24.12.16

A falsa Clarice

Alice Denham, escritora e modelo.(21/01/1927)

Alice Denham Miss July 1956 - Playmates.com

 Alice Denham

Três momentos

A mesma escultura em três  momentos. Jardim da Piacaba

Crônica diária

A força da natureza

Fazia tempo que não chovia. A conta d´água veio três vezes maior do que de costume. Regar o jardim nessa secura era inevitável. Recomendável. Só lastimávamos a falta d´água vinda dos céus. A da torneira é tratada e cara. O tempo fechou e um monte d´água desabou sobre a Piacaba. Começou na tardinha e entrou noite e madrugada a dentro. De sábado para domingo. No meio da madrugada a energia elétrica acabou. O vento era insuportável. Sul-leste, fora do comum. Era de tirar o fôlego. Vinha do mar com força e constância. Ventou a noite toda. Chuva e vento. Árvores nativas do jardim tombaram, galhos enormes quebraram. Até bambu verde não aguentou a força do vento. As telhas rangiam como chorando pela sova das águas. Achei que a casa amanheceria destelhada. Quando clareou a chuva continuava mas sem o vento tão forte, e pudemos conferir os estragos. Algumas telhas fora do lugar e árvores tombadas. As fossas encharcadas. A energia só voltou depois de muitas horas. Minha aflição eram meus leitores. Sem energia fico sem internet, e sem condições de postar meus textos matinais. Tenho leitores fiéis que se preocupam com qualquer atraso. Mas contra os caprichos da natureza não há nada a fazer. Agora só resta catar os cacos de telha, recolher os galhos quebrados, e esperar a energia voltar.

23.12.16

João Menéres - ENTRE O VER E O OLHAR

Entre os melhores livros do João Menéres este ENTRE O VER E O OLHAR se destaca por várias razões. A feliz escolha do título. As cores e design da capa. A seleção primorosa das imagens. A escolha de Ana Ruas Alves para fazer a introdução e oportunas legendas. A impressão irretocável. A soma dessas premissas fazem do livro uma obra de arte. Agradeço ao amigo e fotógrafo do Porto poder exibir aqui no Brasil um pouco do seu VER e OLHAR.

Crônica diária


Clarice, a boa

Meu amigo e colega em Cataguases, mineiro, e morador de Niterói José Luis Fernandez enviou-me uma foto arrebatadora de Clarice Lispector. Já escrevi sob protesto de muita gente, que não gosto do que ela escreveu. Mas diante do potentado da foto recebida sou obrigado a confessar que é uma das poucas mulheres bonitas que merecem o título de "boa" escritora. E põe bonita nisso. A propósito lembro da famosa definição de sua lavra: "Gafe é a hora que certa realidade se revela". Não é gafe dizer que Clarice não é boa, é ótima.

22.12.16

Deêm livros de presente no Natal

A melhor lembrança que você pode dar aos seus amigos neste Natal são livros.

Crônica diária

Braga, Vinícius e hoje Ferreira Gullar

Existem coisas nesta vida que parecem de outro mundo. Estava na página 531 da biografia do Rubem Braga escrita por Marco Antonio de Carvalho, no início do XXXI capitulo  cujo título é: "1980:Tempo de pequenas mortes" e o autor transcreve uma carta que Braga escreve ao amigo Vinícius que morrera. Na quarta linha da carta diz textualmente "Agora vou ao Maranhão, reino de Ferreira Gullar, cuja poesia você tanto amava, e que fez 50 anos". Nesse  momento aparece na TV, que estava ligada com som baixo para não atrapalhar a leitura, a notícia da morte e velório de Ferreira Gullar. 86 anos. 36 depois da carta de Braga a Vinícius. 9 anos depois do livro conter nesta 531º página referência ao Gullar, e eu que estava há mais de um mês lendo a biografia chegar a estas linhas no momento exato do anúncio fúnebre, é incrível.  Há coisas nesta vida que parecem de outro mundo. (5 de Dezembro de 2016).

21.12.16

Posição fetal

Tumbler ( Pé de moça)

Crônica diária

Uma nova experiência

 Na minha idade novas experiências não são comuns. Eu sou bastante metódico, apesar de odiar a rotina. Experimentei dias destes uma nova e desagradável sensação. Fiquei praticamente numa ilha, sem energia elétrica, sem telefone, sem internet. Na verdade estava em casa, na Piacaba, mas as fortíssimas chuvas com fortíssimos ventos devastaram meu jardim, e abalaram profundamente meu conforto. E notem que estou na fase da vida que privilegiamos as zonas de conforto. Ficar sem eletricidade não é só a falta de luz noturna. É ficar sem TV. Sem geladeira. Sem ar condicionado ou ventilador. Sem micro-ondas, sem liquidificador. Como um ser humano pode viver sem uma TV? E as notícias? Mas fiquei sem telefone. Dizem que na verdade, o telefone, no meu caso, não foram o vento e chuva os responsáveis. Um caminhão derrubou um poste, rompeu os fios e fugiu. Não importa, a Oi, companhia "irresponsável" levou exatos quatro dias para detectar o poste e danos na fiação. Sem telefone e sem energia estive todo o tempo sem internet. Para quem publica uma crônica diária, e alimenta um blog, pelo menos, há dez anos, sem um dia de interrupção, foi um abalo emocional profundo. E não estou fazendo drama. Duas outras ocorrências, por falta de sorte,  somaram-se às já citadas: meu aquecedor a gás pifou. As chuvas andaram assoreando as sapatas das pilastras de sustentação do meu novo deck. Aproveitando o pedreiro que fez novas contenções, trocamos muitas telhas danificadas pelo temporal. Essa situação toda, durante uma semana me proporcionou um afastamento  inédito dos meus leitores. Pela primeira vez fiquei privado de notícias sobre a reação de quem lê o FB. Minha mulher que estava em São Paulo fez sob minha orientação as publicações no FB  Comunicava-me pelo celular, que no meu caso, não faz nada além de receber (nem sempre) e fazer ligações, enquanto a bateria aguenta. Postar nos blogs seria pedir muito. Tive então a mesma sensação dos cronistas de jornal. Mandam o texto e nem sempre tem condições de ler no dia seguinte. E o publico de jornal ou revista impressa não manifesta-se com a instantaneidade das redes sociais. No final de uns dias estava até acostumando-me com a nova realidade. Era como estar numa ilha deserta e soltar uma vez ao dia uma garrafa com um bilhete ao mar. Um deles chegou a alcançar 130 curtidas e outros muitos comentários. Só fui tomar conhecimento dias depois.

20.12.16

Lendo "Dance comigo"

Não é preciso exagerar...

Crônica diária



Papo-de-anjo

Eliane Viotti  : Bolha mais comentada...fez historia !*

Minha cara Eliane Viotti, pois é. Fazer história com uma bolha no pé, ou uma unha encravada não é mérito para nenhum cronista que se preze. Mas cá esta um bom exemplo do que gosta o público das redes sociais. Este exemplo é didático na medida que demonstra cabalmente o interesse dos leitores. Eles sabem que escrever ou ler sobre política, economia, segurança, educação não vai resolver os seus problemas pessoais, muito menos os do país. Agora uma receita de podólogo e Nebacetin é garantia de sucesso. Uma unha encravada faz os vivos morrerem de rir. A desgraça alheia é um dos componentes da piada. Antes de nos comover, provocam riso. Tenho um irmão que ri com quedas. Conte para ele um tropeção e uma queda, ele vai rir aos prantos. Tem até tombos catalogados. Basta lembra-lo do "378" e ele começa a rir. Agradar a todos é impossível. Essa frase final me fez lembrar um diálogo entre Vinícius e Rubem Braga. Durante um show Vinícius fala, bem em seu estilo romântico: "Nada como comer papo-de-anjo ao lado da mulher amada". Braga que estava sentado à mesa de pista retrucou: "Melhor é comer a mulher amada, ao lado do papo-de-anjo.". E eu nem gosto de papo-de-anjo.

*Eliane se referia às 81 curtidas, no ultimo senso, e não para de crescer, na crônica "Coisas da idade” postada 19 dias atrás. Por outro lado, Alvaro Abreu me escreveu ontem, lembrando que " lá se vão 26 anos do dia que ouviu no rádio do carro a notícia da morte de Rubem Braga."

19.12.16

Passando roupa

José Luis Fernandez e mais um agradável VARAL da década de 50. Autor da foto desconhecido.

Crônica diária

Grupo de extermínio e abuso de autoridade

Abuso de autoridade esta na ordem do dia. O Congresso trata do assunto. Acusam juízes e promotores de abusar de suas prerrogativas. De contrariarem a Constituição desrespeitando os direitos individuais. Lembro Rubem Braga que dizia: "Os melhores cidadãos do país deveriam ser os policiais". Referia-se aos "policiais que são os juízes de primeiríssima instância". E ele tinha razão. O que não dizer desses maus policiais que agem à margem da lei e formam grupos de extermínio? Matam, executam, exercendo um abuso de autoridade inominável. Julgar o bandido, decretando sua pena de morte é crime hediondo. O policial deveria ser o melhor dos cidadãos deste país.

18.12.16

Fernanda e Jorge Pinheiro

Noite do dia em que nos conhecemos. Lisboa.

Crônica diária

Luiz Martins, ou o cronista LM

Tenho, vezemquando, citado o LM de quem fui leitor assíduo e é certamente ao lado de Rubem Braga meus inspiradores cronistas da juventude. O Luiz Martins acabou menos conhecido do que Braga. Foi casado com Tarsila do Amaral e Rubem frequentou a fazenda Santa Teresa do Alto, em Itapeva, de propriedade da pintora. Martins e Braga se conheceram na Lapa onde Luiz era frequentador assíduo. Tanto que ganhou a alcunha de "Louis Martin du Bar". É dele um dos primeiros romances na Lapa, onde encontravam-se Moacir Werneck de Castro, Carlos Lacerda, Lúcio Rangel, Murilo Miranda, Dante Viggiani, e Rubem. A música de sucesso recém lançada e entoada pela turma de amigos era "Amélia". É por essa e muitas outras que costuma-se dizer que há muitos cronistas de vanguarda, mas os da velha retaguarda são insuperáveis.

17.12.16

Reflexos

A caminho da praia.

Crônica do Alvaro Abreu




Estouro

Normalmente escrevo a crônica na segunda feira, passo o pente fino na terça e envio para o editor do jornal na quarta. Desta vez, escrevo no domingo pra poder mandar na segunda cedinho. É que estou indo a São Paulo acompanhar a segunda edição do What Design Can Do?, evento internacional que minhas meninas organizam por lá.

Hoje está difícil falar de trivialidades. É que estes últimos dias foram pródigos em notícias de afrontas, achaques, descaramentos, conchavos, falsidades, espertezas, safadezas, blefes, cinismos, mentiras, complôs, armações e muito, muito mais. Coisa de louco, como se diz. Lentes, microfones e ouvidos captaram a movimentação das autoridades máximas dos três poderes da República em busca de uma saída para episódios que engrossaram a crise. Conseguiram, mas com perdas relevantes na credibilidade do STF, o que me preocupa.

Na semana anterior, centenas de deputados insones aprovaram na marra projetos de lei que anulam crimes cometidos, intimidam a justiça e asseguram impunidades variadas. No Senado, Renan tentou dar sequencia àquele atentado parlamentar, sem conseguir, ao menos desta vez. Para acabar de danar o ambiente em Brasília, na sexta feira dezenas de políticos poderosos foram acusados de corrupção pelo primeiro dos mais de setenta executivos da Odebrecht que irão delatar negociações comprometedoras, que escancaram de vez a podridão do nosso sistema político. Tem muita gente com cara de santo ficando desvairada com a coisa chegando nos seus calcanhares. A tensão na capital federal ganha dimensões explosivas e faz pensar num estouro de manada
.
Confesso que estou perdido como cego em tiroteio e tão espantado quanto cachorro que caiu de caminhão de mudança. Impossível imaginar os desdobramentos desse quadro alarmante. Slogans, gritos de guerra, palavras de ordem já não dão conta de acompanhar a evolução de acontecimentos que se sucedem em ritmo frenético e em escala explosiva. Do jeito que a coisa vai indo, estas minhas palavras, ao serem lidas na sexta feira, poderão soar otimistas.

Vitória,12 de dezembro
Alvaro Abreu
Escrita para A GAZETA

Crônica diária



Por que nanica?

Nanica é uma pessoa pequena, pouco desenvolvida, raquítica, acanhada. Ao contrário da banana que leva esse nome, que é grande, desenvolvida. Fui comprar frutas num supermercado em Florianópolis, SC e o rapaz que cuida da banca me questionou. "Por que será nanica a maior das bananas? É verdade. Muito menores são a ouro, a prata, a banana-maçã, O nome não combina com a banana. Maior do que ela só a banana-da-terra. Por que será que a banana caturra ou nanica recebeu esse nome? É chamada também de anã. Só pode ser gozação.

16.12.16

Vegetação tropical

Piacaba

Crônica diária

A origem de expressões muito usadas

Não fui ao santo Google para conferir, e para não me influenciar. Sempre que consulto antes de escrever, me arrependo. Alguém já escreveu algo parecido. O fato é que tem expressões que ouvimos, ou até usamos sem saber suas origens. Duas dessas vou nomear hoje: "Pintar o caneco". Minha mãe usava muito. Significava "Fazer algazarra", "folia". A origem não tenho a menor ideia. A outra é "Bonita pra chuchu." ou ainda " Um chuchuzinho". Esta fiquei sabendo a origem. Havia na década de 50 no Rio uma cafetina (ex puta) linda, francesa e de nome Chouchou. Esta explicado. Relacionar beleza com o insípido e insosso chuchu, não dá.

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