15.1.18

Crônica diária

Minhas birras

Segundo o dicionário: birra - substantivo feminino
  1. 1.
    ato ou disposição de insistir obstinadamente em um comportamento ou de não mudar de ideia ou opinião; teima, teimosia.
  2. 2.
    sentimento ou demonstração de aversão ou antipatia, especialmente quando renitente e motivado por algum capricho, paixão ou suscetibilidade; implicância, má vontade

    E eu as tenho. Detesto gente que fala e (pior) escreve fazendo graça. O tipo "piadista" o tempo todo. Aquele que se tem como engraçado e se vê na obrigação de não desapontar o interlocutor ou seu leitor. Muitos se creem herdeiros do Millôr, do Stanislaw Ponte Preta, do Jô Soares, do Luis Fernando Veríssimo, ou do Wood Allen. São tolos, bregas, chatíssimos. 
    Não tolero gente que fala e (pior) escreve me tratando de "cara", como seu leitor ou interlocutor. Nem os que chamam as empregadas domésticas de "secretárias". É um grave desprestígio para a classe das secretárias. Sou, portanto, completamente contra essa babaquice de "politicamente correto". E não me venham dizer "janta" no lugar do correto jantar. Nem "sertanejo" no lugar de "caipira". Muito menos "esposo" ou "esposa" no lugar de meu marido ou minha mulher. Intolerável  ouvir ou (pior) ler "niver" no lugar de aniversário, e "ex" referindo-se ao ex-marido, ou ex-mulher.  Diga o nome da pessoa e não esse execrável "ex". Eles não merecem esse desprezo irônico só porque foram infiéis ou putas. Não gosto quando chamam sanduíche de "lanche". Ando implicando também com o leitor que vive procurando Wally. Isso mesmo. Não leem para se informar, rir, ou pensar, querem é achar um erro de grafia, concordância ou sintaxe. Estão sempre procurando Wally, ou a falta de uma vírgula ou crase. E fazem questão de corrigir o autor exibindo sua prenda publicamente. Detesto quando a pessoa liga por telefone e não se identifica de pronto. Acha que tenho obrigação de reconhecer a voz pelo simples "alò". Ou que meu telefone tenha o nome e número do chamada. E muito pior os que tentam me fazer adivinhar. Gente com quem não falo há anos. São birras que me tiram do sério. Não aguento mais ouvir ou (pior) ler arengas, sempre mal humoradas, de pessoas tristonhas da esquerda burra, repetitiva, revanchista, apátrida, e cínica do Brasil. Pronto. Hoje desopilei meu fígado. 

    PS- Depois de ter lido "Nem vem" da escritora Lydia Davis acho que poderia substituir a palavra "birra" por "idiossincrasia". Ela e eu, temos em comum.

Um comentário:

João Menéres disse...

Não posso estar mais de acordo consigo, Eduardo !
Assino por baixo, logicamente.

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