30.9.18

Malote da Estrada de Ferro






Nestes malotes de madeira eram enviadoas as correspondências por Estrada de Ferro.

Crônica diária

As jabuticabas

Minha amiga e escritora Betty Vidigal é uma pesquisadora e curiosa constante. O General Mourão, vice do Bolsonaro, chamou o 13º salário de jabuticaba. Ela foi atrás para conferir. E postou sua conclusão. Não é uma jabuticaba. Tem na Alemanha, dependendo do acordo coletivo, tem na Áustria, na Itália, na Holanda, em toda a América Latina, e na Espanha se chama Aguinaldo. A origem da palavra Aguinaldo é interessante, disse a Bethy.Vem de hoc in anno, que virou "en este año" e aí virou "aguilando", passando para aguinaldo...
Por coincidência quando li o seu post estava escrevendo sobre palavras que não são sinônimos, nem homônimos, e outras que não tem nada a ver com o que parecem significar. Por exemplo: "Rastilho" é o pavio que conduz fogo a um artefato com pólvora. Mas seria muito mais lógico se chamasse "Polvilho". O polvilho, também chamado de fécula de mandioca, carimã ou goma, é o amido da mandioca. O polvilho azedo é um tipo modificado por processo de fermentação e secagem solar, apresentando características bem diversas do polvilho doce. E o polvilho é uma jabuticaba, até que a Beth prove o contrário.

29.9.18

PIACABA

Setembro de 2018 - Foto recente da PIACABA

Crônica diária

Dois comentários


Escrevi um texto sobre as combinações de nome, e sobrenome, inconvenientes ou impróprios. O escritor Roberto Klotz fez um comentário perfeitamente pertinente:
"Os nomes podem definir destinos. Nomes podem ser escolhidos (ou mal escolhidos). Não há muita escolha para sobrenomes. Uma amiga rejeitou o Pinto do marido e escolheu o sobrenome da sogra. O famoso cubista era Picasso pelo lado materno."
Então respondi:
E como bom Catalão preferiu o Picasso da mãe do que o sobre nome do pai Ruiz y Blasco, mesmo porque pretendia fazer mais sucesso do que ele nas artes.

PS- Note que o Pablo teve muitos nomes para escolher entre os seus de batismo: Pablo Diego José Francisco de Paula Juan Nepomuceno María de los Remedios Cipriano de la Santísima Trinidad Ruiz y Picasso. 
Roberto, você imagina que ele poderia ter feito o sucesso que fez, e faz, se assinasse: Pablo Maria de los Remédios? 
                                                  Picasso

28.9.18

Ensaio fotográfico

Lara e seu balão - setembro de 2018

Crônica diária

Suaxará

Meu amigo Nelson de Souza é uma pessoa difícil de definir. Dessas que surgem em nossas vidas por acaso e quando nos damos conta somos baita amigos. Para quem não o conhece e para facilitar uma descrição pensem no jornalista e escritor Merval Pereira. Poderiam ser irmãos. O Nelson alguns anos mais velho, mas a mesma voz, a mesma postura, o mesmo bigode. As semelhanças ficam por aí, mesmo porque não conheço pessoalmente o Merval. O Nelson é gaúcho e usa algumas expressões do sul que nunca ouvi do seu sósia. Mas fomos almoçar dias atrás em São Paulo, e levei-o num restaurante japonês que se gaba ser único no mundo: comida japonesa com trufas como ingrediente principal. Tartuferia Giapponese, na Alameda Lorena, 1892. Na casa a única nipônica é a host, e de quarta geração. Uma gracinha de menina. Os outros funcionários são brasileiros, e idênticos a de todos os restaurantes de São Paulo. A maioria cearense. Mas o Nelson, que sempre é muito cordial e agradável perguntou o nome da nissei, quando ela veio à nossa mesa saber se tudo andava bem. E antes que ela respondesse, deu um largo sorriso, e contou a história que ouvira da atriz Irene Ravache. Certo dia entrou numa floricultura e perguntou para a vendedora, japonesa, qual era seu nome? A moça respondeu Suaxará. Ireni repetiu: Suaxará? A moça confirmou. Nunca mais chamou-a por outro nome. A moça se chamava Irene.

27.9.18

Ilha do Batuta

Amanhecer na praia de Ibiraquera, Ilha do Batuta, SC - Setembro 2018

Crônica diária

Algumas reflexões sobre sexo

Foi no livro, que volto a citar "A única história" do Julian Barnes que encontrei essas definições que transcrevo quase na íntegra:
"Sexo bom é melhor do que sexo ruim."
"Sexo ruim é melhor do que sexo nenhum, exceto quando sexo nenhum é melhor do que sexo ruim."
Sexo solitário é masturbação.
"Sexo triste é muito pior do que sexo bom, sexo ruim, sexo solitário e sexo nenhum. Sexo triste é o sexo mais triste de todos."

26.9.18

Jantar sob a batuda do chef Pepe Laytano

 Pepe em plena atividade
Um jantar para 13 pessoas
Foto de Claudinha Kuser - Setembro 2018

Crônica diária

 A fórmula

Toda vez que vou a uma galeria de arte, ou museu, e vejo pinturas ou esculturas que me agradam, bate uma vontade enorme de pintar ou esculpir. Pintura deixei em 2010 quando fui diagnosticado com mielodisplasia, ou uma disfunção da medula, provocada pelo chumbo das tintas a óleo. Havia pintado cinquenta anos. Esculturas ainda cometo de vezemquando. Mas quando parei de pintar comecei a escrever e hoje quando estou lendo um bom livro tenho o mesmo desejo que me provocam as pinturas e esculturas que gosto. Tenho vontade de escrever. Quando leio uma coisa bem escrita, invejo não ter sido eu o autor. E penso: "como não escrevi isso antes?" Estou lendo Julian Barnes, e seu livro "A única história". Lá pela página 53 ele escreve: "...eu tenho uma fórmula para saber se duas pessoas estão ou não tendo um caso: se você acha que é possível que estejam, então é porque estão." O que me chamou atenção para a "fórmula" do personagem é que eu nunca saco quando duas pessoas estão tendo um caso. Ao contrário, sempre juro que isso não pode estar acontecendo, e na verdade fico sabendo, muito depois, que estavam. E já aconteceu o contrário, de achar que estavam, e nunca estiveram.

25.9.18

Bandeira na PIACABA

Troca de bandeira na PIACABA. Essa foi presente do Guilherme.

Crônica diária

Risível, e muito

Tenho leitores e leitoras  que me honram e envaidecem muito pela paciência, delicadeza, inteligência, cultura, educação, e boas maneiras. Hoje faço aqui minhas homenagens a todos esses leitores na pessoa da Professora Eni, Enilce Zaiter, que tem mestrado em Linguística: Étnolinguística na USP 1972/74. Dias atrás postei um texto sobre um desabafo de uma das sogras do Leonardo, amigo meu. E a crônica terminava com a sogra saindo de uma delegacia, onde fora fazer um BO de documento de identidade extraviado, e depois de longa e tediosa espera, sem ser atendida, resolveu ir embora. Ao sair cruzou com uma loira, vestindo vermelho, colante e curto, que a sogra pensou tratar-se de uma prostituta. Era a delegada. Minha simpática leitora e Professora Eni fez o seguinte comentário: " Risível e muito". Hoje em dia são poucas as pessoas que se dão ao trabalho de ler. Muitas comentam sem ler ou sem ter entendido o que leram. E seus comentários muitas vezes são verdadeiros hieróglifos. Ao contrário do que se poderia supor as pessoas estão escrevendo muito mais do que antes. Os equipamentos de comunicação telefônica passaram a ter teclado alfabético e permitir mensagens escritas: WatsApp. Mas o que é grafado esta longe de ser em bom português. E eu estou longe de conseguir decifrar as absurdas abreviações e convenções usadas atualmente. Adorei o comentário da Professora Eni. Risível, burlesco, cômico, engraçado, gracioso, travesso, chistoso, hilariante, hilário, e muito. Obrigado pelo comentário que através dele agradeço a todos os outros desse nível.

24.9.18

Ensaio fotográfico

Dois passarinhos. Lara, Setembro 2018

Crônica diária

Ainda sobre Elisa Lynch

Ontem escrevi sobre a fantástica história da amante do Marechal Solano Lopes. Em conversa com meu amigo e escritor Sebastião Cabral recomendei vivamente a leitura da biografia da Elisa Linch, como tenho feito com outros amigos, e de resto, como costumo fazer quando fico empolgado com um determinado livro. Depois de me ouvir por alguns minutos, onde pude explicar que tratava-se de uma história cujo cenário é a guerra do Paraguai, o Cabral, com sua timidez e gentileza que lhe são características, me presenteou com um dos seus livros. E resumiu seu conteúdo: a revelação do lado etéreo que provocou exatamente a guerra do Paraguai. Demos risada da coincidência. Ganhei um carinhoso autógrafo e ele ficou de procurar nos sebos um exemplar do "Elisa Linch, mulher do mundo e da guerra". O meu exemplar já passei a diante. Livro bom tem que circular. 

23.9.18

Ensaio fotográfico

Corredor. Lara, setembro 2018.

Crônica diária

Elisa Lynch, mulher do mundo e da guerra

O autor é o economista e jornalista gaúcho Fernando Baptista (1920 - 1993) que descreve sobre o ponto de vista da irlandesa, amante do Presidente Marechal López, a guerra do Paraguai. Uma biografia deliciosa de ser lida. Elisa, mulher de beleza inconfundível, que um dia sonhou ser imperatriz, foi a mulher mais rica da América, deu seis filhos para o Marechal Lópes, e foi uma valente companheira em todos os cinco anos de guerra contra a tríplice aliança da Argentina, Uruguai e Império do Brasil. Não há na literatura de ficção uma personagem tão instigante. Vale a pena ler esse delicioso livro. 

22.9.18

Crônica diária

A campanha do Geraldo Alckmin

Acredito que tenha sido a três ou quatro anos, que escrevi uma frase, após uma viagem ao interior de São Paulo, e perdi um velho amigo, e ex colega de Cataguases. "São Paulo é uma ilha cercado de Brasil por todos os lados". Foi o bastante e suficiente para JLF contestar, e desaparecer para sempre. Ofendido. Mineiro morador de Niterói achou a frase uma afronta. Volto quatro anos depois, de carro para visitar minha filha e netos,  à cidade de Ribeirão Preto. Trezentos quilômetros da capital, pela rodovia dos Bandeirantes e Anhanguera. Só prazer. Estradas de primeiro mundo. Sinalização impecável. Asfalto mantido por concessionárias que fazem jus ao que cobram de pedágio. Uma demonstração cabal e definitiva que a iniciativa privada é mais competente, eficiente e econômica que o poder público. Mas não são só as rodovias que diferem do resto das do país. A paisagem, a agricultura, e as cidades, no seu entorno, fazem a diferença. Na pior crise econômica por que passamos, o interior paulista parece esbanjar abundância. Tratores e máquinas agrícolas novas por todo lado. E fico pensando como um político, que foi diversas vezes governador desse estado,  esta se sentindo em campanha nas águas de Marajó, ou no interior do Acre, Rondônia, e de todos os outros estados brasileiros. No Brasil profundo. Estagnado. Carente. Atrasado. E em sua maior parte, desiludido. Que tarefa difícil é governar o Brasil. E a pesar disso com tantos candidatos, na maioria completamente despreparados, tentando chegar ao cargo. 

Ensaio fotográfico


 A Lara fotografou meu tenis enquanto eu lia. Deitou no tapete e registrou a sola. E focou uma sujeira, provavelmente coco de cachorro. Que menina!!!!!
Foto da Lara. Entre a sola do calçado e o tapete onde deitou para fotografar não havia mais do que 25 centímetros. Fantástica a curiosidade da Lara.

Crônica do Alvaro Abreu



Tá difícil, dificílimo

Já completei 70 anos e, pela lei, não sou obrigado a votar nas próximas eleições. Não chega a ser uma vantagem, mas pode representar uma opção diante de um quadro de candidatos a presidente que me traz uma grande dose de desânimo e desencanto.

Pensando bem, isso de ser mais velho tem, como decorrência natural, forte impacto no nosso processo decisório. Seja porque já vivenciamos muitas situações, seja porque não demos sorte, seja por que não conseguimos aproveitar as oportunidades que tivemos ou por já termos sofrido na pele as consequências das nossas escolhas.
Os acontecimentos que mais nos marcam são aqueles que impactam negativamente nos nossos valores de vida, nos nossos hábitos e na nossa percepção de mundo.
Engenheiro que sou, não entendo muito das coisas da psicologia e afins, mas acredito que somos movidos tanto pelos traumas e dores como pelas alegrias que tivemos e palmas que recebemos. Aprendi que os homens decidem por vontade de ganhar e, sobretudo, por medo de perder. Sabendo disso, inteiramente cientes das próprias forças e fraquezas, os candidatos fazem de tudo para validar verdades e promessas de campanha, douradas por poderosas técnicas de marketing político, apostando alto na possibilidade de seduzir corações pulsantes e mentes desavisadas. E aqui é que se instalam as minhas piores emoções eleitorais, se é que existe esse tipo de emoção.

Nesta disputa para eleger um presidente para governar o país em crise e sem dinheiro, vejo a população sendo  induzida e mobilizada a se posicionar radicalmente, seja contra ou a favor de mocinhos, bandidos e salvadores da pátria. Ânimos exacerbados e atitudes virulentas não se prestam a construir e viabilizar a convivência de legítimos interesses antagônicos e a tolerância de valores individuais e coletivos, próprias da democracia. Na polarização que vem se armando, me sinto em meio a uma verdadeira guerra de slogans e palavras de ordem, que deverá se acirrar depois das eleições e pode se manter por anos. Uma guerra duradoura e paralizante. Dá medo só de pensar.

Vitória, 19 de setembro de 2018
Alvaro Abreu
Escrita para A GAZETA

21.9.18

Ensaio fotográfico

Ontem postamos a foto que a Lara (4anos) fez da cúpula desse abajour. Hoje ela continua explorando-o pelo lado interno, onde NUNCA ninguém imaginaria fotografar.

Crônica diária

A bicicleta do padre

Quem conta esta história é o escritor Juian Barnes, no livro " A única história". Esta de Malta, não é a história central do livro, mas transcrevo porque achei-a singela. Em Malta onde o povo é muito religioso e a Igreja católica é toda poderosa e todo mundo muito obediente, os preservativos são proibidos e só aos contrabandeados os moradores tem acesso. As jovens que se casam e demoram um ou dois anos para engravidar, ou as casadas que querem ter mais um, e as preces não resolveram, se valem do padre, que vem com sua bicicleta, estaciona na porta principal do lado de fora da casa para que todo mundo - principalmente o marido - saiba que não deve interferir enquanto a bicicleta não for embora. E quando, nove meses depois - embora, é claro, às vezes sejam necessárias várias visitas - a família é abençoada, e essa bênção é conhecida como " o filho do padre", e considerada um presente de Deus. Há famílias com  mais de um filho de padre. 

20.9.18

Ensaio fotográfico

Foto da Lara. Setembro 2018. Agrada-me muito o enquadramento que esta pequena fotógrafa de 4 anos é capaz de criar.As escolhas são absolutamente dela, não sendo induzida a fotografar nada. E tem muito prazer em faze-lo.

Crônica diária

 "Solução razoável"

A empresa Bookwire, maior distribuidora de livros digitais esta cortando acesso da Saraiva e Livraria Cultura dos seus catálogos, por falta de pagamento há mais de sete meses. A Saraiva alega que "renegociar prazos é rotina do varejo e que trabalha em uma proposta de solução razoável". Essa é a triste situação do mercado de livros no Brasil. Infelizmente.

19.9.18

Pé das meninas ginastas do Vincent Michels

Book release “Live for talent” about Demi Brama . Made by: Johan and Herma van Dreven . Great work!!!Demi is part of the talent school of Corpus Acrobatics.
Vincent Michels

Crônica diária

Você é o culpado

Puxa, quanta coisa tenho para contar, e tem gente que me pergunta como arrumo assunto para todas as crônicas, todos os dias. É o contrário, fico ansioso para que leiam tudo que escrevo, e escrevo compulsivamente, chegando a ter um mês de crônicas prontas, esperando seu dia para serem postadas. Muitas vezes uma simples palavra lida em algum lugar é motivo para um texto. Por exemplo: "escandir" que significa "separar" me levou a pensar numa crônica tratando da maneira particular com que o Geraldo Alkimin fala escandindo as sílabas.  Nem sempre tenho certeza de que o assunto vai agradar. Mas escrevo prioritariamente para mim. Não tenho obrigação, nem compromisso, com ninguém. Só essa liberdade quanto não vale? A maioria dos cronistas tem contratos, prazos, e um patrão, ou chefe, que lhes cobram. Assim é para quem escreve em revista, jornal,  rádio e TV, além das mídias digitais. Eu não. Só tenho obrigação, que virou um grande prazer, de postar, toda manhã, uma dúzia de linhas, que outra dúzia de leitores esperam que eu poste. Estou me realizando fazendo aquilo que adorava ler quando era um jovenzinho. As crônicas do LM (Luiz Martins), no Estadão, Rubem Braga, Fernando Sabino, e tantos outros que eram meus ídolos. E acho que no fundo da alma desejava: "um dia vou fazer isso". E o destino me colocou às mãos os blogs, depois o Facebook, e acabei juntando a cada 300 crônicas, que correspondem a 300 dias corridos, num livro de papel. Continuo duvidando desse dito arquivo nas nuvens. Para mim elas ainda só servem para fazer chuva. E com isso já tenho quatro livros de crônicas publicados. O quinto lanço nos primeiros dias de Outubro, "Intimidades crônicas" com prefácio de Alvaro Abreu. O sexto no início do próximo ano com o título "Pretextos", e tomando carona no título, coloco na capa uma tela e uma escultura minha. O sétimo, que já esta com 300 textos, e tem por título "Cronicante",  sai no fim de 2019. Em seguida o "Oitavo, livro de crônicas" em 2020.  E o grande responsável é você, meu caro leitor. Esqueci de dizer que além dos livros de crônicas publiquei nos últimos seis anos um quase romance, três livros de contos, um sobre blogs, e dois de poesias. Não foi pouca coisa.  

18.9.18

Em campanha

Meus dois netos João e Pedro em campanha para o tio Eduardo Novaes. Participação cívica se aprende na infância. Foto Sandra Moreira.

Crônica diária

 Então por que escrever?

As redes sociais acabam de demonstrar de maneira inequívoca e definitiva que um par de peitos, de pernas, ou mesmo uma bunda, faz mais sucesso do que uma boa ideia, um bom texto, uma boa reflexão. E olhe que não estamos comparando uma boa ideia com um bom peito. Qualquer peito, bunda ou pernas ganha em comentários, curtidas e compartilhamentos na internet, ao contrário do bom texto. Queiram ou não as feministas. Mas isso não é novidade nenhuma, a revista Playboy nunca trocou uma coelhinha despida por um texto na capa. E não foi por acaso.

17.9.18

Demi, sem retoques



Demi, posando para Vanity Fair

Crônica diária



"O perfeito cozinheiro das almas deste mundo"



Esse é o título do livro coletivo, posteriormente publicado em nome do Oswald de Andrade, e que você pode comprar nos sebos por R$90,00 a R$1 600,00 a Edição Fac-Similar. Trata-se do livro do hall de entrada da "garçonnière" do Oswaldo e sua turma, composta basicamente de Monteiro Lobato, Vicente Rao, Léo Vaz, Menotti del Picchia, Guilherme de Almeida e Ignácio da Costa Ferreira. A sala de 42 metros na Rua Líbero Badaró, 67 -3º andar, sala 2 era onde Oswald e a bela moça de dezenove anos, Miss Ciclone, normalista vinda do interior do estado, se encontravam. No livro, todos que frequentavam o apartamento, deixavam reflexões, recados, poemas, desabafos, ideias, caricaturas, recortes, piadas, provocações, reportagens, diversas colagens. Era o início de 1918 e essa turma estava criando o que hoje poderia ser chamado de blog, uma obra interativa, social, coletiva e aberta. São os primeiros passos de uma geração que criou o movimento modernista  e da Semana de Arte Moderna de 1922. É lá também que Oswald faz seus primeiros esboços do seu Miramar,  personagem que ganhará seu livro próprio em "Memórias Sentimentais de João Miramar", publicado anos depois, em 1924. Além de toda efervescência cultural, brota das páginas do diário uma história de amor. Deisi, a Miss Cíclone, que é desejada por todos os frequentadores será a protagonista do desenrolar poético e fatalista desse romance. Nas palavras de Haroldo de Campos, a heroína ganha status de "pré-Pagu" ou ainda a espécie de "ghost writer" desse agendário coletivo, dessa escritura originariamente plural, que flui por revezamento e contraste, por idílio e trocadilho, ponteio e contraponto, exercício estilizante e mordacidade paródica. É uma pioneira da mulher liberada, independente. Na época tinha outro nome. 

*Os dados aqui citados foram colhidos do texto de Luis Antonio Giron, e publicados na Folha de SP.

16.9.18

Uma imagem para o João Menéres

Lara e os enquadramentos criativos - setembro 2018

Crônica diária

O pernil ou a vida

Era aniversário de sua filha de quatro anos. Os preparativos começaram semanas antes. Por sugestão de uma comentarista da rádio CBN resolveram servir no almoço do sábado um pernil do Bar e Lanches Estadão. É considerado o melhor sanduíche de pernil de São Paulo. Na véspera por telefone encomendou o pernil que pesa seis quilos em média, e mais os molhos, uma salada de batata, farofa e arroz. Ficou de apanhar as dez do dia seguinte. Antes de ir buscar o almoço passou num supermercado e comprou cerveja, refrigerantes, vinte mini pão francês, e uma vela com número 4. O bolo a mulher fez questão de fazer em casa. Dez e vinte estava com toda a compra no carro. Por sugestão do funcionário do Bar o pernil foi colocado no banco traseiro. Não convém colocar no porta mala para não ressecar. E porque também estava cheio com as compras do supermercado. Duas esquinas a diante, num semáforo, parou u´a moto com uma pessoa na garupa que apontou a arma dizendo:
--Passa o pernil, ou morre.
E sem ele ter tempo de qualquer reação o da garupa, com arma em punho abriu a porta traseira, pegou  o embrulho com o pernil, largou a porta aberta e fugiram com a moto.
Ele desceu, ainda aturdido com o assalto, fechou a porta, fez um gesto de desculpa para o motorista que estava atrás, se desculpando pelo incômodo.
O ódio, a raiva e a tristeza tomaram conta. Suas pernas tremiam.
Meia hora depois chegou em casa e contou o ocorrido para a mulher. Ela o abraçou, e disse que o importante era que ele estava vivo. Vamos comprar presunto e queijo e colocar no lugar do pernil.

15.9.18

Intimidades crônicas

                                                                               Capa               
                                                                                        Capa, lombada e contracapa
Minha mulher disse outro dia que eu gosto mais de fazer capas do que escrever livros. Ela tem uma dose de razão. Desde que o maior capista brasileiro Helio de Almeida resolveu me ignorar fui obrigado a criar minhas próprias capas. E peguei gosto. Perdi a "vergonha", e estou achando a maior graça em produzi-las. Se são comerciais, se são antiquadas, se são apelativas não tenho a menor ideia. Elas me agradam, e ponto. Desta, especialmente gosto muito. Meu filho Guilherme, que não participou da criação desta me disse ser a melhor de todas. Vocês vão se cansar de vê-la em meus blogs. O livro estará nas minhas mãos a partir dos primeiros dias de Outubro. O conteúdo são 301 crônicas postadas no ano de 2016. Uma delícia ler agora o que na época chamávamos de futuro. Mas isso quem vai poder confirmar são meus leitores. Como novidade um importante prefácio do escritor e cronista Alvaro Abreu. A história da capa esta no texto da contracapa. Vale a pena conhecer.

Crônica diária

O retrato do momento

Acaba de sair a pesquisa Data Folha três semanas antes das eleições de 7 de Outubro. Para os leitores que me acompanham, e para manter minha coerência, sou obrigado a confessar que errei redondamente não acreditando, ou não querendo acreditar, no candidato capitão reformado Bolsonaro. Primeiro ignorei sua postulação. Depois lamentei sua candidatura. Por fim nunca poderia acreditar que ele, despreparado como é, conseguisse polarizar a direita e boa parte dos eleitores de centro.  Eu vaticinava que o segundo turno seria entre o PT e o Geraldo Alckmin. Errei mais uma vez. O Geraldo não esta conseguindo despontar para um segundo turno. É lamentável.  Já não tenho esperanças que ele consiga superar o Haddad, e ou Ciro, nesta disputa. E nesse caso nem o voto útil a seu favor, contra a volta do PT vai funcionar. Vamos ter, salvo um novo acidente de percurso, um segundo turno com Bolsonaro e Haddad. E imaginem vocês, meus leitores, vamos ter que votar no Bolsonaro. Quem diria! 

14.9.18

Lara minha fotógrafa - Ensaio fotográfico

Lara - Setembro 2018

Crônica diária

Lobos solitários, idiotas e canalhas

Lee Oswald (1963), Manso de Paiva (1915), Mark Chapman (1980), e agora Adélio Bispo de Oliveira, só para citar alguns dos idiotas, e canalhas, assassinos do Kennedy, Pinheiro Machado, John Lennon, e da tentativa de morte do candidato a presidente, Bolsonaro, tem em comum alguns pontos. Todos praticados por pessoas de passado com confusões mentais. Idiotas. Todos cometidos por canalhas sem motivação política partidária ou razões supervenientes. Em todos os casos houve a suspeita de conspiração, crime encomendado, nunca comprovados. Não é diferente no atual e grave caso de Juiz de Fora. Há sempre fatos, detalhes e indícios que levam a imaginação popular, inflamada por correligionários e parentes das vítimas,  desenvolver teorias absurdas. Não há acidente aéreo, onde morram políticos importantes, que não seja criminoso. Aliás não há morte de político, mesmo em desastre terrestre na Dutra (JK) que não seja passível de absurdas ilações. Assim também foi com a morte do marechal Humberto Castelo Branco, João Goulart, Carlos Lacerda, Ulisses Guimarães senador Severo Gomes, candidato a presidente Eduardo Campos e tantos outros. Até o suicídio do Getúlio tem gente que põe dúvida e defenda, mais uma vez a absurda tese de uma grande farsa, inclusive a carta testamento. Como tem gente que acredita que Elvis não morreu.

13.9.18

Luiz Almeida

Com foto da avó Paula Canto, Luiz e seus desenhos animados preferidos: Mickey e de carros. Note o carro na sua mão direita. É tara.

Crônica diária

 Morreu Wagner Domingues Costa

Você já ouviu falar dele? E do Mr. Catra? Não também? Eu nunca havia visto ou ouvido falar desse funkeiro que nasceu há 49 anos no morro do Borel e cesceu na rua Dr. Catrambi, zona norte do Rio. Vem daí seu apelido de Mr. Catra. Por que escrever sobre sua morte?  Porque nunca vi o jornal da Globo News dedicar 32 minutos consecutivos sobre a morte de nenhum artista. E ao trocar de canal para a Band News, lá estava a notícia no ar. Pelo visto só eu não o conhecia, ou não sabia quem era o Mr. Catra. No dia seguinte, 10 de Setembro de 2018, o jornal Folha de São Paulo dedica uma página inteira ao músico e cantor. Dela pincei umas frases do artista: "Eu  sou um homem de muitas mulheres, mas sempre das mesmas muitas mulheres". "Quer romance? Compra um livro. Quer felicidade? Compra um cachorro. Quer amor? Volta para a casa da mamãe." "Se tudo der certo, hoje vai dar merda". "Na guerra urubu é frango." "...deixa eu fazer meus filhos." (Teve 32 filhos). Quando questionado por sua infidelidade respondia: "Querem me rastrear, coloquem um chips no meu pinto." O jornal Estadão foi mais econômico ao noticiar a morte do Mr. Catra, deu um quarto de página.

12.9.18

Cronicante

Essa será a capa do livro de crônicas que completou ontem trezentos textos, e que será publicado em 2019, depois do PRETEXTOS no primeiro semestre. A capa dele também já esta pronta.
Hoje iniciasse outra série de 300 crônicas que serão publicadas sob o título de OITAVO livro de crônicas em 2020. Todos pela Piacaba Editora.

Crônica diária

Baita saudade

Ontem falei da exposição onde uma grande e importante tela da amiga Myra Landau esta exposta. Deu muita saudade da recém falecida artista plástica. Saudade que me bate, de amigos como Vicenzo Scarpllini, design gráfico e artista plástico que veio da Itália e deixou muitos amigos na cidade de São Paulo onde morou e morreu. Saudade do maior blogueiro que conheci, Jacinto Gomes, português de Lisboa, com quem tive a honra de tomar aulas sobre a arte e arquitetura da cidade portuguesa. Três pessoas que me fazem muita falta, e cuja saudade só faz aumentar.

12 de Setembro de 2018

11.9.18

Quatro Boteros




Quatro Boteros e uma bicicleta num pátio de estacionamento de uma galeria de arte em Miami. Fotos Guilherme Lunardelli. Valem mais do que pesam, e são de bronze.

Crônica diária



Myra Landau tem obra exposta em São Paulo

Fui ao Sesc de Pinheiros, em São Paulo, visitar uma exposição de arte denominada " O Outro Trans Atlântico". Com curadoria de Marta Dziewanska, Dieter Roelstraete e Abigail Winograd, a mostra foi organizada pelo Museu de Arte Moderna de Varsóvia em 2017, tendo passado pelo Garage Museum of Contemporary Art em Moscou em 2018.
A exposição examina um breve momento, embora historicamente significativo, na era pós-guerra, quando artistas da Europa Oriental e América Latina compartilharam um entusiasmo por Arte Cinética e Op Art. Essa tendência representou uma alternativa e um desafio para o consenso crítico da arte dominante no Atlântico Norte. Enquanto o Expressionismo abstrato, a Arte Informal e a Abstração lírica reinavam supremos nos centros de arte estabelecidos de Paris, Londres e Nova York, um capítulo distinto da história da arte estava sendo escrito, ligando os pólos de Varsóvia, Budapeste, Zagreb, Bucareste e Moscou com Buenos Aires, Caracas, Rio de Janeiro e São Paulo.
Uma rede de práticas artísticas foi forjada, seus artistas se comprometeram com um conjunto inteiramente diferente de questões estéticas surgidas no contexto de realidades políticas e econômicas análogas. O florescimento da Arte Cinética e da Op Art nessas regiões foi, em grande parte, uma manifestação de fascínio pelo movimento, seus efeitos estéticos e as oportunidades dinâmicas que gerou, criando novas possibilidades para o engajamento do público.
Desde modo, a mostra apresenta obras de mais de 40 artistas e coletivos vindos de ambos os lados do Atlântico, apresentados em uma narrativa que reflete fatos comuns entre seus interesses e intuição criativa.  Através de um foco em arte que ultrapassou objetos estáticos e definições claras do papel do artista, o caráter de uma obra de arte e o papel do espectador, a exposição tenta reescrever um capítulo marginalizado da história da arte após a Segunda Guerra Mundial através da uma perspectiva geopolítica diferente.
Em São Paulo, a mostra organizada pelo Sesc SP, em colaboração com o Museu de Arte Moderna da Varsóvia, com o Museu de Arte Contemporânea Garage; Instituto Adam Mickiewicz e com a Casa Sanguszko de Cultura Polonesa, seleciona além das obras originalmente apresentadas em Varsóvia e Moscou, um maior número de obras de arte da América Latina, tendo contado com a colaboração da pesquisadora Ana Avelar.
Uma tela cedida pela Pinacoteca de São Paulo, da artista e minha amiga MYRA LANDAU, faz parte da exposição. 

10.9.18

Um par de pés

Mural em Miami. Foto do Guilherme Lunardelli, e sua bicicleta. Patrede de um estacionamento.

Crônica diária

Bolsonaro entre "árabes" e judeus

Curiosamente a grande imprensa, principalmente televisiva, não comentou o fato. A Folha de São Paulo foi o único jornal a faze-lo, mas com discrição. O que corre solto nas redes sociais, e repercute na imprensa é o fake, o falso, as teorias da conspiração. Horas depois do idiota (aqui significando "confuso mental') ter esfaqueado o capitão candidato a Presidente, a página do canalha Adélio Bispo de Oliveira no facebook, foi montada com fotos e depoimentos completamente falsos. Ele não era petista, e nunca participou de comícios do Lula. Tudo fake. E exatamente quando a imaginação dos apoiadores e contrários ao candidato esfaqueado inventavam imagens  fotoshopadas e inverdades absurdas, a família, e o núcleo próximo ao candidato divergiam e disputavam o hospital que deveria tratar de sua recuperação. Duas correntes se formaram: a que defendia a internação no hospital Sírio Libanês, destino de muitos presidentes e políticos importantes, principalmente os petistas que estiveram recentemente doze anos no poder, e nunca optaram pelo SUS, em detrimento do hospital Sírio Libanês de São Paulo. Uma equipe da unidade da UTI desse hospital foi mandada para Juiz de Fora, e lá chegou perto da meia noite. As notícias divulgadas só falavam de uma eventual transferência para esse hospital, e isso após a liberação da equipe que operou o candidato, que não cogitava do assunto. Diga-se de passagem, equipe muito elogiada por todos médicos. Ao mesmo tempo apoiadores judeus, que são maior número, argumentavam que a internação no Sírio Libanês faria do Bolsonaro mais um político, igual a todos os outros, a se valerem desse hospital. Bolsonaro queria um hospital do exército. Mas prevaleceu o Einstein, com a presença do Dr. Antônio Macedo, considerado um dos maiores cirurgiões especialistas nessa área. Como ele atende no Einstein, o grupo de judeus venceu os Sírio Libaneses. Mas houve bate boca, e a Folha noticiou o fato. O resto é fake.

9.9.18

Tartuferia Giapponese

                                                                   Alameda Lorena, SP

Entradinha, salmão com trufas

 Meu Campari Tônica
 Risoto com filé
                                                           Lula e purê de mandioquinha
                                                                       Ravióli de manga

Crônica diária

Canalhas idiotas

Não inventem teorias de conspiração.  Já em 1915 um idiota matou com um punhal Pinheiro Machado, e quiseram encontrar um motivo político, um mandante, e nada foi encontrado. Ao ser apunhalado Pinheiro Machado exclamou: "Ah! Canalha".  Manso de Paiva tomou 20 anos de condenação. Em 1940 Millôr encontra o idiota chupando mexerica, e cuspindo as sementes no chão, na entrada do edifício da revista O Cruzeiro. Adélio Bispo de Oliveira é outro idiota que 103 anos depois esfaqueia um candidato que lidera as pesquisas de voto para Presidente da República. E o Bolsonaro nem chamou-o de canalha. E nem os que tentam fazer parecer que é parte de uma conspiração da esquerda contra a direita. Não passa de um canalha, idiota como era o Manso de Paiva.

8.9.18

FLORES PARA A DELEGADA


No meu mar de livros 
 pesquei o “Flores para a delegada”. Você montou uma estrutura ótima. Intercalando informações sobre os personagens enquanto a história avança. Seus ganchos de amarração – continuísmo/ criação de expectativa – funcionaram muito bem. Eu não saberia fazer melhor. Parabéns. Gostei da possibilidade de o “caso do florista” ter alguma possibilidade de ser o advogado que enviara flores para a delegada. A expectativa poderia ter sido mais explorada. Senti firmeza e verossimilhança e cativou-me o bom gosto do advogado: Sessa Fly 45, jantar no Parigi (faltou o prato escolhido) e a seleção musical (pg 72). Até eu me apaixonaria por ele. Hahaha. Para a delegada faltaram credenciamentos. Exemplos de comando ou atividades policiais. Talvez o manuseio da pistola e algum detalhe do cenário da delegacia. Enquanto digito este feedback, ouço Michael Feinstein em "The More I See You". Parabéns, cronista e escritor.





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