31.5.18

Um foco de luz

Piacaba, Maio de 2018

Crônica diária

Houve de tudo

Qualquer outro tema fica irrelevante diante do caos de abastecimento, da paralisação das montadoras e outras indústrias, de diferentes setores, dos prejuízos incalculáveis no agro negócio, e no comercio em geral. Todas as benesses oferecidas pelos governos nas três esferas, federal, estadual e municipal, que atenderam todas as reivindicações dos grevistas e não foram suficientes para levantar a greve, instantaneamente, causou e continuará causando prejuízos incalculáveis ao país e à sua população. O Brasil que não sofre com a neve nos invernos, com calamidades sísmicas de monta, com vulcões ou tornados que fustigam grande parte de países pelo mundo, tem caminhoneiros e uma politica de distribuição de toda sua produção, agrícola e industrial, além dos insumos, por rodovias. Com a greve que assolou o país ficou demonstrada a importância e capacidade dessa categoria. Num primeiro momento a população, que esta no limite de sua tolerância, até apoio o movimento, que depois transgrediu qualquer limite tolerável, e até compreensível, de suas reivindicações iniciais. No meio desse desabastecimento nacional nunca visto, houve de tudo. Ciumeira entre o governo federal e o governador de São Paulo. Governadores de outros estados que tentaram se fazer de "mortos" para não ter que ceder em impostos estaduais. Tentativa de culpar o Presidente da Petrobras, Pedro Parente, por tudo que ocorreu. Houve de tudo. Até caminhoneiro sendo espancado na cabine de seu caminhão, apesar de ter sido liberado para trafegar. Houve de tudo. Botijão de gás de cozinha vendido por R$ 150,00, mais do dobro do preço normal, que já é um absurdo. Houve de tudo. E ainda muita coisa esta por haver.

30.5.18

Estou lendo um livro cuja história se passa em Roma

Italia

Crônica diária

A força do WhatsApp

A razão da absurda falta de informação do governo sobre a grave dos caminhoneiros foi causada pelo fato de que toda a comunicação entre os grevistas foi feita pelo WhatsApp. Esse instrumento de comunicação social é uma rede fechada onde ninguém tem acesso. Nem os órgãos de inteligência dos governos. Essa tática, porém não é nova e tão pouco uma jabuticaba. Foi usada nas rebeliões da Primavera árabe, e em vários movimentos de massa, exitosas, na Europa. Outra característica do movimento dos caminhoneiros é que não havia uma liderança vertical, clara, nacional, com quem negociar. Ela era horizontal e dispersa. Onde só os grevistas ditaram as condições do acordo. Não houve negociação. O governo cedeu em todas as exigências. Foi uma capitulação.

29.5.18

Bandeira

Um clips, um prego e um ímã.

Crônica diária

Tente explicar para um cafona o que ele é

Ao encontrar um indivíduo com dente de ouro aparente, palito no canto da boca, usando chapéus de aba de dois centímetros, que podem ser de feltro ou de palha. Camisa florida aberta no peito até próximo do umbigo. No pulso correntes de ouro, relógios enormes e no pescoço, um ou mais cordão dourado. Algumas tatuagens. Essa figura é um cafona. Mas tente convence-lo disso.

28.5.18

Pragas e fungos

Na casca de uma árvore. Piacaba. Maio 2018

Crônica diária

Aviso aos navegantes

Sete dias de greve e o Brasil parou. Deixei de comer verduras e frutas por absoluta falta de abastecimento. Senti no estômago o efeito nefasto da greve. Mas isso é nada comparado com a falta d´água, sangue, medicamentos, transporte funerário, aéreo, coleta de lixo, limpeza das cidades, e escolas fechadas. Para aqueles que não acreditavam que um dia poderíamos chegar à absurda situação da pobre e desgraçada Venezuela ficou demonstrado que bastam sete dias de greve. Não sou dos que acreditam nas teorias da conspiração, creditando a organização e sucesso da greve ao movimento de esquerda brasileiro. Essas lideranças CUT, MST, e Partido Comunista continuam sempre pegando carona em movimentos e protestos legítimos. A greve das transportadoras, chamada de  paralisação dos caminhoneiros que tem suas raízes na crise industrial brasileira, no baixo valor dos fretes, nas prestações das frotas renovadas, que culminou com o absurdo reajuste dos combustíveis quase diariamente. Com isso não estou condenando a política de preços da Petrobras, a forma como foi repassada para a população. Um reajuste, para cima ou para baixo, levando em conta o preço internacional, e o valor do dólar, pode ser perfeitamente repassado mensalmente. Previsibilidade é fundamental para o bom desempenho da economia. Posto isso, a responsabilidade acaba totalmente no colo do governo. Só ele foi o responsável pelo caos em que vivemos. Falta de inteligência, de informação a governantes despreparados e só preocupados em salvar as próprias peles, e concorrer nas eleições que garantirão fórum especial para corruptos e quadrilheiros. Como junho de 2013, os sete dias da paralisação dos caminhoneiros ficará na história, e deverá servir de aviso aos navegantes.

27.5.18

A viagem a Cuba





As imagens alegres falam por si.

Crônica diária

 A greve, a falta d´água e o preço da batata

Quem poderia imaginar que uma paralisação nos transportes rodoviários afetasse o fornecimento de água como afetou no Rio e na Bahia. Não me refiro aos caminhões pipa. É da água na torneira que estamos falando. Acontece que a água antes de chegar no consumidor passa por um tratamento, e a falta de produtos químicos, que são transportados via terrestre, impede o fornecimento normal da água. Por outro lado quem tinha um saco de batata que custava R$ 70,00 vendeu por R$ 500,00. É a tal lei da oferta e da procura. E sempre tem um espertalhão.

26.5.18

VOVOZAR


Agradeço e recomendo o livro da Maria Heloisa Da Silva Ramos, com muito humor e magnificamente ilutrado pelo amigo Luiz Briquet.

Crônica diária

Mais alguns comentários sobrte a greve das transportadoras

Ontem me alonguei porque a greve das transportadoras (cuja lei veta fazer greve, e usou seus empregados e motoristas autômatos para fazerem a paralisação que se denominou "de caminhoneiros") foi muito grave. As consequenciais serão sentidas ao longo dos próximos meses. E claro, vai refletir na campanha e eleições de outubro. As causas desse movimento foram, enganosamente, só o preço do diesel. Elas começam anos atrás quando a economia dava sinais de recuperação, e o governo incentivou os caminhoneiros e transportadoras a renovarem suas frotas. Houve financiamento e aumento de produção industrial nas montadoras de caminhões. Depois a crise econômica se agravou, os fretes escassearam, e os donos de caminhões passaram a ter dificuldade em pagar as prestações. A política de preços adotada corretamente pela Petrobras, se viu na contingência de fazer aumentos sucessivos, diante do súbito aumento do barril de petróleo (de $20 para $80 dólares) além da alta do dólar. Esse foi o estopim para deflagrarem a greve. Concordo que é impossível variação de preço dos combustíveis como vinham ocorrendo. Não há como poder cobrar um frete sem saber quanto vai custar o transporte. Um caminhão que sai de Belém para Porto Alegre, numa viagem que pode levar uma semana, sofre só durante esse período três a quatro reajustes. Na grande maioria para cima. Os reajustes para baixo quase nunca chegam às bombas dos postos. Impossível trabalhar com essas variações. Mas há maneiras da Petrobras reajustar o preço, para baixo ou para cima no máximo uma vez por mês. Outra providência é a retirada da carga tributária sobre combustíveis. E para compensar a falta desses recursos é modernizar o gerenciamento dos serviços públicos. Menos corrupção, Estado menor, mais eficiência e menos impostos. E como ultimo comentário é inadmissível um governo tão mal informado como o nosso. O que estão fazendo os serviços de informação? Ou não temos?

Aviso que recebi da UE para meu blog

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25.5.18

Mais Cuba e bicicleta

 Pousada em Havana
 Victor, amigo Russo
 Comidinha local
Pedro Lenci no café da manhã
Fotos Guilherme

Crônica diária



A força das transportadoras (a greve é delas e não dos caminhoneiros)

Aquilo que o MST e a CUT sempre prometeram e nunca conseguiram os caminhoneiros em nome das transportadoras, grandes e pequenas o fizeram. Parar o país durante 4 dias, e sem previsão de levantar a greve. Uma paralisação de proporções inéditas. Pegou o governo (governo??) desprevenido e despreparado para enfrentar o gravíssimo problema. Pedro Parente, Presidente da Petrobras aparece para propor uma redução de 10% durante 15 dias, mas avisa que é só para desanuviar o ambiente. No dia seguinte o governo (sempre ele) dobra esse prazo. Isso se chama interferência na estatal. A bolsa de valores cai. O dólar sobe. A dúvida agora é se a política de preços da empresa continuará o mesmo. Quanto à crise quem deve resolver o problema é o governo (que governo??) e os líderes do movimento. O governo fez uma proposta para reduzir alguns impostos, e as lideranças estão divididas e até este momento não haviam dado a resposta. O país e sua população sofrem com falta de abastecimento de combustíveis (todos: diesel, álcool, gasolina e combustível para a aviação). As companhias aéreas estão cancelando voos. Já há desabastecimento nos supermercados. Os ônibus das grandes cidades já circularam com 40% da frota por falta de diesel. A coleta de lixo esta prejudicada pela mesma razão. O atraso das cargas e descargas nos portos causam prejuízos enormes. As montadoras de veículos só têm peças para linha de montagem por mais algumas horas. Isso sem falar nos produtores rurais. Calculem os prejuízos com essas paralisações. O movimento tem caráter nacional. Os meios de comunicação só mostram os grandes centros. Mas de norte ao sul milhares de pequenas cidades na quarta feira já não tinham mais nenhum combustível nos postos. E os que ainda tinham álcool ou gasolina atendiam filas quilométricas. Mas ambulâncias e ônibus escolares corriam o risco de não poderem circular. Esse é o Brasil que o Lula preconizava em seus últimos comícios. Para aqueles que preconizam quanto pior melhor, a semana foi um sucesso. Concluindo: 50% de imposto num produto que grande parte é produzida no país, não justifica aumentos diários baseados nos preço internacional (de $20 para $80 dólares o barril), tão pouco a alta do dólar. Só reduzindo drasticamente os impostos, para mais uma vez não penalizarem, criminosamente, a Petrobras, e permitindo  aumento de frete das transportadoras ( que deveria acompanhar os preços dos combustíveis) para que o mercado se ajustasse livremente. Menos imposto e mais eficiências nos gastos públicos. Menos corrupção para compensar a diminuição dos impostos. A população com mais recursos injetando esse dinheiro na economia faria a máquina voltar a rodar. Quanto menor for o Estado, maior e melhor serão os serviços. Videm telefonia, para ficarmos, só num recente exemplo. Não adianta a Petrobras, como estatal, ser usada como instrumento de governo. "O petróleo é nosso", mas muito caro. E caro porque muito taxado. Transporte caro gera aumento de preços. Consequentemente inflação. E essa história todos estamos cansados de conhecer.

24.5.18

Guilherme e Pedro Lenci em Cuba

 Pousada onde se hospedaram. As bicicletas serão o transporte durante a viagem.
 As bicicletas na mala e sendo montadas

 Pedro Lenci, meu afilhado, e um cubano
 Victor amigo ciclista russo e Pedro montando a roda da bicicleta

Crônica diária

A ditadura das minorias

O caso recente da reeleição fraudulenta do motorista de ônibus que se tornou ditador da Venezuela demonstra cabalmente que um terço dos eleitores podem ser maioria. Basta excluir do pleito os alfabetizados, os esclarecidos, em suma, a oposição. Aqueles que ou por estarem presos por fazer oposição ao regime, ou os que não comparecendo às urnas quiseram demonstrar o descontentamento com Maduro, que desta concluindo a obra iniciada pelo coronel Chaves. Destruir a Venezuela. Aqui no Brasil um líder de uma quadrilha criminosa, preso cumprindo pena de mais de doze anos, ainda detém trinta por cento dos eleitores. São em sua larga maioria analfabetos e completamente desinformados. Mais uma vez uma minoria lidera as intenções de voto de um sentenciado por formação de quadrilha, corrupção e lavagem de dinheiro. Claro que não será homologada a candidatura, mas demonstra como minorias desprovidas de qualquer competência podem formar maiorias. Basta alimentar o analfabetismo, a desinformação, corrompe-los com bolsas de todo tipo, e continuar no poder por tempo indefinido. Como ultimo dado inacreditável o PT e seu dedo mindinho, Partido Comunista, foram os únicos a se manifestarem apoiando a reeleição do Maduro, além de Cuba , Rússia e China que são clientes do petróleo venezuelano.

23.5.18

Olhem que lindos

Pés

Crônica diária

 Para os descrentes como eu

Hoje escrevo para os descrentes com a política brasileira. Ao contrário dos historiadores que vasculham o passado, esta crônica visa registrar, um fato atual, para os leitores do futuro. O presente texto é o de número 190 do livro de crônicas que vai se chamar "Cronicante" quando for publicado no ano de 2020. Me explico: estas crônicas diárias são reunidas em trezentas e publicadas em livro de papel dois anos depois. Qual será o humor dos meus leitores em 2020? O que terá acontecido nas eleições de outubro de 2018? E como estará o país dois anos depois? Para esses leitores de 2020 quero relembrar que o Brasil em 2018 colocou na cadeia os três homens mais importantes desta triste república. Lula, Dirceu e Palocci estão presos. É quase um sonho, se as razões de suas prisões não fossem um grave pesadelo. Mas é um fato tão auspicioso, tão pouco crível, que nos deixa esperançosos de que o Brasil pode mudar. E não são só os três. Maluf foi para a cadeia. Cabral pelo tamanho da pena, deve morrer nela. Eduardo Cunha, a quem devemos o impeachment da Dilma, esta atrás das grades. Ainda faltam centena deles. Infelizmente políticos de todos os partidos. Aécio, Renam, Jucá, Gleise atual presidente do PT, e certamente o Temer (atual presidente do país) e seus principais ministros encontrarão a hora para fazer companhia ao Lula, Dirceu e Palocci. A justiça esta cuidando disso.

22.5.18

Salva vida

Praia de Ibiraquera, Maio, 2018

Crônica diária

Casamento real

A Inglaterra acaba de dar mais uma magnífica demonstração de organização, civilidade e pontualidade. O casamento real sempre é uma boa oportunidade para os ingleses mostrarem ao mundo como se organiza uma festa. Como se cuida de um castelo. O maior e mais antigo castelo habitado da Europa. Os jardins de proporções gigantescas sem uma folha fora do lugar. A segurança ostensiva, mas ao modo britânico de ser. Gentil, sorridente, mas atenta. Da carruagem ao carro esporte mostrando que pode haver tradição ao lado de modernidade. Uma festa ao ar livre para mais de mil convidados onde puderam fazer pic-nic como nos contos de fadas. Milhares de pessoas nas ruas festejando o matrimônio, portando orgulhosamente as bandeiras do Reino Unido. Na cerimônia religiosa nenhum deslize. Todos se comportando como manda o protocolo. E o show dado pela TV inglesa que distribuiu, em tempo real, para o planeta, as imagens de civilidade e pontualidade de que tanto se orgulham.  

Crônica diária

 Para os descrentes como eu

Hoje escrevo para os descrentes com a política brasileira. Ao contrário dos historiadores que vasculham o passado, esta crônica visa registrar, um fato atual, para os leitores do futuro. O presente texto é o de número 190 do livro de crônicas que vai se chamar "Cronicante" quando for publicado no ano de 2020. Me explico: estas crônicas diárias são reunidas em trezentas e publicadas em livro de papel dois anos depois. Qual será o humor dos meus leitores em 2020? O que terá acontecido nas eleições de outubro de 2018? E como estará o país dois anos depois? Para esses leitores de 2020 quero relembrar que o Brasil em 2018 colocou na cadeia os três homens mais importantes desta triste república. Lula, Dirceu e Palocci estão presos. É quase um sonho, se as razões de suas prisões não fossem um grave pesadelo. Mas é um fato tão auspicioso, tão pouco crível, que nos deixa esperançosos de que o Brasil pode mudar. E não são só os três. Maluf foi para a cadeia. Cabral pelo tamanho da pena, deve morrer nela. Eduardo Cunha, a quem devemos o impeachment da Dilma, esta atrás das grades. Ainda faltam centena deles. Infelizmente políticos de todos os partidos. Aécio, Renam, Jucá, Gleise atual presidente do PT, e certamente o Temer (atual presidente do país) e seus principais ministros encontrarão a hora para fazer companhia ao Lula, Dirceu e Palocci. A justiça esta cuidando disso.

21.5.18

O morro trás da Piacaba, visto da praia

Praia de Ibiraquera, Maio, 2018

Crônica diária

Escrito de Assis

Meu amigo e escritor Roberto Klotz fez o seguinte comentário com relação ao meu texto onde levanto a possibilidade do roubo das joias da atriz Sophia Loren ter sido cometido pelo Escrito, um paulista do interior de São Paulo.
 "Roberto Klotz Obrigado. Acabei de conhecer mais um ilustre famoso da cidade, além do Machado de Assis. (antes que alguém diga: Machado nasceu no RJ)."
O Roberto, sempre um brincalhão, faz piada com nosso escritor maior e a cidade onde nasceu o Escrito. 
Pensando nisso lembrei dos sobrenomes inconvenientes. O que teriam pensado os membros da família Pinheiro, quando alguém por casamento, se torna Pinheiro Machado.
Ou minha amiga Roberta Machado que se casou com Otávio Longo. Tiveram três filhos Machado Longo. 
E para concluir, o casamento que não aconteceu, do arquiteto Botti com a irmã da minha amiga Vera, que tem como sobre nome: Serra. Dulce Serra Botti não combinava.

20.5.18

A luz e o gato


Maio. 2018

Crônica diária

Não tire conclusões antes de terminar a leitura

Com a história do ladrão das joias da Sophia Loren que li na página 219 da sua autobiografia concluí que o ladrão seria o Escrito, nascido be criado em Assis, no Estado de São Pulo. Ledo engano. O Escrito não teria ido a Londres para perpetrar esse crime, esperar prescreve-lo e enviar uma carta para a atriz, assinando The Cat. Quem nasce em Assis, e lá é criado não tem essa fleugma inglesa. Continuando a leitura do citado livro na página 232 encontrei o verdadeiro ladrão, ou o verdadeiro roubo do nosso ladrão paulista. Sophia para descreve-lo usou a palavra "carnaval", pois ele estava fantasiado com peruca, bigodes pretos e óculos escuros. Era a imagem que uma napolitana tem de um carnavalesco. Ao ter tirado  conclusão na página 219, apressadamente, lembrei-me de um outro fato que me ocorreu muitos anos atrás. Éramos jovens e ganhei do Fernando, então namorado da Sonia Cardoso de Almeida, minha madrinha de casamento, um livro sobre hipnose. Com a mesma imprudência, antes de concluir a leitura do livro resolvi testar meus incipientes conhecimentos hipnotizando a amiga Lu Rodrigues. Ela, apesar de ter concordado, resolveu me desmoralizar. Entrou em profundo sono hipnótico, mas negou-se acordar sob os meus repetidos comandos. Entrei em pânico. Achei que tinha matado a moça. Corri em busca do livro, e nele de alguma luz de como agir nessas circunstâncias. Claro que a Lu despertou e riu muito em me ver naquele estado de aflição. Nunca mais brinquei de hipnotizar.

19.5.18

Contra luz

Ibiraquera, Maio, 2018

Crônica diária

 A banalização dos atos solenes

E quando falo de banalização de atos solenes refiro-me a atos que podem mudar a história da humanidade, e não de fatos corriqueiros. Os presidentes das maiores potencias do planeta passaram a se comunicar com a imprensa e com as populações, através de redes sociais. Um Twitter de três linhas informa que os Estados Unidos, através de seu presidente, rompeu o acordo nuclear com o Irã, por exemplo. O que até pouco tempo atrás era informado com pompas e circunstâncias virou um mero comunicado digital. As reações, da mesma forma, levavam um tempo para serem divulgadas, com as formalidades de praxe. Púlpitos, microfones, bandeiras, porta vozes, autoridades, imprensa, fotógrafos. Hoje as reações vem em poucos minutos pelas mesmas vias digitais. Tudo muito rápido, e sem cerimônia nenhuma. Twitter pra cá, Twitter pra lá, e as notícias, como a vida, seguem.

Crônica do Alvaro Abreu

Emoções futebolísticas


Vi na TV que o Tite havia anunciado a lista dos jogadores convocados para disputar a Copa do Mundo lá na Rússia. No avião, na falta do que fazer, li todas as matérias e opiniões de especialistas sobre as escolhas do treinador, suas filosofias de arrumação do time e suas estratégias para controlar o jogo, coisa que não faço há muitos e muitos anos. Faz tempo que parei de ler o jornal de trás pra frente e nem sei explicar as razões de ter abandonado as páginas sobre esportes em favor das que trazem notícias sobre política e economia. Nunca fui vidrado em futebol, mas percebo que meu interesse por jogos, clubes, jogadores e CBD agora está bem perto do zero. Imagino que algo parecido esteja acontecendo com muitos brasileiros e não acredito que seja apenas em função do tragicômico 7x1 contra aqueles alemães profissionais.

Na infância, torcia a favor do Cachoeiro e, mais do que isso, contra o Estrela, nosso inimigo dentro de campo. Isso tudo por influência de papai, um torcedor convicto. Mais tarde, a exemplo do que todo capixaba fazia, adotei um time carioca, o Fluminense, pra chamar de meu. Na nossa rua, o tricolor tinha uma torcida expressiva e vibrante, liderada por Dona Ormandina Benezath. Aqui na ilha, o Rio Branco nunca me entusiasmou e acabei adotando o Vitória, sem que tenha ido a campo para vê-lo jogar uma partida sequer.

Me lembro como se fosse hoje de ter acompanhado pelo rádio o jogo em que nosso escrete conquistou a Copa do Mundo, em 1958, mas guardo poucas cenas da conquista em 1962, no Chile. Assisti na televisão colorida da casa dos vizinhos de frente os jogos do Brasil na Copa de 70 e ajudei a popularizar os palavrões nas comemorações lá no centro da cidade. Se das conquistas nos USA e no Japão restam lembranças embaralhadas, guardo viva a decepção com a desclassificação, imposta por Portugal, em 1966. Os ônibus que levavam os atletas capixabas para os Jogos Universitários, em Curitiba, pararam num posto de gasolina para que pudéssemos acompanhar o final da partida. Melhor se tivessem seguido viagem.


Vitória, 16 de maio de 2018
Alvaro Abreu
Escrita para A GAZETA

18.5.18

Nos pilares do portão da PIACABA




2018/ Maio Piacaba

Crônica diária

A ideia é tão boa que Hergé já a usou

Capa do álbum "Les Bijoux de la Castafiore",da série de HQ "Les Aventures de Tintin", criadapelo cartunista belga Hergé (Editions Casterman)Nela, a cantora lírica Bianca Castafioreaparece cantando ao lado de um piano,  enquanto é filmada e assistida por várias pessoas. Em prime iro plano, o protagonista Tintim fazum gesto pedindo silêncio.

Ontem  contei as histórias dos dois roubos das joias da atriz Sophia Loren nos anos de 1960, e de 1970". Quando soube das histórias me apaixonei pela ideia de escrever um romance policial baseado no segundo assalto, que teria sido perpetrado por um paulista do interior do estado. Em 1963, três anos depois do primeiro roubo, o famoso belga Hergé, publicou uma ficção com seu herói dos HQ "Les Aventures de Tintin". O  "Les Bijoux de la Castafiore" (As Joias da Castafiore), publicado pelas Editions Casterman (Bélgica). Nele, o protagonista - o jovem repórter Tintin - tenta solucionar o caso do sumiço das joias de Bianca Castafiore, uma glamourosa cantora lírica italiana que, volta e meia, aparece em suas histórias. Com muito suspense - e boas doses de humor -, Hergé mostra toda a confusão resultante de um "roubo", que, no final, é resolvido. Mas, se o caso das joias de Castafiore foi solucionado pelo jovem herói. O mesmo não se deu com o fato real que o inspirou -- o roubo das joias de Sophia Loren na Inglaterra.
   É meu desejo de voltar ao tema, com  mais profundidade.

Comentários que valem um post

Alvaro Abreu



Bola cheia

Bom dia, Eduardo.

O seu Varal de hoje está cheio de peças interessantes, começando por simpáticas e consistentes palavras portuguesas sobre as suas palavras paulistas escritas na forma de contos. A história do tal Escrito é de encasquetar,
*************************************

17.5.18

João Menéres e o CONTOS URBANOS


Fui mudando de página com inusitado interesse
No conto AMIGOS PARA SEMPRE, o Eduardo relata-nos com leveza a vida de quatro amigos e de três mulheres em diversos momentos.
Aborda preferências de cada personagem e até toca no futebol ao lembrar que “ Mais do que ter uma religião, no Brasil todos devem torcer por um time. “
Pois, digo-lhe, aqui ainda é famosa expressão QUEM NÃO É PELO BENFICA, NÃO É BOM CHEFE DE FAMÍLIA…
Eu, desde criança, sou simpatizante de outro clube da capital.
Mas não sou fanático !
Já no outro conto, A VIDA NO PALCO, foi uma surpresa total !
Utilizando muito bem os seus dotes literários, conseguiu sentar-me na plateia,
 Eduardo !
E sabendo que é um amante de boas tramas policiárias, nunca me preparei para um fim como aquele.
Tive a sensação que era o intervalo de uma peça em dois actos.

Muitos parabéns, meu estimado e apreciado autor !

João Menéres

AS POSTAGENS ANTERIORES ESTÃO NO ARQUIVO AÍ NO LADINHO >>>>>

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"...o Varal de Ideias é uma referência de como um blog deve ser ." Agnnes

(Caminhos e Atalhos, no mundo dos blogs)

..."parabéns pelo teu exemplo de como realmente se faz um blog...ou melhor tantos e sempre outstandings...".
(Vi Leardi )

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