18.1.18

Crônica diária

Crônica da capa do livro "Contos urbanos"

Às vezes ficamos meses, até anos, matutando sobre determinado assunto e as  ideias giram em falso, repetindo-se num moto contínuo. De repente, como num passe de mágica, surge uma ideia completamente nova e óbvia para o problema. Foi assim com  o título do meu próximo livro de contos. Terá só dois contos. E um deles dava nome ao livro. Mas não me convencia. Quatro anos depois de escrito o conto, de tanto pensar sobre a conveniência ou não de manter o título fiz uma busca no Google e constatei o que já desconfiava. Haviam dezena de livros com o mesmo título. Foi decisivo para a troca por "Contos urbanos". E esse nome genérico, também tem lá seus livros, mas em menor número. Daí parti para o estudo da capa. O primeiro título tinha além de muitos homônimos, uma dificuldade a mais, nenhuma foto ou ilustração combinava. Provisoriamente pensei numa tela abstrata. Quando não se quer dizer nada, o abstrato é tudo. Com o novo título "Contos urbanos", ao contrário, rapidamente compus onze capas diferentes. Todas com fotos minhas. Sou um fotógrafo razoável. Daí um novo e crucial drama. Qual delas escolher. Mandei o layout para quatro pessoas que confio no gosto estético e prático. Capa de livro é como gravata, rótulo de vinho, embalagem de perfume. Tem que agradar ao consumidor. É o primeiro e importante estímulo. Outras considerações são sempre secundárias. Mas a minha pesquisa não foi conclusiva. Houve maioria, mas não unanimidade. Das onze capas, quatro agradaram muito a todos. Uma só, claramente repudiada por dois votantes. E entre as dez restantes acabei por eleger uma que nenhum deles citou como favorita. Levei em consideração a razão, mais do que a emoção. "Contos urbanos" não poderia ser confundida com revista ou livro de arquitetura, logo a minha foto do Copam, em São Paulo, foi descartada. Um grafite que fotografei em Berlim, e que da a impressão de azulejos, foi a mais votada, e usarei como capa de outro livro. É muito boa capa, mas para o "Contos urbanos" a escolhida é toda cinza, com uma foto de um canto de parede, preta e amarela, com um extintor de incêndio vermelho, no chão de cimento, encostado na parede no centro da imagem. Ela contém uma carga estética e visual urbana que casa perfeitamente com o título.

Um comentário:

João Menéres disse...

Já estou com a curiosidade em pulgas !

AS POSTAGENS ANTERIORES ESTÃO NO ARQUIVO AÍ NO LADINHO >>>>>

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