30.6.19

Carla D´Aquino e o Pretextos


Crônica diária

Novas formas de protesto


No Cazaquistão um jovem foi preso ao protestar com um cartaz em branco. Esse é a meu ver o máximo do minimalismo. E da estupidez política e policial. 

A história dos protestos esta repleta de objetos e coisas que foram usadas contra seus alvos. Ovos, tomates, água com corantes de diversas cores, sapatos, tortas de diversos sabores na cara, farinha, bolinha de papel (no caso do José Serra, candidato à Presidência). Ultimamente na Inglaterra estão jogando Milk-shake nas autoridades, contra a saída do Reino Unido da União Europeia. Apurou-se depois que era sabor de banana e caramelo. A moda pegou e outros políticos britânicos estão sendo atingidos por Milk-shake de diversos sabores. Como explicar essa novidade? Simples mister Watson: a polícia britânica é tida como muito competente. Os protestadores para driblar sua eficiência encontraram  nos copos de papel encerado, com logo marca da lanchonete mais próxima, a maneira discreta de se aproximar das vítimas.  Esta a salvo dos detentores de metal, não é embalagem de vidro, normalmente proibidos nesses eventos, e não tão frágil e incômodo de carregar como tomates e ovos.

29.6.19

Aloisio de Almeida Prado e o Pretextos


Crônica diária

A elegância e o conforto


Falo por mim, e pelos meus conceitos e observações. A elegância nos trajes masculinos esta diretamente ligada ao conforto de quem os veste. Um colarinho apertado onde o usuário parece enforcado, e a todo o momento coloca a mão embaixo do queixo, e com o dedo indicador tenta afrouxar o colarinho, gesto muito comum, por exemplo, do Ministro do Supremo Luiz Fux, tira toda a sua preocupação notória com elegância. Ternos apertados geram a mesma aparência de desconforto e falta de elegância. E por fim, o homem elegante o é, muito mais pela sua postura, do que pelo traje que veste. 

28.6.19

Gaspar de Jesus e Pretextos



Crônica diária

A  Natureza é brincalhona
Quem duvidar do bom humor e do espírito brincalhão da natureza basta observar a maquiagem que as araras azuis tem em torno dos olhos. É ou não é fantasia de carnaval?

*Detalhe de foto de Carol Abreu, Amora comendo na mão de seu dono Alvaro Abreu.

27.6.19

Maria de Fátima e Pretextos


Crônica diária


Raphael Montes, " Uma mulher no escuro" 
 
Neste seu ultimo romance policial, onde prevaleceu antes de tudo o suspense: quem será o assassino? Raphael construiu uma história no mínimo inverossímil. Em ficção tudo é permitido, mas no policial, aquilo que beira o fantástico, o impossível, torna o romance pouco crível e desinteressante. Como é um escritor com experiência, apesar da pouca idade, consegue contornar as deficiências do enredo, mas não prende o leitor como em seus dois livros anteriores. Todas as tentativas de desnortear o leitor fracassam, e talvez a menos provável se concretiza. Esse velho e manjado truque do romance policial não cola mais.

26.6.19

Guilherme Lunardelli e Pretextos


Crônica diária

Para falar dos amigos

Entre os dias 12 e 13 deste mês, em 24 horas, meu blog 1.blog.a+ teve 100 visualizações. Isso porque postei minha crônica diária no Facebook falando dele. Explicando que criei esse blog para escrever sobre meus amigos, e dizer em vida, o que penso deles. Em geral as pessoas só se manifestam depois da morte do amigo. Aí é tarde. E o amigo "só tem qualidades e fará muita falta". A reação positiva dos meus leitores ficou clara. Dezena de comentários elogiando a iniciativa. 100 visitas ao blog, de gente que nunca tinha aparecido por lá. Como tenho perto de sessenta blogs, poderia ficar dois meses falando, todo dia, de um blog novo. Não vou massacrar meus leitores com auto promoção, mesmo porque um dia, há muito tempo, o blogueiro insuspeito, Fernando Diederichsen Stickel, me disse que apesar da quantidade de blogs que eu tinha, eram todos iguais. O Fernando é uma pérola de franqueza. Ele ainda não esta no 1.blog.a+ .
O blog esta aqui:https://1bloga.blogspot.com/

25.6.19

A sabotagem da liberdade

Se ainda não leu, LEIAAA! É longo, mas importantíssimo.
José Roberto Guzzo
A SABOTAGEM DA LIBERDADE
Veja 14/06/2019 -

Há um novo totalitarismo crescendo pelo mundo afora — mais nocivo, talvez, do que foi na maioria das suas variadas encarnações anteriores.
Essa praga antiga se apresenta, em sua versão moderna, como o contrário daquilo que realmente é.
Engana melhor do que nunca as almas ansiosas em praticar o bem. Acaba tendo mais chance, no fim das contas, de ser mais eficaz do que jamais foi.
Trata-se, para ir logo ao centro da questão, de impor às pessoas uma coleção de regras de pensamento e de conduta que devem ser obedecidas como um muçulmano obedece ao Alcorão; ou o sujeito se submete a isso, ou é excomungado como inapto para levar uma vida aceitável pelo conjunto da humanidade.
E que regras são essas? O cidadão é bombardeado por elas o dia inteiro.
Tem de aceitar como verdades absolutas, por exemplo, que todos têm o direito de terem tudo, independente do que façam ou deixem de fazer, que a ciência deve se subordinar "à sociedade", ou que existe apenas uma maneira, e nenhuma outra, de pensar sobre democracia, raça, sexo, natureza, religião, animais, alimentação, agricultura, dinheiro, mérito individual, liberdade de expressão e mais uns 5.000 outros assuntos.
Alguma coisa existe? Então é preciso criar uma lei sobre ela, dizendo o que é certo e o que é errado a seu respeito. É proibido discordar do que foi decidido.
Faz parte das suas obrigações sociais, por exemplo, aceitar que as crianças não nascem com um sexo definido pelos seus órgãos genitais, masculinos ou femininos, mas decidem depois se querem ser homem ou mulher.
É recomendado, também, achar que a vida de um animal selvagem tem prioridade em relação à vida de um ser humano.
É preciso concordar com a ideia de que o homem não tem o direito de alterar a natureza em seu benefício, ou que a vegetação natural não pode ceder espaço para a produção de alimentos.
Deve ser vetado ao mundo pobre, ou mais pobre, ter qualquer aspiração realista a ser menos pobre — sua função no planeta é permanecer como está hoje, pois se quiser ficar mais parecido com o mundo rico vai consumir muita água, emitir carbono, usar fertilizantes e praticar sabe-se lá quantas desgraças a mais.
Agricultura moderna?
Trata-se de algo privativo do Primeiro Mundo — "fazendas aqui, florestas lá", reza o grande credo atual dos ambientalistas, agricultores e milionários americanos.
Há leis cada vez mais autoritárias sobre toda e qualquer questão que envolva a cor da pele das pessoas — não só a cor, apenas, mas também a tonalidade dessa cor.
Tudo o que é considerado branco, em princípio, é culpado de alguma transgressão, ou pelo menos suspeito; só à essa porção da humanidade se aplica a ideia do pecado original, e só a ela se impõe a obrigação de passar a vida purgando suas culpas de nascença através de uma série crescente de obrigações.
Ser considerado negro, na nova forma totalitária de organizar a vida, é, ao contrário, uma virtude em si.
Além disso, confere-se às pessoas definidas como negras direitos especiais, não previstos em nenhuma constituição civilizada — crédito permanente por virtudes não comprovadas, ressarcimento por injustiças sofridas até 500 anos atrás, vantagens sobre os não-negros decididas pelo poder público, como as "quotas", e por aí se vai.
Qualquer tentativa de debater o assunto é considerada automaticamente como racismo.
O novo totalitarismo, até agora, não resolveu o que se deve pensar sobre as etnias que não são nem brancas e nem negras — os considerados "índios" desfrutam mais ou menos do mesmo status conferido aos negros, mas ainda não há definição sobre as raças orientais, por exemplo, o que deixa num limbo, só na China, Japão e Coréia, cerca de 1 bilhão e 600 milhões de pessoas.
Pecadores ou justos? Há pontos obscuros, também, quanto aos próprios negros — quando vivem na África parecem ser considerados inferiores, de alguma forma, aos que não vivem lá.
Como apontado acima, há restrições sérias quanto aos seus direitos de escapar da miséria, por causa dos possíveis danos que trariam à vegetação nativa — e, talvez mais grave ainda, aos animais selvagens.
Se um leão, por exemplo, sair pelas ruas de Londres querendo comer gente, será abatido pela polícia. Na África, porém, pode comer quantos negros quiser.
Na visão de praticamente todos os ambientalistas, o ser humano, ali, ameaça o território do bicho e, portanto, não tem direito a se defender — que se vire para escapar, é tudo o que lhe recomendam.
Jamais passa pela cabeça de alguém que talvez aconteça o contrário — é o leão quem ameaça a vida do homem e sua família.
Nessas horas a questão racial muda de qualidade. Ser branco na Europa urbana é muito melhor, e mais seguro, do que ser negro no meio do mato na África.
Um episódio recente, aqui no Brasil, serve de maneira exemplar para trazer à luz do sol outros despropósitos causados pelo novo totalitarismo na "questão racial".
Uma atriz negra foi proibida, na prática, de receber o papel de uma espécie de heroína social negra (figura que depois, na vida real, acabaria se revelando uma fraude), por não ter uma pele considerada suficientemente negra para representar a personagem.
Pior: não só apoiou o veto a si própria, como pediu desculpas por ter aceito inicialmente o papel sem ter a quantidade de cromossomos suficiente para tal.
Quantos seriam necessários, então? Qual a porcentagem aceitável de sangue negro que alguém precisa ter para representar o papel de um negro?
Fica-se com a impressão que o próximo passo será a exigência de testes de laboratório, com cálculos de DNA e o veredito de uma junta de biólogos.
O contrassenso explícito, no caso, é pregar ações contra a discriminação racial e, ao mesmo tempo, praticar racismo da pior espécie — ou seja, permitir ou proibir uma pessoa de fazer um trabalho não em função dos seus méritos, mas pela cor da sua pele, ou do tom da sua pele.
A agressão às liberdades, nessa nova maneira de ver o mundo, pode ser particularmente venenosa na área cultural — na verdade, a cultura tem sido uma das vítimas preferidas dos novos totalitários.
Ainda há pouco, em janeiro deste ano, a universidade católica de Notre Dame, uma das mais prestigiadas dos Estados Unidos, mandou cobrir (até a sua remoção definitiva) uma coleção de doze murais, descrevendo cenas de Cristóvão Colombo na América; desde 1880 as obras enfeitavam a entrada do seu prédio principal.
O reitor da universidade, atendendo a um antigo abaixo-assinado de 300 estudantes (entre os 8.500 que estudam ali) e funcionários, decidiu que as pinturas significariam a cumplicidade da escola diante da "exploração e repressão dos americanos nativos" pelos europeus; esse "lado escuro" da história, disse ele, não poderia mais ser exibido ao público. Stalin não faria melhor na velha União Soviética.
É em casos como esse, e em tantos outros, que aparece a semente do mal — a constante imposição de uma visão do "bem" através da prática de atos que, historicamente, só são cometidos em tiranias.
Há cada vez mais restrições, por exemplo, à liberdade de premiar.
Do Nobel ao Oscar, tornou-se comum dar os prêmios não mais a aquele que foi considerado o melhor trabalho, mas à pessoa que foi considerada a mais representativa de alguma virtude — pertencer à "minorias", ser "perseguido", levar este ou aquele estilo de vida etc. É uma espécie de imposição, em escala mundial, do Prêmio Lenin.
A liberdade de palavra, cada vez mais, vai para o espaço — o ministro brasileiro do Ambiente, Ricardo Salles, viu-se impedido semanas atrás de falar em diversas cidades da Europa depois que 600 cientistas assinaram um manifesto denunciando o Brasil por crimes ambientais. Que crimes, especificamente?
Algum deles verificou as acusações, com rigor técnico, antes de assinar a condenação?
Nenhum — e isso, tanto quanto se saiba, é o contrário de ciência, atividade que se obriga a lidar com fatos, e não com crenças.
Trata-se cada vez menos, na verdade, de defender a sua opinião; o que importa é não permitir que seja ouvida a opinião do outro. Não apenas estão censuradas as respostas diferentes. Não se admite, sequer, que sejam feitas as perguntas.
O novo totalitarismo, naturalmente, reserva para política um contêiner de mandamentos tão extremos como os aplicados para as questões descritas acima.
Sua principal preocupação, hoje em dia, parece ser aquilo que descreve como o "perigo das maiorias". Que raio seria isso? É algo tão simples quanto parece.
Deixar que eleições livres decidam por maioria de votos as questões importantes é um risco cada vez mais contestado, pois o ponto de vista contrário ao seu pode ganhar — e aí vai ser preciso aceitar "gente errada" no governo.
Jair Bolsonaro, por exemplo: eis aí, na visão do novo totalitarismo, um caso aberrante de erro cometido pela maioria.
Donald Trump, então, é citado praticamente como uma prova científica de que "é preciso fazer alguma coisa" para que o eleitorado não tenha mais o poder de escolher um sujeito como ele para a Presidência — e causar, com isso, prejuízos, mudanças e retrocessos no processo civilizatório mundial, tal como ele é entendido por quem não aprova a conduta do presidente americano. E se os dois, Bolsonaro e Trump, forem reeleitos, então? Aonde vai parar este mundo?
O mesmo se aplica a Matteo Salvini, hoje o maior líder político da Itália, a Benjamin Netanyahu, que há 11 anos seguidos ganha todas as eleições em Israel, ou a Narendra Modi, visto como um pesadelo de direita na Índia — onde acaba de ser reeleito para a chefia do governo numa eleição em que votaram 600 milhões de pessoas.
Isso mesmo, 600 milhões — um número que ajuda, definitivamente, a entender por que o universo que chama a si próprio de progressista fica tão incomodado com o "perigo das maiorias".
Há também, no atual time de assombrações, os ingleses que querem sair da Comunidade Europeia.
Há os escândalos mundiais detectados na mera existência do líder das Filipinas, ou do chefe direitista que comanda a Hungria ganhando todas as eleições desde 2010 — como se a Hungria pudesse ameaçar alguém num mundo com 7 bilhões de habitantes.
Nenhum deles — realmente nenhum — chegou ao governo por golpe de Estado; é tudo resultado de eleição livre. Problemaço.
Na falta de algum projeto coerente para lidar com essas adversidades, o novo totalitarismo se dedica a tentativas variadas de sabotar os governos eleitos, ou a expor a relação completa dos delitos que atribui a seus eleitores — ignorância, despreparo, cegueira política, fascismo, estupidez e por aí afora.
Na melhor das hipóteses, são inocentes úteis que se deixam enganar pela demagogia ou, como se diz na moda atual, pelo "populismo".
A ferramenta básica é classificar como autoritária, reacionária ou totalitária toda a opinião que não seja a sua.
Mais que tudo, talvez, se chama de "discurso do ódio" qualquer posição divergente — algo que, naturalmente, deveria ser proibido por lei.
Na verdade, de maneira aberta ou disfarçada por palavras em favor da moderação e contra o extremismo, busca-se bloquear, como numa espécie de prisão preventiva, a manifestação do ponto de vista alheio.
Foi o que se viu nas últimas manifestações de rua em apoio a Bolsonaro e aos seus programas — as pessoas não deveriam se meter numa coisa dessas, porque era perigoso para "as instituições", seria um incentivo ao mal, iria fortalecer o radicalismo e sabe lá Deus quanta coisa mais.
Resumo da ópera: temos de salvar a democracia proibindo a manifestação das opiniões que achamos antidemocráticas.
Não vai ser fácil para ninguém sair fora dessa charada.”

Heloisa Eugenia Levy Villela e Pretextos


Crônica diária

Dna Rosa morreu

Há duas semanas repetiu-se um fato que deixa o escritor ficcionista feliz. A construção de um personagem tão bem elaborado, faz com que o leitor, e aqui no caso foram três leitoras, acreditem em sua existência. Pela terceira vez recebo e-mails solicitando informações de como contatar Dna Rosa, uma cartomante de Brasília, que criei para um conto do concurso do Roberto Klotz. Não querendo desapontar minhas leitoras, tenho respondido: "Dna Rosa morreu." A ficção é tão triste como a realidade. 

24.6.19

Betty Vidigal e Pretextos


Crônica diária

O ultimo nó da gravata

Escrevi "sobre nós" dia desses, numa explicita provocação. O título era enganoso. Falava de nós de corda, barbante, cadarço, nós cegos, nó de marinheiro, e nó de gravata. Sou obrigado a cometer, mais uma vez, o pecado do segundo mandamento, que o escritor e agitador cultural Roberto Klotz escreveu que cometi contra ele. Agora cometo contra Geraldo Facó Vidigal meu mais recente amigo e leitor.
Sobre um nó da gravata nunca tinha lido nada tão triste e profundo, tão simples e emocionante. Esse foi o comentário que transcrevo na integra:
"Acho que o dia mais triste da minha vida foi aquele em que meu extraordinariamente brilhante Pai, que me ensinou, me pediu para dar o nó na gravata dele.
Houve dramáticos. Houve daqueles em que a alma triturada, pede para se ir junto. Houve alegrias. Das mais levadas, das elevadas, enlevadas, e das tolas em que se ri a toa.
Mas extrato de Tristeza...".
Poesia pura. E da boa. Falou pouco, mas para o fundo da alma.
Não fui eu quem ajudou a vestir, pela ultima vez, meu pai. Foi ele também quem me ensinou a dar o laço na gravata. Lembro-me de ter participado do doloroso, mas necessário ato, de vestir meu avô paterno. Não me lembro de quem deu o nó na gravata. Mas nunca é igual ao de um filho, ou parecido com o que o falecido usava durante a vida. Os nós acabam semelhantes à personalidade do usuário.
 
                                                                          Geraldo Facó Vidigal

"Noite: Filme noir cabaret"

O autor do blog, Paula Leite do Canto, Raquel Rosmaninho, produtora do espetáculo, e Guilherme Lunardelli. Foto de Paulo Lunardelli. Sesc Belenzinho.

23.6.19

Edgard Faco Vidigal


Crônica diária

A história do velcro

                                                George-de-Mestral

 O velcro foi inventado em 1941 pelo engenheiro suíço George de Mestral. Certo dia, voltando de uma caminhada no bosque, ele ficou irritado ao encontrar carrapichos agarrados à roupa e no pêlo do seu cão. ... O nome "velcro" é a combinação de duas palavras francesas: "velours" (veludo) e "crochet" (gancho).
Percebendo o potencial da adaptação daquela característica natural à vida humana quotidiana, demorou 10 anos até conseguir desenvolver um processo que funcionasse da mesma forma àquele que tinha verificado nas sementes. Concebeu duas partes que se complementavam:  A primeira parte é composta por pequenos pinos, enquanto a segunda tem minúsculos laços. Quando se juntam formam uma zona bastante aderente e adesiva.
Ciente do que havia inventado, Mestral submeteu uma patente da sua descoberta, em 1951, que lhe foi concedida quatro anos depois.
O produto tornou-se mais famoso quando foi utilizado no desenvolvimento de trajes espaciais pela indústria aeroespacial. Mais tarde foi usado em engrenagens marinhas, bem como em equipamentos de mergulho.
A indústria automobilística usa-o para segurar micros, bem como os tapetes no chão nos carros. O produto é muito utilizado pelo exército dos Estados Unidos.
Finalmente, a NASA usa-o para evitar a flutuação de equipamentos portáteis nos veículos espaciais atingem áreas da órbita sem gravidade.

Oswald de Andrade por Tarcila do Amaral

                                                   Foto de Maria Vitória Lago
                             Uma homenagem do VARAL ao cronista Alvaro Abreu

22.6.19

Sandra Moreira e Pretextos

Sandra, minha filha, e a tela original da capa do livro. Só um PRETEXTO.

Crônica diária

História do ziper

Nos bastidores da crônica, para usar um termo da moda, vou lhes contar como surgem ideias para o cronista diário. Ao colocar minha calça pela manhã, e fechar a braguilha com zíper, ou  fecho-éclair, tinha nas mãos o tema de hoje. Faz muitos anos que não uso calça com botão. E lembro que as primeiras calças a fazerem a substituição do botão para o ziper foram os jeans americanos Levi´s e Lee. Mas a história do ziper é pouco conhecida e interessante. A ideia de um dispositivo deslizante para fechar roupas ou objetos foi apresentada pela primeira vez em 1893, na Exposição Mundial de Chicago, nos Estados Unidos. Quem patenteou o projeto desse zíper primitivo, que tinha pequenos ganchos e argolas para ser fechado, foi o engenheiro americano Whitcomb Judson. O mecanismo que conhecemos hoje, com o uso de dentes que se engancham, surgiu apenas em 1912, desenvolvido por Gideon Sundback, um engenheiro elétrico sueco que trabalhava nos Estados Unidos. No mesmo ano, a patente para um sistema semelhante foi concedida na Europa em nome de uma mulher chamada Catharina Kuhn-Moos. A indústria de confecção foi a mais beneficiada com essa invenção, que facilitou enormemente o abrir e fechar de roupas. Antes do zíper, as roupas tinham fileiras intermináveis de botões, o que dificultava sua fabricação e uso. O zíper se difundiu por todo o mundo quando os aviadores americanos na Primeira Guerra Mundial usaram-no para fechar seus uniformes, bem como quando foi introduzido na alta costura da moda mundial pela modista parisiense Elsa Schiaparelli, que começou a usá-lo nas suas criações nos salões franceses. O curioso é que a palavra “zíper” só surgiria em 1923. Ela foi criada por um funcionário da empresa americana B.F. Goodrich, que usou o termo para dar nome ao fecho deslizante que acabava de ser lançado numa linha de galochas de borracha, as chamadas Zipper Boots (“Botas Zipper”).
Amanhã conto a história do velcro, que veio concorrer com o ziper.

21.6.19

Alfredo Sestini e Pretextos


Crônica diária

Moro no Senado

Não acompanhei às dez horas de questionamentos dos senadores da CCJ, ao Ministro da Justiça e Segurança Sergio Moro. Bastaram umas três ou quatro horas para me causar náuseas. Vamos em primeiro lugar falar das boas coisas, e que em geral são poucas nos dias correntes. A presidente da comissão que interrogou o Moro, Simone Tebet saiu-se muito bem. Uma jovem e promissora senadora, certamente futura presidente do Senado. E a segunda boa notícia é que o jovem político,  juiz com vinte e dois anos de carreira, demonstrou capacidade de enfrentar o covil que é uma comissão no congresso. Se bem que no senado ainda se comportam um pouco, mas só um pouco, melhor do que na câmara dos deputados. Ainda assim há senadores, ex governadores, com muitos anos de carreira exclusivamente política que se comportam como guerrilheiros.São uns cafajestes, canalhas, totalmente ideologizados, investigados pela Lava Jatos, corruptos notórios, e que tinham como único objetivo desmoralizar o ex juiz, e hoje ministro. Queriam como parece conseguiram evitar que num futuro próximo ele seja indicado para o STF. No entanto não lograram êxito em empareda-lo. Calmo, frio, não aceitou nenhuma provocação e levou para a longa oitiva números e fatos incontestes que provam sua lisura nos julgamentos de Curitiba. Não foi preciso tropa de defensores, e senadores para blindar o ministro. Os safados dos seus inquiridores acham até que a sessão prejudicou o resultado do STF que nos próximos dias deverá julgar a liberdade dos condenados em segunda instância. O Moro continua acima de qualquer suspeita, e não serão criminosos cibernéticos que desestabilizarão este governo. O povo não se engana mais com os velhos e batidos chavões da esquerda petista e tediosa.
 

20.6.19

Zazá do Val e PRETEXTOS


Crônica diária

Metrópole nudista, ou zoológico

Nunca se espera encontra um homem completamente nu andando pela Alameda Santos, ou uma mulher nua na Rua da Consolação. Mas eu vi. Como vi uma senhora passeando um porco na coleira na Alameda Tietê. Dias depois foi matéria de revista e notícia nos jornais. Agora vi na Rua Canadá, na altura da Rua Honduras e Praça das Guianas, dois rapazes passeadores de cachorro, que é cada vez mais comum em São Paulo, e nas grandes cidades, um passeando um bode e duas cabras, e o outro três pôneis da altura do bode. Não falta ver mais nada.

Série Paisagem - Serra dourada

                      Série Paisagem - Serra Dourada, óleo sobre tela, 80 X 60 cm - 1998

19.6.19

Roberto Klotz e PRETEXTOS


Crônica diária

Nó de gravata, e outros detalhes

Em  pouco tempo gravata vai ser tão usada e popular quanto uma galocha. Eu sou do tempo que se usavam as duas. Galocha em dias de chuva, para não estragar os sapatos da casa Toddy (na rua Augusta até hoje), e grava desde os primeiros anos de curso primário. O uniforme do Dante Alighieri constava de meia branca três quartos, para quem ainda usava calça curta azul marinho, camisa branca e grava azul. A gravatinha já vinha com o nó feito e tinha um elástico que prendia atrás do pescoço, sob o colarinho. No fim do ano letivo estava mais ensebada que a de motorneiro de bonde, que na época, subia e descia a Rua Pamplona, e seus motorneiros usavam quepe e gravata preta. Hoje em dia nem em solenidades menos formais políticos e empresários usam gravata. Bancos e empresas mais sisudas ainda obrigam o uso delas. Repartições publicas e da justiça também. Mas aos poucos estão liberando calça comprida para as mulheres, e abolindo a exigência de adorno. Não são elas, definitivamente, quem faz o grande executivo ou  a grande empresa. A maior prova de que não é o traje quem faz o monge,  é a do fundador do Bradesco, Amador Aguiar, que nem meia usava.
Tenho fotos do meu irmão Paulo e eu, com seis ou sete anos, de camisa, suspensório, calça curta e gravata borboleta. Todo filho é uma "vítima do conceito de elegância das mães". Dias de chuva ela obrigava a sairmos de capa, galocha e guarda-chuva. Eu detestava essa parafernália protetora.
Os outros detalhes a que me referi no título são: suspensório, abotoaduras e prendedor de grava. Este porque ficou terrivelmente "cafona" e desnecessário. Abotoadura ficou só cafona, a camisa tendo botões A não ser em trajes a rigor. Aliás, nem lá, o rigor anda tão exigente. E suspensórios ainda são usados por pessoas obesas. Uma porque os cintos não vencem as circunferências, ou por magros cujas calças eran de defuntos maiores.
E para finalizar, tenho dito que se conhece um homem pelos sapatos que usa. Eduardo Bolsonaro, filho do Presidente, casou usando sapato azul. Tenho que acrescentar que pela gravata, e seu nó,  também se podia fazer um juízo do seu portador. Sapato, ainda, continuam usando. Pensava até a alguns dias, que atrás de um grande homem, sempre havia uma mulher. Ledo engano. Me provaram que o que existe é uma etiqueta GG.

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(Vi Leardi )

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