratar de uma bolha no pé. Havia comprado um tênis folgado, e o resultado foi uma bolha. Eu estava a procura do mesmo farmacêutico por conta de um dedo do pé inflamado. Na minha idade (73) entre a necessidade e vontade de cortar a unha do pé, sobrepõe-se ama barreira, ou barriga, que me impede de chegar, e enxergar a unha com facilidade. Muito pelo contrário. Mal a mão alcança o dedo, a vista não contribui para a estafante tarefa. O meu "trim" (cortador de unha) velho e com muito uso, estava negando corte. Comprei um novo e poderoso. Não sou de trocar de carro todo ano, achei que merecia um "trim" novo em folha. Pois foi ele o responsável. Cortou além da unha o que não devia. O dedo inchou numa coceira louca. Inflamou. Paula minha mulher achou que o sangue coagulado fosse bicho de pé. Aqui no caso de dedo. O farmacêutico confirmou o meu diagnóstico. A unha encravou. Recomendou um chinelo para arejar, e quatro vezes ao dia pinceladas de tintura de iodo. Très dias de anti-inflamatório, e o problema estaria resolvido. Não tive mais notícias da bolha do pé da Cecilia Carmen, mas eu com um pé calçado, outro na havaiana, estou um próprio aposentado em praça de cidade do interior.

Comentários que valem um post



João Menéres deixou um novo comentário sobre a sua postagem "Crônica diária":

Pena que, por causa da sagrada saúde, tenha sido obrigado a deixar a pintura, Eduardo.
Quanta saudade tenho da sua obra pictórica !...


Postado por João Menéres no blog . em quarta-feira, 30 de novembro de 2016 07:45:00 BRST 

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