31.3.18

Verde PIACABA



Três detalhes da era nas paredes da PIACABA

Crônica diária


Quem é João Amoedo?

Essa foi a pergunta da minha leitora Lucia Guedes. E ela tem toda razão em faze-la. Uma das principais condições para um brasileiro ser candidato ao maior cargo da República é ser maior de idade, ficha limpa, e reconhecido no país, como um todo,  pelas suas qualidades de gestor. Ser apenas muito conhecido como um ator, ou animador de televisão, não é o suficiente para um candidato. Pode ter popularidade, votos e nenhuma aptidão para governar um país das dimensões geográficas, e problemas abissais a serem enfrentados. Pode ainda ter aptidão gerencial mas falta de articulação e apoio político para faze-lo. Logo concluímos que além de muito conhecido, reputação ilibada, articulação no meio político, apoio de grandes e fortes partidos, o candidato precisa de carisma, boa comunicação televisiva, transito em todas as esferas da sociedade, tais como universidades, empresariado, sindicatos, patronais e operários, imprensa e muita sorte. Não é fácil descobrir entre duzentos milhões de brasileiros, um nessas condições, e com desejo de concorrer. O ambiente político putrefato não convida ninguém a dele fazer parte. Mas respondendo à pergunta da Lucia Guedes, que é a de milhares de eleitores, João Amoedo é o fundador do Partido Novo. E por ser Novo, muito pouco conhecido. Mas é sempre uma esperança. Até o momento temos quatorze candidatos ao cargo. Outros ainda estão se decidindo, e muitos desistirão antes do fim das campanhas. Até lá haverá tempo para conhecermos João Amoedo, que a meu ver não tem condições eleitorais para um pleito dessa envergadura, mas faz com sua participação a primeira aparição pública nacional, ajudando a eleger vereadores, deputados estaduais, federais, prefeitos e governadores pelo seu partido para daqui a duas ou três eleições, poder contar com o capital político necessário, para um embate desse porte.

30.3.18

Vincenzo Scarpellini

 Escultura sua em argila
 Desenho de nu
 Tela a óleo.
 Desenho
 Crayon
Vincenzo  Scarpellini, em argila,  pelo autor do blog
Foto do meu grande e saudoso amigo Vincenzo Scarpellini

Crônica diária

Trump, nem fúria, nem fogo, só vaidade

Uma clara e definitiva prova da força das instituições norte americanas é a alternância do poder entre Democratas e Republicanos sem nenhum abalo institucional. Não se ouve vozes clamando por um regime militar. Trocam oito anos de Obama, um presidente afável, instruído, negro e tido pelos republicanos como um comunista na Casa Branca, por um despreparado, inculto, muito rico e vaidoso Trump. Não li "Fogo e Fúria" mas ouvi declarações do autor sobre o temperamento do atual presidente, e suas declarações quanto a vir a ser o presidente dos Estados Unidos. Nenhuma menção em passar para a história como um patriota, estadista, com visão global, mas apenas tornar-se "conhecido no mundo todo". Pura vaidade. Nenhum projeto ou programa  novo para a América. Apenas discursos populistas, xenófobos, e retrógrados. 

Comentários que valem um post



João Menéres deixou um novo comentário sobre a sua postagem "Saleiro mágico - Odete Levenhagen Lawrie":

Peça artística e funcional !

Postado por João Menéres no blog . em quinta-feira, 29 de março de 2018 05:12:00 BRT 

*********************************************************************************

29.3.18

Saleiro mágico - Odete Levenhagen Lawrie

 Ganhei da Odete Levenhagen Lawrie um saleiro de sua autoria
Por um único furinho na parte inferior se coloca o sal, que com ele na posição vertical não sai o conteúdo. Mas ao se fazer o movimento de salgar alguma coisa sai a quantidade desejada. Um saleiro mágico, além de linda peça de cerâmica.

Crônica diária

Candidatos no atacado

Diferente das eleições anteriores, esta a Presidente conta com uma quantidade exagerada de candidatos. Curiosa essa procura pelo cargo mais importante da República. Com o país em seu mais baixo nível de credibilidade na classe política, e ao mesmo tempo com seus mais graves problemas a serem enfrentados pelo próximo ocupante do Palácio do Planalto. E tem mais, essa pulverização de candidaturas não contribui para a eleição de um líder no primeiro turno. Divide um eleitorado descrente. É com essa premissa que vamos compondo o quadro eleitoral que se desenha para outubro próximo. Temos seis meses para composições, coligações, pesquisas eleitorais, e tempo para conhecer as plataformas e ideias dos múltiplos candidatos. O certo é que só há uma vaga. E mais parece uma cadeira elétrica do que um trono dourado.  

Comentários que valem um post


João Menéres deixou um novo comentário sobre a sua postagem "Escultura do NELSON DE SOUZA":

Depois do banho é necessário tirar a espuma.
Conheço várias formas...

Postado por João Menéres no blog . em quarta-feira, 28 de março de 2018 09:37:00 BRT 

****************************************************************************

28.3.18

Escultura do NELSON DE SOUZA

Acabo de ganhar do escultor gaúcho NELSON DE SOUZA

Crônica diária

 A espera de um milagre

O Ciro Gomes será o candidato da esquerda na futura campanha à Presidência da República. Pela direita teremos o Jair Bolsonaro. Falta um candidato sério, honesto, competente, e com potencial eleitoral capaz de ganhar no primeiro turno, ou ir para a disputa no segundo. Esperamos que seja de centro. Um conciliador, que consiga unificar o país, promover as reformas necessárias, e governar para todos os brasileiros. Eu sei que espero por, quase, um milagre. Mas não custa esperar.

Comentários que valem um post



Gaspar de Jesus deixou um novo comentário sobre a sua postagem "Meus irmãos":

Gostei de ver!
Linda a sua família Eduardo.

Postado por Gaspar de Jesus no blog . em segunda-feira, 26 de março de 2018 20:49:00 BRT 

***************************************************************************

27.3.18

Meu primeiro nu importante

Num pequeno eucarex a óleo, meu primeiro nu importante. Pintura.

Crônica diária

Ficha suja

Com o julgamento dos recurso,s na segunda instância, o Lula é ficha suja. Claro que o vergonhoso e comprometido STF poderá alterar também esse detalhe da lei. Mas até que isso se consuma o ex-presidente, condenado a doze anos e um mês de prisão, só nesse processo, pois outros estão a caminho, é inelegível. Que cambalhotas jurídicas suas excelências, com a devida vênia, darão para livra-lo dessa pena saneadora imposta pela lei eleitoral do país? Continuarão abrindo um fosso entre os eleitores minimamente informados e os semi analfabetos? Continuarão a semear o ódio?

26.3.18

Meus irmãos

Paulo, Estela, Elisa e o autor do blog. 24/03/2018 Foto Cristiano Moreira

Crônica diária

Casamento na família

Esta semana tivemos um. Sou avesso a  festas grandes. Sou convidado e vou à pouquíssimas. Mas quando é da minha família tenho prazer de estar com irmãos, sobrinhos e agregados. Minha família é grande, tanto por parte de mãe como de pai. Impossível juntar todos de ambos os lados. Muita gente da geração dos meus filhos, e filhos deles já não conhecemos. Uma pena, mas a vida é assim mesmo. O casamento foi do filho da minha irmã caçula. Temos quase vinte anos de diferença de idade. Ela desde que casou mudou-se para o interior de São Paulo. Nos vemos pouco. Seus três filhos, menos ainda. Agora conheci  a esposa do Pedro. Com ele tive na vida dois ou três contatos. Casados e morando em Araçatuba provavelmente não nos veremos muito. Mas o que interessa é que meus quatro netos estavam na festa. Foi o primeiro casamento que participaram. A festa foi notadamente para a geração e amigos do novo casal. Os pais dos noivos ficaram restritos a um terço dos trezentos convidados. E fizeram bem. Festa bonita é de gente moça. 

25.3.18

Carranca

Carranca da fonte da Piacaba - 2000

Crônica diária

A defesa de Lula

O Lula plantou durante toda a vida o ódio com o discurso do "nós contra eles". Agora seu advogado José Roberto Batochio reclama que seu cliente é vítima de ódio. Quem planta colhe.

24.3.18

Escultura de conchas

Escultura de conchas

Crônica diária

Democracia, não é para amadores

É chegado o momento de manifestar com todas as letras nosso repúdio e indignação com aqueles que pensam numa saída militar para os nossos problemas. Militares no poder nunca mais. Não chega o ultimo exemplo vivido no Brasil? Não chegam os exemplos pelo mundo afora? É preciso entender que o regime democrático não é para amadores. Países pobres, subdesenvolvidos e muito atrasados são governados por ditadores, mantidos no poder por exércitos, que não admitem liberdades de qualquer tipo. O Brasil, apesar do grande retrocesso havido nos últimos quatorze anos, já superou essa fase de desenvolvimento. Temos uma democracia jovem e frágil, mas promissora. Interromper essa trajetória seria um suicídio. Não há uma crise institucional. Há crise nas instituições. Nos três poderes. E a origem dessas crises foi o longo e desastroso regime militar que acabou com os partidos políticos, e castrou uma geração. Colhemos hoje os frutos amargos que a ditadura militar plantou. Mas isso já faz parte do passado, que só relembro para ativar a memória de alguns que pensam em reaviva-lo. 

Crônica do Alvaro Abreu


Sinto muito
 
Os próximos dias serão decisivos para o futuro de Vitória: a Câmara Municipal deverá votar a proposta de revisão do Plano Diretor Urbano - PDU, que estabelece as normas relativas ao uso do solo do município nos próximos dez anos. Trata-se de um documento elaborado pela Prefeitura ao longo de meses, com a participação de muita gente representando interesses e expectativas as mais diversas e por vezes conflitantes. Eu mesmo estive em animadas reuniões para debater as condições de ocupação da gleba destinada ao Parque Tecnológico, em Goiabeiras. Convidado, estive na Câmara para opinar sobre esse tema em plenário e nos gabinetes de dois vereadores, sempre junto com outros dirigentes de uma associação de empresas do setor de tecnologia.

Dias atrás, acompanhei, calado, uma audiência organizada pela Comissão de Políticas Públicas da Câmara Municipal. Saí bem desanimado, ao confirmar que existe uma movimentação orquestrada para anular o que está consagrado no PDU de Vitória desde 1992: a designação da última gleba de terra disponível no município para instalação do Parque Tecnológico, um instrumento poderoso para estimular a realização, em larga escala, de atividades ligadas à produção de bens e serviços densos em conhecimentos técnicos, inteligência e criatividade. O fato é que tem gente operando para permitir o uso residencial naquela pequena e estratégica gleba, exatamente quando o Parque começa, finalmente, a ganhar concretude, com a construção do Centro de Inovação.

De lá pra cá, me dei conta de que a expressão “sinto muito” não me saía da cabeça, sempre presentes em frases pesarosas por perda relevante e em desajeitados pedidos de desculpas aos que também embarcaram em ideia tão promissora. Passado o baixo astral, agora me vejo na obrigação de usá-la em manifestações formais de licença para discordar de argumentações inconsistentes dos que resolveram remar contra a maré e emparedar o futuro da cidade. Aliás, acho bom que cada um converse com seu vereador em defesa do Parque. Antes que seja tarde.

Vitória, 20 de março de 2018
Alvaro Abreu
Escrita para A GAZETA

23.3.18

Montanha nº 41, agora pintada

 Montanha com cristal
Verso da Montanha nº41 com cristal, agora pintada

Crônica diária

Um país governado pelo STF

A classe política é a única responsável. O congresso em seu mais baixo nível depois da redemocratização do país deixou de cumprir suas funções, e delegou ao STF aquilo que lhe competia. Com o país completamente aparelhado durante treze anos de PT no poder, onde colocou pessoas ideologicamente comprometidas com o partido, e com seu projeto de longo prazo, saqueou as empresas estatais, corrompeu empreiteiras, e indicou seus simpatizantes e ex advogados para juízes do Supremo. Com o advento da operação Lava Jato e o crescente descontentamento de uma grande parte da população foi possível promover o impedimento da presidente Dilma, processar e condenar uma pequena parte dessa banda podre do poder. Com todos  os partidos políticos, sem exceção, comprometidos de alguma forma com os malfeitos, a classe política esfarelou-se. O povo saiu às ruas, os políticos se apequenaram, e sem condições morais entregou o governo para onze ministros do STF. Essa corte, suprema, que só teria o dever de interpretar em ultima instância a constituição, desceu a níveis de debate a questiúnculas políticas completamente fora de sua alçada. E chegamos onde estamos. Com um executivo sem nenhuma legitimidade, um congresso em compasso de espera das próximas eleições, e o supremo governando. Ontem o país parou às quinze horas para ouvir mais um julgamento da suprema corte. E o habeas corpus do Lula foi julgado. O chefe da quadrilha que assaltou o país não poderá ser preso depois de condenado em segunda instância, pelo menos até dia 4 de abril. Foi esse mais um golpe contra a Lava Jato e a favor de centena de condenados e presos por corrupção, lavagem de dinheiro, formação de quadrilha, e criminosos de colarinho branco. 

22.3.18

Revendo o passado

Alguns rabos de baleia da PIACABA. Postagem de 2009, aqui no Varal

Crônica diária

O país em seu mais baixo nível

O deputado Beto Mansur, amigo do Presidente Temer, declarou ao O Antagonista dia 19 passado que o Presidente, com quem falou por telefone, vai ser candidato. E argumentou:
“Se não for candidato, ele ficará fora do jogo e ninguém vai querer sentar para conversar com ele. Veja, Michel está com a caneta na mão, é presidente da República, tem coisas para mostrar. O cara está com 77 anos, não tem nada a perder. Ou ganha ou vai para casa. Ou você acha que ele vai ser candidato a deputado, senador? Michel, repito, vai ser candidato: vai usar o tempo de televisão do partido, vai para o debate, vai dar porrada…”
Eu faço outra leitura. Temer quer ser eleito para não ser preso. Ir para casa seria o paraíso para quem não estivesse sendo investigado pela Lava Jato. Sem foro privilegiado, sem a caneta, e portanto sem amigos, poderá ser processado, julgado, e se condenado, preso. Como presidente, continua safando-se da justiça.
Mantenho minha coerência. Fui defensor da sua saída da presidência quando do escândalo do Joesley Batista. Então seus defensores argumentavam que seria melhor ele cumprir mais um ano e meio de governo, e responder pelos crimes depois. Sempre achei um absurdo manter quem quer que seja em seu cargo, ou função, apesar das graves acusações de que é alvo, sob alegação de que sua substituição seria mais traumática para o país. Nada é mais traumático e imoral do que a impunidade. Estamos onde chegamos por conta dessa teoria. E agora quais seriam os argumentos para permitir um ficha (teoricamente) suja, (até que se prove o contrário), concorrer a reeleição? Lula condenado pela segunda instância ainda solto. O STF preparando para que caso seja preso, saia em uma semana. A eleição do Temer, que tem o maior índice de rejeição, entre os possíveis candidatos, seria o escárnio total. Era só o que faltava. Seria a perpetuação do que há de pior na política e justiça brasileira. A perspectiva de uma improvável vitória do Temer, justifica o crescimento do deboche que é a candidatura do Bolsonaro. Mas o país não merece tão baixo nível de opções.

21.3.18

Três telas da série LITORÂNEAS

 Praia da Gamboa
 Ilha do Batuta
Vista da Piacaba

Crônica diária



O balanço do jardim da casa da minha avó

Há onze dias escrevi uma crônica sobre o jardim da casa da 13 de maio, onde moravam minha avó e madrinha Nina, e meus tios Silvia e Totó. Minha prima Dora Penteado teve a gentileza de postar uma foto do balanço a que me referi no texto. Encontrei a imagem por acaso dando uma volta pelo FB. Reconheci de imediato o balanço, e depois no texto identifiquei a Dora e a dedicatória. Valeu, minha querida prima. Quantas gerações não passaram por ele! Não sabe como foi bom rever essa pontinha do velho passado. E bom saber que a família guarda essas recordações. Para seu conhecimento tenho da casa da 13 de maio a Santa Ceia de bronze que ficava na sala de jantar. É minha ponte permanente com a memória da vovó Nina. Outra lembrança que trago, já não é da casa, mas do apartamento da rua Piauí. Na parede do corredor de entrada havia uma pequena tela de uma ninhada de gatinhos. Autoria, tia Edith, irmã mais velha de minha mãe. Antes da minha mãe morrer, tentei rever essa tela, que na ocasião estava na casa do Salvio ou da Nedy. Hoje deve estar com um dos seus filhos. Gostaria muito que fotografassem e me enviassem. Foi uma pintura acadêmica que marcou-me na infância. Fica aqui o registro. E não poderia deixar de lembrar do apartamento da rua Piauí, sem mencionar dona Yayá, dama de companhia da vovó, que depois da sua morte voltou a morar em Piracicaba.

Comentários que valem um post




Bom dia, Eduardo,

Parabéns pela foto das duas placas na poste.
Uma informando o propósito e a outra, a dura realidade.

Grande abraço.

Alvaro Abreu


20.3.18

Uma foto de que me orgulho

Sem legenda. EPL

Crônica diária

As mentiras contra Marielle

Não acredite em tudo que vê ou lê aqui nas redes sociais. Tenho lido e visto notícias absurdas, fotografias montadas, difamando pessoas, denegrindo suas imagens, espalhando mentiras e inverdades. Só acredite na imprensa séria que informa a fonte e responde criminalmente pelas notícias veiculadas. Um dos alvos preferenciais dessas fake news são os políticos. Difama-los enquanto vivos, ainda que reprovável, é compreensível, pois eles próprios podem se defender. O impensável é denegrir a imagem de um político, e no caso uma vereadora, negra, ex-favelada, mãe, e brutalmente assassinada por profissionais extremamente preparados e competentes. A vereadora não foi uma pessoa qualquer. Em seu primeiro mandato, com mais de 45 000 votos, a vereadora mais votada do Brasil, e a quinta em número de votos no Rio de Janeiro. Só perdeu para outros quatro vereadores homens. E é mentira que tenha sido eleita pelo voto do trafego da Maré. Lá, e em outras favelas teve pouco mais de 300 votos. Não foi o crime que a elegeu. Mas foi vítima de um bárbaro assassinato que precisa ser esclarecido e punido exemplarmente.  

19.3.18

Do tempo que eu pintava

Gosto até hoje desta tela.

Crônica diária

A volta do povo na rua

Não há como fugir do tema. As redes sociais viralizam versões, opiniões, teses, e poemas sobre a morte da vereadora no Rio de Janeiro. É a Maré do momento. Sobram perguntas na falta de respostas. Quem matou Marielle? Com que objetivo? Até agora ninguém sabe. Há especulações de todos os tipos e de todos os matizes. Gente da esquerda interpretando pelo seu viés ideológico. Gente da direita fazendo o mesmo. Ainda é cedo para saber. Porém esse lamentável fato político/policial atingiu os alicerces da democracia, e isso é gravíssimo num ano eleitoral. Pode ter sido o estopim para voltar a colocar o povo na rua.  A quem interessa esta instabilidade? Nos próximos dias saberemos. Mesmo que nunca venhamos saber quem foram os mandantes, e suas intenções.

18.3.18

Lembrando o passado

Para recordar as brincadeiras que fazíamos nos bons tempos deste blog.

Crônica diária

Botão na braguilha

 O Leonardo ligou-me para comentar a crônica sobre calças Lee que escrevi dias atrás. Disse ter sido testemunha de duas passagens onde os jeans foram coadjuvantes. Uma delas num elevado lotado no centro da cidade, num dia de verão intenso, quando subitamente um forte cheiro de enxofre tomou o ar. Todos a bordo do elevador começaram a se entreolhar, e um rapazinho, office boy, que trajava uma surrada calça jeans ergueu a mão e disse: "Não fui eu!". A gargalhada foi geral. Em outra ocasião, também num elevador, mas esse com uma ascensorista anã,  um indivíduo de costas para  ela, cuja cabeça batia próxima das nádegas do sujeito trajando calça jeans, ela falou: "Deveria ser proibido transportar gases no elevador social." Novamente gargalhada das vítimas. E o Leonardo completou lembrando quantas vezes ouviu histórias de gente que sofreu com o zipper das calças. Ele mesmo disse que sempre preferiu não correr riscos e usava as com botão na braguilha.

17.3.18

Amanhecer

Um novo dia - EPL

Crônica diária

Amor pela leitura e pelos livros

Estava lendo um livro comprado no sebo quando a lombada se descolou. A cola com o passar do tempo resseca. Por sorte tinha à mão um bastão de Pritt fechado na embalagem. Abri, passei o bastão na lombada e na capa. Bati forte contra o tampo da mesa três vezes. Peguei dois sargentos e prendi com força capa e contra capa até a cola secar. Foi nesse instante que me veio à memória a cena da minha mãe fazendo encadernações quando nós, filhos, éramos jovens. Ela era uma leitora constante. E nessa época encadernou, no melhor estilo da época, os romances que lia. Estão até hoje numa estante da fazenda.

Comentários que valem um post



João Menéres deixou um novo comentário sobre a sua postagem "Uma praia chamada do Luz":

Excelente imagem !
Feliz momento com a embarcação com os "pés" na areia, tal como o desportista.
A prancha encarnada a dar o toque final de um colorido vivo.

Postado por João Menéres no blog . em sexta-feira, 16 de março de 2018 06:56:00 BRT 

*********************************************************************************

16.3.18

Uma praia chamada do Luz

EPL

Ctrônica diária

Cena de sexo na literatura

Foi José Nêumanne quem escreveu que o amigo de Jorge Amado e autor português do "Os cus de Judas", António Lobo Antunes, afirmava que não há possibilidade de se escrever uma cena de sexo que não seja vulgar. Nem as cenas do decantado escritor baiano deixaram de ser. Por essa razão Antunes justificava a completa abstinência de sexo em seus romances. Dizia que em toda sua vida só havia lido duas descrições bem-feitas de intercessor: uma, a de dois idosos em "O amor nos tempos de cólera", de Gabriel Garcia Marques. Outra, num best-seller de  Jackie Collins que nem valeria a pena citar.

15.3.18

Blogachados

Autor desconhecido, e foto usada no cabeçalho do meu Blogachados

Crônica diária

Ponto de observação da Piacaba

Tomo emprestado o título do livro da Betty Vidigal para esta crônica sobre meu deck, um verdadeiro posto de observação em minha casa. Piacaba é o nome dela, não por acaso, quer dizer em tupi-guarani "Mirante, miradouro, lugar que se avista". Tenho lá uma poltrona de madeira muito confortável. Em dois momentos do dia esse posto de observação pode conferir, pela manhã a revoada dos pássaros de cor escura, e os de penas brancas, que não se misturam e voam em bandos, muito numerosos, ou em pequenos grupos, chegando a voarem em dupla. Saem da Ilha do Batuta, no mar em frente de casa, para a lagoa de Ibiraquera onde vão passar o dia comendo, posando para fotos de turistas e bebendo água salobra da lagoa. Dormem na ilha, que é um ninhal. Lugar seguro, livre de predadores, mas sem água ou alimento. As sete da manhã pode-se ver milhares de pássaros escuros em altura de voo semelhante, fazendo suas formações ora em flecha ora em linhas tortuosas, e subitamente em flecha de novo. Alternadamente, como se tivessem combinado, em altitude menor, vem os bandos de milhares de pássaros brancos. Saem da pequena ilha e vão buscar lugar na vasta lagoa. Esse balé se repete às seis da tarde. Em sentido contrário. Da lagoa onde passaram o dia, para a ilha. Novamente o voo dos escuros é mais alto, e seu número é maior. Flechas, linhas, círculos mal feitos, uma aparente desorientação e voltam a formar as flechas, parecendo obedecerem uma voz de comando único. Numa altura inferior, voltam pra ilha os brancos sempre em número suficiente para formações cheias de graça. De quando em quando, no por do sol e contra um céu laranja avermelhado, uma dupla voa em sentido contrário. Parecem procurar por alguém, ou fiscalizar algum retardatário. Logo se vê eles de volta em alturas e bater de asas diferente. Essa rotina se repete todos os dias, faça sol ou esteja chovendo. Na Piacaba tenho um deck que é meu posto de observação.

14.3.18

Montanha nº 42


MONTANHA nº 42 com catedral de madeira.

Crônica diária

Foi por um triz

Na ladeira e bem na curva que antecede o meu portão aparece na contra mão um veículo branco. A última coisa que lembro ter ouvido foi o cantar dos quatro pneus com a forte brecada. O carro branco passou a poucos milímetros dos espelhos retrovisores laterais. "Filho da puta" devo ter balbuciado junto com o ar que saiu do meu estômago. Parei em frente ao portão que deveria estar aberto e toquei três vezes a buzina mais de nervoso do que necessidade. Foi por um triz.

13.3.18

MONTANHA nº 41 Frente e verso

Montanha 41 com cristal de rocha

Crônica diária



"Paixão via internet - e outros delírios improváveis"

Este mais um livro da poeta Betty Vidigal. Ganhei com dedicatória e levei três meses lendo, relendo e tendo muita dificuldade em comenta-lo. Poesia de rara atualidade. Betty em nenhum momento resvala no comum, apesar de falar sobre amor, no banal apesar de tratar de assuntos cotidianos. Usa as palavras como uma especialista. A autora nega (li em algum lugar) que escreva sobre si própria. No entanto seus poemas são tão íntimos, verdadeiros, que chegam a ser despudorados. Ela diz o tempo todo o que eu gostaria de ter dito, e não ouvido da mulher amada. Ela é de uma coragem selvagem, um destemor assombroso, e uma segurança amedrontadora. Em todos os poemas  revela-se (embora negue, e eu li isso em algum lugar). Sou obrigado a discordar da maioria das opiniões dos ilustres intelectuais que opinaram sobre ela na contra capa. Não há nada de "lírico", de "sutil", nem "voz triste", nem "melancólico" em sua poesia. Ela é afirmativa, categórica, corajosa, valente, sensual, segura e convencida. Adoro mulheres assim. Adorei a poesia, ainda que tenha delírios improváveis. E para justificar tudo que digo, confiram na página 127 o "Poema cabotino". Uma pérola antológica.

12.3.18

Estante home made

 Agora pintada e encerada. Aguardando ser transportada para o seu lugar definitivo.
 A parede à espera da "espécie de estante" segundo Alvaro Abreu.

Crônica diária

Laselva faliu

Dia 28 de fevereiro ao embarcar no aeroporto de Florianópolis para São Paulo fui surpreendido com a loja da Laselva fechada. Sem nome na fachada e sem uma nota explicativa. Perguntei para os vizinhos e ninguém sabia mais do que eu. Estranhíssimo um aeroporto sem uma revista, um jornal ou um livro. Na segunda feira dia 5 de março foi decretada a falência da maior rede de livrarias de aeroportos do país. Ao embarcar de volta para Florianópolis as de Congonhas já tinham sido desativadas. Um pouco da história pode explicar: fundada em 1947 por Onófrio Laselva chegou a ter 83 lojas, e em 2013 entrou em recuperação judicial com um passivo de R$120 milhões. Com cerca de 800 empregados, quando despediu 37 não pagou os direitos trabalhistas. Por falta de pagamento das parcelas da recuperação, e de mais de 300 credores a justiça foi obrigada a decretar a falência. Parte do problema começou em 2010 quando venceu uma concorrência para mais 37 novos postos em aeroportos. Mas não conseguiu financiamento para montar as lojas, e arcou com os altos aluguéis. Fez várias tentativas de venda ou associação para salvar a empresa mas os interessados barravam na precariedade dos contratos da infraero. Somado ao alto custo desses aluguéis. Agora todos os aeroportos atendidos pela Laselva estão sem jornal, sem livros e revistas. Uma falência lamentável. Uma sensação de aeroporto da Venezuela. Determinados serviços como engraxates,  e bancas de jornal a infraero deveria cobrar aluguéis compatíveis, sob pena de ficarmos sem eles. Ou pagando, como nos cafés e pão de queijo, valores exorbitantes. Não é só o valor das passagens aéreas que é alto, os serviços dos aeroportos também. 

11.3.18

Agora já passam de 4400

FB 2018

Crônica diária

Jeito de ser

Foi há quatorze anos numa viagem a NY que decidi que não usaria mais calças jeans. Minha mulher e o casal com quem viajávamos se fartaram de comprar as autênticas Lee e Levi´s. Provavelmente manufaturadas na China. Por que dessa decisão? Porque completara nesse ano meus sessenta anos. Achei por bem a partir dessa idade não usar mais jeans. Não que velhos e idosos não as usem, ou não possam usa-las, nada disso, Só por uma questão de estilo. Não queria mais fazer o tipo da moda. Calças largas, calças justas, bocas de sino, cano apertado e curto, cintura alta, cintura baixa, e etc... Passei a usar calças de algodão bege, brancas ou pretas. Todas folgadas e confortáveis. Raramente andei a cavalo nesses quatorze anos. Nunca mais usei botas, na verdade nem sapato de couro tenho usado ultimamente. Uso uns tênis de couro. Confortáveis, não escorregam, e de pé, parecem sapatos. Na praia, onde moro, só ando de bermuda bege, camiseta branca de algodão e havaianas. Acho graça de quem usa as tais sandálias Crocs, ou as de couro como usavam o baiano Jorge Amado e o paraibano Suassuna. Mas cada um com seu estilo.

PS- Foi depois de ter escrito o texto acima que lembrei que tenho outra história com calças. E vou aqui fazer uma homenagem a minha amiga Guaracy Mirgalowska, leitora assídua destas crônicas, e a Lidya Chammes, que nunca mais vi, mas foram as responsáveis como sócias da Mirga Confecções pela criação da Bípede, loja só de calças, ao lado da Boutique Paraphernália que existe até hoje na Alameda Franca, quase esquina da Augusta, onde esta nascendo um grande empreendimento hoteleiro capitaneado pelo  famoso chef Alex Atala, para concorrer com o Hotel Fasano. Participei modestamente da empreitada da Bípede, enorme sucesso à época. Precisamos falar mais dessa efeméride que, por curiosidade procurei, não consta do Google. 

Comentários que valem um post


João Menéres deixou um novo comentário sobre a sua postagem ""Contém Glúteos, mas vai tirando o olho"":

Em idênticas situações, também me passeio pela secção das bebidas, mas no meu caso, nos VINHOS.
Em cervejas ou em vinhos, ainda não encontrei nenhum rótulo que apelasse a tal propósito.
Mas se calhar ando distraído...

Postado por João Menéres no blog . em sábado, 10 de março de 2018 06:02:00 BRT 

***********************************************************

10.3.18

"Contém Glúteos, mas vai tirando o olho"


GORDELÍCIA - Cerveja 
Enquanto minha mulher fazia as compras do mês no mercado fui dar uma olhada na seção de bebidas. Adoro olhar rótulos. E desta vez descobri a GORDELÍCIA, uma cerveja cujo rótulo informa: "Contém Glúteos, mas vai tirando o olho". Essa é uma tendência desse segmento de cervejas artesanais. O apelo sexual no rótulo. As cachaças já usavam desse artifício de gosto duvidoso: Naxoxota,
Prima Pode, Queima rosca. Agora as cervejas: Sporra, Gordelícia, Que Fim Levou Juliana Klein?, Vedett, Devassa, e na propaganda de Loiras geladas e Negras encorpadas palavras de sentido duplo são usadas para a divulgação de cervejas.

Crônica diária

Os jardins das casas dos meus avós

Tanto os paternos como os avós maternos moravam 200 metros uns dos outros. O paterno na esquina da Avenida Brigadeiro Luiz Antônio com a Rua dos Ingleses, e o materno na primeira quadra da Rua Treze de Maio, esquina da Brigadeiro. Minha mãe era colega de colégio das irmãs do meu pai. Daí se conheceram, namoraram e se casaram. Ambas as casas tinham jardins. Minha memória inicia na casa dos avós maternos onde moravam meu tio Totó, irmão da minha mãe, casado com minha tia Sylvia e mãe do Fernando e da Anna Sylvia (prima e leitora fiel). Minha avó, e madrinha, já era viúva. A casa tinha entrada lateral para automóveis, mas não tenho lembrança de ter visto nenhum. No fundo a garagem, lavanderia, e quarto de empregado. Embaixo da escada desse quarto um balanço de dois lugares. Jabuticabeiras e o viveiro do meu avô Delfino. Trocar água e repor alpiste e couve, colhidas ao lado, eram rotinas diárias. O Fernando por ser mais velho era nosso ídolo. Criava uma tartaruguinha no quarto, e tirava veneno das taturanas das jabuticabeiras com uma seringa para injetar nos passarinhos. O Paulo, meu irmão, e eu prendíamos carta de baralho nos aros da bicicleta para imitar o barulho de motos. Moramos uns dias na casa da vovó Nina quando nossos pais foram de navio para os Estados Unidos. Provavelmente um mês. Dessa época não tenho memória do jardim da casa dos outros avós. Mas lembro do litro de leite e do pão entregues de manhã. Lembro ainda do sapateiro que ficava logo na esquina. Naquele tempo se trocava meia sola dos sapatos. 

Crônica do Álvaro Abreu







Com arara e sem parque

Amora chegou no começo da noite de sexta feira. Fomos em comitiva apanhá-la no setor de cargas do aeroporto. Estava estressadíssima dentro de uma pequena caixa de madeira comprida, onde passou muitas horas vendo um mundo totalmente estranho, através de uma tela de arame. Nossa primeira troca de olhares não foi nada animadora. Ela gritou com força e me fez ficar preocupado com a possibilidade de ter sido criada uma antipatia definitiva. Em casa, achei por bem deixá-la ficar diante da gaiola com as quatro calopsitas de Manu. Pelo silêncio, acho que percebeu que estava em ambiente familiar, mas não quis sair da caixa enquanto estivemos por perto. O criador nos disse que ela poderia ficar dois dias sem querer comer ou beber.

Passei o sábado por conta dela, tentando provar ser pessoa confiável. Para tanto, lancei mão de uma varinha de bambu e lasquei uma das extremidades em muitas varetas, algo bastante atraente para quem gosta de bicar o que esteja por perto. Antes mesmo de ter gasto toda a sua raiva atacando a varinha, mergulhei a ponta na água e ofereci pra ela. Deu gosto vê-la bebendo as duas primeiras gotas. Passei um bom tempo repetindo a operação com movimentos suaves até que matasse a sede. Em seguida, prendi um pedacinho de mamão entre as lascas e estendi pra ela que, depois de vencer o que restava de desconfiança, recolheu a comida com a parte superior do bico e comeu com esganação. O fato é que, de gota em gota e de pedaço em pedaço, ela foi enchendo o papo amarelo e abrindo o coração, a ponto de deixar que eu usasse a tal varinha para dar as primeiras coçadas na cabeça dela. Se arara sorrisse, Amora teria sorrido pra mim. Tranquila a bordo do seu poleiro móvel, tomou um bom banho de mangueira e passou o resto do dia prestando atenção na conversa de adultos animadíssimos, comendo jabuticabas tiradas do pé, servidas na ponta dos dedos.

Vi que compensa esperar um filhote de arara por alguns meses, mas começo a acreditar que foi totalmente em vão esperar 26 anos pelo Parque Tecnológico de Vitória.

Vitória, 07 de março de 2018
Alvaro Abreu
Escrita para A GAZETA



AS POSTAGENS ANTERIORES ESTÃO NO ARQUIVO AÍ NO LADINHO >>>>>

.

Only select images that you have confirmed that you have the license to use.

Falaram do Varal:

"...o Varal de Ideias é uma referência de como um blog deve ser ." Agnnes

(Caminhos e Atalhos, no mundo dos blogs)

..."parabéns pelo teu exemplo de como realmente se faz um blog...ou melhor tantos e sempre outstandings...".
(Vi Leardi )

Leiam também:

Leiam também:
Click na imagem para conhecer

varal no twitter

Não vá perder sua hora....

Blog não é tudo, tudo é a falta do blog ....
( Peri S.C. adaptando uma frase do Millôr )
" BLOG É A MAIOR DAS VERTIGENS DA SUBJETIVIDADE " - Maria Elisa Guimarães, MEG ( Sub-rosa )