29.7.17

Crônica do Alvaro Abreu


Fim da embromação

 O imbróglio das obras da BR101 não sai do noticiário. Ainda bem. Quanto mais se pergunta e se conhece os fatos, mais se desvenda o tamanho do buraco. Hoje, o nível de conforto da concessionária e dos responsáveis pelo controle de suas obrigações contratuais já está bem perto do zero. Está criada uma indignação generalizada, sobretudo entre os que dependem da estrada para ir e vir, para salvar vidas, receber o que comprou, vender o que produziu. O governador quer conversar, a OAB resolveu se mexer, o MPF vai investigar, o diretor da ANTT vem ao Estado e tudo o mais.

Duplicar mais de 470km de estrada, com prazos e condicionantes previamente definidos, exige experiência empresarial específica, recursos volumosos e uma complexa engenharia financeira, fundamentada em informações confiáveis sobre a viabilidade de sua realização. Entram nessa conta os números dos investimentos com: estudos e projetos, desapropriações, execução de todas as obras previstas, bem como os das despesas com manutenção e operação da estrada ao longo do tempo. Do outro lado, estarão as previsões de receitas com pedágios e multas durante o período da concessão e as estimativas de valores para retornar os recursos investidos pela própria empresa, pagar os seguros contra riscos e perdas, amortizar os empréstimos contratados e assegurar uma margem justa de lucratividade. Por precaução, já não convém incluir investimentos em campanhas eleitorais e propinas em geral. A falta de projetos básicos de engenharia torna essas contas imprecisas e perigosas, exigindo revisões constantes e fiscalizações sistemáticas.

A tomar como verdadeiras as declarações do diretor as ECO101 e corretos os números publicados no jornal, as minguadas obras em curso estão sendo bancadas praticamente com a receita do pedágio. Se isso procede, sugiro que suspendam imediatamente o contrato, por embromação empresarial ou outra razão juridicamente razoável. No rumo em que está, a duplicação não tem futuro colorido. Definitivamente, a concessão merece um bom freio de arrumação.


Vitória, 26 julho de 2017
Alvaro Abreu
Escrita para A GAZETA

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