30.4.17
Crônica diária
De cadeia ninguém gosta
Principalmente das nossas. Digo isso porque a todo dia ouvimos ou lemos
que todos os presos pela Lava Jato, aos poucos vão tendo um desejo
enorme de "delatar". Com raríssimas exceções, como José Dirceu, que
prefere uma sela de Curitiba à "delação premiada", os outros vão se
convencendo que o acordo é o melhor caminho. O Marcelo Odebrecht relutou
e acabou cedendo. Já ouvi dizer que o Antônio Palocci vai pelo mesmo
caminho. Ao final e cabo não restarão historias para os retardatários,
que na verdade são é retardados. Esconder o que todo mundo já sabe?
Virar herói? Herói de quem? Ou preferem a liberdade dos tornozelos, às
portas com das grades de ferro?
29.4.17
Crônica diária
Coisas discretas
Faço aqui uma homenagem às pequenas coisas, de tão discretas e
transparentes nunca são exaltadas à altura de suas importâncias. Estamos
todos os dias com elas entre os dedos, ou muito perto das mãos, numa
gaveta, ou no armário. Começo com o Durex, que foi a fita adesiva
transparente que revolucionou a forma de fazer um pacote, um embrulho,
dispensando o prosaico barbante, ou a elegante fita. Foi inventada em
1923 por Richard
Drew, para separar as cores da pintura dos carros, que naquele tempo
era costume usarem "saia e blusa". Para uma cor não se sobrepor à outra,
a fita delimitava os espaços. Essa invenção foi a responsável pelo
grande desenvolvimento da 3M. O Durex passou a ser o "Bom-Bril"
de mil e uma utilidades. Como é transparente sua notoriedade passa
desapercebida. Hoje as fitas colantes são conhecidas como Durex, da
mesma forma que lâmina de barbear é uma Gillette. A outra pequena grande
invenção é o botão. Esse da sua camisa, da sua calça, do seu paletó. O
botão em suas milhares de formas, tamanhos, e materiais. Em suas
respectivas casas. Já tinham pensado nisso? Os fabricantes de botões
apareceram no século 13, mas só nos séculos 15 e
16 é que a indústria se implantou verdadeiramente na França e
aí floresceu. No livro "O Botão ao Longo dos Tempos" de M. Albert
Parent, diz-se que
em meados do século 14 o botão já fazia parte dos objetos úteis, e
depressa começou a ser utilizado como ornamento. Diz a lenda que o
primeiro botão era uma concha com dois furos. O certo é que estamos com
eles diariamente entre os dedos, colados no peito, ou apertados na
barriga, e não damos o devido valor. Isso sem falar nos nossos gloriosos
times de botão, dos tempos de garoto. Rendo aqui minha modesta
homenagem, a esses dois grandes inventos, em nome de milhares de outros,
pouco reverenciados. Nossas vidas nunca seriam as mesmas sem eles.
28.4.17
Israel Kislansky - Cimento e vermiculita
Israel Kislansky
·
WORKSHOP
Modelagem em cimento e vermiculita
SP 28 a 30 de abril
Infos kislansky.israel@gmail.com
Whatsapp 11 98835-0133
#escultura, #sculpture, #cursosdearte, #cursosdeescultura
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SP 28 a 30 de abril
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Whatsapp 11 98835-0133
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Crônica diária
Mikel Santiago, "A última noite em Tremore
Beach"
Mikel Santiago
hoje tem 45 anos. Nasceu em Portugalete (Vizcaya) Espanha, onde mora
atualmente. Mas passou quase dez anos na Irlanda e Holanda. Cresceu ouvindo o
piano do irmão mais velho e na adolescência tocou guitarra numa banda de rock,
como tantos outros escritores de sua geração. Suas primeiras leituras foram
Sherlock Holmes. Começou escrevendo e publicando contos na internet. Este
é seu primeiro romance, e já um best-seller. Publicado em mais de 12 países.
Uma história de mistério em ritmo vertiginoso. Envolvente e eletrizante.
Trata-se de um bom thriller arrebatador. Perfeito para os amantes do gênero.
Pode-se compara-lo a Stephen King, Jöel Dicker o John Connolly. Vale a pena
conhecer.
27.4.17
Crônica diária
Gestos mecânicos
O maior e melhor clichê dos gestos de que tratarei
nesta crônica é o dos "Tempos Modernos" do imortal Charlie Chaplin.
Aqueles que repetimos diariamente e na mesma sequência. Com a idade, então,
eles vão ficando cada vez mais mecânicos e insuportavelmente repetitivos. Ao
acordar o ato de espreguiçar, alongando braços e pernas dá início à maratona de
gestos que se sucedem quase que automaticamente. Virar para o lado e olhar as
horas no criado-mudo. Invariavelmente é sempre a mesma hora. Até parece que o
relógio esta parado com os ponteiros naquela posição. Olhar no espelho do
banheiro, e fazer um ar desolado com a imagem. Cabelos desalinhados, e olhos
inchados. Pegar a escova de dente, abrir a pasta, dar uma pequena umedecida, e
depois de escovar, dar duas rápidas batidas com o cabo na beirada da pia. Fazer
barba é um ritual de gestos idênticos. Esquentar a água, molhar o pincel,
esfrega-lo no sabão Phebo, dentro de uma cuia, dar duas ou três pinceladas, e
ensaboar o rosto. Esse sabonete que foi feito para ser usado como creme de
barba, descobri faz mais espuma, e de melhor qualidade, do que qualquer creme
específico. Depois são os gestos com o barbeador da Gillette, XPTO-da-SILVA, que
diz a publicidade faz mais barbas por um menor preço, e mais conforto. Começo
pelas costeletas da direita, e faço sempre o mesmo percurso, até retirar toda a
espuma e a barba de um dia. Herança de um hábito familiar. Meu avô e meu pai
sempre fizeram barba todos os dias. Já o Guilherme, meu filho, usa aquela barba
de sete-dias, que esta na moda. Depois o banho de chuveiro tem o mesmo ritual
de sempre. Começo pela careca, e termino lavando os pés, em gestos sempre
parecidos. Até o fato de o sabonete cair, e ter de encontra-lo no piso do
chuveiro, com os olhos semicerrados, por conta da água e sabão, são os mesmos.
Só varia o lugar que ele se esconde. Enxugar o corpo tem o mesmo ritual,
sempre. Passar a mão no espelho para desembaça-lo e poder pentear o que me
sobrou de cabelo sobre as orelhas, e assim por diante, todos os dias, os mesmos
gestos.
26.4.17
Crônica diária
Rabo de olho
Estou tentando continuar lendo o chatíssimo "O espírito da ficção
científica", do Roberto Bolaño, de quem gosto muito. Este seu romance,
inédito, é tido como o primeiro que escreveu, e morreu sem publica-lo.
Logo, sabia que não merecia ser publicado. E a bem de sua memória os
herdeiros não deveriam ter publicado. Mas foi lá que encontrei essa
expressão: "viu com o rabo do olho". Olho não tem rabo. No máximo tem
canto. Mas se usa não só no Chile, como aqui, essa expressão.No outro
livro que li em seguida Ultima Noite em Tremore Beach, do Mikel
Santiago, de quem falarei oportunamente, usa mais de uma vez a expressão
"pregar os olhos", no sentido de não conseguir dormir.
25.4.17
Ctrônica diária
"O
desaparecido", de Dror Mishani
Com 42 anos o
jovem pesquisador acadêmico israelense Dror Mishani é um fenômeno mundial com
seu livro O desaparecido", já traduzido para quinze idiomas. Um escritor
de profunda originalidade. Criador do investigador Avraham Avraham promete a
continuação desse seu primeiro romance policial. Muito bem construído, com uma
escrita ágil e instigante, domina toda a técnica do bom gênero policial. Muito
reflexivo, constantemente seus personagens se auto questionam. Numa trama bem
urdida leva o leitor até a ultima linha da última página num suspense
constante. E termina o livro prometendo mais. Vale muito a pena ler e aguardar
os próximos. Anotem esse nome: Dror Mishani.
24.4.17
Crônica diária
Sou leitor, não
um crítico
Outro dia
escrevi sobre um livro chamado "Ferrugem", do jornalista e escritor
carioca Marcelo Moutinho, e pela primeira vez um autor lê minha crônica e se
manifesta. Fiquei gelado. Tenho dito que não sou um crítico literário. Sou só
um aprendiz de cronista. Minhas croniquinhas tem como tema, entre outros,
minha opinião sobre os livros que leio. Ian McEwan, Haruki Murakami, Paul
Auster, Chico Buarque, Dror Mishani, Raduan Nassar, entre muitos outros, nunca
se manifestaram. O comentário do Marcelo me abalou. Sem querer dar uma
dimensão, que não tem, minhas opiniões, atingem um pequeno universo de cem
leitores, se tantos, e isso me impõe uma responsabilidade, para a qual
não havia me atentado. Poderia ter só dito o que realmente achei, e escrevi na
crônica, sem falar da minha decepção com falta de um final mais excitante em
seus contos. Talvez tenha sido severo demais. Ou criado expectativas, que nem o
autor é responsável. Fiquei chateado. Sabem o que o Marcelo Moutinho escreveu
ao comentar minha crônica? Só ":)". Isso mesmo, um símbolo de
sorriso. Disse com isso, mais do que mil palavras. Me atingiu na boca do
estômago. Vou lembrar para sempre. Vou pensar mil vezes antes de apontar um
"defeito" no livro dos outros. Talvez o defeito seja meu, e não do
autor.
23.4.17
Crônica diária
"Flatulência oral"
Essa expressão cunhada pelo jornalista da Band News, Ricardo
Boechat, se referia às borbulhas provocadas por um digestivo
efervescente. Fazia uma analogia à verborragia dos ministros do STE, na
sessão para leitura do parecer do relator do processo contra a chapa
Dilma/Temer. A leitura acabou não sendo feita. Com esse tribunal o Temer
tem pouco a temer.
Comentários que valem um post
João Menéres disse...
A Matilde é a minha neta mais velha ( 17 anos ) e gosta de colaborar comigo.
Eu ainda não colhi nenhuma das flores para a Delegada.
Tem sido uma semana de imenso trabalho, como há muito me não lembro.
O livro, Eduardo, está pousado na mesa fronteira à espera da oportunidade.
Folhei e li frases soltas e tenho já a certeza que o vou devorar.
Nem sei se sobrará uma só flor !...
Um obrigado ao Eduardo.
sábado, 22 de abril de 2017 04:44:00 BRT
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JOSÉ LUIZ FERNANDES deixou um novo comentário sobre a sua postagem "Crônica diária":
Frases, parágrafos e textos curtos podem ser essenciais no jornalismo,mas nem tanto na literatura. A literatura é mar imenso, em que há navegações de cabotagem e navegações de longo curso.
Postado por JOSÉ LUIZ FERNANDES no blog . em sábado, 22 de abril de 2017 04:13:00 BRT
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JOSÉ LUIZ FERNANDES deixou um novo comentário sobre a sua postagem "Crônica diária":
Frases, parágrafos e textos curtos podem ser essenciais no jornalismo,mas nem tanto na literatura. A literatura é mar imenso, em que há navegações de cabotagem e navegações de longo curso.
Postado por JOSÉ LUIZ FERNANDES no blog . em sábado, 22 de abril de 2017 04:13:00 BRT
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Falaram do Varal:
"...o Varal de Ideias é uma referência de como um blog deve ser ." Agnnes
(Caminhos e Atalhos, no mundo dos blogs)..."parabéns pelo teu exemplo de como realmente se faz um blog...ou melhor tantos e sempre outstandings...".
(Vi Leardi )










