Crônica diária
A Resistência, Julián Fuks
Ontem contei um pouco do que eu achei do livro que ganhou o Prêmio
Jabuti 2016. Hoje volto para reiterar e concluir minha opinião. De forma
inédita o livro termina com uma crítica dos pais do autor, e
personagens do livro. Embora ele diga que o tema seja o irmão adotado, o
livro é uma grande sessão de terapia familiar. Numa família de pai
judeu, e pai e mãe psiquiatras. O jovem autor nascido em 1981, com cara
de escritor russo do século XVIII, como disse ontem, confessa ter
desenvolvido uma reflexão, um exame obsessivo dos sentimentos. Carrega o
carma de judeu perseguido comparando os anos de chumbo da Argentina com
o holocausto. O que a mãe (a mais sensata dos personagens) acha do
livro é exatamente o que eu, leitor, senti. Há sempre um matiz triste, a
alguma mágoa. Ela, a mãe, entende o apego que o autor tem pela
intensidade, apesar de não entender por que ela deva ser tão
melancólica. E a mãe conclui com uma frase que me diz respeito: "Você
mente como costumam mentir os escritores..." Eu não gosto de escrita
traçada com régua, esquadro e compasso. A "linguagem rigorosa, quase
matemática" de que falou a Noemi Jaffe, e repeti ontem. Parece um texto
para resolver problemas familiares, e disputar um concurso literário. E
vencer.


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