31.7.18

Ensaio fotográfico

Lara e seu cofrinho do Superman. Julho 2018. Usando Zoon

Crônica diária

Minhas tentativas musicais

Como invejo os escritores que tocam um instrumento. Não necessariamente um John Milton Cage Jr., nem um Jo Nesbo, norueguês, autor de dezena de livros policiais, que eu adoro, e vocalista e compositor da banda pop Di Derre. Nada disso. Gostaria só de tocar um instrumento, como faz o Luiz Fernando Veríssimo que toca saxofone. Na minha infância tentei sanfona, e desisti nas primeiras aulas. Ainda bem, pois hoje acho um instrumentinho bem cafona. Quando interno em Cataguases, e influenciado por colegas que tocavam, cheguei a comprar um violão. Não passei das primeiras tentativas. Tenho ouvido zero, e portanto, todas as outras consequenciais para a área musical. Adoraria ter aprendido saxofone, apesar do meu velho amigo Zuza Homem de Mello dizer que só tem um instrumento a altura do homem: o baixo.  
Com a idade, a falta de ouvido para música, foi acrescida por leve surdez. Não ouço mais campainha da porta, nem a do meu telefone. Minha mulher vive dizendo que estou completamente surdo. Mas ela exagera. A prova disso é que continuo ouvindo esses desaforos. Mas as orelhas estão no lugar e cada dia maiores. Elas são essenciais para segurar as pernas dos meus óculos. Pelo menos até operar de catarata, e implantar uma lente, como andam fazendo por aí. Se isso vier a acontecer, nem das orelhas vou precisar. A não ser que a surdez aumente, e tenha que colocar um aparelho pendurado nela.  

30.7.18

Ensaio fotográfico

Lara fotografando o lençol do berço do primo Nicolas. Julho 2018

Crônica diária

Minha barriga

Citar um escritor famoso fica bem no início de um texto. Mostra erudição e intimidade com os famosos. Então lá vai: o João Ubaldo Ribeiro dizia que o simples ato de dar laço no sapato do pé esquerdo equivale a uma modalidade olímpica. Amarrar os sapatos eu ainda consigo sem muito esforço, mas cortar as unhas do pé direito e esquerdo, já não dá. Não são exatamente os anos que se meteram entre minha tesoura e meus pés. Foi minha barriga.

29.7.18

Novidade na praia

Praia de Ibiraquera, Julho 2018

Crônica diária

Velhos e novos cronistas

Sinto muita saudade das cronicas singelas, e simples que marcaram Rubem Braga, Fernando Sabino, Luis Martins e outros de sua geração. Acho que encontro um pouco desse lirismo doméstico, dessa abordagem direta com as coisas simples e comuns, do dia a dia, nas crônicas do Ruy Castro. Rubem Braga deixou um herdeiro que escreve no mesmo estilo, seu sobrinho Alvaro Abreu. Eles não complicam, não ideologizam, não inventam. Os antigos falaram com poesia sem pedantismo. Eles criaram imagens modernas, que se tornaram eternas. Eles inventaram a cordialidade na prosa. Eles são inimitáveis. Seus assuntos eram passarinhos, pedras e caminhos. Adoraria poder continuar escrevendo com o sabor, com a leveza, e com o dom dos velhos cronistas. Ou dos novos, como o Alvaro e o Ruy, que os puxaram. 

28.7.18

Ensaio fotográfico

Lara fotografando a pia do meu banheiro. Não se deu conta de que também apareceu na foto. Mas mostra como ela encara o ofício com muita habilidade.

Crônica diária

Fim dos jornais

Li na Folha a matéria da Paula Cesarino Costa sobre as previsões feitas por Philip Meyer, em seu livro "Os Jornais Podem Desaparecer?" onde defende que os jornais diários, como os conhecemos hoje, impressos, desaparecerão em Setembro de 2043. Só faltou marcar o dia. E esse livro foi escrito por esse pesquisador americano há dezena de anos. Eu não tenho nenhuma dúvida, embora lamente muito. Já assino uma revista digital (Crusoé) , e apesar de ainda receber em casa a Veja, ela não faz mais nenhuma falta, ao completar seus 50 anos. Jornais de papel leio quando encontro algum, mas também já passo sem eles. A  era do papel esta no fim. E temo pelos livros impressos. Esses ainda não abdiquei.

Crônica do Alvaro Abreu



Quem me dera

Nesses últimos dias, duas mortes me fizeram parar pra pensar: uma veio como contingência natural da vida, mas a outra pegou todo mundo de surpresa. As sensações de perda devem ter se somado na alma de muitos capixabas.

Com Helmut eu só convivi nos meus tempos de rapaz nadador, quando disputamos provas de 400m na piscina do Praia Tênis Club. Bem mais velho e lento, acho que ele se movia pelo prazer de competir. Morava numa casinha simpática no pé da ladeira do Hospital Infantil. Declarações de pessoas que trabalharam ao seu lado e sob sua batuta atestam que sua atuação como empresário contribuiu decisivamente para a felicidade e realização de muita gente. O que marcará sua passagem por este mundo é a proeza de ter transformado a pequena fábrica de doces do seu pai em uma empresa enorme que produz os bombons das serenatas e que fez de Vila Velha uma referência no mundo dos que adoram chocolate.

Veio de muito longe a notícia da morte prematura de Pignaton, um professor de milhares de alunos, reconhecido como pessoa instigante e afável, um homem empreendedor que criou um colégio para um mercado nascente e promissor e se tornou um empresário de sucesso no mundo dos negócios educacionais. Meu contato com ele nunca passou do boa tarde e do bom dia, trocados no portão e no pátio do colégio onde uma nora dava aulas e dois netos pequenos estudavam.

O fato é que esses dois homens serão lembrados por seus contemporâneos pelo tanto que fizeram de concreto e objetivo em campos tão díspares. Para mim, eles demonstraram que, com méritos pessoais e muita determinação, é perfeitamente possível catapultar uma pequena fábrica de doces e montar uma grande escola de propósitos bem específicos.

Quem me dera que as próximas eleições fossem disputadas exclusivamente por candidatos de ficha bem limpinha que fossem donos de trajetória de vida repleta de feitos relevantes e de interesse público, dignos da admiração dos variados grupos de eleitores. Seria mais fácil e seguro para cada um de escolher aqueles que iriam representá-lo até a próxima eleição.

Vitória, 25 de julho de 2018
Alvaro Abreu
Escrita para A GAZETA


27.7.18

Uma prévia do bolinho

Julho é um mê péssimo para fazer festa de aniversário. Férias escolares e difícil de reunir os amigos da escola. A festa será após o início das aulas. Mas a vovó Paulinha improvisou uma velinha para a Lara apagar na data. Ela estava feliz da vida.

Crônica diária

Uma frase de efeito

Ou o efeito de uma frase. Dia desses escrevi que "Quem teme bandidos e contrata sua segurança com milícias, sabe o risco que corre". Esperava que ela provocasse mais reações que de fato provocou. Era uma frase de efeito e não causou efeito nenhum. De bandidos e milícias o povo esta cheio. Eles não saem das manchetes. E crimes cometidos  por ambos tem baixíssimo índice de esclarecimento. Haja visto a execução da vereadora carioca. A imprensa gerou comoção nacional. O Temer prometeu rápida prisão dos culpados. Todos os órgãos de investigação foram envolvidos, e até hoje nada foi esclarecido. E quantos crimes semelhantes poderíamos elencar? Eleger um Bolsonaro corresponde contratar um miliciano para combater comunistas. Não vai dar certo. 

26.7.18

Ensaio fotográfico

Lara fazendo fotos enquanto a família conversa. Tia Renata fumando. O irmão Luiz querendo por a mão na lente da máquina, e os pés e pernas da mãe Mariana repousando na poltrona. Parece cena de filme.

Crônica diária

Ronaldo Werneck : "Goleiro faz cinema"

Há dias recebi um e-mail do amigo, poeta, e escritor de Cataguases, Ronaldo Werneck, falando de seu artigo sobre "goleiros e cinema".
"A tirada de Ary Barroso – “goleiro faz cinema” – acabou se concretizando na Copa da Rússia:
Hannes Halldórsson, o goleiro da Islândia, é também cineasta. Ou vice-versa.
Como também Humberto Mauro, que foi cineasta e goleiro.
 E foram vários os goleiros que fizeram cinema agora na Rússia, com seus voos, suas pontes, suas defesas espetaculares.
Vejam no meu blog:
Fui lá conferir a ótima postagem, e comentei: Eu também fui goleiro e cineasta.
Goleiro porque ninguém me escalava para outra posição. Onde atrapalhava menos era entre as traves. 
Cineasta porque meu pai tinha u´a máquina 16mm e aprendi com ele a filmar. Depois fui assistente de direção de um dos maiores cineastas brasileiros Ozualdo Candeias. E participei com um curta do Festival do Jornal do Brasil, o mais importante certame do gênero na época. "Liberdade de pé" era de longe o melhor filme da mostra. Mas o júri não entendeu assim.  
Concluindo: fui goleiro e fiz cinema.  

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João Menéres disse...
Mais uma novidade da Lara, essa menina prodígio !
Surpresa ?
- Não, porque da Lara já nada me pode surpreender.


terça-feira, 24 de julho de 2018 04:23:00 BRT
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25.7.18

Ensaio fotográfico

Tia Renata, e meu primo Nicolas. Lara, 2018

Crônica diária

A morte do Getúlio

Ruy Castro tinha seis anos e estava  numa cidade mineira quando o pai levou-o pela mão numa esquina em que discutiam a morte do Getúlio. Era uma roda de homens, alguns de terno e chapéu. De repente cai de uma sacada sobre eles uma máquina de escrever, a palmo do menino. Soube-se depois tratar-se de um getulista embriagado. Essa é a memória do Ruy. Eu tinha nessa data onze anos, e um pai que havia feito a revolução de 32, e portanto ódio ao Getúlio. Dele não me lembro de nenhuma manifestação, a não ser de alívio. Mas do rádio vitrola, que ficava na sala, e onde fiquei durante horas deitado em frente aos auto falantes, ouvindo as notícias do suicídio, e a leitura da carta testamento, que era repetida à exaustão, tenho lembrança perfeita. Dez anos depois conheci pessoalmente o Governador Carlos Lacerda, personagem principal desses acontecimentos. Como eram dignos e corajosos os políticos de antigamente.

24.7.18

Ensaio fotográfico

Lara e a maçã dada de colher para seu primo Nicolas de seis meses de idade. Julho 2018

Crônica diária

Ruy e a mochila

Meu cronista favorito Ruy Castro escreveu na Folha uma deliciosa descrição de um indivíduo com boné ao contrário, uma enorme mochila nas costas e todo desconforto que produziu ao entrar no corredor do avião e sentar na poltrona da janela, passando por outras duas, sem tirar a dita. E faz umas brincadeiras com a física, onde há leis que rezam que dois corpos não podem ocupar o mesmo espaço. A mochila e o indivíduo contrariaram essa regra. Mas o fato que quero ressaltar, e me alegrou muito, foi de que não só eu quem tem implicância com essas enormes mochilas. Seus portadores não se dão conta de que elas vão batendo no que encontram pela frente, a cada movimento que seus portadores fazem. E muitas das vezes é na minha cabeça, no meu nariz, e no meu ombro. E não adianta olhar feio. O cara esta de costas e é muito maior do que a gente. E como supõe o Ruy devem levar bigornas nessas enormes mochilas. 

23.7.18

Ensaio fotográfico

A mão do Nicolas, vista pelo olhar atento e curioso da prima Lara. Julho 2018

Crônica diária

Segundo roubo - Quarta e ultima parte

Acontece que na história que minha sogra contou do Escrito, aparecem a CIA e não a Escot Yard, e um hotel em Nova York e não um cotage na Inglaterra. Cheguei a acreditar que com o passar dos anos ela pudesse estar confusa com esses detalhes. Mas não, a própria Sophia nos narra o segundo roubo anos depois. E foi em NY, e muito mais provável que tenha sido esse o do Escrito, e não o do The Cat, na Inglaterra. Ambos nunca foram desvendados. O que restou foi o consolo que Sophia ouviu do ator e grande amigo Peter Sellers: "Sophi, nunca chore por uma coisa que não choraria por você".

22.7.18

Ensaio fotográfico

Lara fotografando a tia Renata e seu primo Nicolas. Julho 2018

Crônica diária

A história da minha sogra - Terceira parte

Nos últimos dois dias venho contando o caso do "The Cat", (roubo das joias da atriz Sophia Loren), e a história que minha sogra contou. Na cidade do interior de São Paulo uma pessoa muito conhecida e  rica, levou para casa uma criança abandonada. Ela cresceu e se destacou na escola como ótimo aluno. Ganhou o apelido de Escrito. O por que do apelido, minha sogra não sabe. Tempos passaram e ela e o Escrito voltam a se encontrar numa recepção dos Diários Associados onde o marido da minha sogra trabalhava. O Escrito era então secretário do Olavo Fontoura e circulava com grande desembaraço entre a nata da sociedade paulistana. Outros tantos anos se passaram e minha sogra fica sabendo que a CIA esteve na pequena cidade do interior a procura do Escrito. 
Achei a história deliciosa, comprei o livro da autobiografia da atriz e tomei conhecimento que Hergé, famoso pelas HQ do Tintin já em 1968 publicou a história da cantora lírica que teve suas joias roubadas, inspirado no roubo que Sophia sofrera. 
Comentando com meu filho essa instigante história, e ele estando trabalhando em Miami, disse que talvez fosse estar com a atriz Sophia Loren, nos próximos dias, no atelier do Romero Brito, onde fora convidado para fazer a cobertura fotográfica de um evento. Sugeri a ele que se fosse possível, contasse a ela a história da minha sogra. Amanhã, continuo.

21.7.18

A fotografa Lara e seu primo Nicolas

Com foto da mãe do Nicolas, tia Renata, Lara e seu priminho. Julho 2018

Crônica diária

 Os bastidores de uma grande história - Segunda parte

Como anunciei ontem, hoje lhes conto a história do The Cat do livro da Sophia Loren. É preciso que se diga que é tudo absoluta verdade, nada é ficcional. Em 1960 Sophia estava filmando na Inglaterra "Com milhões e sem carinho" com Peter Sellers. Depois de uma noite no Hotel Ritz, onde deixava o porta-joias no cofre, foi hospedar-se com seu stafe, num cottage dentro do Conecty Club de Hertfordshire. Basílio e Inês, Lívia a cozinheira, e a cabeleireira ficaram no andar térreo.  Os aposentos de Sophia no primeiro andar num amplo quarto e closet. Basílio chegou a solicitar um guarda noturno, mas o secretário do club respondeu: "Estamos na Inglaterra, e não em Nápoles. Não há com que se preocupar". Seus assistentes ficaram vendo TV e Sophia foi apanhar o marido Carlo Ponti no aeroporto. Quando voltaram ela se deparou com a porta do closet e do terraço abertas. Descobriram que todas as suas joias haviam sido roubadas. O fato foi fartamente noticiado pela imprensa mundial. A Scott Yard chamada imediatamente nunca conseguiu prender o ladrão. Passados muitos anos, e o crime prescrito, Sophia recebe uma carta assinada "The Cat", identificando-se como o ladrão. Esses são os fatos que a própria Sophia narra em sua autobiografia "Ontem, hoje e amanhã" que li. Por que fui  me interessar por esse crime quarenta e oito anos depois? Em Março, depois de um almoço em casa, minha sogra, que esta com mais de oitenta anos, e gosta de contar histórias do passado, e da cidade onde moravam, no interior de São Paulo, me contou o que lhes contarei amanhã.

20.7.18

Clotilde e uma tela minha

Há muitos anos eu adorava ver em revistas imagens das telas e quadros que decoravam as casas. Eles revelam muita coisa, além do gosto pessoal de quem habita ou decora o ambiente. Recentemente minha prima Clotilde mudou a foto do perfil, e na parede ao fundo descobri uma tela minha. Tem 1,20 x1,00 m, tinta acrílica sobre tela 1998. Da série Paisagens - "Terra, mar e ar". 
 Paisagem. Terra mar e ar. 1998

Crônica diária

"Sophia Loren, ontem, hoje e amanhã" - Primeira parte

Só um bom motivo poderia me levar a ler a autobiografia de Sophia Loren. "Ontem, hoje e amanhã" é um livro leve, divertido, e que nos remete ao melhor que o mundo do cinema já nos proporcionou. Os mais famosos atores e atrizes estão no livro de uma forma verdadeira e real, longe dos personagens que marcaram suas carreiras. Sophia se mostra humana, de carne e osso, italiana a não mais poder, e muito honesta em suas revelações e vivencias. Um livro que distrai e nos faz voltar no tempo. Qual o bom motivo que me levou a lê-lo? Os casos dos roubos de joias que ela narra com alguns detalhes. E sobre eles escreverei a partir de amanhã.

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Alvaro Abreu




Bom dia, Eduardo,

Ótimas essas duas últimas crônicas. 
Sou leitor de poucos livros, mas invejo quem, como você, os devore.
Das suas lojas preferidas, fico com as de ferramentas. Relógio, tive apenas um durante a vida toda e ele durou bem pouco. Guardei as abotoaduras que eram de papai, mas não tenho camisa para elas. Mantenho um ZIppo sem fluido na mesinha de cabeceira e mas não fumo desde 1994. 

Peço que dê um beijinho em Lara por mim e diga pra ela que, além de um em Portugal, ela tem um fã aqui em Vitória.

Grande abraço.

19.7.18

Ensaio fotográfico

Apesar de já ser uma fotógrafa muito elogiada, continuo muito ligada na minha chupeta, e às vezes até curto a do meu irmão Luis, que ao contrário das minhas cor de rosa são azuis. Lara, Julho 2018.

Crônica diária

Vitrines 

Ontem comentei sobre os três ramos de lojas que gosto de visitar. Mas minha mulher lembrou-me das vitrines que mais me atraem. E ela tem razão. Dos três ramos citados as vitrines não me dizem nada. Mas adoro as vitrines das relojoarias.Nunca entro para comprar. Relógio, hoje em dia, é uma inutilidade completa. Concordo. Tem relógio nos celulares, no carro, e em toda parte, mas no meu pulso esquerdo habituei a usar um, e sem ele me sinto nu. Nada de marca desde que fui assaltado e levaram o meu querido Rolex. No ultimo assalto, em Setembro de 2012, sempre sob a mira de um 38, me levaram um Tissot com fundo do mostrador preto, que herdara do meu pai, e que parecia um Rolex. Disse na época que não usaria mais relógio. Não resisti. Tenho Swatch de plástico e de poucos dólares e um que ganhei do meu filho, já mais sofisticado.Tenho outros, Suíços finos como uma moeda, quadrados, retangulares, e algum até com cronômetro. Adoro relógios. Meu pai também gostava, e dele herdei um de bolso, retangular, que dava corda ao abrir e fechar uma capa metálica. Tem o tamanho e aparência de um isqueiro Zippo. Coisa que também todos tivemos um dia, e não se usa mais. Não se usa mais fumar, nem camisa com abotoadura. O que não quer dizer que não tenha quem não fume, use abotoadura e relógio no pulso. 

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João Menéres disse...
Muitos parabéns, SENHORITA LARA !!!
Estás já ensaiando a pintura dos lábios para a inauguração da tua 1ª Exposição DE FOTOGRAFIA ?
Se eu não puder ir à abertura, não te esqueças de me reservar um catálogo com uma dedicatória !
Depois, o Vôvô Edu manda pelo correio, sim ?

Já escolheste como vai ser o bolo para soprares as QUATRO VELAS logo ?

Um beijinho e quero que tenhas um DIA MUITO FELIZ !


( O meu filho mais novo, faz também hoje anos. Mas vai ter que apagar 49 velas ! )
quarta-feira, 18 de julho de 2018 03:36:00 BRT
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18.7.18

Hoje fiz quatro anos

Lara me pediu um batom de aniversário. E adorou o presente.

Crônica diária

Fui à livraria

Moro ao lado de uma. Só tem duas outras lojas que me fascinam tanto quanto, ou mais, do que livrarias. São boas e grandes papelarias onde se encontra lápis e canetas de todos os tipos, cores, e preços. E a terceira loja é a de ferragens. De preferência fora do Brasil. Nos Estados Unidos e na Itália foi onde conheci as melhores. Dizem que na Suíça além de bons chocolates fabricam ferramentas maravilhosas. Mas fui ao lado de casa me abastecer de livros. Já esta disponível como o segundo mais vendido o GIGANTESCO "4321" do Paul Austen, a que me referi dias atrás. E cumpri minha promessa. Não vou ler. 960 páginas, tipo pequeno e espaço entre linhas também. Meu querido escritor Paul que me desculpe, nesse não embarco. Estou velho demais para tanto peso. Peso tenho evitado até na academia. Leio por prazer, e carregar peso não é um deles. Saí com três livros leves. Ruy Castro , crônicas, "A arte de querer bem". Até no tamanho 12 x 18 que não aprecio, este autor me agrada. Outro foi do Philip Roth, que morreu este ano, e "Quando ela era boa" de 1967, eu ainda não li. E o terceiro foi de Julian Barnes, "A única história", 2018. Tenho leitura para os próximos dias. E três resenhas futuras garantidas. Só não comento nada quando não gosto da leitura. Não sou crítico literário, e como escritor, detesto falar mal dos meus colegas.

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João Menéres disse...
Além da estupenda iluminação, outro pormenor que me espanta é o grande diferencial que existe entre a forma e a textura do cachorro e o padrão e cores da coberta !
Essa menina Lara é fogo, puxa !

terça-feira, 17 de julho de 2018 03:20:00 BRT
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17.7.18

Ensaio fotográfico

Esse é seu "uauau", cachorro magrelo de tanto banho, companheiro INSEPARÁVEL de todas as noites e partes do dia. Sem ele e sua chupeta não há quem a faça dormir. Aqui a Lara fotografou seu maior amigo. Jujho de 2018.

Crônica diária

O Absoluto e o Relativo

Na vida a única coisa absoluta é a morte. Os outros acontecimentos, percalços, eventos são sempre relativos. Uma dor de cabeça, um resfriado, são pequenos desconfortos perto de dores maiores, enxaquecas, gripes ou pneumonia. Mas temos a tendência de subestimar nossas pequenas vitórias e dramatizar nossas derrotas, grandes ou pequenas. A cicatrização de uma pequena picada de inseto não é comemorada como uma vitória do nosso organismo. É uma obrigação dele, e não a valorizamos. Quando uma doença mais grave impede a auto defesa é que percebemos como essa máquina perfeita, que é o corpo humano, tem valor. Este texto não pretende ser de auto ajuda, mas  para nos chamar atenção de como é preciso valorizar cada segundo de bem estar vivido, para compensar uma noite mal dormida, uma dor de cabeça, ou uma coriza.

16.7.18

MYRA LANDAU


A tristeza com que escrevo estas linhas é enorme. Previsíveis, uma vez que a amiga Myra vinha se lamentando do seu estado de saúde, fraqueza, e desânimo já há algum tempo. Pudera, estava com 91 anos. Muito ansiosa com a exposição que acontecerá, nos próximos meses, em NY. Desconfiava não poder presenciar. E isso, e o frio do inverno a incomodava muito. Myra fez um grupo pequeno, mas muito fiel, de amigos, através do meu blog Varal de Ideias. Jorge Pinheiro, e João Menéres, estão entre eles. Do Jorge recebi os originais, quatro ou cinco anos atrás, de um trabalho escrito sobre a grande artista. Acredito que nunca tenha sido publicado. Sugiro que envie para sua filha Dominique. A saudade que a Myra irá provocar é enorme. Estava sempre enviando-me digitalmente uma pintura, e querendo saber minha opinião. Cobrava quando a  resposta tardava um dia. Gente com essa idade tem pressa. E como, brincando, uma vez eu disse que gostava mais dos seus traços em curva, eram com eles que me presenteava. Tenho curvas de todas as cores. Há três ou quatro dias recebi um e-mail da Dominique pedindo para escrever umas linhas por carta, pois a saúde da mãe já estava precária, e não lia mais no computador. Na noite em que faleceu, eu sonhei que estava enviando meu próximo livro, que ainda esta na editora. Ao amanhecer recebo um novo e-mail com a triste notícia. Vou sentir muita, mas muita mesmo, saudade da amigona Myra.



 Myra Landau


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João Menéres disse...
Está visto, poucos são os anos que faltam para a Lara, essa criança prodígio, ser convidada para mostrar publicamente todo o seu génio de artista plástica no MASP !

domingo, 15 de julho de 2018 02:55:00 BRT
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15.7.18

VARAL DE LUTO



   O VARAL CUMPRE A DOLOROSA MISSÃO DE COMUNICAR A MORTE DA QUERIDA AMIGA E ARTISTA PLÁSTICA MYRA LANDAU


"Meus queridos,

Como vocês ja escutaram no email anterior a saúde da mamãe estava muito mal.

Infelizmente ela nos deixou hoje a noite.

Tivemos ainda a sorte de estar junto a ela nos últimos momentos. 

Apesar da grande deterioração ela ate o ultimo momento estava desenhando.

Ela teria gostado de ver sua exposição em NY mas agora sera uma verdadeira homenagem a ela. 

Em alguns dias ela sera enterrada aqui em Alkmaar perto da gente, depois de 91 anos de vida movimentada.

Muito obrigada pela linda amizade e amor por ela!

Dominique, Jan, Marco, Mauro e Tamara

Dominique Landau <landaudominique@gmail.com>

"

Ensaio fotográfico


A Lara pinta, recorta, cola e fotografa.

Crônica diária

A perda de confiança

Ouvi de uma leitora que a saída para nossa crise seria uma greve geral. Olhem aonde chega a insensatez. Não fossem os pesados prejuízos causados ao país pela recente, e gigantesca, greve dos caminhoneiros, e os pífios resultados por eles colhidos. A indústria brasileira registrou um prejuízo gigantesco. Irrecuperável. Esse prejuízo se refletiu em impostos e preços. O setor de aves e o agronegócio também foram gravemente afetados e o consumidor pagou o preço. A inflação mostrou sua cara. O dólar voltou a subir, apesar de fortes intervenções do Banco Central. A causa é o da perda de confiança. Talvez tenha sido esse o maior mal causado pela greve dos caminhoneiros. E ainda tem leitora sugerindo novas greves. Insano.

14.7.18

Ensaio fotográfico

Cabeça da tartaruga, no olhar da Lara

Crônica diária

Perguntar não ofende

Como podemos esperar dos 213 milhões de brasileiros 23 jogadores, mais um técnico de seleção, que possam vencer uma Copa Mundial de futebol, se não temos um único e mísero nome em quem votar para nos governar? 

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Adorei "a vida no palco", instiga  nossa imaginação, delicia de livro! Beijão
Cristina   Rolim

Crônica do Alvaro Abreu


Meras suposições

Gosto de ficar imaginando os acontecimentos que antecederam fatos emblemáticos, como o suposto grito de independência ou morte, dado do alto de um cavalo branco. Pois foi o que andei fazendo para tentar entender os meandros do episódio que surpreendeu o Brasil em pleno domingo. Pelo que vi na imprensa, foi coisa de umas poucas pessoas, das muitas que fazem da política instrumento para ações espúrias, incluindo a de transformar tribunais de justiça em palco para encenar enredos vergonhosos. Dito isso, vamos às suposições.

Deputado Espertão telefona pro Deputado Parceiro e diz: - Tá na hora de soltar o cara. Vai ter que ser neste fim de semana, quando o nosso desembargador estará de plantão no tribunal. Ele só precisa que a gente entre com aquele habeas corpus que já está pronto. Ele disse que resolve a parada com uma só canetada, como estão fazendo os nossos ministros lá no Supremo. A hora é essa, companheiro. Por sorte, o pessoal está chateado com a desclassificação, doido pra encontrar motivo pra comemorar. Precisamos do homem solto, na campanha. - Beleza, então vamos chamar Deputado Tonessa pra acompanhar os fatos ao lado do chefe e entrar na foto quando ele estiver saindo do prédio da Federal, responde Deputado Parceiro.

Dito e feito. Domingo lá estavam os três em Curitiba, monitorando os acontecimentos. Passada a euforia com o primeiro ato, o preso, homem tarimbado e sagaz, se declarou descrente da possibilidade de ser solto com tamanha facilidade. Afinal, seu fiel advogado e um outro, caríssimo, daqueles que resolvem tudo diretamente com os togados de Brasília, não tinham conseguido tirá-lo daquele lugar. Depois de ouvir tudo em silêncio respeitoso, Deputado Espertão, agora com ares de malandro federal, sentenciou: - Deixa com a gente, presidente. Pode ir preparando as declarações e os discursos. Vai ser vapt-vupt.

Como a tramoia magistral gorou por inconsistência jurídica, é fácil supor que o tal magistrado, que deu sucessivas canetadas durante o plantão, vai ficar se explicando pelo resto da vida.

Vitória, 11 de julho de 2018
Alvaro Abreu
Escrita para A GAZETA

13.7.18

Ensaio fotográfico

O olhar curioso e espontâneo da Lara

Crônica diária

Só no Brasil

Só aqui elegemos um índio pelo Partido Trabalhista - Mario Juruna.
Só aqui temos um Presidente que usa Lima no lugar de "laranja". Temer. 
Só aqui um torneiro mecânico, que perdeu um dedo, aposentou-se, fundou um partido e virou Presidente - Lula (Hoje preso por corrupção e chefiar uma quadrilha que assaltou o país).
Só aqui um juiz plantonista, num domingo, manda soltar o presidente condenado, em uma hora. A decisão  foi cassada, mas depois de muitas horas.
E pretendemos salvar a pátria com um capitão - Bolsonar. Só aqui.

12.7.18

Ensaio fotográfico

A montanha de bronze e dois cinzeiros, na visão da Lara. Julho 2018

Crônica diária

Sou radicalmente contra radicais

Não costumo seguir a manada. Sempre fui assim. No tempo de colégio (fui candidato a presidente da UPES -União Paulista de Estudantes Secundários) fui derrotado pelo José Alvaro Moesés ( hoje sociólogo) que era tido como o candidato da esquerda. Mas a direita achava que eu era comunista. Na eleição do Collor briguei com muitos e velhos amigos que participaram ativamente da campanha e das "sobras de campanha". Deu no que deu. Recentemente fui voz isolada a favor do impinchamento do Temer no momento do escândalo do Joesley Batista: "Tem que manter isso, viu?". Escrevi contra a postura ambígua, fraca, e desastrosa do PSDB, como oposição,  durante todo o governo Dilma. Continuei a criticar e prever o esfacelamento político e moral desse partido aliado ao MDB durante o governo atual do Temer. E minha postura radicalmente contra a esquerda (Ciro, Manuela, Boulos, Haddad) é a mesma contra a direita radical, representada nesse momento pelo medíocre sargento Bolsonaro. Não se iludam eleitores do agronegócio, das instituições financeiras, da classe média que tem horror aos comunistas, o caminho para a saída do atual impasse brasileiro não transita pelo radical e despreparado deputado. Em tempos passados o descontentamento do eleitor carreava votos para um cacique Juruna*, um palhaço Tiririca, um rinoceronte Cacareco*, mas não chegavam ao ponto de um Bolsonaro. Quem teme bandidos e contrata sua segurança com milícias, sabe o risco que corre.

* Mário Juruna foi um líder indígena filiado ao Partido Democrático Trabalhista,  primeiro e único deputado federal indígena do Brasil. E dizem que índio detesta trabalho.

*Cacareco foi uma rinoceronte fêmea do Zoológico do Rio de Janeiro emprestada ao Zoológico de São Paulo que nas eleições municipais de outubro de 1959 da cidade de São Paulo recebeu cerca de 100 mil votos.

11.7.18

Ensaio fotográfico

Dois cinzeiros de prasta, no olhar da Lara

Crônica diária

                                                                                                           Desenho de Dudi Maia Rosa
Uma nova oferta

Em 4 de Novembro de 2014, portanto, há quase quatro anos, escrevi uma crônica ilustrada com desenho do artista plástico Dudi Maia Rosa. Ele procurava um carro para o filho João. Eu gostei do desenho, e como tinha um automóvel com as características que o Dudi procurava, ofereci o meu e fechamos negócio. Hoje volto a usar o mesmo desenho para oferecer o Hyundai, Elantra, 2015, preto, completo com bancos de couro, com incríveis 11 000 Km, pela pechincha de R$ 69000,00. Mosca branca, Como já dizia na crônica de 2014 detesto essa de "semi novo". Ou o carro é zero e custa R$23000,00 a mais, ou é usado. Como atenuantes pode ser de um único dono, e ter uma quilometragem tão baixa, e um estado de conservação impecável que o torna único. Quem tiver interesse que se apresse. Oportunidades como essa não aparecem todos os dias. 

PS- Fotos e detalhes técnicos no site:  https://www.webmotors.com.br/comprar/hyundai/elantra/2-0-gls-16v-flex-4p-automatico/4-portas/2014-2015/24293267?idcmpint=t1:c17:m07:webmotors:clique_card_resultado_busca::anuncio-normal-pos-11&utm_medium=calhau&utm_campaign=clique_card_resultado_busca&utm_content=anuncio-normal-pos-11

10.7.18

Ensaio fotográfico

O
O olhar fotográfico da Lara é muito curioso e específico. Detalhes que  não chamariam atenção de um adulto, ou não estão à altura de seus olhos. Sola do meu sapato, unhas da vovó, papel carimbado por ela, mão e relógio do vovô. Todos os enquadramentos são mantidos rigorosamente como foram captados. Às vezes a falta de foco, é culpa da máquina, automática. Julho 2018

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