20.5.17

Praça dos cristais

Ontem falei do desafio inicial, do concurso/oficina "Desafio dos Escritores DF"  comandado pelo escritor Roberto Klotz. Hoje falo sobre As três "provocações" propostas aos 21 primeiros classificados: "Personagem: Dondoca adultera, Lugar: Praça dos cristais, e "objeto-chave": crachá". Só os 21 selecionados podem participar. Como exercício, e uma brincadeira, resolvi criar uma sinopse de um conto com os três elementos. Espero não cair em nenhum clichê. Meus leitores podem fazer às vezes de júri, criticar e pontuar.
Cândida era linda dos pés à cabeça. Mas além da beleza natural, não fazia outra coisa a não ser cultiva-la. Cuidar de seu corpo, da pele, do cabelo, das unhas, da saúde. Parecia não se contentar com a beleza que já tinha, queria eterniza-la. Era casada com um militar paraplégico preso a numa cadeira de rodas por conta de um acidente de moto. A casa onde viviam aparentava estar além dos rendimentos de um major do exército brasileiro. Ficava à beira da lagoa, bairro mais luxuoso de Brasília. Todos as manhãs um personal trainer apanhava o major, e sua cadeira de rodas, com uma Kombi,  e iam para a Praça Cívica, mais conhecida como Praça dos Cristais, localizado no Setor Militar Urbano, em frente ao Quartel General do Exército, onde trabalhou o major reformado. Lá fazia seus exercícios e matava a saudade da carreira interrompida precocemente. Cândida dormia até tarde, e o resto do dia dedicava-se à sua beleza. Massagens, ginástica, cabeleireiros, manicures, e visita às lojas mais sofisticadas da cidade. O dinheiro, segundo ela filha única, era da herança do pai, rico fazendeiro goiano. O major sempre acreditou nisso, ou fingia acreditar. Cândida antes mesmo de se casar tinha um caso com um político importante. O senador morava na capital do estado que representava. Chegava à  Brasília na terça, e voltava para casa na sexta. Uma vez por semana encontrava com a Cândida num apartamento que aparentemente era consultório de um psicanalista de ambos. Cândida nunca exigiu nada do amante. Era absolutamente discreta, e ambos tinham interesse em manter o relacionamento extraconjugal, e seus respectivos cônjuges. A senha para aumentar a generosa importância mensal, que o senador depositava em sua conta bancária, era a palavra “crachá”. E a cada cinco ou seis meses ela lembrava o amante que ele prometera, há quinze anos atrás, um crachá para ela frequentar o congresso. Para evitar contatos em público, ou por ciúme, ele sempre desconversava, e aumentava a mesada. Com essa prática, que vinha de anos, todos iam vivendo.

3 comentários:

João Menéres disse...

Irei ler atentamente daqui a horas para apreciar e dizer o que penso, Eduardo.

Jorge Pinheiro disse...

Agora precisamos da continuação.

João Menéres disse...

Vou enviar um e-mail. Eduardo.

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