3.6.17

Crônica do Alvaro Abreu


Faltou um personagem

No domingo fui assistir Real – O Plano Por Trás Da História, com a curiosidade de quem acompanhou bem de perto fatos ligados à criação do Plano Real. Na segunda, li comentários que explicam o cinema vazio. Como era esperado, o filme não inclui meu personagem preferido. Explico.

Tenho viva na memória uma conversa de varanda que tive com meu irmão Cláudio, engenheiro do BNDES, no Natal de 1992, sobre a economia brasileira. Para ele, a inflação estratosférica de então era de origem psicológica, gerada pelas incertezas dos mais fortes que, para se proteger, penalizavam os mais fracos que, por sua vez, agiam como fortes diante dos mais fracos do que eles. O governo era o fortão. Bem ao seu estilo, Cláudio falou que ia propor uma maneira de quebrar aquela corrente perversa.

Meses depois, durante uma reunião de dirigentes do banco com Betinho, que buscava apoio para seu programa contra a fome e pela vida, sua disposição cresceu. Tanto que, em julho, animadíssimo, me chamou ao Rio especialmente para conhecer seu trabalho: “Indexação Diária Negociada - contra o veneno da cobra, só mesmo o veneno da cobra”. Sugeri que diminuísse radicalmente a quantidade de páginas.

A versão resumida ficou pronta no final de agosto de 1993 e, na edição de 8 de setembro, a Tribuna da Imprensa publicou matéria sobre sua proposta. Dias antes, ele a enviara para Edmar Bacha, assessor de FHC, então ministro da fazenda, e para Pérsio Arida, recém-empossado presidente do BNDES. Junto com Pedro Malan, Gustavo Franco e outros economistas saídos da PUC-Rio  eles formavam o grupo convocado pelo governo Itamar para tentar sanar a inflação. Sabe-se que receberam o trabalho e há comprovação de que usaram como argumento a sua metáfora sobre o veneno da cobra. 

Até hoje ninguém foi capaz de dizer que seus fundamentos foram incorporados ao Plano Real, anunciado quase um ano depois. Pudera, como admitir que um mero engenheiro pudesse pretender resolver graves questões da economia? Cláudio não entrou no filme, mas a sua versão da história está lá na internet.

Vitória, 31 de agosto de 2017
Alvaro Abreu
Escrita para A GAZETA

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