7.8.17

Crônica diária



A Flor da Inglaterra

Além da aspidistra de que falamos ontem, encontrei no livro do George Orwell outra memorável referencia. Há mais de sessenta anos que não ouvia falar de camisa de lamparina. Isso mesmo. Vocês meus leitores urbanos também nunca devem ter visto ou ouvido falar de lamparina com camisa. O personagem central do livro, em dado momento, nervoso e cheio de ansiedade,  ao riscar o fósforo para acender a lamparina esbarrou na camisa danificando-a. Lembro quantas vezes isso aconteceu com meu pai, e muitos anos depois comigo. Usávamos lamparina a querosene na fazenda quando ainda não havia energia elétrica. E para quem nunca viu uma camisa de lamparina, a melhor descrição é a de uma cabana de filó, sustentada por arames. A chama do pavio da lamparina  incandesce o tecido da camisa, e promove uma luz forte e clara. Mas nossa memória é uma coisa curiosa. Na orelha do livro tem uma foto do George Orwell. Ele quando adulto usou dois tipos de bigode. Um quadradinho embaixo do nariz, a lá Hitler, horroroso, e outro estreito sobre o lábio superior de canto a canto da boca.  Com esse ultimo, embora mais estiloso, Clark Gable também fez moda. E ele, o bigode, me remeteu ao farmacêutico do nosso bairro, quando eu era moleque. A casa dos meus pais era na Rua Honduras, a uma quadra da esquina da Rua Pamplona com Estados Unidos, na cidade de São Paulo. E lá na Pamplona havia a farmácia. O dito farmacêutico era magro, alto e portava o mesmo bigodinho do George, além de um jaleco branco de mangas curtas. E foi nesse cenário que tive meu primeiro grande pesadelo. Precisava comprar “camisinha”, e não para lamparina, mas preservativo, e não tinha coragem de encarar o dono da farmácia.  Lembro-me de ter ensaiado e desistido uma dúzia de vezes. Morria de vergonha que a mocinha balconista viesse me atender. Como iria solicitar uma "camisinha" para u´a moça? Os feitios de bigode e o uso dos preservativos com o tempo mudaram. Hoje lamparina só em casa de caça e pesca. Como a caça é proibida, e a pesca controlada e restrita, coitada da lamparina.

2 comentários:

João Menéres disse...

E por quanto tempo adiou a compra, Eduardo ?

Jorge Pinheiro disse...

Um adiamento comprometedor.

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