27.6.18

Crônica diária

As peripécias do Leonardo

Dado o sucesso que as histórias do Leonardo tem feito, conto outra de quando tínhamos vinte anos. Ele foi para a Europa numa viagem de férias. Em Veneza, já nos últimos dias antes do retorno, na praça San Marco, sentado num dos cafés notou uma linda morena, acompanhada de dois rapazes, algumas mesas longe da sua.  Esperou que os três levantassem e resolveu segui-los. Ela também percebeu que estava sendo seguida, conversou com os rapazes que tomaram uma outra direção, e ela veio ao encontro do Leonardo. Ele certo que era uma linda italiana, e ela certa de tratar-se de um rapaz da terra. De pronto seus sotaques desfizeram qualquer expectativa. Ele um brasileiro e ela uma norte americana. Andaram por Veneza conversando e se conhecendo. Ele ficou sabendo que os dois rapazes eram gays e amigos dela. Ela desquitada, e prestigiada criadora de moda nos Estados Unidos. A noite foram os quatro jantar juntos. Com o aval dos amigos, o Leonardo foi dormir no hotel da designer. Ao tomar conhecimento de que estava voltando para o Brasil no dia seguinte, ela inconformada, convidou-o para passarem mais uma semana em Roma. Ele havia estado lá dias antes. Seu dinheiro de viagem estava perto de zero. Ela perguntou se ele não tinha cartão de crédito. Naquele tempo era impensável para uma americana viajar sem ele. Mas no Brasil ainda era raro, e muito menos o internacional. O Leonardo nem sabia o que era isso. Ela achou graça. Mas ele disse que iria telegrafar para São Paulo e seu pai enviaria uma quantia em dólares para algum banco em Roma. Adiou sua passagem de volta, e passaram uma semana em Roma. A design queria sexo, no mínimo, três vezes ao dia. Ele deixava o hotel pela manhã, assim que abriam os bancos, atrás da esperada remessa do pai. E nada dela chegar. Ele aflito e sem graça de ver a design pagando almoços,  jantares, taxi e etc... E exausto sexualmente. Mas ela tinha além de tudo humor. Percebendo o mal estar causado pela falta de dinheiro do Leonardo, certa noite saiu do banheiro com um rolo de papel higiênico, e fez ele anotar quanto estava devendo, e assinar. Tudo isso durante boas champanhes. Deram muita risada, abraços e beijos. Chegou a data do embarque e nada da remessa. Foi quando ela disse: "Não se preocupe, você foi meu convidado. Agora serei sua, no Carnaval  do Rio de Janeiro. Combinado?" O Leonardo não teve escolha. Três meses depois recebeu um telegrama da designer informando dia e hora em que chegava ao Rio. Ele estava namorando uma antiga paixão, e a ultima coisa que desejava era passar o carnaval com a americana. Mas dívida é para ser paga. Alugou, em cima da hora, um apartamento em Copacabana, pois os hotéis estavam lotados e caríssimos. Convidou um primo solteiro, e boa pinta, para irem para o Rio, e foram recebe-la no Aeroporto. No trajeto para o apartamento o Leonardo foi direto: "Estou namorando e não vou poder ficar com você, mas sua estadia esta toda paga. Meu primo é muito simpático e vai proporcionar o melhor carnaval que o Rio pode oferecer. E o Leonardo voltou para São Paulo. O primo teve, de graça, um maravilhoso carnaval carioca. Ela nunca mais deu notícias. 

PS- Quanto à remessa, o City Bank não tinha agência em Roma. Ela nunca foi feita. Mas em 1962 nem telefone internacional , nem cartão de crédito eram comuns. Contando hoje, parece impossível. Viajava-se com traveller-cheques, ou dólares em espécie.

Um comentário:

João Menéres disse...

O que se passou em Veneza com o seu amigo, é uma aventura FANTÁSTICA, Eduardo !

Só me surpreende o facto de, com VINTE ANOS ( ! ), ao fim de meia dúzia de dias, se sentir exausto.
E mais não digo...

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