31.8.19

Nossa casa na Toscana

Álbum de viagem, Itália 2012

Crônica diária

Inteligência artificial

Tenho lido muito sobre a inteligência artificial. Ruy Castro fez uma divertida crônica sobre o programa chamado Charisma que pretende acabar com o bloqueio criativo dos  ficcionistas. O programa recebe as informações do que já foi criado no texto, e propõe mais de uma alternativa para sua conclusão. Vai ser o paraíso dos romancistas. Programas similares já foram postos em prática mas com resultados desastrosos. Foi concebido para o idioma inglês. Aplicado por um jornal carioca deu merda. O computador não lia acentos, e quando a palavra tinha algum, ele pulava a letra e ócio virou cio. A notícia era de que "as mulheres da sociedade carioca estavam no cio em Teresópolis". O Charisma é muito mais confiável e sofisticado, embora tenha sido criado em inglês. Não por acaso o assunto da inteligência artificial também é o tema do livro que acabo de comprar. Ian McEwan cria um romance onde um robot passa a dividir a vida com um casal. O tema promete. E o assunto da inteligência artificial esta só começando.

30.8.19

Album de viagem

2012

Crônica diária

Cafona é sempre o outro

 Eu não fui leitor da Fernanda Young. Exatamente no dia do seu enterro, morte que lamentei pela precocidade (49 anos), o jornal O Globo publicou seu ultimo texto. "Bando de cafonas". Nunca fui seu leitor porque sua imagem na TV não me agradava. Em seu obituário os dois adjetivos que mais foram usados: "ácida e provocativa" talvez definam as razões que me levaram a não leva-la a sério. Ora loira, ora morena, corpo inteiramente tatuado, desbocada, e mulher de pouco humor, ao contrário de uma Rita Lee, por exemplo. Mas do seu ultimo texto destaco algumas pérolas:

"Dos cafonas. Do império da cafonice que nos domina. ... do mau gosto existencial. ...Do que há de cafona na vulgaridade das palavras, na deselegância pública, na ignorância por opção....O cafona fala alto e se orgulha de ser grosseiro e sem compostura. Acha que pode tudo e esfrega sua tosquice na cara dos outros. Não há ética que caiba a ele.... Gentileza, educação, delicadeza, para um convicto e ruidoso cafona, é tudo coisa de maricas. ...É rude na língua...A cafonice detesta a arte...Porque só o bom gosto pode salvar este país."

Outros adjetivos e definições de cafonas, no texto da Fernanda, estão contaminados com ideias de esquerda, que acham que cafonas são os outros. Então digo eu: cafona sé sempre o outro. 

29.8.19

Salada de rúcula

Foto Renata Almeida

Crônica diária

Silvana Tinelli e a gastronomia italiana
Falar da minha amiga Silvana sem parecer nota do Glamurama, ou da Sonia Racy, ou ainda do Amaury Jr levou-me a pensar duas vezes. Sou amigo dela há muito tempo. Desde os banhos de piscina na casa da Linda, no Guarujá, até meus contatos como cliente do seu marido e dono do frigorífico em Andradina, SP. Foi lá que mataram 1000 bois magros, desapropriados com helicóptero da polícia e exercito, nos pastos da minha fazenda Bela Vista, SP, no governo militar do Médici. Levei mais de dez anos para receber a desapropriação criminosa. Impossível dissociar as duas coisas. Mas a Silvana, em maio deste ano, lançou um livro com 12 fascículos representando cidades ou regiões  italianas com suas receitas culinárias locais. Silvana nasceu no Egito, mas toda sua vida é ligada ao Brasil e Itália onde morou com seu marido Attilio Tinelli. Mulher a frente de seu tempo, sempre trabalhou sem necessidade de faze-lo. Socialite, Fotógrafa, Publicitária, ceramista, e dona de uma Galeria de Arte, agora autora de um livro ricamente ilustrado com fotos suas, de sua família e de amigos na Itália, ou de pratos que costuma preparar para almoços e jantares em sua casa. Genova, Capri, Napoli, Toscana, Cortina, Roma, Sicília, Veneza, Puglia, Milão, Parma e Bolonha são catalogados pelos principais ingredientes, massas, legumes, e carnes de cada região. Há receitas detalhadas de como prepara-los. O livro tem nas capas do "box", que protege os 12 fascículos, a foto da autora aqui reproduzida. Em seu interior, a Silvana por inteiro. Ela, suas amigas, filho e netos. Espero tenha feito uma breve resenha do livro, e não mais uma nota social.

28.8.19

Album de viagem

Junho de 2012, na Itália

Crônica diária

Como peixe, Bolsonaro morrerá pela boca

Vocês lembram de algum presidente que falasse tanto como o Bolsonaro? É provável que em seus 20 anos de baixo clero, quase mudo, não fossem as baixarias verbais contra seus pares, nunca teríamos ouvido a voz, ou uma notícia do deputado. Eleito presidente passou a falar pelos cotovelos. Ele e seus filhos. Os generais do palácio aconselharam o capitão a afastar principalmente o Carlos. Depois passaram a tutelar as entrevistas do presidente. Não foi suficiente. Continuava a falar e colocar em saia justa generais calados e sisudos. Foi quando inventaram um porta-voz. Todos os dias o general, incumbido, falava em nome do presidente. Aí a coisa ficou duplicada. Além do briefing do porta-voz, o presidente continuou falando, e algumas vezes desmentindo a fala do seu porta-voz.  Resolveram sair de cena os sisudos generais, e o comportado porta-voz. Mas o presidente intensificou suas falas. Todas as manhãs, ao sair de casa, da uma coletiva. Esbraveja quando algum jornalista dá um "quebra queixo". E produz logo pela manhã uma nova crise. Frita seu ministro da Justiça, defende seu filho para o posto de Embaixador em  Washington, interfere nos segundo e terceiros escalões dos seus ministérios, na PF, e tudo por conta de sua família, que esta acima de tudo e de todos. Confunde seu lema de campanha, o Brasil acima de tudo e Deus acima de todos. Demonstra não conhecer o significado de nepotismo, e instala um escritório para gerenciar crises no Palácio. Crises produzidas em sua grande maioria por ele mesmo. Nega com absoluta convicção novos impostos, como a CPMF, por exemplo, mas em seguida admite estuda-la com o Paulo Guedes. Nenhum presidente da república, que eu me recorde, falou tanto, o tempo todo, com a imprensa, quanto ele, que a abomina. 

27.8.19

Uma foto minha de Roma

Fotos do meu álbum da viagem à Italia

Crônica diária

Fernanda Young e os precatórios

Uma escritora de 49 anos não tem idade para morrer de asma. A não ser que estivéssemos nos séculos XVII ou XVIII. Mas aí a moça não teria o corpo todo tatuado, da palma das mãos aos pés. Nem seria qualificada de "ácida e provocativa". Naqueles tempos a mulher não gozava da liberdade dos tempos que Fernanda Young viveu. Apesar disso foi "ácida e provocativa". Não foi a toa que processou um idiota que a chamou de "vadia". Ganhou a ação na justiça, mas teve a indenização reduzida porque o juiz entendeu que sua "reputação era elástica". Mas é sempre triste e lamentável a morte prematura. Foi enterrada na segunda feira, mesmo dia em que publicou em sua coluna, no O Globo, seu ultimo texto:
"Bando de cafonas".
Mas as manchetes do dia não foram sobre a morte da escritora. Foram sobre o adiamento dos precatórios dos estados e municípios por mais alguns anos. Exigência dos governadores para aderirem a Reforma da Previdência. Resumindo, os governantes sempre acham um jeito de colocar a conta na mesa do contribuinte ou do seu credor. É sabido que quem tem valores a receber do estado, principalmente os tais precatórios, acaba morrendo sem tocar no dinheiro. E com mais do dobro da idade da Fernanda.

26.8.19

Beira de estrada

 A fé do povo brasileiro
As chamas consumindo as velas 2012

Crônica diária

Onde há fumaça, há fogo

Os jornais de sábado para cá estão amarelo-avermelhado com largas imagens coloridas de queimadas e fumaça amazônica. Muita imagem de 2008, outras de dois anos atrás, postadas nas redes sociais por governantes franceses, alemães, e personalidades do mundo artístico e cultural de todo o planeta. O Ricardo Salles, Ministro do Meio Ambiente, e o Bolsonaro são o foco de todas as manifestações globais. Manifestos em frente embaixadas brasileiras pelo mundo a fora reclamam providências do governo brasileiro. Os eleitores primordiais do presidente da República já estão insatisfeitos com o resultado nefasto para o comercio de seus produtos, em razão do boicote europeu para com países poluidores, ou que agridem a Amazônia, que acreditam deva ser, perenemente preservada, como pulmão do mundo. O Bolsonaro é um criador de crises diárias. Ele não necessita de oposição ao seu governo. Atento em defender sua família, acima de todos e de tudo, dispara contra seu Ministro da Justiça, que recebe sua fritura, que já anunciei há dias, calado como um bom menino. Dispara contra a PF, contra o candidato Argentino, na frente das pesquisas, contra a primeira ministra alemã, contra o Presidente da França, tudo ao mesmo tempo. Nem Jânio, nem Collor conseguiram ser tão polêmicos em tão curto período de mandato. E quem conhece um pouco de nossa história recente, sabe como terminaram. Uma coisa é certa, onde há fumaça há fogo. Combustão por falta de chuva e secas prolongadas. Fogo posto em áreas derrubadas, clandestinas ou legais. O Brasil é um dos países que tem leis ambientais mais severas e restritivas do planeta. O agronegócio é o responsável pela maior receita do país. Seus produtos muito competitivos no mundo todo. Elegeram um presidente para fortalecer seus negócios, muito prejudicados por ambientalistas xiitas. Mas acontece que o tiro parece estar saindo pela culatra. O maior prejudicado numa campanha difamatória contra o Brasil, no âmbito ambiental será o agronegócio e a balança comercial brasileira, tão duramente conquistada. 

25.8.19

Cuidando do Paraiso

 Para manter os jardins do paraíso que é a minha casa PIACABA
Sem queimar o lixo orgânico
Trituramos os resíduos para usa-los como adubo. Tudo ecologicamente correto.

Crônica diária

Jo Nesbo - Macbeth

É mais do que o nome do escritor norueguês, que vive em Oslo. Músico e economista é um dos maiores autores aclamados e bem-sucedidos  de toda Europa. Seu nome virou marca de um produto que nas vitrines das livrarias é venda e sucesso garantido. Neste livro lançado este ano pela Record, onde já publicou mais 14 outros, Macbeth entrega o que prometeu. Prende o leitor da primeira a ultima página das suas 515. A fórmula usada por Nesbo esse, e nos outros romances policiais é o ritmo de metralhadoras giratórias. Seus personagens transitam pela história tentando matar e não morrer. E não há economia de mortes e de tentativas de sobrevivência que  não prenda o leitor pela forma como a narrativa se desenvolve.

24.8.19

Reflexos

Praia de Ibiraquera, barra e reflexo.

Crônica diária

As queimadas da Amazonia

Meu amigo holandês Vincent Michels escreve de Amsterdã perguntando se tudo que lê e ouve sobre a Amazônia, na gestão Bolsonaro, é verdade. Minha resposta "in box" à sua pergunta não o satisfez. Me enviou cópia de correspondência de um amigo seu, cujo filho mora em Belém do Pará, e que narra que o ar da cidade esta de tal forma contaminado pela fumaça das queimadas que esta difícil respirar. Contra fatos não há argumentos. Realmente as fotos dos satélites, são imagens indiscutíveis. Por outro lado toda moeda tem duas faces. É indiscutível também, mesmo porque o próprio Vincente usou em sua argumentação,  que  as florestas precisam ser preservadas e a melhor forma de faze-lo é criando reservas indígenas e parques florestais. Uma visão da esquerda e europeia. Não é segredo para ninguém que o Bolsonaro tinha em sua base de campanha exatamente teses contrárias. Acabar com a esquerda brasileira e dar todo apoio ao produtor rural. Uma das primeiras medidas após eleito foi cortar as verbas destinadas às ONGS e fazer uma auditoria nelas. É sabido que a esquerda (mas não só ela) usa as ONGS para fins escusos. O dinheiro da Noruega e Alemanha entrou nesse pacote. Os madeireiros clandestinos e posseiros se sentiram animados com a nova postura do governo e intensificaram suas ações deletéria e predadora. Somado à falta de recursos para os órgãos ambientais intensificarem a fiscalização a fumaça apareceu de modo extraordinário. Portanto é verdade que houve um aumento de desmatamento e focos de queimada, como é verdade que a esquerda esta colaborando com o incêndio e fumaça verbal. Toda mudança de rumo de políticas públicas causam transtornos. As queimadas na Amazônia é uma delas. Há na verdade muita terra para pouco índio. O interesse protecionista europeu esta muito a baixo das raízes da  floresta. 

Crônica do Alvaro Abreu

Saudosismo na veia


Newton Braga inventou a Festa de Cachoeiro há uns 80 anos para celebrar reencontros. Naquele tempo, quem tinha condições ia estudar no Rio e vinha passar as férias em casa. Como o dia de São Pedro, padroeiro da cidade, é 29 de junho, bem na boca das férias escolares, ele resolveu aproveitar a data e marcar a festa. Deu certo. Dá gosto de ver meus conterrâneos se abraçando, rindo e falando alto quando se encontram lá na terrinha.

Pois então. Amanhã acontecerá a sexta edição do Encontro dos Amigos da Praia do Canto, lá na curva da Jurema. É um movimento idealizado por Marisa Guimarães, minha colega de piscina, para reunir em lugar aberto, perto do mar, pessoas das mais diferentes turmas e patotas de antigamente. Não sei como a ideia vingou, mas deve ter sido por conta do saudosismo fundamentado que acomete muita gente madura como eu, que passou a sua juventude na Praia do Canto e, também, na Praia de Santa Helena e na Praia Comprida, que saiu do mapa.

Sem exageros, esse pedaço da ilha de Vitória era lugar próprio para criar amizades e encontrar amores, andar de bonde e de bicicleta sem freio, subir morro para ver o mundo do alto, pegar lagosta miúda, pescar carapau valente, remar mar adentro, velejar por curtição e em regatas oficiais, jogar pelada e vôlei na rua e frescobol nas areias da praia do Barracão, nadar contra o relógio no Praia Tênis Club, pegar onda em Camburí, não perde festa de debutante, esperar a vez na fila do galeto no Iate Club, ouvir músicas inspiradoras, namorar muito, dançar apertadinho e voltar pra casa a pé, sem medo.

É bom saber que será lançado um livro com histórias e relatos escritos por pessoas que tiveram o privilégio de morar naqueles bairros tão especiais, então livres de prédios enormes e trânsito pesado. Quero crer que a vida mansa, alegre e cordial que vivemos ali tenha sido idealizada pelo sanitarista Saturnino de Brito ao projetar, lá pelos idos de 1890, o chamado Novo Arrabalde, com ruas largas e traçado que valorizava as enormes formações rochosas existentes. Quem viveu, viveu.


Vitória, 21 de agosto de 2019
Alvaro Abreu
Escrita para A GAZETA

23.8.19

Album de viagem

Italia 2012

Crônica diária

Desalento

Uma das tarefas do cronista é manter seus leitores com ânimo, esperança, e quando possível algum humor. Nos dias gelados do inverno, as noites escuras e dias chuvosos não favorecem aquecer ânimos desidratados, mas de nada adianta lamentar. Riscar um fósforo e fazer um monte de palha seca pegar fogo, e brasa, numa fogueirinha, aquece as mãos, o corpo, e as luz amarela das chamas, a alma. As palavras do cronista tem essa função. Geralmente falamos dos problemas universais, dos desajustes internacionais, das mazelas do pais, e nos esquecemos que o homem vivi de seu estômago, e coração. Essa a razão do sucesso das palavras de auto ajuda. Das religiões e das drogas. E quando o leitor  encontra-se em situações extremas, não há humor que possa servir de alento. Solidariedade é uma ferramenta importante nas horas do apuro. Mas nem sempre estamos atentos e abertos para essa postura. Lamentavelmente. Por isto admiro a pureza da criança, que em sua santa inocência não sofre o que o adulto, desanimado, desesperançado, e mal humorado preveem para o futuro.

22.8.19

Album de viagem

Itália 2012

Crônica diária

Luiz Alfredo Garcia-Rosa (1936)                         
Consagrado escritor carioca acaba de nos brindar com novo romance policial do seu esperto e humano delegado Espinosa, personagem central de quase todos seus livros. "A última mulher" publicado em julho de 2019, com 117 páginas, tipos grandes, espaço entre linhas generoso. Quatro horas de intensa e divertida leitura. Cada dia gosto mais de leituras assim. Boa qualidade literária, curta e que prenda o leitor do começo ao fim, sem detalhes ou descrições dispensáveis. O que chamo de "romance clean". Garcia-Rosa tem essas qualidades. Prosa simples, direta, sem peripécias literárias, personagens incomuns, com histórias relativamente banais com grande quantidade de suspense e final imprevisível. Mais um livro que recomendo para quatro horas agradáveis. Você não vai conseguir larga-lo.

21.8.19

Album de viagem


Italia, junho de 2012

Crônica diária

Nada de desânimo

Dias atrás fiz uma crônica com um retrato 3X4 do país. Ninguém discordou do diagnóstico. Mas muita gente usou as expressões: "desânimo", "infelizmente", "unfortunatelly",  "desgraçadamente", "quadro dramático de nossa sociedade hipócrita", e por aí a fora. Nada disso. Triste são as situações sem diagnóstico. O Brasil tem seus males conhecidos por todos. Só nos resta ataca-los. Começando pela educação, pai e mãe de todos os outros problemas. A China deu o salto qualitativo com educação em massa. Com ela os outros males serão debelados. Saúde, segurança, e corrupção. O Pelé foi massacrado quando dentro de sua sinceridade ingênua declarou que o brasileiro não sabia votar. E estava repleto de razão. Mas os políticos e os governos não tinham interesse em dar escolaridade a seus eleitores de cabresto. Sempre foram voltados para seus propósitos ideológicos e corruptos, onde uma população ignara faz parte periférica do projeto. O atual governo depois das reformas em curso deveria voltar os olhos para educação e saúde. A segurança vem como consequência. A economia voltando a florescer, por conta das reformas, em vinte anos teremos outra geração de brasileiros. E voltaremos a ter esperança. O diagnóstico esta feito. O remédio recomendado. Agora é mãos a obra. Vamos construir escolas ao invés de presídios. Escolas e hospitais. Vamos cortar para um terço o salário e o número de vereadores, deputados e senadores. Vamos triplicar a remuneração dos professores. Foco no ensino básico e intermediário. Menos filosofia e mais medicina e engenharia. Menos universitários e mais eletricistas, encanadores, e mecânicos. Mais gente voltando para o campo, onde os governos devem priorizar a segurança, saúde e educação. E o Brasil voltará a ser o que minha geração esperava que fosse. E não foi.

20.8.19

Pompéia, Italia

Muitos anos atrás

Crônica diária

Revista Piauí - 155 - Agosto


Ontem escrevi que não havia mais revista semanal que merecesse leitura. Ressalvei o suplemento do Valor Econômico de sexta-feira, como uma excelente exceção. Hoje vou lhes falar da revista mensal Piauí. O número 155 (mais de 12 anos) de agosto de 2019 com capa do Caio Borges que se apropriou da famosa tela "Os embaixadores" 1533 - Hans Holbein, e nela colocou uma chapeira com hamburguês, e boné com as cores dos Estados Unidos na cabeça de um deles, numa divertida referência ao filho 03 do presidente. Além da capa, a revista esta repleta de ótimas matérias e artigos. Me lembrou a revista Senhor dos bons tempos. Comentarei só "O infortúnio do João Gostoso" assinado por Armando Antenore, editor da Piauí. O artigo trata de uma longa e curiosa pesquisa sobre o poema de Manoel Bandeira, baseada numa notícia de jornal. Poema publicado pela primeira vez no vespertino A Noite, em 31 de dezembro de 1925. Cinco anos depois incluiu na primeira edição do livro "Libertinagem" com sutis modificações. "João Gostoso era carregador de feira livre e morava no morro da Babilônia num barracão sem número/ Uma noite ele chegou no bar Vinte de Novembro/Bebeu/Cantou/Dançou/Depois se atirou na Lagoa Rodrigo de Freitas e morreu afogado."
Esse poema com 38 palavras e cinco versos tornou-se um marco do modernismo brasileiro. Em junho passado o editor Claudio Soares fez uma descoberta preciosa. Bandeira se inspirou na notícia da morte do João Gostoso, como conhecia um fato anterior (1916) quando João foi notícia, pela primeira vez, no A Noite, por ter agredido com uma pedra, por ciúmes, sua amásia Rosa Maria da Conceição.

19.8.19

Punta Del Este, Uruguai

Como minha irmã Elisa em foto do seu marido, meu cunhado Carlos Eduardo Novaes.
 Éramos jovens e achávamos imortais. Circa 1970

Crônica diária

EU & FIM de SEMANA - Valor Econômico
 
Mario de Andrade , Ian MacEwan e Oswald de Andrade

Foi meu velho amigo Germano Ferh (o pai) quem me chamou atenção para esse suplemento publicado às sextas-feiras pelo jornal Valor Econômico. Como nunca leio esse jornal não sabia de sua existência. Sexta dia 9 passado li um quase de cabo a rabo. Muito bom. As revistas semanais estão um lixo. O Roberto Civita deve estar se revirando no túmulo. A Veja esta imprestável. As outras nem se diga. Mas EU & Destaques trás matéria sobre o Eduardo Constantini, idealizador do MALBA - maior museu de arte sul americana das Américas, e dono do nosso Abaporu, da festejada Tarsila do Amaral. Perguntado se venderia a obra da artista modernista brasileira, respondeu que por valor nenhum. Na matéria de capa André Lara Resende fala sobre: "Equivoco dos juros". Fernando Abrucio escreve sobre o governo Bolsonaro que chama de excludente. Na coluna cinema Juliette Binoche. Arte aborda a exposição "À Nordeste". Foto e matéria sobre Vladimir Herzog, que pouco antes de ser preso e morto pensava em se tornar cineasta. Há coluna de Vinhos. Na de literatura matéria sobre Mario de Andrade, por Eduardo Magossi, creditando a ele o mérito, até pouco tempo dado ao Oswald, de responsável pelo Movimento Modernista no país. Trata também da sexualidade do Mario, que até hoje fui meio tabu, para não desagradar seus parentes. Além de muitas mulheres, teve um caso com H, muito além de amizade. E por fim uma interessantíssima resenha do ultimo livro do Ian MacEwan, denominado "Máquinas como Eu", onde trata do relacionamento entre um homem, uma mulher e um robô. Precisa mais? Obrigado Germano. Toda sexta que puder, vou ler EU & Fim de semana, do Valor.

18.8.19

Desenho

Só não consigo ler a data. Crayion sobre papel Fabiano

Crônica diária

A conversa continuou

O Leonardo depois de dar a notícia da morte do Afonsinho disse que tinha ido a uma cartomante em Brasília. Lembrei da história da cartomante Dona Rosa, que também morreu, e muita gente até hoje me pede seu endereço. Mas você foi até lá só por conta da cartomante? perguntei. "Não, eu tive que ir a negócios a Goiânia, e como estava de carro, voltei por Brasília. A cidade cresceu muito desde a ultima vez que estive lá." De piada perguntei se foi na inauguração? Rimos e subimos para tomar um café na sobre loja da Livraria da Vila, da Rua Lorena. O que conta a cartomante? perguntei. " Você não vai acreditar". Eu sei, nunca acreditei em cartomantes. "Mas dessa vez tomara que ela esteja mesmo enganada". Por que? " Ela disse que o Bolsonaro, e na verdade chamou-o de Johnny Bravo, vai concorrer a reeleição contra o Dória e o Wilson Witzel do Rio de Janeiro. Ela citou outros dois ou três candidatos da esquerda, mas sem nenhuma chance. A esquerda em 2022 estará aniquilada."E quem vencerá a eleição? "Ela disse que a apuração ainda não tinha terminado". Risos . Encontrar com o Leonardo é sempre um prazer enorme.

17.8.19

Uma foto de que me orgulho

Dessa foto de muitps anos atrás, me orgulho muito. Cheia de significados. Como devem ser as boas fotos.

Crônica diária

Placa de bronze

Depois de algum tempo sem ver ou falar com o Leonardo cruzo com ele na Livraria da Vila da Rua Lorena. Quanto tempo! Pois é, o nosso amigo Carlito Maia, de saudosa memória, já dizia: "São Paulo junta bandidos e separa amigos". E nos abraçamos. Você esta muito bem! E você também. Trocado os abraços e comentários de praxe, ele comentou: "Tio Afonsinho morreu". Respondi: início de inverno é uma merda. Velho morre de pneumonia. "Não foi não, morreu atropelado". Não diga, retruquei. "Pois foi, por um patinete amarelo". Não acredito. "Pois é. Acredite. Fraturou dois ossos do braço esquerdo, e uma grave fratura da bacia." Bacia nessa idade é complicado. E sabe mais? A maior causa de morte no mundo não é câncer ou doença nenhuma. É queda. Velho cai, quebra, é anestesiado, operado, e vem a óbito por complicações variadas. "É verdade", anuiu o Leonardo. E meio que rindo lembrou que seu tio Afonsinho era um jogador viciado." Jogava em tudo. Em cavalos, no bicho, Mega-Sena, bingo, e carteado. Neste ultimo costumava jogar pesado. Nunca perdeu". Como assim, nunca perdeu? perguntei. "Pois é, foi nisso que a mulher e os filhos sempre acreditaram. Ele ao comprar os cacifes pagava com cheque e sempre valor maior. Recebia o troco em dinheiro. Chegava em casa sempre com dinheiro vivo no bolso, que dizia ser o lucro da noite. Esse era o Afonsinho. O ultimo desejo, antes de morrer foi que mandassem fazer uma placa de bronze: "Aqui jaz um que morreu de tanto viver."

16.8.19

Vista da PIACABA

Acrílica sobre tela, da série LITORÂNEAS Lagoa de Ibiraquera

Crônica diária

Saca essa rolha

Esse é o título da coluna da jornalista cearense, muito jovem, apesar de mais de 15 anos de uma carreira com muitos feitos na imprensa nacional e como correspondente no exterior, Isabelle Moreira Lima. Não sou leitor diário do Estadão, e portanto não acompanho o caderno Paladar, onde ela escreve. Casualmente a matéria tratada dia 8 de agosto de 2019, Vinhos Extremos chamou minha atenção pelo título. Seria a Isabelle uma enóloga tão jovem? E fui procurar saber um pouco de sua biografia. Tem de tudo um pouco. Coberturas e entrevistas políticas, com artistas internacionais, com personalidades de várias áreas inclusive vaquejadas. Mas entrevistou gente muito importante no mundo do vinho. Só isso a credenciou me levar a leitura interessantíssima dessa matéria. Aqui o espaço não permite transcrever o artigo em sua integralidade. E o resumo do resumo, para quem não conhece a arte de produzir vinhos, e no caso vinhos extremos, ela sintetiza que "a videira não deve ser tratada a pão de ló". Me fisgou na primeira frase. E ela explica que no solo pobre obriga as raízes da videira a se esforçarem mais, buscando nutrientes, e alcançando mais riqueza mineral do que a superfície pode oferecer. Isso resulta numa fruta mais interessante e concentrada. "A uva tende a ganhar personalidade quando cultivada em geografias ou climas inusuais, ou quando vem de planta muito velha ou selvagem, ou quando é produzida com muita dificuldade física". Nelson Rodrigues diria lendo essa descrição da Isabelle, que uva é como mulher: gosta de apanhar, ser mal tratada. A jornalista cita vários exemplos, desses vinheteiros-guerrilheiros que produzem em condições extremas. Vinhos do deserto, de cavernas, de uvas congeladas. Fornece o nome, a vinha, preço e local de venda em São Paulo. Vão de R$153,00, (um vinho Italiano) R$ 198,00 (da região de café paulista) até R$450,00 com pisa a pé, colheita manual, e rendimento de 40% das uvas do Atacama.

15.8.19

Foto de cena

                                    Século passado fazendo cinema atrás das câmeras. Decada de 60

Crônica diária

 
Sugestões impagáveis


Como pode ter gente que ainda defenda o PT? Inimaginável. Mas tem. E tem gente que faz enquetes, ou procuram por algo nas redes sociais. É uma forma divertida de ler disparates, e ouvir conselhos de "sem noção". Vou só citar dois exemplos que vi hoje. Um indivíduo pergunta: "Quero morar na Europa sem sair do Brasil. Alguma dica?" E foram muitas as dicas. O Jardim Europa, muito citado. Rua França, no mesmo bairro. Algumas cidades de Santa Catarina na maioria Gramados e Serra Gaúcha. Esta última a mais provável e coerente delas. Mas teve os "sem noção" que sugeriram Pernambuco, e outra Rua Pamplona.  
Outro exemplo o camarada escreveu um livro e procura quem possa indicar um revisor. O primeiro sabidinho disse que o Word tem um programa que faz tudo. Revisa, diagrama, etc. Claro que não era isso que o escritor queria. O Word tem revisor ortográfico. Revisão de um livro é coisa muitíssimo diferente. Nos meus faço com duas revisoras profissionais, e acaba passando gato por lebre. É o maior prazer dos que eu chamo de "Procurando Wally". A sorte do camarada é que não faltaram revisores, orçamentos e conselhos.

14.8.19

Julho de 2013

Santa Catarina

Crônica diária

DR rendeu muitos comentários

Ainda sobre os comentários dos leitores. Quando postei a crônica "Fui vítima de dois DRs", o meu querido amigo e arquiteto Fernando Cals lá pelas tantas, depois de dezena de comentários que davam boas dicas, fez irritado (imagino eu) o seguinte comentário: "Fiz a pergunta, ninguém respondeu: what porra is DR? Please!" A leitora Sara Guedes gentilmente respondeu: "Fernando Cals discutir relação." Logo em seguida, o amigo comum, meu e do Fernando, Valter Ferraz voltou a postar:
"Discutir a relação, Fernando Cals." E o Fernando mais nada escreveu. Mas deve ter pensado "Que porra mais ridícula." Ele é um pouco mais velho do que eu, e somos do tempo que em Pernambuco, Rio ou em São Paulo, essas coisas entre casais se resolviam de três formas: na cama, no $ Banco, ou na bala. risos...
Mas houve comentários de leitoras, sobre DR, muito interessantes. Com uma visão completamente feminina do assunto. A começar pela  leitora Alessandra Zacarias que escreveu: "Acho que sou homem, porque se tem uma coisa que me causa completa exaustão é a tal da DR!!!" Se eu escrevesse isso seria chamado de machista, mas traduz a pura verdade. Claro que sempre há exceções. Homens que querem pontuar entre as mulheres. 
Mas outras leitoras como minha querida prima Py Pacheco E Silva, comentou: "Eduardo, já fui vitima de uma pedrada no meu carro. Hoje dou risada mas na época foi bem tenso...." 
E o ciúme foi abordado em vários comentários. A insegurança masculina, ou até de broxa acusaram os meus detratores.
E por fim, por falta de DR, acontece hoje o que chamam de feminicídio, e foi observado pelo meu querido leitor José Eduardo Nogueira que escreveu: "Eu acho que você é um homem de sorte. A 45 anos poderia ter sido morto por "legítima defesa da honra"! Veja o texto: Mas há um mito no Brasil de que existe algo chamado legítima defesa da honra. Ela aconteceria quando o cônjuge ou namorado(a) traído matasse o(a) parceiro(a) que trai e/ou a pessoa com quem trai. Segundo esse mito, a legítima defesa da honra seria um tipo de legítima defesa e, portanto, faria com que a justiça absolvesse o acusado. A lógica seria que a honra faz parte da pessoa, da mesma forma que a vida ou o corpo, e por isso a pessoa pode matar para protegê-la".
Nesse caso eu teria sido vítima duas vezes, uma por não ter absolutamente nada com a esposa do assassino, e outra de postumamente ser acusado de ter "atentado contra a honra". 
Continua o José Eduardo: "O famoso caso do Doca Street foi um caso em que o homicida se deu mal: Doca Street foi julgado em 1980, tendo sido defendido pelo advogado Evandro Lins e Silva. A defesa foi baseada na tese de legítima defesa da honra, responsabilizando-se a vítima, Ângela Diniz, por ter provocado tal violência, em razão do próprio comportamento. Inicialmente, a pena de Doca Street foi de dois anos, com direito à sursis. O caso teve grande repercussão e foi o estopim para organização de um movimento de mulheres contra a violência doméstica, com o slogan "Quem ama não mata". Após a mobilização social, houve um segundo julgamento, e a pena do assassino foi elevada para 15 anos de reclusão".
José Eduardo ainda lembra: "Tem o caso também da Elza Leonetti que assassinou o seu amante Robert Lee. Ela nunca foi para a cadeia!"
Mas esquecemos que homens e mulheres se matam todos os dias, e no mundo todo. Optam pela força, pela faca ou pela bala., ao invés de uma saudável DR. Ou de uma DR mal resolvida. 
Completa Francisco Giaffone "É a vida. Não há o que se fazer. Dizem os argentinos que para dançar um tango se precisa de dois".

13.8.19

Antonio Lunardelli e o Pretextos

Antonio lendo o Pretextos em Mansué, Vêneto, Italia

Crônica diária

A crônica e seus comentários
    Sempre me reporto aos velhos cronistas que me inspiraram, como Rubem Braga, Luiz Martins (LM) e tantos outros que escreviam nos jornais diários. Mas lá não tinham o retorno dos comentários em tempo real. As redes sociais e os blogs permitiram essa prática. Senão vejamos:
    "Maria Vitória Lago: Adoro suas crônicas , mas me divirto mesmo é com os comentários ..."

    "Valter Ferraz: Maria Vitória Lago , por isso uma postagem sem comentários não tem graça nenhuma!
    Eduardo P. Lunardelli: Resumo da ópera: o bom cronista é aquele que junta ao seu texto gente inteligente que faz comentários engraçados...

 

12.8.19

Sergio Moro

Mais uma Vítima

Dia dos Pais

Recebi ontem, Dia dos Pais esta foto do meu pai, minha mãe Heloisa, minhas duas irmãs Elisa e Estela com o neto mais velho Eduardo Novaes. Quem me enviou foi minha filha Sandra, admirada com a semelhança minha, com o Dr. Santo. Somos mesmo parecidos.

Crônica diária

Sobre a hora da postagem

Durante 2418 dias postei 2418 crônicas às sete da manhã. Por que? Porque era a hora que lia nos jornais, os meus cronistas favoritos: Rubem Braga, Luiz Martins (LM), e todos os outros que escreviam suas colunas diárias. Era a hora que os jornais chegavam em casa. Na minha cabeça ficou ligado crônica às primeiras horas do dia. E deu certo. Tenho o depoimento de muitos leitores que fazem isso com meus textos. Digerem antes ou durante o café da manhã. Outra razão subjacente é que sou absolutamente matinal. Diurno. Nunca leio ou escrevo a noite. Minhas melhores ideias, meus melhores momentos intelectuais, são pela manhã. Por alguma razão, que não vem ao caso, postei duas ou três crônicas no início da noite. O resultado foi expressivo. Mudou ligeiramente o perfil e ordem dos comentários. Quem comentava dez minutos depois de postado, só foi postar na manhã seguinte. Aqueles que postavam durante o dia, final de tarde, apareceram na dianteira. E houve também uma sutil mudança no espírito dos comentários. Os noturnos, mais elaborados, com menos pressa, e talvez menos humor. Mas é só uma reles observação, sem valor estatístico. Mas tem uma razão óbvia. Le a noite quem dorme tarde. Quem não acorda cedo, e quem não tem tempo durante o dia. E as noites, para quem não dorme cedo, e tem insônia, são longas. Daí os textos, nos comentários, maiores.

11.8.19

Bundinhas





Em bronze, em gesso, e em cimento com base de mármore e granito sobre espelhos

Crônica diária

Moro na frigideira 

Jair Bolsonsro

Sergio Moro

 A Revista Crusoé já estampa manchetes como: "Bolsonaro frita Moro" (9/8/19). Quem acompanha a movimentação do xadrez político já percebeu que o ex-juiz, idolatrado e considerado nas manifestações de rua em todo Brasil como o herói, salvador da Pátria, e mito da Lava-jato, passa por momentos de grande dificuldade. A decepção fica a cada dia mais estampada na face do atual ministro. O arrependimento por ter abandonado uma carreira, promissora, de 20 anos de magistratura, para ocupar um cargo de confiança no governo Bolsonaro, fica mais visível no rosto do Moro. Ver seu projeto de combate à corrupção a todo instante ser criticado e censurado pelo próprio governo, e pior postergado em sua aprovação pelo Congresso, desanima qualquer pessoa cheia de boas intenções. Ter sido um dos atingidos pelo escândalo dos hackers, foi mais um golpe importante. Mesmo que nada de ilegal e fora das rotinas usuais entre juízes e promotores, ficou a mácula, e manchou sua reputação, pelo menos momentaneamente. O presidente que sempre invejou a popularidade do seu ministro, tem dado sinais dúbios de seu irrestrito apoio. E recentemente, conforme noticia a Cruzoé, o Bolsonaro tem demonstrado contrariedade com a resistência do Moro em aceitar tranquilamente a transferência do Coaf para o Banco do Brasil, despolitizando o órgão, e distanciando-o da Justiça, e portanto enfraquecendo o seu ministro da área. Não será nenhuma surpresa amanhecermos com a renúncia do ex-juiz, e hoje enfraquecido Moro. Como pode um ministro do seu porte, chegar em casa e olhar nos olhos da esposa, diante de uma manchete como essa da Crusoé? Um jovem juiz de reputação ilibada, tendo que passar pelo que esta passando. Acostumado com pressões que o cargo de juiz, e da Lava Jato, lhes impunha, tinha um cargo vitalício e proteções institucionais, que um ex-ministro da justiça, desempregado, e sem pretensões, ou vocação política, devem preocupa-lo. E por outro lado, manter-se  ainda que contrariado e desprestigiado, no cargo, não me parece que faz parte de seu histórico e biografia. Os corruptos e o crime organizado mais uma vez vencendo. Foi assim na Itália, e não seria diferente aqui. E pior é que o Moro sabia disso. As próximas horas ou dias nos darão as respostas. Eu é que não gostaria de estar na pele dele. A frigideira esta quente. E tanto o pai como o filho e futuro embaixador nos Estados Unidos, entendem de frituras. 

Crônica do Alvaro Abreu

No hospital
 


Estive fora do ar por mais de trinta dias, a ponto de não conseguir mandar três crônicas para os editores deste jornal. Preocupei muita gente, mas ganhei uma torcida atenta e carinhosa. A maior parte desse tempo passei às voltas com exames, clínicas e médicos por conta de incômodos provenientes do funcionamento imperfeito dos intestinos. Os demais dias foram vividos no hospital, sendo a metade deles dedicados à investigação da natureza e da extensão de algo diagnosticado inicialmente como sendo uma diverticulite. Sob demandas de um anjo da guarda de jaleco, novos exames deram o caminho das pedras para que o cirurgião fizesse seu trabalho.

Já deitado na maca, ao informar à enfermeira quem iria me operar, recebi dela um comentário efusivo e altamente tranquilizador para quem está a caminho do centro cirúrgico: “Ai, que bom! Esse doutor faz operações maravilhosas!”. Dito e feito. Saí de lá sem um pedaço das tripas e livre de uma tal bolsa externa. O sorriso e a segurança do cirurgião fizeram com que os cinco dias de risco de uma eventual complicação, e todos os demais, corressem sem qualquer preocupação.

Ao entrar no hospital decidi que seria um paciente exemplar, desses que têm paciência e boa disposição para enfrentar a tiração sistemática de sangue, a medição da temperatura, da pressão e da glicose, a aplicação de injeções para evitar coágulos, a tomação, com hora marcada, de remédios líquidos e em pílulas, sem contar a fazeção de exercícios para fortalecer os pulmões e o incômodo de ficar preso a um porta-frasco de soro e de antibiótico difícil de empurrar de um lado para outro.

Na falta do que fazer, passei a prestar atenção nas sobrancelhas das enfermeiras. Muitas delas optaram por desenhos discretos enquanto outras, talvez as mais entusiasmadas, adotaram uma solução chamativa e radical: uma sobrancelha que começa com uma reta vertical próxima ao nariz, com espessura bem larga que vai afinando, em curva, em direção à orelha. Fiquei com a impressão de que todas elas estão usando esse truque para se fazerem mais charmosas.

Vitória, 31 de julho de 2019.
Alvaro Abreu
Escrita para A GAZETA

10.8.19

Natureza morta

Circa 1960 Assinado no verso da tela. Acrílica sobre tela 60 x 60 cm

Crônica diária

 
Mulher brasileira, futuro e presente
Deus criou a mulher brasileira com fartos e generosos glúteos para poder esperar sentada o futuro. E foi um presente para os homens.

9.8.19

Glória fazendo pão caseiro

Com 10 anos minha neta Glória, esta escrevendo seu segundo livro, e fazendo pão em casa. Foto do pai Guilherme.

Crônica diária

Uniforme e dormir no emprego

Minha mãe há cinquenta anos dizia: "empregada domestica vai acabar". Naquele tempo uma ou duas dormiam no emprego. Eu achava pessimismo da minha mãe. Ela viveu o suficiente para assistir o fim das empregadas dormindo no emprego. Foi ainda durante sua vida que acompanhou a sistemática depreciação que a mídia, principalmente cinema e televisão, fizeram das chamadas "domésticas" ou "criadas". Eram invariavelmente debochadas, e menosprezadas. Até o nome da função mudou, eufemisticamente, para "assistentes do lar", ou "secretárias da casa" ou colaboradora. Chama-las de empregada fico politicamente incorreto. Mas não dormem no emprego. Ganham duas ou três vezes mais do que as que fazem serviços similares em hotéis, hospitais, no comércio ou na indústria. Mas não querem, o que consideram uma pecha, ter a carteira assinada como "domésticas". Gastam horas em conduções de péssima qualidade, para ficar umas poucas horas em suas casas, em geral de qualidade muito inferior. Mas não dormem no emprego. E tem vergonha dos uniformes. Uniforme de doméstica foi usado pelas mais belas e sexis atrizes. Na verdade o uniforme, como a própria etimologia da palavra indica, uniformiza as pessoas, procurando esconder ou suavizar suas diferenças ou dotes. Muito homem tem fetiche por uniforme de empregada, como mulher tem por farda de militar ou policial. Mas isso é outra história. 

8.8.19

Waldo Domingos Claro


No Google foto do Waldo Domingos Claro, publicada pelo Estadão, por ocasião de seu falecimento aos 81 anos, este ano. Sua caricatura de 2010, quando agradeceu ter sido Vítima num Domingo. Grande perda para o jornalismo e para mim, grande amigo.

Crônia diária

"Sessenta e seis elos" - Luiz Eduardo de Carvalho

Do mesmo autor conhecia e já comentei o livro " Xadrez". É maravilhoso. Agora acabo de ler este romance. Longo e curioso. Longo porque tem 484 páginas. Curioso porque parece livro encomendado para exaltar a cultura do negro escravo. Corrobora com essa impressão o formato do livro, sua diagramação, o papel branco, brilhante, encorpado, que faz o livro ficar pesado. Em nada parece um romance. Mas é só a impressão. Sua leitura leva o leitor a duvidar da veracidade de todos os fatos narrados, e ao mesmo tempo não acreditar que tudo seja ficção. Para quem com eu que li à beira da Lagoa de Ibiraquera, onde na página 353, parte dos personagens transita, a parte histórica faz todo sentido. Luiz Eduardo, como no "Xadrez", reserva uma dose de suspense e surpresa de tirar o fôlego. A trama, muitíssimo mais complexa, envolve sessenta e seis elos de forma magnífica.

7.8.19

Maria Tomaselli - Três gravuras

Da série que ilustra o livro Ela se chama Azelene.2019

Crônica diária

A nova palavra da moda

Volto a falar das palavras ou expressões da moda. Tem uma recém-lançada, e que tem tudo para pegar. Virilizam com rapidez epidêmica. A exemplo das que já estão deixando de serem usadas por exaustão, como "janela de oportunidade", "manter o foco", "nos bastidores", e etc...surge com força a palavra: "TOTAL". Quer dizer: concordo, é verdade. Esta ultima já foi abreviada na linguagem digital por "vdd". Os jovens, e publicitários criam, e usam no seu trabalho. De um filmete de TV, para a boca da Maria Beltrão, apresentadora de programas de debate, notícias e política, para a boca do povo, é um passo.  
Total.

6.8.19

Marco Aurélio R. Guimarães - Escultor


Reside em Belo Horizonte e trabalha com mármore no seu atelier mineiro e em São Paulo.

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