17.5.18

Crônica diária

 Olhem só que boa história

Foi despretensiosamente que uma amiga, que anda na casa dos oitenta anos, contou me durante um almoço a história que se segue. Era uma vez, como todas as velhas historias começavam, um menino muito pobre na cidade de Assis. Abandonado pela mãe foi criado por um professor muito generoso e conhecido na cidade. A criança revelou-se excelente aluno. Era muito esperto e inteligente. Ela não soube explicar a razão do apelido desse garoto, mas era chamado de Escrito. Passado alguns anos depois que saiu de Assis e foi morar em São Paulo, ela o encontrou muito bem vestido, educado e no meio de senhoras da sociedade com casacos de pele que se usavam na época. Trabalhava como secretário do Olavo Fontoura. Depois não soube mais do Escrito. Passados muitos anos apareceu em Assis a CIA procurando por ele. Em 1960 a atriz Sophia Loren foi vítima do  roubo de todas suas joias. Esse fato, à época, foi manchete em jornais no mundo todo. O Escrito nunca mais voltou a Assis, e ninguém dele teve mais notícia. Essa história maravilhosa não me saiu da cabeça. Daria um romance policial fantástico. Mas minha amiga, e seus amigos de Assis, que lembram desse caso, nada mais sabem além disso. Procurei me informar pelo Google e não achei nenhuma outra informação além de uma resenha da sua autobiografia. Na resenha o roubo citado era o do The Cat, ocorrido em Londres. As informações não batiam. Minha amiga poderia estar equivocada. Não teria sido a CIA e sim a Scotland Yard, e não nos Estados Unidos mas na Inglaterra. Comprei o livro "Ontem, hoje e amanhã", A minha vida, Sophia Loren. Lá nas páginas 219 e seguintes aparece a história do The Cat. Entrei em contato com minha amiga e contei a história do furto na Inglaterra. Ela achou muito estranho, mostrando convicção de que teria sido nos Estados Unidos. De fato, em 1970, e a partir das páginas 231 em diante, Sophia narra o segundo roubo, e esse no coração de Manhattan, no vigésimo andar da Hampshire House quando foi acordada com dois homens no quarto. O concierge do hotel com um enorme molho de chaves na mão, e um outro homem com um revolver, anunciando o assalto. Este usava peruca, bigode postiço e óculos escuro. É tudo que ela lembra. Pela história da minha amiga, esse fantasiado seria o Escrito. Dez anos antes, quando do roubo na Inglaterra Sophia sofreu e chorou muito. As joias tinham um grande valor, mas sobretudo eram como troféus que a atriz colecionava, fruto do seu trabalho e de presentes do Carlo, seu marido. Chorou durante a noite do roubo, e na manhã seguinte, no set de filmagem foi consolada pelo ator Peter Sellers que presenteou-a, em nome de toda equipe, com um broche. E de Vitório De Sica que fazia uma ponta nesse filme, ouviu as seguintes palavras que nunca mais esqueceu: "Não desperdice suas lágrimas, dona Sophi. Nunca chore por algo que não possa chorar por você."Dez anos depois, e desse segundo assalto, jurou nunca mais usar joias. 

2 comentários:

Jorge Pinheiro disse...

Desconhecia totalmente.

Gaspar de Jesus disse...

Também nunca tal ouvi.
Com ou sem "escrito" esta é (poderia ser)uma bela História.

AS POSTAGENS ANTERIORES ESTÃO NO ARQUIVO AÍ NO LADINHO >>>>>

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