Crônica diária
Falta de banho
Falei sobre "A
Morte do Pai" de Karl Ove, que vale a pena ser lido. É incrível como os
bons escritores conseguem escrever volumes e volumes sobre o banal do
cotidiano. Do início ao fim não há um só momento em que crie falsas
expectativas no leitor. Não promete nada. Vai apenas narrando de forma
detalhada, muito detalhada, os acontecimentos, suas circunstâncias, e suas
reações. Há muitas e repetidas referências ao tempo cinza, chuvoso da Noruega.
Lá só começa a escurecer de verdade depois das dez da noite. Todo mundo dorme
tarde. Mas não há uma só referência a um banho. Parece que nunca ninguém toma
banho. Banho até parece coisa de índio. Os sentimentos humanos são universais.
Os bons escritores noruegueses conseguem fazer literatura de entendimento
global. Mas falta banho nos personagens.


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