Alice Denham, escritora e modelo.(21/01/1927)
Alice Denham
A mesma escultura em três momentos. Jardim da Piacaba
A força da natureza
Fazia tempo que não chovia. A conta d´água veio três vezes maior do que
de costume. Regar o jardim nessa secura era inevitável. Recomendável. Só
lastimávamos a falta d´água vinda dos céus. A da torneira é tratada e
cara. O tempo fechou e um monte d´água desabou sobre a Piacaba. Começou
na tardinha e entrou noite e madrugada a dentro. De sábado para domingo.
No meio da madrugada a energia elétrica acabou. O vento era
insuportável. Sul-leste, fora do comum. Era de tirar o fôlego. Vinha do
mar com força e constância. Ventou a noite toda. Chuva e vento. Árvores
nativas do jardim tombaram, galhos enormes quebraram. Até bambu verde
não aguentou a força do vento. As telhas rangiam como chorando pela sova
das águas. Achei que a casa amanheceria destelhada. Quando clareou a
chuva continuava mas sem o vento tão forte, e pudemos conferir os
estragos. Algumas telhas fora do lugar e árvores tombadas. As fossas
encharcadas. A energia só voltou depois de muitas horas. Minha aflição
eram meus leitores. Sem energia fico sem internet, e sem condições de
postar meus textos matinais. Tenho leitores fiéis que se preocupam com
qualquer atraso. Mas contra os caprichos da natureza não há nada a
fazer. Agora só resta catar os cacos de telha, recolher os galhos
quebrados, e esperar a energia voltar.
Entre os melhores livros do João Menéres este
ENTRE O VER E O OLHAR se destaca por várias razões. A feliz escolha do título. As cores e design da capa. A seleção primorosa das imagens. A escolha de Ana Ruas Alves para fazer a introdução e oportunas legendas. A impressão irretocável. A soma dessas premissas fazem do livro uma obra de arte. Agradeço ao amigo e fotógrafo do Porto poder exibir aqui no Brasil um pouco do seu VER e OLHAR.
Clarice, a boa
Meu amigo e
colega em Cataguases, mineiro, e morador de Niterói José Luis Fernandez
enviou-me uma foto arrebatadora de Clarice Lispector. Já escrevi sob
protesto de muita gente, que não gosto do que ela escreveu. Mas diante
do potentado da foto recebida sou obrigado a confessar que é uma das
poucas mulheres bonitas que merecem o título de "boa" escritora. E põe
bonita nisso. A propósito lembro da famosa definição de sua lavra: "Gafe
é a hora que certa realidade se revela". Não é gafe dizer que Clarice
não é boa, é ótima.
A melhor lembrança que você pode dar aos seus amigos neste Natal são livros.
Braga, Vinícius e hoje Ferreira Gullar
Existem coisas nesta vida que parecem de outro mundo. Estava na página
531 da biografia do Rubem Braga escrita por Marco Antonio de Carvalho,
no início do XXXI capitulo cujo título é: "1980:Tempo de pequenas
mortes" e o autor transcreve uma carta que Braga escreve ao amigo
Vinícius que morrera. Na quarta linha da carta diz textualmente "Agora
vou ao Maranhão, reino de Ferreira Gullar, cuja poesia você tanto amava,
e que fez 50 anos". Nesse momento aparece na TV, que estava ligada com
som baixo para não atrapalhar a leitura, a notícia da morte e velório
de Ferreira Gullar. 86 anos. 36 depois da carta de Braga a Vinícius. 9
anos depois do livro conter nesta 531º página referência ao Gullar, e eu
que estava há mais de um mês lendo a biografia chegar a estas linhas no
momento exato do anúncio fúnebre, é incrível. Há coisas nesta vida que
parecem de outro mundo. (5 de Dezembro de 2016).
Uma nova experiência
Na minha idade novas experiências não são comuns. Eu sou bastante
metódico, apesar de odiar a rotina. Experimentei dias destes uma nova e
desagradável sensação. Fiquei praticamente numa ilha, sem energia
elétrica, sem telefone, sem internet. Na verdade estava em casa, na
Piacaba, mas as fortíssimas chuvas com fortíssimos ventos devastaram meu
jardim, e abalaram profundamente meu conforto. E notem que estou na
fase da vida que privilegiamos as zonas de conforto. Ficar sem
eletricidade não é só a falta de luz noturna. É ficar sem TV. Sem
geladeira. Sem ar condicionado ou ventilador. Sem micro-ondas, sem
liquidificador. Como um ser humano pode viver sem uma TV? E as notícias?
Mas fiquei sem telefone. Dizem que na verdade, o telefone, no meu caso, não foram o
vento e chuva os responsáveis. Um caminhão derrubou um poste, rompeu os
fios e fugiu. Não importa, a Oi, companhia "irresponsável" levou exatos
quatro dias para detectar o poste e danos na fiação. Sem telefone e sem
energia estive todo o tempo sem internet. Para quem publica uma crônica
diária, e alimenta um blog, pelo menos, há dez anos, sem um dia de
interrupção, foi um abalo emocional profundo. E não estou fazendo drama.
Duas outras ocorrências, por falta de sorte, somaram-se às já citadas:
meu aquecedor a gás pifou. As chuvas andaram assoreando as sapatas das
pilastras de sustentação do meu novo deck. Aproveitando o pedreiro que
fez novas contenções, trocamos muitas telhas danificadas pelo temporal.
Essa situação toda, durante uma semana me proporcionou um afastamento
inédito dos meus leitores. Pela primeira vez fiquei privado de notícias
sobre a reação de quem lê o FB. Minha mulher que estava em São Paulo fez
sob minha orientação as publicações no FB Comunicava-me pelo celular,
que no meu caso, não faz nada além de receber (nem sempre) e fazer
ligações, enquanto a bateria aguenta. Postar nos blogs seria pedir
muito. Tive então a mesma sensação dos cronistas de jornal. Mandam o
texto e nem sempre tem condições de ler no dia seguinte. E o publico de
jornal ou revista impressa não manifesta-se com a instantaneidade das
redes sociais. No final de uns dias estava até acostumando-me com a nova
realidade. Era como estar numa ilha deserta e soltar uma vez ao dia uma
garrafa com um bilhete ao mar. Um deles chegou a alcançar 130 curtidas e
outros muitos comentários. Só fui tomar conhecimento dias depois.
Não é preciso exagerar...
Papo-de-anjo
Minha cara Eliane Viotti, pois é. Fazer história com uma
bolha no pé, ou uma unha encravada não é mérito para nenhum cronista que se
preze. Mas cá esta um bom exemplo do que gosta o público das redes sociais.
Este exemplo é didático na medida que demonstra cabalmente o interesse dos
leitores. Eles sabem que escrever ou ler sobre política, economia, segurança,
educação não vai resolver os seus problemas pessoais, muito menos os do país.
Agora uma receita de podólogo e Nebacetin é garantia de sucesso. Uma unha
encravada faz os vivos morrerem de rir. A desgraça alheia é um dos componentes
da piada. Antes de nos comover, provocam riso. Tenho um irmão que ri com
quedas. Conte para ele um tropeção e uma queda, ele vai rir aos prantos. Tem
até tombos catalogados. Basta lembra-lo do "378" e ele começa a rir.
Agradar a todos é impossível. Essa frase final me fez lembrar um diálogo entre
Vinícius e Rubem Braga. Durante um show Vinícius fala, bem em seu estilo
romântico: "Nada como comer papo-de-anjo ao lado da mulher amada".
Braga que estava sentado à mesa de pista retrucou: "Melhor é comer a
mulher amada, ao lado do papo-de-anjo.". E eu nem gosto de papo-de-anjo.
*Eliane se referia às 81 curtidas, no ultimo
senso, e não para de crescer, na crônica "Coisas da idade” postada 19 dias
atrás. Por outro lado, Alvaro Abreu me escreveu ontem, lembrando que " lá se vão 26 anos do dia que ouviu no rádio do carro a notícia da morte de Rubem Braga."
José Luis Fernandez e mais um agradável VARAL da década de 50. Autor da foto desconhecido.
Grupo de extermínio e abuso de autoridade
Abuso de autoridade esta na ordem do dia. O Congresso trata do assunto.
Acusam juízes e promotores de abusar de suas prerrogativas. De
contrariarem a Constituição desrespeitando os direitos individuais.
Lembro Rubem Braga que dizia: "Os melhores cidadãos do país deveriam ser
os policiais". Referia-se aos "policiais que são os juízes de
primeiríssima instância". E ele tinha razão. O que não dizer desses maus
policiais que agem à margem da lei e formam grupos de extermínio?
Matam, executam, exercendo um abuso de autoridade inominável. Julgar o
bandido, decretando sua pena de morte é crime hediondo. O policial
deveria ser o melhor dos cidadãos deste país.
Noite do dia em que nos conhecemos. Lisboa.
Luiz Martins, ou o cronista LM
Tenho, vezemquando, citado o LM de quem fui leitor assíduo e é certamente
ao lado de Rubem Braga meus inspiradores cronistas da juventude. O Luiz
Martins acabou menos conhecido do que Braga. Foi casado com Tarsila do
Amaral e Rubem frequentou a fazenda Santa Teresa do Alto, em Itapeva, de
propriedade da pintora. Martins e Braga se conheceram na Lapa onde Luiz
era frequentador assíduo. Tanto que ganhou a alcunha de "Louis Martin
du Bar". É dele um dos primeiros romances na Lapa, onde encontravam-se
Moacir Werneck de Castro, Carlos Lacerda, Lúcio Rangel, Murilo Miranda,
Dante Viggiani, e Rubem. A música de sucesso recém lançada e entoada
pela turma de amigos era "Amélia". É por essa e muitas outras que
costuma-se dizer que há muitos cronistas de vanguarda, mas os da velha
retaguarda são insuperáveis.
Estouro
Normalmente
escrevo a crônica na segunda feira, passo o pente fino na terça e envio
para o editor do jornal na quarta. Desta vez, escrevo no domingo pra
poder mandar na segunda cedinho. É que estou indo a São Paulo acompanhar
a segunda edição do What Design Can Do?, evento internacional que minhas meninas organizam por lá.
Hoje
está difícil falar de trivialidades. É que estes últimos dias foram
pródigos em notícias de afrontas, achaques, descaramentos, conchavos,
falsidades, espertezas, safadezas, blefes, cinismos, mentiras, complôs,
armações e muito, muito mais. Coisa de louco, como se diz. Lentes,
microfones e ouvidos captaram a movimentação das autoridades máximas dos
três poderes da República em busca de uma saída para episódios que
engrossaram a crise. Conseguiram, mas com perdas relevantes na
credibilidade do STF, o que me preocupa.
Na
semana anterior, centenas de deputados insones aprovaram na marra
projetos de lei que anulam crimes cometidos, intimidam a justiça e
asseguram impunidades variadas. No Senado, Renan tentou dar sequencia
àquele atentado parlamentar, sem conseguir, ao menos desta vez. Para
acabar de danar o ambiente em Brasília, na sexta feira dezenas de
políticos poderosos foram acusados de corrupção pelo primeiro dos mais
de setenta executivos da Odebrecht que irão delatar negociações
comprometedoras, que escancaram de vez a podridão do nosso sistema
político. Tem muita gente com cara de santo ficando desvairada com a
coisa chegando nos seus calcanhares. A tensão na capital federal ganha
dimensões explosivas e faz pensar num estouro de manada
.
Confesso
que estou perdido como cego em tiroteio e tão espantado quanto cachorro
que caiu de caminhão de mudança. Impossível imaginar os desdobramentos
desse quadro alarmante. Slogans, gritos de guerra, palavras de ordem já
não dão conta de acompanhar a evolução de acontecimentos que se sucedem
em ritmo frenético e em escala explosiva. Do jeito que a coisa vai indo,
estas minhas palavras, ao serem lidas na sexta feira, poderão soar
otimistas.
Vitória,12 de dezembro
Alvaro Abreu
Escrita para A GAZETA
Por que nanica?
Nanica é uma pessoa pequena, pouco
desenvolvida, raquítica, acanhada. Ao contrário da banana que leva esse nome,
que é grande, desenvolvida. Fui comprar frutas num supermercado em
Florianópolis, SC e o rapaz que cuida da banca me questionou. "Por que
será nanica a maior das bananas? É verdade. Muito menores são a ouro, a prata,
a banana-maçã, O nome não combina com a banana. Maior do que ela só a banana-da-terra.
Por que será que a banana caturra ou nanica recebeu esse nome? É chamada também
de anã. Só pode ser gozação.
A origem de expressões muito usadas
Não fui ao santo Google para conferir, e para não me influenciar. Sempre
que consulto antes de escrever, me arrependo. Alguém já escreveu algo
parecido. O fato é que tem expressões que ouvimos, ou até usamos sem
saber suas origens. Duas dessas vou nomear hoje: "Pintar o caneco".
Minha mãe usava muito. Significava "Fazer algazarra", "folia". A origem
não tenho a menor ideia. A outra é "Bonita pra chuchu." ou ainda " Um
chuchuzinho". Esta fiquei sabendo a origem. Havia na década de 50 no Rio
uma cafetina (ex puta) linda, francesa e de nome Chouchou. Esta
explicado. Relacionar beleza com o insípido e insosso chuchu, não dá.
AS POSTAGENS ANTERIORES ESTÃO NO ARQUIVO AÍ NO LADINHO >>>>>
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Falaram do Varal:
"...o Varal de Ideias é uma referência de como um blog deve ser ." Agnnes
(Caminhos e Atalhos, no mundo dos blogs)
..."parabéns pelo teu exemplo de como realmente se faz um blog...ou melhor tantos e sempre outstandings...".
(Vi Leardi )
Não vá perder sua hora....
Blog não é tudo, tudo é a falta do blog ....
( Peri S.C. adaptando uma frase do Millôr )
" BLOG É A MAIOR DAS VERTIGENS DA SUBJETIVIDADE " - Maria Elisa Guimarães, MEG ( Sub-rosa )