4.5.17

Crônica diária

Ainda sobre a morte

Karl Ove Knausgard é um escritor norueguês que escreveu uma série de romances que tornaram-se fenômeno literário mundial. Ontem falei do seu livro "A morte do pai". Ele tinha quase trinta anos quando viu pela primeira vez uma pessoa morta. E essa pessoa era seu pai, no respectivo velório. As pessoas não devem morrer na Noruega. Eu conheci a morte alheia bem mais cedo. Primeiro morreu meu avô Delfino. Dele só guardo notícia da morte. Não tenho lembrança de ter convivido. Eu era muito pequeno. O segundo foi um cadáver no Parque Trianon, em frente ao colégio Dante Alighieri, onde eu estudava. A moça de pouca idade morta por envenenamento impressionou-me muito. Por quê as pessoas se matam? A morte seguinte foi a do jardineiro da sede da fazenda. Quem deu a notícia foi a empregada da casa que acordou-me dizendo: O Armindo morreu. Infarto. Guardo dele até hoje um presente. Uma latinha de óleo importado Bardhal, que usava na máquina de cortar grama. Era o seu xodó. Pudera, havia cortado os extensos gramados com alfange durante anos. A máquina motorizada era coisa moderna. Eu devia ter uns doze anos. Depois morreu minha avó e madrinha Nina. Viveu pouco depois de uma queda e fratura do femur. Quem a operou foi meu tio Godoy Moreira. Assisti com meu pai a cirurgia. Depois morreu o Getúlio. Fiquei horas ouvindo a leitura da carta testamento pelo rádio. Segui-se a morte do avô pai do meu pai, de uma irmã, da minha avó Albina, muitos tios de ambos os lados, paterno e materno. Morreu meu pai, e muito depois minha mãe. Morreram sogro e sogra. Ao contrário do que suponho pela narrativa do Karl Ove, aqui no Brasil se morre mais do que na Noruega. Mas tanto lá como aqui, a morte é a única coisa absolutamente certa nesta vida. 

Um comentário:

João Menéres disse...

A esta hora da manhã não me apetece escrever sobre o inevitável...

AS POSTAGENS ANTERIORES ESTÃO NO ARQUIVO AÍ NO LADINHO >>>>>

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