9.1.17

GEREMIA LUNARDELLI - Um pouco de história

                               Geremia Lunadelli                               Geremia e seu filho caçula Sergio, único       vivo até hoje.
Lunardelli Antonio

Geremia Lunardelli
1886: começa a epopeia dos lunardelli
Jeremias, ou rei dou cafe
Vamos lá
De Ginaldo Bernardi

No quarto de século que corre entre 1876 e 1900, quase um milhão de vénetos (para ser exato foram 949.711) escolheram o caminho da saída, bem intencionados, redimir-se de uma condição social humilhante. Eram, em grande parte, camponeses, que os mestres de cidade realizavam na conta de nada. A Classe Rural era considerada culpada da sua miséria, por causa da irracionalidade em que vivia: no jargão positivista dos senhores queria dizer que a culpa desses habitantes das campanhas foi a de ser dedicados aos seus párocos, fiéis à religião, e, portanto, segundo Eles, grosseiros, atrasados, alheios à modernidade. Por conseguinte eram tratados como bestas, cobertos de insultos e explorados para além de qualquer limite. Uma situação insuportável para muitos, principalmente os mais ousados e voluntariosos. Decididos a demonstrar o seu valor em famílias e por vezes a aldeias inteiras, deixaram a região para procurar novos céus e novas terras onde recomeçar a vida com dignidade e justiça. Eram os antepassados os agricultores que, em um bem diferente do contexto histórico, teriam realizado a mais extraordinária e pacífica revolução veneta: a industrialização difusa, que em torno de 1970 partiu numa base familiar, transformando nos vinte anos seguintes esta região numa Das Mais ATIVAS e prósperas da Europa.
Brasil, a terra prometida
Aqui está um caso veneta que começa certo 111 anos atrás: a história de uma criança e de sua família, emigrantes como tantos, que de todas as partes da Itália, disputavam os vapores para as Américas no final do século passado. Entre eles, em 1886, também nicolò e Vitor Lunardelli, jovens esposos camponeses, 25 anos, ele 22 ela. No colo deles, Jeremias, de um ano apenas. Tinham deixado a casa e os parentes em fossabiùba de mansuè, na trevigiana, onde a planície opitergina encontra a livenza, o rio que marca a fronteira entre as terras veneto e a antiga pátria do friuli. Na mente dos meninos indo para a imensidão do Brasil havia a paisagem exuberante dos Jai, os prados que servem de desabafo para as cheias da Guararapes. Uma bela deitada de ervas que tem o nome de um termo em latim para o mato, arrancada em séculos de esforço. A forragem que você recebe por esses relvados ainda hoje é perfumado e precioso. Como o leite que oferece o gado, excelente para os saborosos queijos locais. Os Lunardelli são conhecidos pelos conterrâneos com o apelido de cimitàn, segundo o antigo costume de indicar a proveniência da estirpe original, neste caso, a aldeia de cimetta (siméta), não muito longe de fossabiùba. Trabalham a terra há gerações, amam os campos, sabem governar o estábulo. Por isso os recém-casados e o recém-nascido atravessam o grande mar. Têm uma esperança forte como a fé em Deus. Em volta para os mercados e as tascas diz-se que ali no Brasil não é difícil começar uma campanha em propriedades, onde testar a inteligência e o trabalho, em benefício próprio: finalmente ir pra star no seu! Sem mestres. O sonho de todos. Também o pequeno Jeremias tem no sangue esse apego à terra, como um valor que não decepciona. A história dela é quase inacreditável, mas o que tem em comum a tantos outros italianos que foram feitos honra no estrangeiro por protagonistas, no conduzir ao progresso as nações que os acolheram.
L Imperador do café
Para a jovem família lunardelli as coisas não vão tão bem, no início. O Pai morre depois de alguns anos. A jovem mãe casam-se. Ainda bebê, Jeremias trabalha sob mestre nas fazendas. Mas a sua vontade d empresa ocorre quando ela só tem dezesseis anos. Nos recortes do trabalho cansativo cria para si uma vaccherella, algum porquinho; assim que estiverem prontos para o mercado trata sozinho a venda. A terra tudo à volta de São Paulo verdeggia de plantas de café. Uma cultura linda, de plantas altas, soberbas, delicadas mas generosas. Para o menino italiano, o café é um amor à primeira vista. Na memória tem talvez os contos de casa, quando a genuína bebida que Veneza, com os seus comércios do oriente, difundiu entre os nobilòmini, vinha, entre os pobres camponeses obrigados a aturar cevada ou chicória queimados dentro da bola de ferro virado no borralho , um líquido apenas embelezados pela aguardente de Frodo. O café pois não era outra coisa, a infusão que tem a virtude de fazer sofrer o homem acordou, aliviava as dores da fome, corroborava o estômago. Para Geremia Lunardelli terra nova e café se tornarão um só. Começará com um sitio, uma pequena propriedade com alguns milhares de plantas, comprada ao preço de duros sacrifícios e de todas as economias de casa. Fazendeiro, comerciante, casamenteira de terrenos, transformador de cana de açúcar com um aparelho rudimentar, Jeremias fará cento ofícios, mas os seus olhos e seu coração será sempre e apenas voltados para o café. No tempo de expandir a área caffeifera muito para além das fronteiras do estado de São Paulo, em procurar outros boas terras de cultura no Paraná, para criar plantações cada vez mais amplas.
Este homem sabia reconhecer a terra fértil de alguns sinais, e também pelo cheiro. Em resumo, a 30 anos, esse filho de camponeses que aprendeu a ler e a escrever sozinho, e começou a trabalhar assim que soube se levantar, já se tornou ou rei dou cafe, o maior produtor E comerciante de café do mundo! Chegará a possuir, nos anos cinquenta, 14 milhões de plantas de café, 11.500 hectares de terra boa e cultivados em algodão, outros 25.375 hectares a forragem, e ainda 5 mil hectares plantados com cana de açúcar, mais Uma fábrica capaz de 30 dólares por ano, e 30 mil cabeças de gado.
Orgulho de ser brasileiro de origem italiana, será pródigo de salvamento e de presentes. Ele sempre olhou com admiração à arte e à cultura. É um homem que gosta de o fazer, mais que os sequestros artísticos e contemplação. Mas ele sabe que o homem não pode viver só de pão. Quer que seu país não seja avaliado no mundo exclusivamente para a fecundidade da terra, mas também para as coleções de tesouros nascidos da criatividade e da sensibilidade humana. Apoiará o nascimento do museu de belas artes de São Paulo, com contribuições monetários significativos. No Museu fará presente de obras maravilhosas: Escultura de rodin, pinturas de goya, velasquez, renoir, rembrandt. Apesar da sua enorme riqueza não mostrará orgulho. Continuará a entreter-se com todos, falar com os produtores, a trabalhar sem cansaço nem abandone. O pequeno agricultor de fossabiùba, um magnata, recusará por duas vezes a atribuição de um título. Em 1928, o rei d ' Italia quis compra-lhe o título de Conde, por seus méritos de trabalhador e defensor da cultura italiana no Brasil. Em 1946, foi a vez da Santa Sé, que pretendia lhe conferir o título de Marquês para o espírito de caridade que sempre tinha demonstrado para com os necessitados. Mas em ambos os casos Geremia Lunardelli oporá uma recusa, chamando a sua origem humilde e fé nos ideais de democracia.
O Brasil tinha abolido os títulos de nobreza, e Jeremias queria respeitar o espírito de igualdade que animava a sua pátria. Morre em 9 de maio de 1962, transmitindo aos nove filhos e às dezenas de netos este património de valores, antes mesmo que uma herança milionária. A dor de toda a sua vida foi a incapacidade dos políticos a compreender o valor da Agricultura. Ele dizia que as capitais dos Estados, os ministérios, os parlamentos, são afastados das campanhas, para que homens do governo, funcionários, profissionais, industriais não compreendem a terra e a quem trabalha com amor. ' o amor para a terra deve ser posto à prova do trabalho sobre a terra - dizia -. É assim que nascem os Rei '. Um título que Geremia Lunardelli conquistou sobre os campos.
Corrado Lunardelli
Traduzido de Italiano
Me lembro deste grande lunardelli por um episódio narrado por meu pai. Ele, nos anos 50, foi presidente da Câmara de savona e enviou uma carta no Brasil a Jeremias, para que doassem um monte de café aos órfãos de savona. A carta continha o remetente, a cidade e o lugar de meu pai, mas jeremias a rejeitou sem sequer tê-la aberta. Olá a todos os lunardelli.Ver original
Diego Lunardelli
Diego Lunardelli Um ponto interessante nesse debate sobre a imigração italiana no Brasil é a importância do movimento eugênico como política de estado a fim de "branquear " a nação brasileira, o conceito de crise e estagnação era um debate vinculado a questão racial, por ter muitos negros no Brasil. Toda história tem um lado ruim. Parabéns pelo texto, é sempre importante conhecer melhor nossa história.

2 comentários:

Jorge Pinheiro disse...

Uma bela saga.

João Menéres disse...

No texto principal, há uma coisa que me confunde, Eduardo:
É a troca do feminino pelo masculino.
E é pena !
Seu avô ( creio qe é dele que se trata ) merecia que o texto fosse revisto.

AS POSTAGENS ANTERIORES ESTÃO NO ARQUIVO AÍ NO LADINHO >>>>>

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