22.9.18

Crônica do Alvaro Abreu



Tá difícil, dificílimo

Já completei 70 anos e, pela lei, não sou obrigado a votar nas próximas eleições. Não chega a ser uma vantagem, mas pode representar uma opção diante de um quadro de candidatos a presidente que me traz uma grande dose de desânimo e desencanto.

Pensando bem, isso de ser mais velho tem, como decorrência natural, forte impacto no nosso processo decisório. Seja porque já vivenciamos muitas situações, seja porque não demos sorte, seja por que não conseguimos aproveitar as oportunidades que tivemos ou por já termos sofrido na pele as consequências das nossas escolhas.
Os acontecimentos que mais nos marcam são aqueles que impactam negativamente nos nossos valores de vida, nos nossos hábitos e na nossa percepção de mundo.
Engenheiro que sou, não entendo muito das coisas da psicologia e afins, mas acredito que somos movidos tanto pelos traumas e dores como pelas alegrias que tivemos e palmas que recebemos. Aprendi que os homens decidem por vontade de ganhar e, sobretudo, por medo de perder. Sabendo disso, inteiramente cientes das próprias forças e fraquezas, os candidatos fazem de tudo para validar verdades e promessas de campanha, douradas por poderosas técnicas de marketing político, apostando alto na possibilidade de seduzir corações pulsantes e mentes desavisadas. E aqui é que se instalam as minhas piores emoções eleitorais, se é que existe esse tipo de emoção.

Nesta disputa para eleger um presidente para governar o país em crise e sem dinheiro, vejo a população sendo  induzida e mobilizada a se posicionar radicalmente, seja contra ou a favor de mocinhos, bandidos e salvadores da pátria. Ânimos exacerbados e atitudes virulentas não se prestam a construir e viabilizar a convivência de legítimos interesses antagônicos e a tolerância de valores individuais e coletivos, próprias da democracia. Na polarização que vem se armando, me sinto em meio a uma verdadeira guerra de slogans e palavras de ordem, que deverá se acirrar depois das eleições e pode se manter por anos. Uma guerra duradoura e paralizante. Dá medo só de pensar.

Vitória, 19 de setembro de 2018
Alvaro Abreu
Escrita para A GAZETA

2 comentários:

João Menéres disse...

Parecem-me que entre tantos candidatos não há um do jeito que o Brasil merece e precisa.

Eduardo P.L. disse...

Tem dois, mas completamente sem chances de vencerem, infelizmente.

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