Crônica diário
"A Mulher e o
Macaco" de Peter Hoeg
Com o
título de seu livro o autor dinamarquês é citado pelo escritor norueguês Karl
Ove. Em sua "Luta I - A Morte do Pai" ele refere-se ao livro e
autor que dão título a esta crônica, dizendo já ter lido e que "a ideia
era boa mas a elaboração má". Isso foi tudo, e o bastante para criar em
mim a curiosidade sobre o livro. Fui procurar saber mais. Gostaria de entender
o que era uma boa ideia e uma elaboração que deixava a desejar. Adoro ler o que
pensam, os escritores, das obras dos seus pares. Crítico de literatura faz uma
leitura profissional e em geral estão muito comprometidos com as editoras e com
os órgãos em que escrevem. Até com seus leitores. Agora o escritor, o colega,
esse não. Neste caso me enganei. Encontrei, para minha surpresa, a crítica de
José Geraldo Couto, especial para a Folha de São Paulo, explicando em detalhes
onde Peter Hoeg falhou. Aqui o escritor Karl Ove concorda integralmente com o
crítico brasileiro, ou vice-versa. Disse o Geraldo, como se tivesse lido a
opinião do Karl, que "Peter Hoeg parte de uma ideia extravagante e
promissora, mas..." "Em Londres, um macaco superdesenvolvido, quase
humano (ou melhor, sobre-humano), foge de um contrabandista de animais e é
capturado por um cientista que tem ambições acadêmicas e políticas.
A mulher do cientista, bela e alcoólatra, salva o bicho e foge com ele para uma reserva
de
animais selvagens.
O problema do livro é que Peter Hoeg depois de apresentar seu argumento e seus personagens, parece não saber o que fazer com eles.
Psicologismo
Hesitante entre a sátira, a alegoria e a história de amor, a narrativa a certa altura começa a patinar, resvalando para um psicologismo barato e demagogias diversas (ecológica, feminista etc.).
A exposição de sentimentos e pensamentos passa a substituir a narração substantiva de fatos e situações.
Diante da dificuldade de tornar convincente a relação amorosa entre Madelene (a mulher) e Erasmus (o macaco), o escritor acaba lançando mão de um repertório de clichês próprios de uma subliteratura sentimentalóide e pseudofeminina."
"Depois
do sucesso internacional de "Senhorita Smilla" -romance que conciliava
o entretenimento e a boa literatura-, Hoeg aparentemente se rendeu à pressão do
mercado para produzir um livro por ano ("A Mulher e o Macaco" é seu
quinto romance).
O sucesso continua, mas a literatura ficou longe."
O sucesso continua, mas a literatura ficou longe."
Matei
minha curiosidade, sem ler o tal romance, e espero ter desfeito qualquer
possibilidade de que algum leitor meu, depois dessas duas abalizadas opiniões,
ainda queira ler "A Mulher e o Macaco".
Livro: A
Mulher e o Macaco
Autor:
Peter Hoeg
Tradução:
Carl Erik e Denise Bandeira


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