11.3.17

Crônica do Alvaro Abreu

Ai, ai ...

Bem que pensei em escrever mais um pouco sobre estes tempos tão contaminados por inseguranças e incertezas mas, em favor do bom astral, preferi falar de amenidades próprias da vida de avô. Reconheço que sou meio sem jeito com criança e completamente sem paciência quando gritam ou fazem manha. Minha deficiência auditiva prejudica o entendimento do que estejam falando. Não consigo brincar de casinha com as meninas nem correr atrás de bola chutada por menino incansável. Levar a turma pra pescar no píer da Praia do Suá eu bem que levo. Até coloco isca no anzol dos que ainda têm dificuldade ou que não gostem de pegar no camarão descascado, que corto em pedacinhos para facilitar a brincadeira.

Neste último sábado a programação foi atípica. Logo cedo, ajudei a levar três netos pra tomar vacina contra a febre amarela lá no ginásio do Alvares Cabral. A fila se estendia por centenas de metros na direção do centro da cidade e o sol estava quentíssimo. Andava, parava, andava, parava, com os vendedores ambulantes fazendo a festa. Curiosamente, não vi ninguém reclamando do calor nem da espera. Pelo contrário: havia um traço de satisfação nos rostos das mães e avós, talvez por saberem que iriam conseguir proteger suas crianças contra algo ameaçador e traiçoeiro. Lá dentro, o serviço, bem organizado, contava com a colaboração atenciosa de voluntários, algo difícil de ver por aqui. Na hora da agulhada, nossas crianças fizeram carinha de medo mas ninguém chorou.

No meio da tarde fomos levar os dois moleques ao cinema para ver o Batman. Confesso que alienei algumas vezes, tamanhas eram as pancadarias e explosões lá na tela, que eles acompanhavam com olhos arregalados, comendo pipoca. Viemos correndo pra casa para assistir o segundo tempo da decisão do campeonato carioca. Para a alegria de Théo, deu pra ver o gol de empate do Flamengo e a disputa nos pênaltis vencida pelo meu glorioso Fluminense. Solidário, dei uma boa dose de dengo ao neto rubro negro, na tentativa de aplacar sua tristeza futebolística.


Vitória, 08 de março de 2017
Alvaro Abreu
Escrita para A GAZETA

Um comentário:

João Menéres disse...

Um avô que passou um sábado como deve ser !

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