1.7.17

Crônica do Álvaro Abreu


Bem de longe

Cá estou eu novamente na casa do meu filho mais velho, que veio passar uns tempos nos USA com sua família, a exemplo do que tem acontecido com muita gente nesses últimos anos. Em épocas passadas, a vontade de morar no estrangeiro era coisa de uns poucos. Papai mesmo levou a mulher grávida e os quatro filhos para passar dois anos fora, em 1955. Ele fora contratado pela ONU para assessorar o governo da Bolívia na área de saúde pública, especialidade em que era tido como um bam bam bam. Em função de suas dificuldades para enfrentar o ar rarefeito de La Paz, foi transferido para Bogotá. Guardo boas lembranças dos colégios, das praças e, sobretudo, dos passeios.

Avô prevenido, desta vez eu trouxe um pedaço de bambu escuro e resistente, de uns sessenta centímetros, para fazer mais um arco de flecha para o neto que se acha um poderoso guerreiro e cresce a olhos vistos. O que fiz da vez passada, com um bambu fininho comprado aqui, não resistiu ao uso intenso, conforme previsto. Soube que a decepção do moleque foi grande e duradoura, dessas coisas que faz avô passar vergonha e ficar matutando uma solução para remediar tamanha desfeita. Neste caso, só mesmo fazendo um outro bem bonito, com o menino em volta, acompanhando o serviço, acumulando expectativas.

Ontem passei horas ensinando a neta canhota a raspar bambu em busca de curvas simpáticas, retas perfeitas e superfícies lisinhas. Atenta e habilidosa, ela ajudou a finalizar a colher comprida que eu estava fazendo pra ela, dando pinta de que vai seguir praticando o ofício. Hoje, vamos sair para comprar uma vara de molinete, linha fina, anzóis miúdos e chumbadas pequenas. Em casa, ensinarei os segredos de como fazer cabrestos, prender anzóis e tudo o mais. Depois, haveremos de descobrir onde comprar isca, pois já sabemos onde tem um bom lugar para pescar: um píer de madeira de uns duzentos metros mar a dentro. Para completar a informação turística, devo dizer que, por simples prudência, estou sem saber do que acontece no Brasil desde o dia 22, quando entrei no avião. 

Bradenton, 28 de junho de 2017
Alvaro Abreu
Escrita para A GAZETA

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