30.4.17

DANTESCO

17 dos 47 colegas da turma 50/60 do Dante, 55 anos depois  1976. Publicada no VARAL em 2011. Osmar Persoli e Rubem Kaufman são bem reconhecíveis.Amanhã a turma toda dos vivos.

Crônica diária

De cadeia ninguém gosta

Principalmente das nossas. Digo isso porque a todo dia ouvimos ou lemos que todos os presos pela Lava Jato, aos poucos vão tendo um desejo enorme de "delatar". Com raríssimas exceções, como José Dirceu, que prefere uma sela de Curitiba à "delação premiada", os outros vão se convencendo que o acordo é o melhor caminho. O Marcelo Odebrecht relutou e acabou cedendo. Já ouvi dizer que o Antônio Palocci vai pelo mesmo caminho. Ao final e cabo não restarão historias para os retardatários, que na verdade são é retardados. Esconder o que todo mundo já sabe? Virar herói? Herói de quem? Ou preferem a liberdade dos tornozelos, às portas com das grades de ferro?

29.4.17

Israel Kislansky - Argila e bronze


Frente e verso

Crônica diária

Coisas discretas

Faço aqui uma homenagem às pequenas coisas, de tão discretas e transparentes nunca são exaltadas à altura de suas importâncias. Estamos todos os dias com elas entre os dedos, ou muito perto das mãos, numa gaveta, ou no armário. Começo com o Durex, que foi a fita adesiva transparente que revolucionou a forma de fazer um pacote, um embrulho, dispensando o prosaico barbante, ou a elegante fita. Foi inventada em 1923 por Richard Drew, para separar as cores da pintura dos carros, que naquele tempo era costume usarem "saia e blusa". Para uma cor não se sobrepor à outra, a fita delimitava os espaços. Essa invenção foi a responsável pelo grande desenvolvimento da 3M. O Durex passou a ser o "Bom-Bril" de mil e uma utilidades. Como é transparente sua notoriedade passa desapercebida. Hoje as fitas colantes são conhecidas como Durex, da mesma forma que lâmina de barbear é uma Gillette. A outra pequena grande invenção  é o botão. Esse da sua camisa, da sua calça, do seu paletó. O botão em suas milhares de formas, tamanhos, e materiais. Em suas respectivas casas. Já tinham pensado nisso? Os fabricantes de botões apareceram no século 13, mas só nos séculos 15 e 16 é que a indústria  se implantou verdadeiramente na França e aí floresceu. No livro "O Botão ao Longo dos Tempos" de M. Albert Parent, diz-se que em meados do século 14 o botão já fazia parte dos objetos úteis, e depressa começou a ser utilizado como ornamento. Diz a lenda que o primeiro botão era uma concha com dois furos. O certo é que estamos com eles diariamente entre os dedos, colados no peito, ou apertados na barriga, e não damos o devido valor. Isso sem falar nos nossos gloriosos times de botão, dos tempos de garoto.  Rendo aqui minha modesta  homenagem, a esses dois grandes inventos, em nome de milhares de outros, pouco reverenciados. Nossas vidas nunca seriam as mesmas sem eles.

28.4.17

Israel Kislansky - Cimento e vermiculita

Israel Kislansky
·
WORKSHOP
Modelagem em cimento e vermiculita
SP 28 a 30 de abril
Infos kislansky.israel@gmail.com
Whatsapp 11 98835-0133
#escultura, #sculpture, #cursosdearte, #cursosdeescultura

Crônica diária



Mikel Santiago, "A última noite em Tremore Beach"

Mikel Santiago hoje tem 45 anos. Nasceu em Portugalete (Vizcaya) Espanha, onde mora atualmente. Mas passou quase dez anos na Irlanda e Holanda. Cresceu ouvindo o piano do irmão mais velho e na adolescência tocou guitarra numa banda de rock, como tantos outros escritores de sua geração. Suas primeiras leituras foram Sherlock Holmes. Começou escrevendo e  publicando contos na internet. Este é seu primeiro romance, e já um best-seller. Publicado em mais de 12 países. Uma história de mistério em ritmo vertiginoso. Envolvente e eletrizante. Trata-se de um bom thriller arrebatador. Perfeito para os amantes do gênero. Pode-se compara-lo a Stephen King, Jöel Dicker o John Connolly. Vale a pena conhecer.

27.4.17

Itália

Com saudade (Toscana)

Crônica diária

Gestos mecânicos




O maior e melhor clichê dos gestos de que tratarei nesta crônica é o dos "Tempos Modernos" do imortal Charlie Chaplin. Aqueles que repetimos diariamente e na mesma sequência. Com a idade, então, eles vão ficando cada vez mais mecânicos e insuportavelmente repetitivos. Ao acordar o ato de espreguiçar, alongando braços e pernas dá início à maratona de gestos que se sucedem quase que automaticamente. Virar para o lado e olhar as horas no criado-mudo. Invariavelmente é sempre a mesma hora. Até parece que o relógio esta parado com os ponteiros naquela posição. Olhar no espelho do banheiro, e fazer um ar desolado com a imagem. Cabelos desalinhados, e olhos inchados. Pegar a escova de dente, abrir a pasta, dar uma pequena umedecida, e depois de escovar, dar duas rápidas batidas com o cabo na beirada da pia. Fazer barba é um ritual de gestos idênticos. Esquentar a água, molhar o pincel, esfrega-lo no sabão Phebo, dentro de uma cuia, dar duas ou três pinceladas, e ensaboar o rosto. Esse sabonete que foi feito para ser usado como creme de barba, descobri faz mais espuma, e de melhor qualidade, do que qualquer creme específico. Depois são os gestos com o barbeador da Gillette, XPTO-da-SILVA, que diz a publicidade faz mais barbas por um menor preço, e mais conforto. Começo pelas costeletas da direita, e faço sempre o mesmo percurso, até retirar toda a espuma e a barba de um dia. Herança de um hábito familiar. Meu avô e meu pai sempre fizeram barba todos os dias. Já o Guilherme, meu filho, usa aquela barba de sete-dias, que esta na moda. Depois o banho de chuveiro tem o mesmo ritual de sempre. Começo pela careca, e termino lavando os pés, em gestos sempre parecidos. Até o fato de o sabonete cair, e ter de encontra-lo no piso do chuveiro, com os olhos semicerrados, por conta da água e sabão, são os mesmos. Só varia o lugar que ele se esconde. Enxugar o corpo tem o mesmo ritual, sempre. Passar a mão no espelho para desembaça-lo e poder pentear o que me sobrou de cabelo sobre as orelhas, e assim por diante, todos os dias, os mesmos gestos.  
 

26.4.17

Jardim da Piacaba

Escultura

Crônica diária

Rabo de olho

Estou tentando continuar lendo o chatíssimo "O espírito da ficção científica", do Roberto Bolaño, de quem gosto muito. Este seu romance, inédito, é tido como o primeiro que escreveu, e morreu sem publica-lo. Logo, sabia que não merecia ser publicado. E a bem de sua memória os herdeiros não deveriam ter publicado. Mas foi lá que encontrei essa expressão: "viu com o rabo do olho". Olho não tem rabo. No máximo tem canto. Mas se usa não só no Chile, como aqui, essa expressão.No outro livro que li em seguida Ultima Noite em Tremore Beach, do Mikel Santiago, de quem falarei oportunamente, usa mais de uma vez a expressão "pregar os olhos", no sentido de não conseguir dormir. 

25.4.17

UM VARAL EM NÁPOLES

UM VARAL EM NÁPOLES, final dos anos 1950
(foto de Victor Pandolfi) Enviada por José Luiz Fernandes

Ctrônica diária



"O desaparecido", de Dror Mishani

Com 42 anos o jovem pesquisador acadêmico israelense Dror Mishani é um fenômeno mundial com seu livro O desaparecido", já traduzido para quinze idiomas. Um escritor de profunda originalidade. Criador do investigador Avraham Avraham promete a continuação desse seu primeiro romance policial. Muito bem construído, com uma escrita ágil e instigante, domina toda a técnica do bom gênero policial. Muito reflexivo, constantemente seus personagens se auto questionam. Numa trama bem urdida leva o leitor até a ultima linha da última página num suspense constante. E termina o livro prometendo mais. Vale muito a pena ler e aguardar os próximos. Anotem esse nome: Dror Mishani.

24.4.17

Maria de Fátima Santos e FLORES PARA A DELEGADA

Crônica diária



Sou leitor, não um crítico

Outro dia escrevi sobre um livro chamado "Ferrugem", do jornalista e escritor carioca Marcelo Moutinho, e pela primeira vez um autor lê minha crônica e se manifesta. Fiquei gelado. Tenho dito que não sou um crítico literário. Sou só um aprendiz de cronista. Minhas croniquinhas  tem como tema, entre outros, minha opinião sobre os livros que leio. Ian McEwan, Haruki Murakami, Paul Auster, Chico Buarque, Dror Mishani, Raduan Nassar, entre muitos outros, nunca se manifestaram. O comentário do Marcelo me abalou. Sem querer dar uma dimensão, que não tem, minhas opiniões, atingem um pequeno universo de cem leitores, se tantos,  e isso me impõe uma responsabilidade, para a qual não havia me atentado. Poderia ter só dito o que realmente achei, e escrevi na crônica, sem falar da minha decepção com falta de um final mais excitante em seus contos. Talvez tenha sido severo demais. Ou criado expectativas, que nem o autor é responsável. Fiquei chateado. Sabem o que o Marcelo Moutinho escreveu ao comentar minha crônica? Só ":)". Isso mesmo, um símbolo de sorriso. Disse com isso, mais do que mil palavras. Me atingiu na boca do estômago. Vou lembrar para sempre. Vou pensar mil vezes antes de apontar um "defeito" no livro dos outros. Talvez o defeito seja meu, e não do autor.

23.4.17

MONTANHA QUEIMADA - Paula Canto

Molde feito em argila+vermiculira+cimento
 Argila oca depois de sair do molde
Processo de secagem
 Queimada a 1200º
Pronta para pintura. Trabalho de Paula Canto

Crônica diária

"Flatulência oral"

Essa expressão cunhada pelo jornalista da Band News, Ricardo Boechat, se referia às borbulhas provocadas por um digestivo efervescente. Fazia uma analogia à verborragia dos ministros do STE, na sessão para leitura do parecer do relator do processo contra a chapa Dilma/Temer. A leitura acabou não sendo feita. Com esse tribunal o Temer tem pouco a temer.  

Comentários que valem um post




João Menéres disse...
A Matilde é a minha neta mais velha ( 17 anos ) e gosta de colaborar comigo.
Eu ainda não colhi nenhuma das flores para a Delegada.
Tem sido uma semana de imenso trabalho, como há muito me não lembro.
O livro, Eduardo, está pousado na mesa fronteira à espera da oportunidade.
Folhei e li frases soltas e tenho já a certeza que o vou devorar.
Nem sei se sobrará uma só flor !...

Um obrigado ao Eduardo.
sábado, 22 de abril de 2017 04:44:00 BRT
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JOSÉ LUIZ FERNANDES deixou um novo comentário sobre a sua postagem "Crônica diária":

Frases, parágrafos e textos curtos podem ser essenciais no jornalismo,mas nem tanto na literatura. A literatura é mar imenso, em que há navegações de cabotagem e navegações de longo curso.

Postado por JOSÉ LUIZ FERNANDES no blog . em sábado, 22 de abril de 2017 04:13:00 BRT  

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