6.1.17

Crônica diária

Massacre de Manaus

 Conheci o Frei Beto como assistente de direção do Zé Celso, no Teatro Oficina, durante ensaios e apresentação da peça O Rei da Vela. Faz muito tempo. Dia desses viajamos para Florianópolis no mesmo voo e não me reconheceu. Ontem escreveu uma carta ao Ministro da Justiça, tratando do  massacre de Manaus, no Amazonas. Falou com a autoridade de quem foi encarcerado durante dois anos nos presídios paulistas, como preso comum, apesar de ter sido preso político.. Sessenta mortos, a maioria decapitados e destroçados por bandidos rivais. No citado artigo critica a construção de novas penitenciárias como parte da solução do problema. Critica o modelo público-privado, que segundo ele foi importado dos Estados Unidos, e lá esta sendo revisto. A esquerda não perde o hábito, de podendo criticar os norte americanos, o fazem por dever de ofício.. Não conheço detalhes do sistema prisional Americano. Sei que a justiça é célere, e os condenados são tratados com humanidade. Também não conheço as prisões russas, mas nunca ouvi falar bem delas. Voltando ao missivista, propõe um sistema prisional para os 660 mil encarcerados no país, onde seriam submetidos ao regime de redução de penas, de acordo com a frequência em aulas de ensinos fundamental e médio, idiomas, culinária, teatro, dança etc. Além de oficinas para, trabalho manuais, e produção de brinquedos e etc. Tudo isso em parceria com empresas privadas. E pergunta se é uma utopia. Ele mesmo responde que não. Vejo a coisa por outro ângulo. Talvez mais da metade dessa população não devesse estar encarcerada. Atrás de grades. Mofando. Adoecendo. Custando ao estado R$ 4 100,00 por mês, no caso do Amazonas. Aprendendo a matar, e se especializando no crime. Na situação atual, são completamente irrecuperáveis. O problema não é só de polícia, mas de justiça. A justiça morosa e em muitos casos omissa é tremendamente injusta. Há nesse universo de 660 mil presos uma grande parcela de condenados que já cumpriram suas penas, mas a justiça ainda não os soltou. Outra grande parte de presidiários são usuários de droga, e ladrões de galinha. Cadeia não é o melhor lugar para recuperar ninguém. Colônias agrícolas, a céu aberto, com custo muito menor do que as proposições do Frei Beto, seriam uma boa alternativa. Produziriam para comer. O excedente seria vendido e a renda reverteria para a própria colônia, em forma de insumos e equipamentos agrícolas. E para os presos restantes, em número significativamente menor, penas mais duras. São irrecuperáveis. São assassinos, traficantes, de altíssima periculosidade, onde pensar em ressocializa-los é ilusão. A esses sim, tarefas manuais, em ambiente  fechado, e sem redução de pena. Ao contrário, a cada mau comportamento ou infração, aumento severo da pena. Fico por aqui, embora o tema seja muito complexo e dele não tenha a experiência do Frei Beto. Lamento não tenha ele dado sua colaboração, nesse sentido, quando era conselheiro do Lula. Eles, sim, tiveram treze anos para implantar um sistema penitenciário mais justo, humano e eficiente.

2 comentários:

João Menéres disse...

Estou em absoluto de acordo com a sua opinião !
Também aqui assim se deveria fazer, digo eu...

Jorge Pinheiro disse...

Tema de facto muito complexo. Não ceio que alguém se corrija neste tipo de prisões.

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