24.2.17

Crônica diário



"A Mulher e o Macaco" de Peter Hoeg
Com o título de seu livro o autor dinamarquês é citado pelo escritor norueguês Karl Ove. Em sua  "Luta I - A Morte do Pai" ele refere-se ao livro e autor que dão título a esta crônica, dizendo já ter lido e que "a ideia era boa mas a elaboração má". Isso foi tudo, e o bastante para criar em mim a curiosidade sobre o livro. Fui procurar saber mais. Gostaria de entender o que era uma boa ideia e uma elaboração que deixava a desejar. Adoro ler o que pensam, os escritores, das obras dos seus pares. Crítico de literatura faz uma leitura profissional e em geral estão muito comprometidos com as editoras e com os órgãos em que escrevem. Até com seus leitores. Agora o escritor, o colega, esse não. Neste caso me enganei. Encontrei, para minha surpresa, a crítica de José Geraldo Couto, especial para a Folha de São Paulo, explicando em detalhes onde Peter Hoeg falhou. Aqui o escritor Karl Ove concorda integralmente com o crítico brasileiro, ou vice-versa. Disse o Geraldo, como se tivesse lido a opinião do Karl, que "Peter Hoeg parte de uma ideia extravagante e promissora, mas..." "Em Londres, um macaco superdesenvolvido, quase humano (ou melhor, sobre-humano), foge de um contrabandista de animais e é capturado por um cientista que tem ambições acadêmicas e políticas.

A mulher do cientista, bela e alcoólatra, salva o bicho e foge com ele para uma reserva
de animais selvagens.

O problema do livro é que Peter Hoeg depois de apresentar seu argumento e seus personagens, parece não saber o que fazer com eles.

Psicologismo
Hesitante entre a sátira, a alegoria e a história de amor, a narrativa a certa altura começa a patinar, resvalando para um psicologismo barato e demagogias diversas (ecológica, feminista etc.).

A exposição de sentimentos e pensamentos passa a substituir a narração substantiva de fatos e situações.

Diante da dificuldade de tornar convincente a relação amorosa entre Madelene (a mulher) e Erasmus (o macaco), o escritor acaba lançando mão de um repertório de clichês próprios de uma subliteratura sentimentalóide e pseudofeminina."
"Depois do sucesso internacional de "Senhorita Smilla" -romance que conciliava o entretenimento e a boa literatura-, Hoeg aparentemente se rendeu à pressão do mercado para produzir um livro por ano ("A Mulher e o Macaco" é seu quinto romance).
O sucesso continua, mas a literatura ficou longe."
Matei minha curiosidade, sem ler o tal romance, e espero ter desfeito qualquer possibilidade de que algum leitor meu, depois dessas duas abalizadas opiniões, ainda queira ler "A Mulher e o Macaco".

Livro: A Mulher e o Macaco
Autor: Peter Hoeg
Tradução: Carl Erik e Denise Bandeira

Nenhum comentário:

AS POSTAGENS ANTERIORES ESTÃO NO ARQUIVO AÍ NO LADINHO >>>>>

.

Only select images that you have confirmed that you have the license to use.

Falaram do Varal:

"...o Varal de Ideias é uma referência de como um blog deve ser ." Agnnes

(Caminhos e Atalhos, no mundo dos blogs)

..."parabéns pelo teu exemplo de como realmente se faz um blog...ou melhor tantos e sempre outstandings...".
(Vi Leardi )

Leiam também:

Leiam também:
Click na imagem para conhecer

varal no twitter

Não vá perder sua hora....

Blog não é tudo, tudo é a falta do blog ....
( Peri S.C. adaptando uma frase do Millôr )
" BLOG É A MAIOR DAS VERTIGENS DA SUBJETIVIDADE " - Maria Elisa Guimarães, MEG ( Sub-rosa )