31.1.17

Olha o que descobri


Crônica diária

Para Marília

Escrevo para Marília que é filha de Newton Braga. Dela recebi em Dezembro passado dois livros do pai. Nunca tinha lido nada dele. Pudera, ele praticamente só escreveu para sua gente, sua Cachoeiro do Itapemirim. Irmão mais velho de Rubem Braga, foi quem arrumou seu primeiro emprego, e orientou-o no caminho das letras. Mas não há que se fazer comparações. Eram dois irmãos diferentes, embora dotadíssimos. Newton saiu da sua provinciana cidade aos 49 anos para morrer três anos depois. Muito moço. No Rio trabalhou na TV Tupi, a mais importante emissora de então. Escreveu sob pseudônimo no Mundo Ilustrado. Publicou artigos nas revistas mais importantes da época: Senhor, Chuvisco, e Publicidade & Negócios. Faz-se injustiça compara-lo ao irmão. Eram muito diferentes, embora dotadíssimos. Agradeço à sua filha Marília pelos livros, e cumprimento seus dois irmãos Edson e Rachel pela homenagem que os três fizeram ao pai com "Newton Braga, cachoeirense ausente". O Newton poeta encerrou carreira ainda na juventude, e parece ter deixado um testamento premonitório: 

Vou por outro caminho

Vou por outro caminho
E aqui, me despeço de vós, sonhos da mocidade.
Não mais derrubarei o mundo para, sobre as ruínas, lenantar outro melhor;
não mais terei a mulher que imaginara para o meu destino;
não mais velejarei nos mares amplos e luminosos da poesia,
nem mais tentarei fincar o marco de um nome
no país da glória e da imortalidade.
Vou por outro caminho.
E aqui me despeço de vós,
anseios, sonhos, aspirações, rebeldias, e inquietações de uma outra idade.

Não haverá amargura nem melancolia
nesta voz que diz adeus.
É a voz simples e seca
de quem parte porque o grande relógio deu a hora de partida;
de quem não leva dívidas
nem leva arrependimento do que deu
nem a tristeza do pensamento de que podia ter recebido mais.
Estamos na encruzilhada:
eu me despeço de vós, sonhos da mocidade,
e sigo meu caminho, porque o grande relógio deu a hora da partida.

Poesia & Prosa página 206

30.1.17

Sol e leitura


"LENDO EDUARDO LUNARDELLI NA ITÁLIA"
(foto de Joseph Koudelka) Enviada por José Luiz Fernandes
Veja mais fotos de Joseph Koudelka 
 
Koudelka - Nascimento: 10 de janeiro de 1938 (79 anos), Boskovice, República Checa

Crônica diária

O complexo do cronista

Estadão, 15 de Janeiro de 2017. "Um cronista ! Um cronista !" Esse é o título que Luis Fernando Veríssimo deu à sua crônica. Conta ele que o Antônio Prata escreveu sobre a aeromoça que pergunta se havia um médico entre os passageiros. O médico, sempre há, apresentou-se e resolveu o pequeno mal estar de um passageiro. Aí o Prata fica divaga sobre o dia em que um escritor será chamado para acalmar uma passageira aflita. Conta-lhe duas histórias, e acalma a senhora. O Veríssimo termina a crônica lamentado que um cronista jamais seja lembrado para coisa alguma. Não temos remédios para os males do mundo. Não salvamos vidas. E quando chamamos atenção é certamente por comiseração pela nossa insignificância.

Comentários que vallem um post

João Menéres deixou um novo comentário sobre a sua postagem "Crônica diária":

Se na loja há só pessoas feias ou mal encaradas, logo saio.
Assim,sou politicamente correcto.

Postado por João Menéres no blog . em domingo, 29 de janeiro de 2017 08:41:00 BRST

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 Filomena Gonçalves Uma exigência que nunca devia existir a não ser que expliquem muito bem o que é "boa aparência". Competência sim.

Eduardo Penteado Lunardelli
Eduardo Penteado Lunardelli Filomena Gonçalves, nesta crônica só tratei da aparência. A competência é fundamental, mas pode ser tratada em outras crônicas. Posso com muita facilidade explicar o que é boa aparência. É aquela que não destoa da média. Não incomoda. Não se exige que sejam miss universo, lindas de rosto e corpo, como num concurso de beleza, mas que não assustem criancinha. Altura, formato do corpo, nem anoréxicas, nem obesas, pele, cabelo, e dentes sadios, conformações dos olhos, nariz e boca agradáveis. Isto posto, podemos extrair a média da beleza. Ela pode estar entre negras, amarelas, brancas e mestiças. Sem distinção. Ajuda na boa aparência os cuidados básicos de higiene e alimentação. Se for inteligente, atenciosa e simpática esses atributos somam à beleza. Aí, você pode perguntar: "E as feias? O que podem fazer? " Podem e devem trabalhar em serviços que não exijam contato com o público. Atendentes por telefone, Call service, por exemplo. Mesmo nesse caso a voz deve ser agradável, a paciência e tolerância enormes, e NUNCA usarem o gerúndio.
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29.1.17

Almoço na praia

Com foto de Georg Lange, Eberhard, July López, e o autor do blog. Janeiro de 2017

Crônica diária

"Exige-se boa aparência"

Lembram dessa exigência?  Os anúncios de emprego invariavelmente terminavam com esses dizeres. Hoje talvez seja considerado politicamente incorreto. Aliás, tudo é. O mundo esta ficando muito chato. Vou seguir o conselho da Maria Tomaselli, que citou o jornalista Karl Kraus que disse: " se tu não gostas do mundo, troca de jornal". Semanas atrás minha mulher e eu entramos numa loja de shopping de primeira linha, a procura de um presente para minha sogra. Havia na loja seis vendedoras. Uma mais feia do que a outra. Chamou-me a atenção pelo fato de todas serem exatamente a antítese da "boa aparência", antigamente exigida nos anúncios de emprego. Essa loja deve saber o que faz. Deve ter um RH muito especial. Ou politicamente muito correto. Esse exagero depunha contra os produtos expostos.

28.1.17

Neta e sobrinha


Lembranças do verão na fazenda

Crônica diária



Um inverno norueguês
Desde 2015 estou tentando acabar de ler "Morte do Pai" do escritor norueguês Karl Ove Knausgard. Estamos no fim de Janeiro de 2017 e não passei da página 200 do primeiro livro de seis volumes com mais de 3 mil páginas. O meu tem um marcador que vai lentamente movendo-se para o fim, com longos intervalos. O autor é prolixo e muito detalhista. As longas descrições me aborrecem. Ao contrário dos seriados policiais noruegueses, que tenho assistido na Netflix, onde o cinema norueguês da um show de competência, modernidade, a literatura, apesar de fazer sucesso no mundo todo, não me convence. Pelo menos Karl Ove parece escrever, durante um prolongado e tedioso inverno, para leitores que apreciam longas e detalhadas descrições para preencherem o longo e tedioso inverno. Aqui abaixo do equador o inverno é curto e não me parece necessário encher linguiça para passar o tempo.

Comentários que valem um post


Jorge Pinheiro deixou um novo comentário sobre a sua postagem "A vida e os amores de Cristóvão Colombo":

Vou começar a ler. O prefácio já li e está óptimo.

Postado por Jorge Pinheiro no blog . em sexta-feira, 27 de janeiro de 2017 08:46:00 BRST 
 
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Jorge Pinheiro deixou um novo comentário sobre a sua postagem "Crônica diária":

Grande história. Você acredita que eu não tenho um único pente vai para 4 ou 5 anos?


Postado por Jorge Pinheiro no blog . em sexta-feira, 27 de janeiro de 2017 08:48:00 BRST
 
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27.1.17

A vida e os amores de Cristóvão Colombo

Acabo de receber o mais recente livro do Aloísio De Almeida Prado.Transcrevo o texto da quarta capa: "Quando vemos o busto de um grande homem, erigido em Praça Pública, sujeito às intempéries do tempo, chuva, sol, vento, neve, e até sujeira dos pombos, não nos parece que ele teve coração. Nem parece ter tido, um dia, amores, desejos, decepções. Foi aí que o autor se fixou, usando as navegações como moldura, narrou de forma delicada e sutil, sua vida amorosa: Colombo tinha, sim, coração." Texto baseado no Prefácio que tive a honra de escrever. Procurem ler o livro, se puderem.

Crônica diária

Por falar em careca

Não vou chover no molhado e dizer que é deles que elas gostam mais. É mentira. Mas contei outro dia a graça que a mocinha da recepção do hotel em Treze Tílias, SC, achou quando disse meu primeiro sobre nome. Olhou para mim incrédula e sorriu. Penteado? Pois é, sou, por parte materna. Minha avó e mãe tinham pouco cabelo. Minha bisavó paterna  era careca. Naquele tempo não tinham, peruca, porque era muito cara. Ela usava uma touca de pano. Semana passada fui à Liberdade, um bairro japonês em São Paulo comprar pente. Comprei 45. Isso mesmo, 45 pentes daqueles enormes de plástico. A vendedora não acreditava. Foi motivo de muita risada na loja. Chegaram a dizer: "Deixa ele comprar o que quiser". Como se tratasse de um louco. Careca comprando pente, e nessa quantidade, só sendo muito otimista ou demente. Acontece que eram para minha mulher fazer três escorredores de prato ou porta cartão. Parece ainda mais estranho do que um careca comprando pente. Mas a Paula uniu, a cada 15, com um cordão de borracha, pelo furo do cabo, e juntos servem como escorredores de prato na cozinha, ou porta cartões na mesa do escritório. Tudo muito moderno, cheio de bossa.

26.1.17

Por do sol

Meus netos em foto da minha filha Sandra na fazenda da Tia Elisa, em Valparaiso, SP

Crônica diária

Newton, Fernando e Herbert

 Lendo "Newton Braga, cachoeirense ausente", que sua filha Marília me presenteou, encontrei uma crônica onde ensina o irmão mais moço a escrever sobre assuntos irrelevantes, ou totalmente sem apelo. A crônica tinha por título "Cães em desfile". O irmão Rubem, valendo-se da lição, escreveu duas colunas e foi efetivado no cargo. Meu amigo Fernando Zanforlin  que além de viajar de moto, com a esposa na garupa, pelo Brasil e pelo mundo, vezemquando comenta minhas tolices aqui no FB. Seus comentários nem sempre são entendidos por todos leitores, senão só por aqueles assíduos e muito atentos. Liga u´a mesa da crônica do eletricista, com um debate acalorado sobre gays: "sugestão : quem não gostou fique debaixo da mesa." Em outra crônica sai com essa: "...lembrei-me do chato do Renan. ( será que todos são?)", que nem eu entendi. No entanto sobre o Frei Beto, de quem falei num texto mais recente, o Fernando disse: "Esse sujeito é um boçal sem canivete, ficou preso, foi solto e continua sendo um irrecuperável." Dessa frase quero destacar "boçal sem canivete". Expressão maravilhosa. Inteligente. Educada. Tanto quanto a que expressava, em forma de xingamento, quando algum "barbeiro", isto é, motorista, cometia alguma imprudência, meu patrão, à época,  Herbert Levy dirigindo, e eu de carona, esbravejava: " Animal de rabo", e continuava a dirigir, certo de que tinha se vingado do mau motorista definitivamente. Era um Lord.

25.1.17

Bahia 2014

 Paulinha e Paulo, meu irmão, em sua praia na Bahia há 3 anos. O FB foi quem me lembrou.
O taxi nas praias baianas

Crônica diária

 No mato sem cachorro ou um STF abaixo de qualquer insuspeita

Quero com isso registrar que o atual STF que deveria ser composto por 11 ministros acima de qualquer suspeita, encontra-se completamente politizado. Cada ministro tem sua preferência político partidária e dela não faz segredo. Um verdadeiro escárnio público. Homens e mulheres de reconhecido saber jurídico que deveriam julgar interpretando a constituição, o fazem ao sabor de suas preferências e conveniências político partidárias. Uns querem salvar o PT, outros defendem o PMDB, e alguns o PSDB. Não se dão conta que perante a lei todos são iguais. Não se comportam como magistrados, mas como advogados das causas em que acreditam. Alguma coisa esta errada na escolha desses juízes. Assim como a Justiça do Trabalho é aberta e descaradamente favorável ao empregado, cometendo injustiça contra empregadores, o STF não prima pela imparcialidade. Acontece que não há instância superior a ser recorrida. E isso é gravíssimo. O povo não confia, com razão, nos políticos. Agora tem razões para não confiar na justiça. Sobra como única fonte ainda confiável parte da imprensa livre. O perigo  que o regime democrático corre de haver uma ruptura das instituições é sério. E desta vez o exército não é a opção. Os baixos soldos praticados nas forças armadas não foram suficientes para manter uma elite moral e intelectual como em tempos passados. Em poucas palavras, se os Estado Unidos tem um Trump para digerir, nós outros brasileiros, que habitamos este trópico corrupto, estamos no mato sem cachorro.

24.1.17

Almoço entre amigos


Selfie de Eberhard Lange, sua  mulher July López, seu  irmão Georg Lange, comigo em recente almoço vegetariano em sua casa.

Crônica diária


Anita Raja e seu marido Domenico Starnone




Elena Ferrante, e o  mistério

Minha leitora Valeria Garcia fez referência ao best-seller da festejada Elena Ferrante, e me deixou curioso. O que eu sabia dela, todo mundo sabe. Apresenta-se anonimamente, sempre dando entrevistas por escrito, e nunca divulgando fotos, o que foi alimentando o mistério. Quem seria de fato a Elena. As suspeitas de que se tratava da tradutora Anita Raja de 63 anos aumentou com a publicação do jornalista italiano Claudio Gatti na revista "The New York Review of  Books". As finanças de Anita Raja, que também é casada com o escritor  Domenico Starnone, aumentaram de forma surpreendente desde que Ferrante começou a fazer sucesso. O casal comprou nos últimos anos dois grandes apartamentos em Roma e uma propriedade na Toscana, todos em áreas valorizadas – o custo total teria sido de milhões de euros. Eu desconfiava, por tratar-se de uma escritora, que os temas abordados não fossem me interessar. Mas por dever de ofício fui conferir. Escolhi o livro mais fino e barato de sua série. "A filha perdida". Se gostasse enfrentaria os de maior sucesso que foram "A amiga genial" e "História do novo sobrenome". Não há dúvida que escreve com desenvoltura, talento e cria personagens femininos como os maiores romancistas do nosso tempo. Porém..., não é definitivamente a literatura que gosto. Podem me tachar de machista, que não me importo. Colaborei com as finanças da Anita Raja com o menor valor que encontrei, e não pretendendo adquirir seus outros livros. Reconheço que minhas leitoras podem, e certamente gostarão, pois a Anita ou Elena escreve para vocês. Ainda que Valeria Garcia tenha dito:"Me poupe, Eduardo."

Uma carta adoravel

Marilia Braga

Prezado Eduardo,
Só umas palavrinhas pra contar que levei seu livro "Cidade Transparente" para ler na sala de espera do hospital. A chamada estava na senha 23, a minha era 64. Consegui um assento e comecei a gostar das cronicas: sua "amizade" com meu ídolo infantil Gary Cooper, os casos da sua infância, etc. Então entrei na história da Fazenda Forkilha e o sequestro da filha do milionário. Aí a enfermeira me chamou, a médica conversava e eu com a Dulce na cabeça, ansiosa para saber se a moça sobreviveria ou seria assassinada pelo sequestrador. Vamos fazer Raios-X, depois volta aqui pro diagnóstico: sinusite. Nem liguei. Corri para a farmácia comprei os remédios, cheguei em casa peguei o livro e corri pro sofá.  Final totalmente inesperado: Dulce não só sobreviveu como casou com o sequestrador e os dois foram muito felizes e bem sucedidos. 
Agora fica a grande dúvida: é tudo verdade? ou tudo mentira? Você é um grande contador de histórias, adorei!
Um abraço,
Marilia






23.1.17

Comidinhas da Piacaba

Costumo dizer, sem modéstia ou medo de errar que o melhor lugar para se comer aqui na praia é na Piacaba. Arroz com queijo e molho de tomate, batata cozida e frango assado.

Crônica diária

 Brincando de adivinhar

Vocês já brincaram disso? Minha mulher e eu brincamos sempre, durante as viagens. Como passa- tempo. No avião, em barcos, e ônibus de turismo. Você observa uma pessoa, ou preferencialmente um casal, e constrói sua história. A deles. Profissão, onde moram, e por aí vai. Temos dado muita risada. Temos errado redondamente. Mas acertamos algumas vezes. Os trajes, o comportamento, os gestos, tudo contribui como informação. Já foi mais fácil. Houve um tempo que os trajes eram mais sóbrios. Os gestos mais contidos, educados. Hoje todo mundo viaja de bermuda, havaianas, tablets, celulares, e se tatuam. Antigamente tatuagem era coisa de marinheiro e puta. Esses detalhes dificultaram muito nossa brincadeira. Freiras não usam mais hábitos, e os turistas europeus que eram mais sóbrios aderiram à moda "conforto" antes de tudo. E lá se foram indicativos preciosos para nossa brincadeira. A gravata, o sapato, e até a caneta Montblanc. Mas continuamos atentos às bebidas que os passageiros vão tomar a bordo. Pelo jeitão da pessoa adivinhamos se beberá água, suco de fruta de caixinha, Coca-Cola, ou cerveja, A brincadeira acaba quando a viagem termina.

Comentários que valem um post

Marilia Braga Embora suspeita, concordo plenamente que se não for por obrigação ou profissão, cada um escreva o que sente e não o que "deve".

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Jean Louis Bize Junior
Jean Louis Bize Junior Tropicalmente corrupto , perfeito !
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22.1.17

Frade e Freira

Com foto recente da Carol, esposa do Álvaro Abreu, o Frade e Freira de Cachoeiro do Itapemirim, no Espírito Santo. Gentilmente enviada pelo Álvaro.

Crônica diária



A política e o tédio

Recebo o recado de um amigo: "Você precisa escrever mais sobre política". E acrescenta que eu ando muito "alienado" ou "por fora", como se costuma dizer agora." 1967, 19 de outubro, Rubem Braga publicou as frases acima, em sua crônica no Diário de Notícias. Meus leitores poderiam tomar como minhas, não fosse o "por fora" como expressão em "uso agora". Ela tem exatos 50 anos. E o Braga continuava seu texto dizendo: "O amigo tem razão, mas o diabo é que não gosto de forçar minha natureza, e confesso que mal tenho lido as seções políticas dos jornais. O tédio me vence". Eu poderia assinar essa parte da crônica hoje. Cinquenta anos depois. O Brasil é grande, lento, provinciano, e tropicalmente corrupto. Avança, mas muito lentamente.
Esta croniquinha estava pronta há vinte dias. Ante ontem recebo este comentário feito por Cassio Penteado: "Pessoalmente gostava mais de sua versão "comentarista do dia a dia" expondo opinião sobre assuntos quentes que provocavam os seus leitores. Vc mudou o foco para um passado glorioso da crônica brasileira com três ou quatro vultos. São agora escritos históricos apenas. Volte ao bom combate do dia a dia. Seja um renovado Jabor... Esperei um texto sobre a morte do Ministro e tu vem com Rubem Braga que repousa no panteão de uma era passada..."
E minha resposta ao meu leitor e primo é mais ou menos a que o velho Rubem deu 50 anos atrás. Mas vou além, desde sempre minhas abordagens foram sobre política, literatura, e memórias. Do dia a dia cuidam os jornalistas, repórteres, e articulistas que tem por obrigação cobrir os acontecimentos diários. Eu não. E se num passado recente falei quase todos os dias contra o governo corrupto da Dilma, e do PT, foi por uma necessidade cívica e patriótica. Hoje não há mais espaço para minha atuação. De quando em quando saio em defesa do Temer, porque dele depende nossa sorte. De quando em quando ataco ferozmente os apátridas que continuam bradando: "Fora Temer", e combatendo os ingênuos, ou nem tanto, que preconizam: "Diretas já". Quanto aos acidentes aéreos onde as falhas humanas, ou razões estritamente meteorológicas são as causas, como foram nos casos do Eduardo Campos  e agora do Ministro Teori Zavascki,  me nego entrar nessa bobagem da Teoria Conspiratória que sempre, "os mesmos", levantam. De resto temos que lamentar a fatalidade que certamente irá prejudicar muito a Operação Lava jato, ou no mínimo retardar seu desfecho. 

Comentários que valem um post

Cassio Penteado Recebo a sua resposta às minhas invectivas e compreendo as razões e argumentos que vc colige. É que nos dias que correm alguns textos podem parecer a orquestra que tocava enquanto o Titanic afundava. Em outras palavras sinto falta, e como eu talvez outros amigos que o leem, retornos - quando possível - do Eduardo polemista... Abraços do teu amigo e primo.

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Eduardo Penteado Lunardelli
Eduardo Penteado Lunardelli Caro Cassio Penteado, o velho Eduardo de guerra continua o mesmo. As circunstâncias é que mudaram. Deixo de fazer um embate político por completo "tédio" como escreveu o velho Urso. Por outro lado o número de amigos cresceu para mais de 1610 e a lista de novos pedidos de amizade aumenta. Não estou cedendo à superficialidade do Facebook, mas nego considerar-me um polemista. Tenho ideias próprias e as defendo com veemência, isso sim. Mas estou tranquilo quanto a esta fase de "Eduardo Paz e Amor", parodiando o investigado pela justiça, e incrivelmente, solto até hoje. Faço ainda uma observação técnica, atendendo seu desejo de "retorno". Minhas intervenções diárias, a que dou o nome de crônicas, são publicadas em livro de papel a cada 300 dias. Para um leitor do livro, depois de um ou dois anos, os fatos circunstanciais do dia a dia, perdem completamente a relevância. Essa a razão das minhas croniquinhas variarem constantemente de temas. Sei que isso também contraria o espírito da "crônica" como estilo literário. Elas são, num conceito geral, datadas. O Titanic não vai afundar. Há 50 anos o país era muito parecido com o que é hoje. Haja vista as palavras do Rubem. Nem a eleição do Trump é tão grave como estão tentando nos convencer. A economia americana, que é a maior do mundo, só representa 20% da economia mundial. Vai atrapalhar um pouco, mas não é o fim do mundo. Sou um otimista nato. Agradeço sua preocupação com minha orquestra. No fim todos nos salvaremos.

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21.1.17

Piacaba vista da praia

 A casa branca à direita da foto é do vizinho Eberhard Lange, construida pela Katy Strand.
Janeiro de 2017

Crônica diária

Panetone e Guaraná

Estamos em janeiro e acabo de comprar um panetone por R$15,00 reais e levar outro igual de brinde. Compre um e leve dois. Liquidação dos estoques de Dezembro. Este ano, na véspera do Natal cheguei a pagar R$19,00. É um bolo natalino caro e de origem milanesa do norte da Itália. Produzido por duas grandes empresas com nome italiano Balducco e Visconti, que dominam o mercado, é encontrado em produção "caseira" em qualquer supermercado. Por preços muito inferiores. Mas... a qualidade e sabor também o são. Adorava come-los tomando leite gelado. Meu pai era médico e dizia: "Os únicos animais que bebem leite quando adultos são o gato e o homem. E o gato porque o homem dá". Ele tinha razão. Estou proibido de tomar leite. Substitui por chá. É mais elegante e mais nobre. Mas o leite era mais gostoso. Vezemquando como panetone com Guaraná. Mas tem que ser da Antártica. Os outros são muito doces.

Comentários que valem um post

Cassio Penteado Pessoalmente gostava mais de sua versão "comentarista do dia a dia" expondo opinião sobre assuntos quentes que provocavam os seus leitores. Vc mudou o foco para um passado glorioso da crônica brasileira com três ou quatro vultos. São agora escritos históricos apenas. Volte ao bom combate do dia a dia. Seja um renovado Jabor... Esperei um texto sobre a morte do Ministro e tu vem com Rubem Braga que repousa no panteão de uma era passada...

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20.1.17

Nova sinalização

Mapa com a sinalização das Pousadas nas praias do Rosa e Ibiraquera, em Santa Catarina.

Blog Viciado

Esta imagem postei há anos num blog chamado  "Blog viciado"  . O autor é desconhecido.

HÁ CINCO ANO HOMENAGEANDO OS BONS BLOGGERS

2008 a 2013

BLOG VICIADO , um blog onde prestamos homenagem à melhor postagem da SEMANA. Concorrem todos os bons blogs da web. Levamos em consideração o design ( modêlo), apresentação, regularidade, assunto, oportunidade, texto, e ou imagem, das postagens dos blogs analisados.
Não se trata de concurso, mas o simples fato de ter a postagem publicada no BLOG VICIADO, isso pode ser entendido como um prêmio.Os blogs cujas postagens fizerem parte do BLOG VICIADO, terão seus links relacionados no sidebar.
 

Crônica diária

Rubem Braga, "homem de pouca música"

Assim se definia o maior cronista brasileiro. Apesar de ter sido chamado de "orelha de pau" foi membro de júri de festivais de música. Entendia de letras. E escreveu bastante sobre o assunto. Carlos Didier reuniu em livro suas crônicas sobre música. O que diria ele nos dias presentes? Lendo parte das letras das 10 mais tocadas do ano de 2016 fiquei chocado. Foram chamadas de "musica de sofrência". Inicialmente imaginei em transcrever, aqui, parte das letras, mas desisti. É um monte de bobagem inenarrável. Braga escrevia sobre as letras do Chico Buarque, Vandré, Rita Lee, e dos maiores compositores carnavalescos de sua época. As letras e músicas atuais são de chorar, literalmente. Sofrência é o que nos submetemos ouvindo essas coisas. Ainda bem que hoje há uma estação de rádio que só toca notícia. Por pior que sejam, são sempre melhores do que o cancioneiro nacional no momento.

19.1.17

Cultura geral


 O BARÃO DE ITARARÉ! 
"O que se leva desta vida é a vida que a gente leva" uma das frases antológicas de Barão de Itararé
Frases impagáveis do Barão de Itararé
 
Criador do jornal “A Manha”, o Barão ridicularizava ricos, classe média e pobres. Não perdoava ninguém, sobretudo políticos, donos de jornal e intelectuais.

Ele não era barão, é claro. Mas deu-se o título de nobre e nobre se tornou. O primeiro nobre do humor no Brasil. Debochava de tudo e de todos e costumava dizer que, “quando pobre come frango, um dos dois está doente”. Ele é um dos inventores do contra-politicamente correto.

Há muito que o gaúcho Apparício Fernando de Brinkerhoff Torelly, o Barão de Itararé (1895-1971) merecia uma biografia mais detida. Em 2003, o filósofo Leandro Konder lançou “Barão de Itararé — O Humorista da Democracia” (Brasiliense, 72 páginas). O texto de Konder é muito bom, mas, como é uma biografia reduzida, não dá conta inteiramente do personagem, uma espécie de Karl Kraus menos filosófico mas igualmente cáustico.

Quatro anos depois, o jornalista Mouzar Benedito lançou o opúsculo “Barão de Itararé — Herói de Três Séculos (Expressão Popular, 104 páginas). É ótimo, como o livrinho de Konder, mas lacunar. No final, há uma coletânea das melhores máximas do humorista, que dizia:
O uisque é uma cachaça metida a besta.
O que se leva desta vida é a vida que a gente leva.
A criança diz o que faz, o velho diz o que fez e o idiota o que vai fazer.
Os homens nascem iguais, mas no dia seguinte já são diferentes.
Dizes-me com quem andas e eu te direi se vou contigo.
A forca é o mais desagradável dos instrumentos de corda.
Sábio é o homem que chega a ter consciência da sua ignorância.
Não é triste mudar de ideias, triste é não ter ideias para mudar.
Mantenha a cabeça fria, se quiser ideias frescas.
O tambor faz muito barulho, mas é vazio por dentro.
Genro é um homem casado com uma mulher cuja mãe se mete em tudo.
Neurastenia é doença de gente rica. Pobre neurastênico é malcriado.
De onde menos se espera, daí é que não sai nada.
Quem empresta, adeus.
Pobre, quando mete a mão no bolso, só tira os cinco dedos.
O banco é uma instituição que empresta dinheiro à gente se a gente apresentar provas suficientes de que não precisa de dinheiro.
Tudo seria fácil se não fossem as dificuldades.
A televisão é a maior maravilha da ciência a serviço da imbecilidade humana.
Este mundo é redondo, mas está ficando muito chato.
Precisa-se de uma boa datilógrafa. Se for boa mesmo, não precisa ser datilógrafa.
O fígado faz muito mal à bebida.
O casamento é uma tragédia em dois atos: um civil e um religioso.
A alma humana, como os bolsos da batina de padre, tem mistérios insondáveis.
Eu Cavo, Tu Cavas, Ele Cava, Nós Cavamos, Vós Cavais, Eles Cavam. Não é bonito, nem rima, mas é profundo…
Tudo é relativo: o tempo que dura um minuto depende de que lado da porta do banheiro você está.
Nunca desista do seu sonho. Se acabou numa padaria, procure em outra!
Devo tanto que, se eu chamar alguém de “meu bem”, o banco toma!
Viva cada dia como se fosse o último. Um dia você acerta…
Tempo é dinheiro. Paguemos, portanto, as nossas dívidas com o tempo.
As duas cobras que estão no anel do médico significam que o médico cobra duas vezes, isto é, se cura, cobra, e se mata, cobra.
O voto deve ser rigorosamente secreto. Só assim, afinal, o eleitor não terá vergonha de votar no seu candidato.
Em todas as famílias há sempre um imbecil. É horrível, portanto, a situação do filho único.
Negociata é um bom negócio para o qual não fomos convidados.
Quem não muda de caminho é trem.
A moral dos políticos é como elevador: sobe e desce. Mas em geral enguiça por falta de energia, ou então não funciona definitivamente, deixando desesperados os infelizes que confiam nele.
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Enviado por João Menéres

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