2.2.18

Crônica diária




O artista morava numa chácara isolada na Serra da Cantareira, e seu lugar de trabalho era um galpão nos fundos de uma casa térrea, no meio de um grande jardim. O terreno era cercado com alambrado para conter do lado interno três cachorros, que teoricamente deveriam fazer a guarda. Do lado de fora, conter animais como cavalos, bezerros e vacas que costumavam vagar pelas estradas de terra da região. O lugar habitado mais próximo ficava à uns trezentos metros, e era um bar e empório com itens de primeira necessidade. Fechava ás dezoito horas e abria quando o seu proprietário acordava. A demanda era mínima. A região era muito calma.  Alice, que nos anos noventa havia sido aluna e modelo do artista, estava passando férias com a filha do casal numa praia do litoral paulista. Na casa só moravam os três. Foi numa manhã, lá pelas cinco horas, de um dia que ainda estava escuro apesar do horário de verão, que o artista acordou, colocou seu macacão de trabalho, preparou um café, pegou uma fruta na geladeira e saiu em direção ao galpão. Andou quinze metros que separavam a porta da cozinha e o galpão,  iluminado por uma única lâmpada sobre a porta de duas folhas. Estranhou não ter visto nenhum dos cachorros. Ouviu o galo do dono do bar cantar. De resto era os grilos e sapos que faziam um coro orquestrado. Entrou, acendeu as luminárias de neon e ligou o som. Adorava jazz e ouvia música o dia todo. Sua rotina de trabalho começava cedo e não tinha hora para acabar. Nos intervalos, entre uma obra ou outra, passava algumas horas lendo numa velha e desbotada poltrona. Raramente ligava a TV, que na verdade só era usada pela mulher, ou em dias de jogos da seleção brasileira. Telefone só o celular. E tudo fazia crer que se iniciava mais uma jornada de trabalho, como as de todos os sete dias da semana, não fosse pela ausência dos três cachorros. Mas ainda estava muito escuro para sair procurando por eles. Foi nesse instante que sem ouvir barulho algum, por conta do alto som do jazz, se assustou com dois pés femininos, com unhas pintadas de vermelho e calçados numa sandália rasteira. Foi a primeira coisa que viu. Ergueu lentamente a cabeça e lá estava uma pessoa com o rosto coberto por máscara, capuz, capa de lona, e luvas pretas. Uma arma cromada de cano curto apontando para seu peito. O susto foi tão grande que ficou paralisado. 

Amanhã 2º Capítulo

CONVITE PARA PARTICIPAÇÃO - Após a leitura dos três capítulos, quem quiser poderá fazer um texto desvendando o mistério. O que terá acontecido com o artista? Quem será a pessoa encapuzada? Quais as razões para o crime? Houve realmente um crime? E se houve, quem e como o cometeu?

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