31.1.18

Restaurante Piselli

Filé com rúcula

Crônica diária

Betty Vidigal e 38 contos

O título do livro que reúne os trinta e oito contos é Triângulo. Ela é filha de poeta, é poeta, mulher paulista, escritora, tradutora, roteirista, conduz oficinas literárias, membro de júri de concursos literários,  e trabalha com textos, para escritores e empresas. Antes disso tudo foi colega da minha irmã Elisa, e muito depois cursou Física na USP. Professora de Desing de Interiores, e depois formou-se em jornalismo. Triângulo é seu quinto livro. Ao contrário dos ângulos e pontas de um triângulo, escaleno, ou isósceles, os contos da Betty são macios, redondos, inesperados, sensuais, bem humorados, improváveis, sonoros, ilusórios, divertidos, mas acima de tudo muito bem escritos. De leitura fácil e excitante. Um convite para percorrer toda a sua obra poética e de prosa. Uma autora que dá a importância e colorido exato a cada detalhe, sem perder de vista o conjunto.

30.1.18

Melão com presunto

Comidinhas da PIACABA

Crônica diária

"Entre sem bater"

Esse é o título de um conto do livro "Triângulos" da Betty Vidigal sobre o qual falarei oportunamente. Mas a leitura do conto imediatamente remeteu-me a uma história verdadeira que vou contar omitindo o nome dos personagens por motivos óbvios. Na usina de açúcar o acionista majoritário era um rei. Respeitado, temido, odiado ou amado, não passava desapercebido. Era o todo poderoso. Ainda mais quando não era herdeiro do império. Já estava na casa dos sessenta, e no escritório da usina sua sala era ampla toda forrada de lambri escuro. Sobre a porta pelo lado de fora havia uma lâmpada vermelha. Ela era acionada por um botão fixo na parede atrás da mesa do usineiro, à um metro do chão. Sua secretária tinha mesa no salão em frente a porta e a luz. Não entrava ou saí, por essa porta, ninguém sem estrita ordem dela. E zelava muito por essa autoridade. Havia na sala do chefe uma outra porta externa por onde ele entrava e saía, e só ele tinha a chave. A luz vermelha acesa era sinal de que ninguém poderia entrar pela porta do salão. Nem a secretária. Isso era sagrado. Certo dia no final da tarde a zelosa secretária se viu em papos de aranha. A luz vermelha começou a piscar. Acendia e apagava, acendia e apagava numa velocidade inédita, e num ritmo curioso. Nunca acontecido antes. A secretária estranhou, ficou uns instantes com os olhos fixos na lâmpada imaginando que poderia ser só um mau contato. Em fração de segundos lhe ocorreu que poderia ser uma emergência. Por fim assustada, não resistiu, e correu para a porta. Abriu com cuidado uma fresta e lá estava o usineiro de costas, calça arriada,  abraçado numa mulher cuja bunda, inadvertidamente, mas num ritmo compassado, apertando e soltando, apertava e soltava o botão da luz vermelha. 

29.1.18

Aracuã

Aracuã na minha porta
Aricuãs, dois casais ou o mais provável, um casal e dois filhotes na minha janela

Crônica diária

 Você sabe o que é ortoépia? E cacoepia?

Viver e aprender. Em muitos casos cultivar uma cultura inútil. Por exemplo: vivi 74 anos sem saber que nós brasileiros cometemos muitos erros de ortoépia. E não dei-me conta disso. Mas vamos ao que interessa: ortoépia é um erro na articulação dos grupos vocálicos ou dos fonemas consonantais. Em outras palavras, está relacionada com a perfeita emissão das vogais, a correta articulação das consoantes e a ligação de vocábulos dentro de contextos. Erros cometidos contra a ortoépia são chamados de cacoepia. E para se compreender o que é isso, lá vão alguns exemplos. A palavra correta é trouxa. Mas há quem fale troxa. Advogado, e não adevogado, adivinhar, e não advinhar. Esses são alguns erro de ortoépia,  cacoepias. 

Comentários que valem um post

Superar Traição disse...
Um gato fazendo ARTE... kkkkkkkk

28.1.18

Comidinhas da PIACABA

Pipino e tomate com alface roxa

Crônica diária

Minha tolice sem fim

Há dez dias escrevi sobre as possibilidades que a natureza oferece de nascer, a todo instante, um gênio. Uma leitora, que se considera um desses gênios, e costuma fazer comentários óbvios e estapafúrdios, deu-me uma lição impressionante. Transcrevo para dividir com meus leitores toscos, como eu, a sabedoria desse gênio: 
 "O mundo humano não é construído somente de Picassos, Pavarrottis, samurais e gênios da ciência e tecnologia.
O mundo humano também é construído por mãos anônimas e trabalhadoras que se colocam diariamente na faina incessante para nos fornecer as milhares de coisas que nos proporcionam segurança, saúde, lazer, alimentos, etc.. Se os recém-nascidos se tornarem mulheres e homens honestos e trabalhadores será maravilhoso.
Se não forem tocados pela genialidade não tem importância alguma."
Meus leitores devem estar surpresos, como eu fiquei, com as revelações inéditas e absolutamente originais do pensamento exposto acima. E penitencio-me por não ter abordado o tema de forma inversa, ou seja: Fui conhecer uma criança recém-nascida, que com quase toda certeza vai ser um trabalhador honesto e maravilho, que produzirá segurança, saúde, lazer, alimentos e etc... por conta de total falta de sorte, DNA, e meio em que nasceu e será criado. Ou pela falta de um desses requisitos. Apesar disso, esse ser é maravilhoso e fará parte de 99,99% da população mundial. Os outros 0,01% estarão divididos em dois grupos. Um grupo menor, por conta da sorte, do DNA, ou do meio onde nasceram e foram criados serão gênios como Picasso, Pavarotti, samurais, iluminados da ciência, tecnologia. e nos esportes. O outro grupo muitíssimo maior dentro desses 0,01% serão bandidos, assassinos, corruptos, e seres desprezíveis, mais uma vez por falta de sorte e nessa ordem, meio onde nasceram e foram criados, educação, educação, educação e DNA. Se eu tivesse escrito meu texto com esse enfoque, talvez a leitora tivesse outras brilhantes e contundentes observações a fazer, como de costume.

27.1.18

MONTANHA nº 39

Gosto da textura

Crônica diária



Na levada de Lydia Davis

Fui a um hospital agendar um procedimento na próstata. A atendente perguntou se eu tinha plano de saúde e qual era. Passei o cartão do plano e disse: "Só espero que eles não digam que é uma "cirurgia estética" e que o plano não cobre."

Crônica do Alvaro Abreu

Caixinha de utilidades


Fazendo carinha de anjo, Manu, minha neta mais velha, me pediu que fizesse um kit completo de colheres para levar pra São Paulo. Ela adora inventar moda na cozinha e já aprendeu a fazer gelatina, sopa de legumes e broa de milho. Trabalhei uma manhã inteira e fiz até rolinho para esticar massa. Ao lembrar que ela vai ficar sem poder usar o que existe de bom e aproveitável no meu armário de ferramentas, resolvi separar um pequeno arsenal de utilidades para que ela possa usar quando quiser fazer, com suas mãozinhas habilidosas, alguma coisa interessante para oferecer a alguém. Para que nada se perca na mudança para a casa novacoloquei tudo numa daquelas simpáticas caixinhas de madeira utilizadas para embalar vinhos mais caros.

Comecei pelas fitas adesivas para os mais diferentes usos, algo de que ela tanto gosta e que tenho em profusão. Para facilitar, enrolei umas dez tiras lado a lado em um gomo retinho de bambu. Escolhi as mais coloridas, de ”fazer vista”, como se dizia. Em outro pedaço de bambu, este com nós bem juntinhos, tratei de enrolar uns vinte tipos diferentes de linhas e fios, algo que muito prezo pela utilidade que têm: barbantes de algodão, nylons e cordinhas de tucum de várias espessuras, fio urso e um pedaço da linha de pesca mais resistente que conheço. Fora isso, enrolei também fio de plástico prateado, linha para costurar sapato, uma tirinha de couro e um pedaço de cordão de rede trazido da Paraíba. Por precaução, inclui três folhas de lixa d'água, pregos variados e tachinhas sortidas, além de parafusos de vários tipos e tamanhos e algumas buchas.

Coloquei também ferramentas de uso corrente: um martelinho colorido, duas chaves de fenda, dois alicates pequenos, sendo um de ponta fina, uma serrinha de aço e cinco goivas japonesas para cavar madeira macia. Por último, mesmo sabendo que faca não é brinquedo de criança, resolvi dar pra ela uma das faquinhas alemãs que uso para cortar bambu. Se bem conheço aquela menina, ela vai usar tudo e logo logo vai me pedir para repor o que estiver acabando.

Vitória, 24 de janeiro de 2018
Alvaro Abreu
Escrita para A GAZETA

CURIOSIDADE:


Comentarios que valem um post

João Menéres deixou um novo comentário sobre a sua postagem "Crônica diária":

O número de linhas não diz nada.
O que interessa é o que as palavras significam.

Postado por João Menéres no blog . em sexta-feira, 26 de janeiro de 2018 08:11:00 BRST 

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26.1.18

MONTANHA nº 38

Uma grande montanha

Crônica diária

Lydia Davis legitimou-me

Quando escrevo crônicas com três linhas, meus críticos dizem que não é crônica. Depois de conhecer a obra da famosa escritora americana Lydia Davis, e seus contos de três linhas, quero que meus críticos "lambam sabão."

25.1.18

Savannah - 10º parte

 Noturnas
 Oyster Bar
Reflexos

Crônica diária

Sondas urinárias

Apesar de São Paulo estar fazendo aniversário, mão é sobre os 462 anos que escrevo hoje. É sobre o uso de sondas urinárias, que nunca foram assunto de alcovas, mas desde que o Temer foi obrigado a usa-las, e depois tratar de uma infecção, o tema virou corriqueiro. Articulistas usaram seus espaços para denunciar as falhas dos setores da saúde em todo o país. Uma simples infecção na uretra do Presidente pode ser revertida com certa facilidade por conta dos cuidados médicos, hospitalares e dos antibióticos específicos. Já essa mesma sonda e infecção na uretra do cidadão comum que dependa da rede de saúde pública, pode e tem levado a óbito com frequência. Medicamentos essenciais, e agora não estamos falando de infecção urinária, mas de doenças do coração, da medula e outras que pela falta de remédio são mortais, estão em falta constante nos posto de saúde. Desde novembro passado faltam medicamentos de alto custo no SUS. E não adianta as autoridades negarem. Eu estive lá em novembro, dezembro e janeiro e constatei. Faltam dinheiro e gestão na saúde, mas não faltam verbas para os fundos partidários fazerem campanha política. Saúde, educação e segurança deveriam ser absolutamente prioritários e sem contingenciamento em tempo algum. 

24.1.18

Savannah - 9º parte

 Detalhes urbanos
 Outros detalhes
Vitrine. Todas fotos de Guilherme Lunardelli

Crônica diária

Pescaria no Uruguai

No Natal e fim do ano de 2011 Paula, minha mulher e eu nos programamos passar pescando no Rio Uruguai. Ela estava em São Paulo, foi de avião para Florianópolis, e de lá pernoitamos na Piacaba, nossa casa em Imbituba, e de carro seguimos para o sul. Sem pressa. Comendo e dormindo sem reservas. Nessa época do ano os restaurantes e hotéis estão vazios. Quando chegamos na ponte onde há a aduana da fronteira com o Uruguai, estacionei o carro. Peguei o documento da Paula, os do veículo e fui ao guichê cumprir as formalidades legais. Entreguei tudo ao funcionário, que como todos que exercem essa função usam óculos Raiban, e em geral não esbanjam simpatia. Começou pelo da Paula. Juntou todos e me devolveu dizendo: "Só com Passaporte ou Carteira de Identidade". Assustado ainda tentei argumentar que a Carteira de Motorista tinha foto e o número do RG, mas foi em vão. Não pude nem insistir. É lógico que país nenhum do mundo aceita carta de motorista como documento válido, a não ser para dirigir. Voltei para o carro. Perguntei se ela não tinha trazido nenhum outro, e com a negativa, manobrei e voltamos para alguma cidade próxima da fronteira onde houvesse um posto de correio. Pelo celular, que ora não tinha sinal, ora o sinal era débil, pedimos para o filho da Paula, que na época morava em casa, em São Paulo, fosse a uma agência dos correios com o Passaporte e Identidade da mãe e colocasse num Sedex 10, único capaz de chegar a tempo. Véspera do dia 25, clima de Natal. E em poucas horas ficamos sabendo que o tal Sedex 10 só opera em cidades com aeroporto. A mais próxima era Santa Maria. Muitos quilômetros de distância faziam diminuir nossas esperanças do plano dar certo. E não deu. Resolvemos não azedar nosso fim de ano, procurando um hotel, sem ter a mínima ideia da geografia da cidade. E na portaria nos indicaram o único restaurante aberto aquela noite, véspera de Natal. O restaurante era enorme, com apenas uma mesa com adultos e crianças de uma família. Procuramos sentar o mais longe possível, para evitar o barulho delas. Lá pelas tantas percebo que um indivíduo falando alto e grosso sentou na mesa pegada à nossa. Com tanta mesa, foi logo sentar nas minhas costas. A Paula que estava de frente foi descrevendo  as razões pelas quais as crianças da outra mesa estavam tão agitadas. Era um senhor muito gordo, com vasto bigode e barba brancos, e cabelo grisalho,  preso num "rabo-de-cavalo". Acompanhava o "Papai Noel", sem a tradicional roupa vermelha, um garoto de quinze anos. Comemos peru. Afinal era Natal. Terminado o jantar nos preparamos para passar pela mesa com a maior discrição possível, uma vez que pela altura da voz, nos parecia que o homem estava alcoolizado. Ao cruzar a mesa ouvi: " Eduardo?" Não era possível. Quem poderia me conhecer em Santa Maria, no Rio Grande do Sul, numa noite véspera de Natal? Dei meia volta, e num tempo que deve ter durado segundos, mas me parecia uma eternidade, olhando nos olhos do velho barbudo disse: "Não estou te reconhecendo". Ele abriu um largo sorriso e se apresentou: "Sou o Ricardo Franco de Mello". Não podia acreditar. Fomos amigos de infância e não nos víamos a mais de cinquenta anos. Ele disse ter me reconhecido porque eu era a cara do meu pai. Nossos pais e irmãos eram muito amigos. Apresentei a Paula, ele o garoto, seu enteado, e nos justificamos por estar em Santa Maria naquela noite. Cada história menos verossímil do que a outra. Abraçamo-nos, trocamos números de telefone e prometemos encontrarmo-nos ainda antes do próximo século. 

23.1.18

Savannah - 8º parte

 Vista urbana
 Arquitetura curiosa
Paisagem maravilhosa

Crônica diária

O imortal Carlos Heitor Cony

Imortais morrem. Aliás o Cony acreditava que "muitos anos de vida", da canção "Parabéns a você", não se deveria desejar a ninguém. Ele pelo menos, saltava essa fala nos aniversários. Morreu com 91 anos. Fui aos meus arquivos procurar quantas vezes escrevi sobre ele, e me espantei só tê-lo citado em três ocasiões. Numa delas, e a mais engraçada, transcrevi uma crônica do próprio Cony, enviada pelo  José Luis Fernandez. Publiquei no meu blog Varal de Ideias em 28/03/2013. Transcrevo porque é hilária.
Carlos Heitor Cony e Antonio Maria
 Carlos Heitor Cony conta: "Um dia, Antônio Maria me telefona: — Carlos Heitor, Carlos Heitor, você nunca me enganou."  Disse então que, vindo de São Paulo, viu no avião uma mulher linda lendo o livro Matéria de Memórias (de Cony). Aproximou-se, apresentou-se como sendo o autor do livro, e a mulher, uma típica apaixonada, acreditou. Pintou para ela um quadro bastante dramático: era um desgraçado, que nunca tinha tido sucesso, que as mulheres o abandonavam.   "— Mas, Maria..." era tudo o que o espantado Cony conseguia dizer.   "— Fica tranquilo, Cony, fica tranquilo porque em seguida nós fomos pra cama. Ou melhor, você foi pra cama com ela." E Cony, curioso: "— E ai?"   "— E aí foi que aconteceu o problema" — gargalhava Maria. "— E ai você broxou, Cony, você broxou!"
Depois disso, escrevi em 18/08/2017 uma crônica com três linhas, e que volto a transcreve-la porque tenho muitos leitores novos. 
ABL e os imortais
Acabam de eleger um novo imortal. Antonio Cândido. Poeta. Sobre sua posse outro imortal Heitor Cony falou na CBN: "Sobre ser imortal, já dizia Olavo Bilac, somos porque não temos onde cair mortos". Para a crônica de hoje, estas três linhas bastam.

E citei o Cony dia 7 de janeiro passado, dia seguinte da sua morte. 
Foi muito pouco para o intelectual, cronista e escritor do porte dele. Mas agora é tarde. Cony é morto.

PS- Aproveito para observar ao jovem e leitor bissexto  Germano Fehr que repreendeu-me, recentemente,  por não falar do Antonio Maria, esta aí ele mais uma vez. 

22.1.18

Savannah 7º parte

 Turismo
Por do sol

Crônica diária

 Por via das dúvidas, esta poderia ter sido uma crônica póstuma  

Ontem falei de morte, e hoje passadas duas semanas do evento, posso contar para vocês que não morri. No mês de novembro, todos os anos, costumo fazer uma revisão médica, a começar pelo meu urologista e hoje amigo Dr. Marmo Lucon. Já detectou problemas (e quem não os tem?), e me operou várias vezes. Da próstata, com procedimentos iguais ao do presidente Temer, que foi operado há seis anos, e a minha cirurgia faz doze. E até então nunca mais tive nenhum problema com ela. Este ano o exame do PSA, que corresponde, em síntese,  ao de mama para as mulheres, acusou uma alteração. Dr. Marmo pediu para repetirmos o exame dali a alguns dias. Claro que fiquei preocupado. Mas resolvi deixar para fazer só em janeiro. Não queria ter mais uma notícia má no ano de 2017. Chega as que tivemos ao ler os jornais diariamente. Em janeiro refiz o exame de PSA e o resultado foi ainda pior. Muito pior. Mas como estávamos no início de um novo ano, novas esperanças, novo ânimo, marquei hora e fui ao médico levar o exame. O resultado muito pior, era a melhor notícia que eu poderia receber. Dr. Marmo explicou-me que câncer não provoca alterações tão grandes, em tão pouco tempo, logo, não seria câncer, mas, e sempre há um mas em medicina, pediu que eu fizesse uma biópsia da próstata. Diante das duas notícias, essa do pedido de biópsia, era a melhor delas. E marquei para dois dias depois. Agora eu tinha pressa. Os procedimentos são simples, mas com anestesia e no hospital. Duas horas ao todo. E lá fui eu, sem antes deixar esta crônica escrita e datada para ser postada hoje dia 22 de janeiro. Até essa data eu já tinha textos programados. Se eu não acordasse da anestesia, vocês só ficariam sabendo duas semanas depois. Detesto os rituais de praxe. Como detesto os clichês. Cumprimentos de pesar, missa de corpo presente ou de sétimo dia. Queria poupa-los de tudo isso. Mas acordei da anestesia, que me proporcionou um sono maravilhoso, e terão que me aguentar por mais um tempo.

21.1.18

Savannah 6ª parte

 Prazer da aventura
Curiosidade
 Ponte
 Perigo
 Alerta
 Paisagem

Crônica diária



Vida depois da morte

No texto "As focas" da americana Lydia Davis ("Nem vem" é o título do livro) onde a forma como  ela escreve é muito interessante, conta que u´a mãe, crente que depois da morte haveria mais alguma coisa, sempre se desentendia com a filha, que ao contrário, não acreditava em nada após a morte. Certo dia a mãe falou: "Quando morrermos as duas, uma de nós vai levar um tremendo susto!"

20.1.18

Savannah - 5º parte

 A viagem continua. 50 milhas por dia. Quatro horas de pedaladas consecutivas.
 Paisagens variadas
 Estradas fantásticas
Fotos incríveis.

Crônica diária

 Gostar ou não de Kafka

Alguns dias atrás meu querido e velho amigo e leitor Walter De Queiroz Guerreiro fez o seguinte comentário: "ser chato como Kafka para mim é uma referência positiva, questão de opinião e de interpretação de mundo, recomendo "Arte e imaginação" de Roger Scruton, sua tese de doutorado em filosofia da arte e estética ( aviso: é pesada, e para a grande maioria chata, mas elucidativa)." Na mesma publicação a leitora Isabel Fomm de Vasconcellos comentou: "Tem intelectual que acha que ler livro chato é exemplo de superação da chatice e de consequente superioridade intelectual. Tô fora! hahahaha...". Quem provocou esses dois comentários foi meu texto onde concluo dizendo achar o Kafka muito chato. A Isabel esta cheia de razão. E ao amigo Walter quero dizer que leitura nesta fase da minha vida é só por prazer. Não tenho mais nenhuma pretensão, desejo ou vontade de quebrar a cabeça para interpretar o mundo. Tudo que fui obrigado a ler porque todo mundo lia, só cristalizou-me a certeza de que não teria perdido grande coisa não lendo. Estou portanto entre a grande maioria que acha chata leitura pesada, livros grossos, autores muito eruditos, teses filosofias, ou filosofias baratas. Hoje só leio o que me dá prazer. E você tem razão Walter, é simplesmente uma questão de gosto e opinião.

19.1.18

Savannah 4º parte

A viagem continua. Guilherme de bicicleta.
Estradas maravilhosas, com ciclovias.
 Repouso
Estilo próprio da Georgia.

Crônica diária

Repertório de cronista

Tem gente que detesta piada. Eu gosto, embora lamente o meu pequeno arsenal de anedotas de salão. Todo homem culto tem um punhado delas para entreter seus amigos. Minha memória nunca foi suficiente para guarda-las e muito menos renovar ou atualizar o repertório. Tenho amigos que em todas as ocasiões propícias, jantares e fim de noite, nos deliciam com uma série completamente nova ou no mínimo bem repaginada. Saber conta-las é fundamental. Pior do que uma piada fraca é uma boa piada mal contada. Duas, das mais antigas, nunca esqueci, e sempre fizeram relativo sucesso. Até já andei contando aqui nas crônicas. Uma bem bonitinha e familiar, apesar de sinistra, foi contada em cena de um filme do Cantinflas. Lembram dele? Nesse filme era comissário de bordo. Claro que as calças sempre ficavam abaixo da linha da cintura. O comandante o chama, ele volta, fecha a cortina que separa a cabine, naquele tempo era cortina, e em alto e bom som anuncia: "Señores pasajeros abroche los cinturones de seguridad, no es por nada, sólo para que no se esparren los cadaveres ". A outra apesar de salão, nada familiar: "Durante a ultima guerra, no campo de batalha o único transporte disponível era um camelo. Nele subiram hierarquicamente o general, seguido por um coronel, por um major, por um tenente, por um sargento, e finalmente por  um cabo. Dez minutos de caminhada o general observou os olhos e orelhas do animal, virou-se para o coronel e falou: "Este camelo esta fodido". O coronel virou-se para o major e disse: "Esse camelo esta fodido". O major virou-se para o tenente e replicou o alerta. O tenente cumpriu sua missão e reportou a informação para o sargento:: " Este camelo esta fodido." E o sargento por sua vez passou a mensagem para o cabo: "Este camelo esta fodido". O cabo prontamente respondeu: "Se eu tirar o pau eu caio".

18.1.18

Savannah 3º parte

 Fotos de Guilherme Lunardelli

Imagens feitas de bicicleta em Savannah

Crônica diária

Crônica da capa do livro "Contos urbanos"

Às vezes ficamos meses, até anos, matutando sobre determinado assunto e as  ideias giram em falso, repetindo-se num moto contínuo. De repente, como num passe de mágica, surge uma ideia completamente nova e óbvia para o problema. Foi assim com  o título do meu próximo livro de contos. Terá só dois contos. E um deles dava nome ao livro. Mas não me convencia. Quatro anos depois de escrito o conto, de tanto pensar sobre a conveniência ou não de manter o título fiz uma busca no Google e constatei o que já desconfiava. Haviam dezena de livros com o mesmo título. Foi decisivo para a troca por "Contos urbanos". E esse nome genérico, também tem lá seus livros, mas em menor número. Daí parti para o estudo da capa. O primeiro título tinha além de muitos homônimos, uma dificuldade a mais, nenhuma foto ou ilustração combinava. Provisoriamente pensei numa tela abstrata. Quando não se quer dizer nada, o abstrato é tudo. Com o novo título "Contos urbanos", ao contrário, rapidamente compus onze capas diferentes. Todas com fotos minhas. Sou um fotógrafo razoável. Daí um novo e crucial drama. Qual delas escolher. Mandei o layout para quatro pessoas que confio no gosto estético e prático. Capa de livro é como gravata, rótulo de vinho, embalagem de perfume. Tem que agradar ao consumidor. É o primeiro e importante estímulo. Outras considerações são sempre secundárias. Mas a minha pesquisa não foi conclusiva. Houve maioria, mas não unanimidade. Das onze capas, quatro agradaram muito a todos. Uma só, claramente repudiada por dois votantes. E entre as dez restantes acabei por eleger uma que nenhum deles citou como favorita. Levei em consideração a razão, mais do que a emoção. "Contos urbanos" não poderia ser confundida com revista ou livro de arquitetura, logo a minha foto do Copam, em São Paulo, foi descartada. Um grafite que fotografei em Berlim, e que da a impressão de azulejos, foi a mais votada, e usarei como capa de outro livro. É muito boa capa, mas para o "Contos urbanos" a escolhida é toda cinza, com uma foto de um canto de parede, preta e amarela, com um extintor de incêndio vermelho, no chão de cimento, encostado na parede no centro da imagem. Ela contém uma carga estética e visual urbana que casa perfeitamente com o título.

17.1.18

Savannah 2º parte

 Guilherme e sua aventura de bicicleta em Savannah Georgia, USA
O quarto na motor-home - 13, 14 e 15 de Janeiro de 2018

Crônica diária



De perto ninguém é normal

 Exatamente porque já virou clichê uso essa frase cuja autoria é dada ao Caetano Veloso, mas há quem diga que é do Millôr Fernandes. Não importa o pai, o fato é que caiu no gozo popular. Assim como a cantora Anitta esta bombando nas paradas e shows musicais. Acontece que no caso dela as estrias na bunda e suas imperfeições explicitamente expostas é que lhe estão dando a fama que tem. Posa nas lajes das comunidades (leia-se: favelas)  com biquíni mínimo feito de fita isolante. Mostra seu corpo desnudo com tudo que Deus não deu. Mas esta feliz com o que tem. E isso agrada multidões que estão fartas de fake, de maquiagem, Photoshop, produtos pirata, falsos e made in China. Anitta é autêntica. E de perto é que se vê que ela é normal. É coisa nossa.

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