30.9.19

Meus filhos

 Sandra
Guilherme

Crônica diária

"Máquinas como eu" de Ian McEwan
 
Uma garota de 22 anos,vizinha de andar de um rapaz de 30 e poucos, convivem com um robô chamado Adão, recém-comprado. A máquina que tem feições, pele e temperatura que parecem humanas, vem numa caixa, sem carga na bateria, nu, e sem nenhuma programação. O catálogo tem mais de 400 páginas e explica tudo sobre como lidar com a máquina, como escolher os aplicativos, e por decisão do casal, uma parte das escolhas ficaram por conta do rapaz, outra por parte dela, para que o robô não tivesse o desejo de um, isoladamente. Uma personalidade própria. O rapaz ganha  a vida, com modestas aplicações em bolsa, e compra e venda de moedas. Aos poucos passa essa tarefa para o Adão. Com sua inteligência artificial em pouco tempo ganhou uma fortuna. Aí começam os problemas. Numa trama típica do McEwan, esses três personagens se envolvem amorosamente, em paralelo a uma ação criminosa, e com a discussão da adoção de uma criança, como pano de fundo. O romance discute, sob o ponto de vista da inteligência artificial, os valores morais, a justiça, a ganancia, o amor, o sexo de forma leve e descontraída. O Ian consegue sempre me fazer acreditar que seu ultimo livro é ainda melhor do que o anterior. Leiam, para conferir.

29.9.19

Quase noite na Piacaba

Lagoa de Ibiraquera

Crônica diária

Rádio Eldorado FM, 107,3

Na mesma levada da crônica da vendedora de assinatura do O Globo, que pensei estar ligando para convidar-me a escrever uma coluna no jornal, ao ligar o rádio do carro, e ouvir a locutora dizer que  era a "rádio dos melhores ouvintes", me senti lisonjeado. Estou, mesmo muito carente. Com a autoestima baixa. Não é possível.  Só falta um desses cachorrinhos de madame levantar a perninha e fazer xixi na minha canela.

28.9.19

Chegou a primavera

 João e Pedro, meus netos
 João, na flauta
Pedro no violino, com foto da mãe coruja.

Crônica diária

No Brasil até o passado é incerto

Foi meu filho, lá de Miami, que alertou: “...Nem o passado (coisa julgada) é certo.”, referindo-se à decisão do STF de anular julgamentos da Lava-Jato. Sete a três faltando o voto do ministro Marco Aurélio Mello a mais alta corte do país se prende a filigranas não previstas na Constituição ou em legislação alguma, para cancelar coisa julgada, e fazer o processo retornar à primeira instância, meramente para soltar o condenado, fazer o juiz ouvir o réu por ultimo, e depois dos delatores ou corréus, falas essas que não servem de prova, e portanto, referendar a mesma sentença. Um custo processual inútil, por conta de uma disputa de vaidades. O juiz autor da sentença, hoje Ministro da Justiça, paga um preço pessoal altíssimo pela popularidade e respeito que goza entre a população de bem. Nenhuma norma, ou lei obrigava o juiz a ouvir o réu, em suas alegações finais, depois da fala do delator, ou corréu. Não houve, portanto, nenhum erro processual. Mas durante o julgamento do habeas corpus, o ministro Lewandowski disse textualmente: "Se o juiz de primeira instância errou, nós é que vamos pagar o pato?". Não houve erro algum. Sérgio Moro proferiu a sentença, e essa foi referendada em segunda instância. As sentenças levam em conta as provas nos autos. As manifestações orais, nas alegações finais de um processo, não servem como prova, logo não modificam as razões sobre as quais o juiz se baseia para condenar ou absorver um réu. Ouvir o réu por ultimo não modifica em nada a sentença. É só mais uma vingançazinha do STF contra a Lava-Jato.

27.9.19

Jardim da Piacaba

Torso

Crônica diária

O xixi e o azul

Nunca imaginei que escrever sobre os bons (e são em larga maioria) odores, e os piores cheiros, pudessem provocar tantas considerações por parte dos leitores. Uma delas, em especial, o da Maria Tomaselli que contou que na Alemanha também usavam a urina como elemento de fixação da cor azul. As tinturarias produziam azul na segunda-feira, dia subsequente ao domingo, quando  a população doadora bebia mais cerveja e chope. Até hoje, dizem os alemães, quando um funcionário falta na segunda-feira: "er hat blau gemacht",  ele fez azul. Aqui no Brasil a cor azul entrou na bandeira e na expressão "céu de brigadeiro", tudo azul. Numa clara brincadeira com o candidato a Presidente da República Brigadeiro Eduardo Gomes, que não se elegeu e perdeu para o Eurico Gaspar Dutra. Nada tem a ver com xixi azul, mas o candidato brigadeiro também deu o nome ao doce de chocolate favorito da minha neta. E para finalizar digo eu para a Tomaselli: "Ich habe rot gemacht" durante quatro dias após uma biópsia de próstata. Ainda não tenho o resultado.Mas espero que esteja tudo azul.

26.9.19

Album de viagem

Firenze

Crônica diária

 Voltando ao CHAPA


Em junho de 2007 criei um blog que hoje com 12 anos de idade tem o registro de 59681 visualizações. Seu nome é Chapa. Como no dia que criei, até hoje, muita gente já viu, mas não sabe o que é um Chapa. Chapa é aquela pessoa que se identifica na beira das estradas, em geral na entrada de cidades, com uma placa pintada à mão. Oferece seus serviços para carga ou descarga de caminhões. Antes do advento do GPS eram muito solicitados como guias nas cidades visitadas. Quando o blog completou sete anos eu já tinha história para contar, e postei uma crônica sobre ele. Nela informava que havia dado mais uma entrevista sobre os Chapa e meu blog. Foi para a Revista Exame. A Revista G1 do Portal de Notícias da Globo já havia feito uma logo no início. E durante todos esses anos fui procurado, dei entrevistas, respondi questionários de estudantes que faziam tese ou trabalhos universitários sobre os Chapa. Apesar disso o assunto continua pouco conhecido. E da mesma forma continuo sendo procurado. Perguntam-me se sou líder do sindicato, ou qual minha relação com eles. Minha resposta não é nada animadora. Meu interesse sobre a matéria é puramente visual. Não tenho nenhuma informação laboral, social, sobre esses operários clandestinos das estradas brasileiras. Como escrevi no cabeçalho do blog, tudo nasceu há 42 anos, com o desejo de fazer um livro de fotografias sobre eles. Hoje, depois da história do Luis Fernando Veríssimo sobre o fotógrafo dos índios, acredito que os chapas diriam a mesma coisa: "Chapa não tem mesa de centro". Não gostam de serem fotografados. Não gostam de responder a perguntas. Em sua maioria não querem ser identificados. O projeto do livro ainda não vingou. É possível que nunca aconteça. Ou se um dia for editado, talvez nem existam mais Chapa. Ficará só o registro de sua existência, e a falta de conhecimento da população de sua função. Mas esta semana voltei a ser procurado por um casal às voltas com informações para sua tese universitária. E a cada dia me tratam como a maior autoridade na matéria.
http://chapabrasil.blogspot.com.br/

25.9.19

Foto de viagem

Um concerto ao ar livre numa cidade da Itália

Crônica diária

Gre, segundo Luis Fernando Veríssimo

Segundo o Veríssimo, e sem toda sua verve, Gregory, para os íntimos Gre, foi um famoso fotógrafo de índios e rostos de mulheres. Especializou-se em rostos, do pescoço para cima. E toda mulher desejava ser fotografado por ele. Nunca fazia a foto na presença de terceiros. No estúdio só ele e a modelo. Nunca respondeu às perguntas de como conseguia expressões tão maravilhosas. As fotografadas nunca deixaram escapar uma palavra de como eram as sessões. Uma única socialite contou que levou um tapa na cara e depois ganhou uma flor. Mas o mistério e a fama só fizeram crescer. O que de fato se sabe é que falava o tempo todo durante o trabalho. Devia ser muito persuasivo em sua prosa. Antes, porém, fotografou tribos indígenas, conta o Veríssimo, e quase foi processado pelo chefe de uma tribo, que alegava ter roubado, com as fotos, o espírito de seu povo.  As ameaças eram de morte ao Gre. Ele para se defender argumentava que faria um livro com as imagens, e seria um livro grande, colorido para ficar nas mesas de centro. O cacique respondeu: "índio não tem mesa de centro".

24.9.19

Gruta Azul

Gruta Azul, Itália - Álbum de viagem

Crônica diária

"Páginas viradas de um abril qualquer"
Excepcionalmente a crônica de hoje é dividida em três parte:
I-A crônica " Flora Figueiredo e a véspera"
Um dia antes do lançamento de mais um livro, a escritora Flora Figueiredo postou uma "crônica de véspera". Deliciosa. Contou de sua amizade com o jornalista e escritor Caio Fernando Abreu desde 1987, quando ela publicou seu primeiro livro. A angústia que assola o autor na véspera de um novo lançamento e noite de autógrafos. "Destroçado" foi o termo que o Caio F. usou ao responder à Flora, como se sentia. O assunto já foi tratado por muitos escritores que passaram por esse momento. O próprio Caio F. dizia que com o passar do tempo só piorava. Que ela era uma "principiante". E que esse estado tem nome: "Síndrome do pré-lançamento".  Mas uma frase da Flora define bem o estado de espírito que cerca o autor nesse dia: "Se tiver gente à espera do autógrafo, ficamos mal por onerá-los; se não tiver, ficamos mal pela vazante". Essa dúvida defini  as razões pelas quais nunca fiz uma noite de autógrafos dos meus livros. E acrescentaria que a vida de escritor é uma sucessão de esperas e angústias. Só quem já publicou um livro sabe desse calvário. A procura de um editor. Todo o processo de edição. Revisões, e novos acertos antes de autorizar a impressão. Trinta dias de espera e ansiedade para que saia da gráfica. E aí começa outro tipo de preocupação. Como divulgar e distribuir o livro. Livrarias em crise, mundo editorial em recessão. O brasileiro lê, em média, menos de 4,5 livros por ano. Como fazer o seu chegar às mãos do leitor. O que dirá a crítica. Supondo que todas essas angustiantes e longas etapas sejam vencidas positivamente, o que é raro (salvo as exceções de sempre) uma profunda decepção. A ressaca do pós- lançamento. Mesmo que o livro seja bem recebido pelos leitores, mesmo que as expectativas do editor tenham sido superadas, para o autor, o estresse da preparação e espera, nunca se refazem completamente. Sempre resta uma angustiazinha, se não por esse, mas pelo próximo. E essa é a vida do escritor.   
PS- Flora Figueiredo lançou dia 11 de setembro seu livro:
II-"Páginas viradas de um abril qualquer".
Esse é o título corajoso e poético do novo livro da poetisa, cronista, tradutora e compositora Flora Figueiredo. Nas longas filas que se formaram durante quatro horas para receber um autógrafo, ou dar um abraço na autora, o que mais se ouvia eram elogios ao temperamento e pessoa da Florinha. Não vou elenca-los para não correr o risco de deixar muitos de fora. Suas poesias falam por mim, e pelos seus admiradores, que as longas filas demonstraram cabalmente. Florinha é um encanto de pessoa. Na véspera postou uma crônica linda. Falava da ansiedade que abate todo escritor um dia antes da noite de autógrafos. Comentou comigo sobre o honroso "abre-alas" que escreveu o Inácio de Loyola Brandão. "Abre alas"  foi como poeticamente chamou o Prefácio. Esse detalhe mostra o espírito, inteligência, sensibilidade, delicadeza, e graça da poetisa. Vou usar essa liberdade poética num próximo livro meu. Darei o crédito para Flora Figueiredo, que gosta da letra F. Amiga e admiradora do Caio F. dedicou este seu novo livro aos três netos Fernão, Felix e Felipe.
III- Breve resenha
O "Abre-alas" do livro da Flora foi um lindo texto do acadêmico Inácio de Loyola Brandão. Amigos de velhos tempos de redações da imprensa paulista, o prosador de Araraquara lamenta nunca ter cometido um verso na vida. Depois de muitos elogios aos poemas da Flora, confessa já ter lido três vezes. Eu ainda estou na segunda leitura e tenho certeza que será meu livro de cabeceira para muitas outras. Títulos instigantes. Poemas que só a Flora sabe fazer. Sua leitura requer atenção e produz prazer. Nenhuma palavra gratuita. Nada por acaso. Mas a intenção não tira o brilho e o som de cada sentimento. Delicados e bem humorados são os poemas que Flora nos trás e nos enche de emoção.

23.9.19

4 bundinhas

Escultura dos jardins da Piacaba

Crônica diária

 Sobre o olfato

O olfato é um dos cinco sentidos básicos e refere-se à capacidade de captar odores com o sistema olfativo.
Cada um de nós tem seus odores preferidos.
Cheiro de grama cortada.
Pão saindo do forno.
Casca de tangerina.
Terra depois da chuva.
Café torrado.
E tenho uma amiga que certa vez disse: "Homem que conhece o cheiro de mulher rica, não se acostuma com nenhuma outra".
Mas há os cheiros insuportáveis, e entre eles, o que mais me marcou, foi o da tinturaria de Fez no Marrocos. 

22.9.19

Vítima da Quinta 2011

Autovítima, com bigode

Crônica diária

Revista Piauí 156 (Setembro de 2019)

Fundada pelo João Moreira Salles e com 50200 exemplares nesta sua 156º edição é uma revista mensal com 70 páginas, papel pólen soft 70 gramas no miolo (como o dos meus livros), e pólen bold 90 gramas na capa. Dimensões da revista O Cruzeiro, e da Manchete que eram semanais. Não é uma revista para muitos. É papo cabeça. Com meia dúzia de artigos, ilustrações inteligentes do Roberto Negreiros. O humor ácido. Trata de política, costumes, gêneros, arte, música e literatura. Uma das sessões chama-se "A Psicanálise revista por Adão Iturrusgarai", imperdíveis quadrinhos soltos em diversas páginas, Apresentada, em poucas palavras, vou focar no que me chamou a atenção, além dos grandes anunciantes como editoras, escolas, Teatro Municipal de SP e do Rio, construtoras, museus, livraria e banco, em quarto, meio ou páginas inteiras  Esses são os anunciantes óbvios para o publico da Piauí. Curiosos são os oito pequenos anúncios, que dividem entre si, na vertical, uma das quatro colunas de uma única página:
"Sebo de disco".
"Berinjela" (compra e venda de livros e CDs)
"Ao Faz Tudo" (restauração de pratas, cristais, e etc)
"Bed&Breakfast".
"Pra que marido?" (Pequenos reparos elétricos e hidráulicos)  
"Selas de cavalo".
"A senhora das especiarias".
"Banco de leite materno".

E observem, essa coluna não é de humor.

21.9.19

Comentários que são posts

Bom relembrar postagens antigas, e comentários inteligentes e pertinentes. Nunca envelhecem.
Originalmente postado no Varal.

Crônica diária

Uma fofoca sobre o Φωτιά 

Dia nove passado escrevi uma crônica sobre um almoço num restaurante paulistano. O meu leitor Valter Ferraz fez umas perguntas desculpando-se pela falta de interrogação que seu note book não tinha. Queria saber quantas estrelas tinha o restaurante. Respondi que estrelas para filmes e restaurantes eram muito relativas, e que eu dava mais atenção aos $$$$ que indicam o preço médio do cardápio. Ele insistiu: "todo crítico gastronômico deve estabelecer um ranking e eventualmente cobrar por ele. Faz parte do negócio". Ao responder seu novo comentário resolvi escrever:
    Valter, então vou contar uma fofoca. Fui conhecer sozinho o Φωτιά faz uma semana. Era um dia de sol e calor. Depois choveu e esfriou a semana toda. De tanto que falei do restaurante a Paula e a nossa querida amiga Ana M Fc Ap toparam ir conhecer ontem. Domingo de sol. Comemos mais uma vez maravilhosamente, só que o prato de porco da Paula era enorme e sobrou uma costela. Mandei embrulhar para viagem. As duas levantaram para fumar fora do restaurante. Eu continuei esperando a conta, e a sacola de viagem. Depois de um determinado tempo, e muita movimentação de garçom e de gerente, um deles veio à mesa se desculpando, mas por um erro de comunicação haviam jogado fora a costela do porco. Eu respondi na maior calma: "não tem importância, manda assar outra". O garçom meio incrédulo, levou uns segundos me observando se era a sério, e como percebeu que nunca falei mais sério, respondeu: "sim senhor". Claro que demorou. As duas voltaram para a mesa querendo saber o que tinha acontecido. Riram incrédulas. Sentaram e esperamos mais uns dez minutos. A Paula ainda perguntou: "e vão cobrar?" Claro que não. A fofoca em si, é quase outra crônica. Vamos ter porco no almoço desta segunda-feira.

Crônica do Àlvaro Abreu

Vai faltar papel
 
Não sou dos que acompanham de perto, e em estado de aceitação plena, a evolução acelerada das coisas e dos processos. Digo isso mesmo tendo atuado por muitos anos no desenvolvimento das ciências e das tecnologias. Acho que acabei por me tornar um conservador de tipo específico, desses que acha que mais perde do que ganha com a modernidade. Não que desaprove ou despreze o novo, o que seria uma bobagem. Mas por sentir uma resistência pacífica e silenciosa a muito do que vai surgindo incessantemente com a pretensão de facilitar a vida, fazer mais rápido e seguro, equacionar problemas do cotidiano e assim por diante. Com a chegada das soluções inovadoras, vê-se que muitos novos negócios aparecem e outros tantos desaparecem. Fazer a conta inteira dos ganhos e das perdas fica a critério de cada um.

Pois bem: como leitor diário deste jornal, eu soube que, a partir de data marcada, a edição impressa somente acontecerá aos sábados. Durante os demais dias da semana, terei à minha disposição uma edição digital com informações sempre atualizadas, novidades variadas e tudo o mais. Como já sou leitor das manchetes e de textos escolhidos nas edições on line dos principais jornais do país, aproveitarei para ler no computador o noticiário local. Ao longo do dia vou continuar passando um olho nas últimas notícias para ficar informado tanto quanto queira.

O fato é que, em breve, não mais lerei jornal no café da manhã, quebrando um hábito de vida inteira. Para complicar, a nossa casa ficará sem a pilha de jornal velho, um insumo de grande utilidade e de uso corrente, incluindo os de enrolar fruta para amadurecer, secar xixi de cachorro e proteger o piso durante a pintura das paredes. Em tempos remotos, quando ainda não existia isopor, a gente usava folhas de jornal para embrulhar e manter as iscas congeladas durante as pescarias inteiras. Agora, em função da mudança anunciada, também vou ter que substituir o método prático, asseado e eficaz que criei para descartar a sujeira do poleiro de Amora, que consome duas folhas de jornal por dia.

Vitória, 18 de setembro de 2019
Alvaro Abreu
Escrita para A GAZETA

20.9.19

Tainhas em Ibiraquera

Na minha praia pescador vive assim.

Crônica diária

A mochila, o Nobel e meu candidato

Sabe por que uma mochila faz mais sucesso do que uma discussão sobre o premio Nobel de Literatura? Pela mesma razão que prezamos mais as nossas unhas do que o calo alheio. A mochila esta ao nosso alcance  goste ou não dela. O Nobel é impensável nos dias correntes. Escrevi um texto sobre o inventor das prosaicas mochilas. E um pouco de sua história. Setenta e duas curtidas. No dia seguinte falei sobre o Nobel, dezesseis. Quantas pessoas se interessaram em saber quem é o escritor atrás destas duas letras RN? Dois me perguntaram in box. Interesse zero.

19.9.19

Leitora

Imagem de autor desconhecido publicada em um dos meus blogs

Crônica diária

 Felipe Neto, você já ouviu falar?


Às vezes penso que estou morando em outro planeta. Da noite para o dia surge na mídia um nome tido como muito famoso e que nunca ouvi falar. Eu sou um alienado, mesmo. Ou ele é um alienígena. Com a compra de 14mil exemplares de um livro de HQ cujo preço de venda era R$ 40,00 reais, (portanto um  investimento de R$560 000,00 na pior das hipóteses), você pode ficar famoso. Famoso e ganhar manchetes em todos os meios de comunicação sérios do país. Dar entrevistas e dizer o que pensa do Bolsonaro, e de qualquer outro assunto de transcendental importância. Com 31 anos de idade e cinco de Youtuber, conquistou a quinta maior audiência mundial nessa modalidade de comunicação social. Seu publico é infanto-juvenil. Comunica-se através da língua portuguesa e de palavrões.  Mas o que o levou aos pícaros da fama, não foi a cor dos seus cabelos, nem as bobagens que fala,  foi a compra da edição do HQ proibido pelo prefeito do Rio, sob a alegação de propaganda LBTG, e distribui-lo gratuitamente na Bienal do Livro do Rio. R$ 560 mil é muito dinheiro, e o suficiente para eleger um imbecil a vereador ou deputado, absolutamente desconhecido. Hoje Felipe Neto é um nome nacional.

18.9.19

Guilherme na cozinha

Pão de milho
Para acompanhar porco desfiado com geleia de cebola. Fotos Guilherme Lunardelli

Crônica diária

"Maria vai com as outras"

Certamente já cansaram de ouvir, ou até de usar essa expressão "Maria vai com as outras", mas também, com toda certeza, não conhecem a origem dela. A rainha Maria Izabel subia o morro para tomar água ferruginosa diretamente da bica, pois diziam tratar-se de água milagrosa. As damas da corte subiam com ela, e o povo passou a dizer: "Maria vai com as outras". 

17.9.19

Cataguases



Tempos de escola: Colégio de Cataguases,MG
Olavo de Moraes Barros

Crônica diária

Ainda sobre o Nobel de literatura

Andamos escrevendo e comentado sobre os critérios da escolha do Nobel de Literatura anualmente, há 50 anos. Algumas dicas afloraram desse debate. E transcrevo as que a meu critério inviabilizarão, por algum tempo, um escritor brasileiro receber os 4 milhões de reais do prêmio. A comissão que elege o vencedor tem critérios rígidos. Alguns inviabilizam de pronto o nome do candidato. Um deles é que o escritor tenha uma campanha a favor do seu nome, mesmo que não seja ele o mobilizador do movimento. Por outro lado não indicam candidatos que em seu país haja opiniões muito contraditórias sobre ele. Só essas duas condições básicas e classificatórias nos impede de ter um dos nossos concorrendo com chances de vitória. A polarização no Brasil chegou a um ponto de intolerância absurda. Um intelectual de esquerda jamais concorreria sem que a direita bombardeasse suas pretensões. Outras das condições desejáveis, mas não excludente, é que o candidato esteja vivo e de preferência tenha publicado um livro no ano da premiação que ocorre em outubro na Suécia. Esperam que o candidato tenha uma larga obra. E que seus livros tenham o título maior do que seus nomes impressos na capa. Por essas razões acredito que nem o Paulo Coelho, nem o Chico Buarque serão considerados candidatos fortes. Já foram e podem continuar sendo indicados para a comissão, mas sem nenhuma chance de preencher os pré requisitos. O meu candidato, e não sei se já foi lembrado alguma vez para o premio, não tem "larga obra", mas por outro lado não desperta muitas paixões. E, portanto,  menos inimigos. Não vou poder nomeá-lo para não prejudicar futuras indicações. Só dou uma dica, suas iniciais: RN.

PS: In box, e discretamente, me perguntem que eu conto. Mas depois não espalhem.

16.9.19

Flora Figueiredo

Poetisa e minha Vítima de 11 de setembro de 2019

Crônica diária

Eu não uso mochila

Vasculhando um armário, onde vou colocando as coisas que não uso mais, encontrei nada menos do que seis pastas de couro. Duas de couro marrom, três pretas, e uma metálica cinza. Sempre usei essas pastas para ir ao escritório, ou para viajar. As pretas e a cinza são do tipo popularizadas pelo personagem dos filmes de James Bond. As outras do tipo pastas de executivos. Nunca na vida usei ou pensaria usar uma mochila. Claro que é uma questão de estilo. As duas coisas servem e fazem a mesma coisa. Só que a mochila, apesar de muito mais velha do que a pasta, ficou na moda há pouco tempo. Aos sessenta anos não me permiti mais usar jeans. Como nunca usarei uma mochila.
Mochila na verdade é uma trouxa, como aquelas que antigamente carregavam na ponta de uma vara, apoiada nas costas.
Mas há outras teorias. Uma das principais é a de que, na época que os homens ainda caçavam, usavam mochilas feitas de couro dos animais capturados para carregar a caça e os equipamentos.Com o tempo, as mochilas passaram a ser utilizadas para outros fins, como carregar estoques militares dos exércitos nos EUA e na Alemanha. Também se tornaram mais leves, compactas e fabricadas com materiais que atendessem a estes requisitos, como o nylon. Dizem que, antes disso, elas já foram feitas com estruturas de madeira ou alumínio.  
O conceito de mochila teria chegado aos EUA com uma revista chamada Outing Magazine, que ensinava a dobrar uma coberta de forma que virasse um pacote para carregar nas costas.
O inventor responsável por dar origem à mochila como conhecemos hoje era um apaixonado alpinista chamado Dick Kelty. Em 1952, com a ajuda de sua esposa, Kelty tornou a fabricação de mochilas um negócio, e adicionou a este acessório alças almofadadas e bolsos com zíper.Nos anos 70, as famosas mochilas ficaram populares entre os alpinistas. E com o passar dos anos, outras pessoas teriam aderido à ideia de Kelty para criar versões diferentes do acessório. 
A palavra mochila não tem origem norte-americana. Lá é chamada de backpack. O termo em português teria surgido com os romanos, que distinguiam seus criados pelo corte de cabelo. Estes empregados usavam cabelos bem rente à cabeça, por isso eram chamados de “mutilus”, ou “mutilados”.  Com isso, “mutilus” acabou virando uma forma de se referir aos criados. Na língua basca, mutilus se tornou “motxil”, que designava um saco que os criados levavam nas costas para carregar os objetos de seus patrões. E como as transformações da língua fazem milagres, o acessório que carregamos hoje nas costas acabou batizada como “mochila”.
Tenho uma especial implicância com gente que usa mochila e ao entrar num avião comercial não percebe que ela vai batendo no ombro ou na cabeça, de todo mundo que já esta acomodado nas cadeiras do corredor. Fora isso, nada contra quem as usa. 

Dick Kelty

PS - Depois de ter escrito a crônica afirmando que nunca usaria mochila na vida, me deparei com fotos usando uma mochila nas matas do Rio Negro, no Amazonas. Fique claro que em determinadas circunstância o errado ou ridículo seria usar uma pasta preta de couro. 

15.9.19

Qual desses dois é um palhaço?

 Difícil escolher a melhor roupa de palhaço entre a do empresário dono da Havan, Luciano Hang e a do cantor Falcão.

Crônica diária

Reforma mudando o sofá de lugar, não é reforma, é acinte

A Reforma Tributária, que dizem ser mais complicada do que a da Previdência vai ficar para o ano que vem. Não sou economista, nem tributarista, mas tenho uma certeza: nenhum dos três poderes são capazes de fazer propostas que cortem na própria carne. O Judiciário não faria, o executivo não fará. Como cabe ao executivo implementar o que ficar aprovado na reforma tributária, não podemos esperar dele que corte ministérios, corte contratações, corte mordomias federais, diminua a máquina publica, reduza salários, privatize tudo que a iniciativa privada faz, e faz melhor. Lema de campanha do Presidente: "Menos Brasília, e mais Brasil". Com isso possa abrir espaço para diminuir a carga tributária, e sobrar receitas para investimento em infra estrutura. Uma proposta dessas nunca virá do executivo. Cabe ao congresso, onde já tramitam duas propostas de Reforma Tributária, discuti-la, aprova-la, e mandar para o Bolsonaro referendar, e o Paulo Guedes colocar em prática. Sem choro nem vela. Não interessa saber quem é o pai da criança. As disputas entre economistas a favor de suas teorias só atrasa nosso desenvolvimento.  Simplificar o sistema de arrecadação. Se o imposto único não dá, agora sem o Cintra, fica mais fácil. Criem três únicos impostos. Desonerem a folha, e a carga de tributos das indústrias do comercial e da agricultura. Não pensem em compensar essa redução com um imposto (CPMF) com outro nome. Não acredito que haja, mas se houver espaço para taxar alguém no Brasil são os bancos. O imposto de renda deveria ser numa escala crescente proporcional ao lucro. Incentivar as pequenas e médias empresas a perseguirem o lucro, e premia-las tributariamente, ao invés de persegui-las, partindo do pressuposto de que todos são sonegadores. Acabar com o circulo vicioso: gasta-se muito com fiscalizações, porque o empresario sonega, para poder sobreviver com as absurdas taxas, impostos, contribuições, encargos e tributos. Devemos aceitar que quem lucra mais, pode pagar mais. Sem com isso demonizar o lucro. Quem ganha até 5 salários mínimos deveria estar livre de qualquer imposto. Incentivar a entrada de capital no país. Desburocratizar os setores produtivos. Tornar a vida do cidadão comum absolutamente simples. Fazer do país um "Poupa Tempo Geral".

14.9.19

Hoje, Alvaro Abreu falando sobre suas colheres de bambu

 Essas duas preciosidades são minhas. Mas vc poderá ver outras 300 hoje em São Paulo
Feitio de Colheres de Bambu com Álvaro Abreu 
14/09 
das 10 às 14h 
Local Ateliê - Casa Panamericana


Depois de passar pela Alemanha e Suíça, as Colheres de Bambu de Alvaro Abreu estão de volta a SP em workshop e exposição nos dias 14 e 15 de setembro.
Na ocasião será possível ainda adquirir o livro Alvaro Abreu Bamboo, de Hans Hansen. A programação acontece dentro do Caminho Natural, evento dedicado a reunir produtos, marcas, iniciativas e profissionais voltados a uma vida mais natural e conectada à essência.
EXPOSIÇÃO COLHERES DE BAMBU
no Caminho Natural
14 e 15/09 das 10h às 20h
Casa Panamericana
Av. Prof. Fonseca Rodrigues, 197 - Alto de Pinheiros, SP
Visitação gratuita
WORKSHOP
Sábado 14/09
10h às 14h - Feitio de Colher de Bambu com Alvaro Abreu
R$ 150,00 - inscrições em bit.ly/CaminhoNatural

AS POSTAGENS ANTERIORES ESTÃO NO ARQUIVO AÍ NO LADINHO >>>>>

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Falaram do Varal:

"...o Varal de Ideias é uma referência de como um blog deve ser ." Agnnes

(Caminhos e Atalhos, no mundo dos blogs)

..."parabéns pelo teu exemplo de como realmente se faz um blog...ou melhor tantos e sempre outstandings...".
(Vi Leardi )

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( Peri S.C. adaptando uma frase do Millôr )
" BLOG É A MAIOR DAS VERTIGENS DA SUBJETIVIDADE " - Maria Elisa Guimarães, MEG ( Sub-rosa )