31.1.17
Crônica diária
Para Marília
Escrevo para Marília que é filha de Newton Braga. Dela recebi em Dezembro passado dois livros do pai. Nunca tinha lido nada dele. Pudera, ele praticamente só escreveu para sua gente, sua Cachoeiro do Itapemirim. Irmão mais velho de Rubem Braga, foi quem arrumou seu primeiro emprego, e orientou-o no caminho das letras. Mas não há que se fazer comparações. Eram dois irmãos diferentes, embora dotadíssimos. Newton saiu da sua provinciana cidade aos 49 anos para morrer três anos depois. Muito moço. No Rio trabalhou na TV Tupi, a mais importante emissora de então. Escreveu sob pseudônimo no Mundo Ilustrado. Publicou artigos nas revistas mais importantes da época: Senhor, Chuvisco, e Publicidade & Negócios. Faz-se injustiça compara-lo ao irmão. Eram muito diferentes, embora dotadíssimos. Agradeço à sua filha Marília pelos livros, e cumprimento seus dois irmãos Edson e Rachel pela homenagem que os três fizeram ao pai com "Newton Braga, cachoeirense ausente". O Newton poeta encerrou carreira ainda na juventude, e parece ter deixado um testamento premonitório:
Escrevo para Marília que é filha de Newton Braga. Dela recebi em Dezembro passado dois livros do pai. Nunca tinha lido nada dele. Pudera, ele praticamente só escreveu para sua gente, sua Cachoeiro do Itapemirim. Irmão mais velho de Rubem Braga, foi quem arrumou seu primeiro emprego, e orientou-o no caminho das letras. Mas não há que se fazer comparações. Eram dois irmãos diferentes, embora dotadíssimos. Newton saiu da sua provinciana cidade aos 49 anos para morrer três anos depois. Muito moço. No Rio trabalhou na TV Tupi, a mais importante emissora de então. Escreveu sob pseudônimo no Mundo Ilustrado. Publicou artigos nas revistas mais importantes da época: Senhor, Chuvisco, e Publicidade & Negócios. Faz-se injustiça compara-lo ao irmão. Eram muito diferentes, embora dotadíssimos. Agradeço à sua filha Marília pelos livros, e cumprimento seus dois irmãos Edson e Rachel pela homenagem que os três fizeram ao pai com "Newton Braga, cachoeirense ausente". O Newton poeta encerrou carreira ainda na juventude, e parece ter deixado um testamento premonitório:
Vou por outro caminho
Vou por outro caminho
E aqui, me despeço de vós, sonhos da mocidade.
Não mais derrubarei o mundo para, sobre as ruínas, lenantar outro melhor;
não mais terei a mulher que imaginara para o meu destino;
não mais velejarei nos mares amplos e luminosos da poesia,
nem mais tentarei fincar o marco de um nome
no país da glória e da imortalidade.
Vou por outro caminho.
E aqui me despeço de vós,
anseios, sonhos, aspirações, rebeldias, e inquietações de uma outra idade.
Não haverá amargura nem melancolia
nesta voz que diz adeus.
É a voz simples e seca
de quem parte porque o grande relógio deu a hora de partida;
de quem não leva dívidas
nem leva arrependimento do que deu
nem a tristeza do pensamento de que podia ter recebido mais.
Estamos na encruzilhada:
eu me despeço de vós, sonhos da mocidade,
e sigo meu caminho, porque o grande relógio deu a hora da partida.
Poesia & Prosa página 206
30.1.17
Sol e leitura
"LENDO EDUARDO LUNARDELLI NA ITÁLIA"
(foto de Joseph Koudelka) Enviada por José Luiz Fernandes
Veja mais fotos de Joseph Koudelka
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Koudelka - Nascimento: 10 de janeiro de 1938 (79 anos), Boskovice, República Checa
Crônica diária
O complexo do cronista
Estadão, 15 de Janeiro de 2017. "Um cronista ! Um cronista !" Esse é o título que Luis Fernando Veríssimo deu à sua crônica. Conta ele que o Antônio Prata escreveu sobre a aeromoça que pergunta se havia um médico entre os passageiros. O médico, sempre há, apresentou-se e resolveu o pequeno mal estar de um passageiro. Aí o Prata fica divaga sobre o dia em que um escritor será chamado para acalmar uma passageira aflita. Conta-lhe duas histórias, e acalma a senhora. O Veríssimo termina a crônica lamentado que um cronista jamais seja lembrado para coisa alguma. Não temos remédios para os males do mundo. Não salvamos vidas. E quando chamamos atenção é certamente por comiseração pela nossa insignificância.
Estadão, 15 de Janeiro de 2017. "Um cronista ! Um cronista !" Esse é o título que Luis Fernando Veríssimo deu à sua crônica. Conta ele que o Antônio Prata escreveu sobre a aeromoça que pergunta se havia um médico entre os passageiros. O médico, sempre há, apresentou-se e resolveu o pequeno mal estar de um passageiro. Aí o Prata fica divaga sobre o dia em que um escritor será chamado para acalmar uma passageira aflita. Conta-lhe duas histórias, e acalma a senhora. O Veríssimo termina a crônica lamentado que um cronista jamais seja lembrado para coisa alguma. Não temos remédios para os males do mundo. Não salvamos vidas. E quando chamamos atenção é certamente por comiseração pela nossa insignificância.
Comentários que vallem um post
João Menéres deixou um novo comentário sobre a sua postagem "Crônica diária":
Se na loja há só pessoas feias ou mal encaradas, logo saio.
Assim,sou politicamente correcto.
Postado por João Menéres no blog . em domingo, 29 de janeiro de 2017 08:41:00 BRST
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Filomena Gonçalves Uma exigência que nunca devia existir a não ser que expliquem muito bem o que é "boa aparência". Competência sim.
Se na loja há só pessoas feias ou mal encaradas, logo saio.
Assim,sou politicamente correcto.
Postado por João Menéres no blog . em domingo, 29 de janeiro de 2017 08:41:00 BRST
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Filomena Gonçalves Uma exigência que nunca devia existir a não ser que expliquem muito bem o que é "boa aparência". Competência sim.
Eduardo Penteado Lunardelli Filomena Gonçalves,
nesta crônica só tratei da aparência. A competência é fundamental, mas
pode ser tratada em outras crônicas. Posso com muita facilidade explicar
o que é boa aparência. É aquela que não destoa da média. Não incomoda. Não se exige
que sejam miss universo, lindas de rosto e corpo, como num concurso de
beleza, mas que não assustem criancinha. Altura, formato do corpo, nem
anoréxicas, nem obesas, pele, cabelo, e dentes sadios, conformações dos
olhos, nariz e boca agradáveis. Isto posto, podemos extrair a média da
beleza. Ela pode estar entre negras, amarelas, brancas e mestiças. Sem
distinção. Ajuda na boa aparência os cuidados básicos de higiene e
alimentação. Se for inteligente, atenciosa e simpática esses atributos
somam à beleza. Aí, você pode perguntar: "E as feias? O que podem fazer?
" Podem e devem trabalhar em serviços que não exijam contato com o
público. Atendentes por telefone, Call service, por exemplo. Mesmo nesse
caso a voz deve ser agradável, a paciência e tolerância enormes, e
NUNCA usarem o gerúndio.
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29.1.17
Crônica diária
"Exige-se boa aparência"
Lembram dessa exigência? Os anúncios de emprego invariavelmente
terminavam com esses dizeres. Hoje talvez seja considerado
politicamente incorreto. Aliás, tudo é. O mundo esta ficando muito
chato. Vou seguir o conselho da Maria Tomaselli, que citou o jornalista
Karl Kraus que disse: " se tu não gostas do mundo, troca de jornal".
Semanas atrás minha mulher e eu entramos numa loja de shopping de
primeira linha, a procura de um presente para minha sogra. Havia na loja
seis vendedoras. Uma mais feia do que a outra. Chamou-me a atenção pelo
fato de todas serem exatamente a antítese da "boa aparência",
antigamente exigida nos anúncios de emprego. Essa loja deve saber o que
faz. Deve ter um RH muito especial. Ou politicamente muito correto. Esse
exagero depunha contra os produtos expostos.
28.1.17
Crônica diária
Um inverno norueguês
Desde 2015 estou
tentando acabar de ler "Morte do Pai" do escritor norueguês Karl Ove
Knausgard. Estamos no fim de Janeiro de 2017 e não passei da página 200 do
primeiro livro de seis volumes com mais de 3 mil páginas. O meu tem um marcador
que vai lentamente movendo-se para o fim, com longos intervalos. O autor é
prolixo e muito detalhista. As longas descrições me aborrecem. Ao contrário dos
seriados policiais noruegueses, que tenho assistido na Netflix, onde o cinema
norueguês da um show de competência, modernidade, a literatura, apesar de fazer
sucesso no mundo todo, não me convence. Pelo menos Karl Ove parece escrever,
durante um prolongado e tedioso inverno, para leitores que apreciam longas e
detalhadas descrições para preencherem o longo e tedioso inverno. Aqui abaixo
do equador o inverno é curto e não me parece necessário encher linguiça para
passar o tempo.
Comentários que valem um post

Jorge Pinheiro deixou um novo comentário sobre a sua postagem "A vida e os amores de Cristóvão Colombo":
Vou começar a ler. O prefácio já li e está óptimo.
Postado por Jorge Pinheiro no blog . em sexta-feira, 27 de janeiro de 2017 08:46:00 BRST
Vou começar a ler. O prefácio já li e está óptimo.
Postado por Jorge Pinheiro no blog . em sexta-feira, 27 de janeiro de 2017 08:46:00 BRST
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Jorge Pinheiro deixou um novo comentário sobre a sua postagem "Crônica diária":
Grande história. Você acredita que eu não tenho um único pente vai para 4 ou 5 anos?
Postado por Jorge Pinheiro no blog . em sexta-feira, 27 de janeiro de 2017 08:48:00 BRST
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27.1.17
A vida e os amores de Cristóvão Colombo
Acabo de receber o mais recente livro do Aloísio De Almeida Prado.Transcrevo
o texto da quarta capa: "Quando vemos o busto de um grande homem,
erigido em Praça Pública, sujeito às intempéries do tempo, chuva, sol,
vento, neve, e até sujeira dos pombos, não nos parece que ele teve
coração. Nem parece ter tido, um dia, amores, desejos, decepções. Foi aí
que o autor se fixou, usando as navegações como moldura, narrou de
forma delicada e sutil, sua vida amorosa: Colombo tinha, sim, coração."
Texto baseado no Prefácio que tive a honra de escrever. Procurem ler o
livro, se puderem.
Crônica diária
Por falar em careca
Não vou chover no molhado e dizer que é deles que elas gostam mais. É
mentira. Mas contei outro dia a graça que a mocinha da recepção do hotel
em Treze Tílias, SC, achou quando disse meu primeiro sobre nome. Olhou
para mim incrédula e sorriu. Penteado? Pois é, sou, por parte materna.
Minha avó e mãe tinham pouco cabelo. Minha bisavó paterna era careca.
Naquele tempo não tinham, peruca, porque era muito cara. Ela usava uma
touca de pano. Semana passada fui à Liberdade, um bairro japonês em São
Paulo comprar pente. Comprei 45. Isso mesmo, 45 pentes daqueles enormes
de plástico. A vendedora não acreditava. Foi motivo de muita risada na
loja. Chegaram a dizer: "Deixa ele comprar o que quiser". Como se
tratasse de um louco. Careca comprando pente, e nessa quantidade, só
sendo muito otimista ou demente. Acontece que eram para minha mulher
fazer três escorredores de prato ou porta cartão. Parece ainda mais
estranho do que um careca comprando pente. Mas a Paula uniu, a cada 15,
com um cordão de borracha, pelo furo do cabo, e juntos servem como
escorredores de prato na cozinha, ou porta cartões na mesa do
escritório. Tudo muito moderno, cheio de bossa.
26.1.17
Crônica diária
Newton, Fernando e Herbert
Lendo "Newton Braga, cachoeirense ausente", que sua filha Marília me
presenteou, encontrei uma crônica onde ensina o irmão mais moço a
escrever sobre assuntos irrelevantes, ou totalmente sem apelo. A crônica
tinha por título "Cães em desfile". O irmão Rubem, valendo-se da lição,
escreveu duas colunas e foi efetivado no cargo. Meu amigo Fernando
Zanforlin que além de viajar de moto, com a esposa na garupa, pelo
Brasil e pelo mundo, vezemquando comenta minhas tolices aqui no FB. Seus
comentários nem sempre são entendidos por todos leitores, senão só por
aqueles assíduos e muito atentos. Liga u´a mesa da crônica do
eletricista, com um debate acalorado sobre gays: "sugestão : quem não gostou fique debaixo da mesa." Em outra crônica sai com essa: "...lembrei-me
do chato do Renan. ( será que todos são?)", que nem eu entendi. No
entanto sobre o Frei Beto, de quem falei num texto mais recente, o Fernando disse: "Esse
sujeito é um boçal sem canivete, ficou preso, foi solto e continua
sendo um irrecuperável." Dessa frase quero destacar "boçal sem
canivete". Expressão maravilhosa. Inteligente. Educada. Tanto quanto a
que expressava, em forma de xingamento, quando algum "barbeiro", isto é,
motorista, cometia alguma imprudência, meu patrão, à época, Herbert
Levy dirigindo, e eu de carona, esbravejava: " Animal de rabo", e
continuava a dirigir, certo de que tinha se vingado do mau motorista
definitivamente. Era um Lord.
25.1.17
Crônica diária
No mato sem cachorro ou um STF abaixo de qualquer insuspeita
Quero com isso registrar que o atual STF que deveria ser composto por 11
ministros acima de qualquer suspeita, encontra-se completamente
politizado. Cada ministro tem sua preferência político partidária e dela
não faz segredo. Um verdadeiro escárnio público. Homens e mulheres de
reconhecido saber jurídico que deveriam julgar interpretando a
constituição, o fazem ao sabor de suas preferências e conveniências
político partidárias. Uns querem salvar o PT, outros defendem o PMDB, e
alguns o PSDB. Não se dão conta que perante a lei todos são iguais. Não
se comportam como magistrados, mas como advogados das causas em que
acreditam. Alguma coisa esta errada na escolha desses juízes. Assim como
a Justiça do Trabalho é aberta e descaradamente favorável ao empregado,
cometendo injustiça contra empregadores, o STF não prima pela
imparcialidade. Acontece que não há instância superior a ser recorrida. E
isso é gravíssimo. O povo não confia, com razão, nos políticos. Agora
tem razões para não confiar na justiça. Sobra como única fonte ainda
confiável parte da imprensa livre. O perigo que o regime democrático
corre de haver uma ruptura das instituições é sério. E desta vez o
exército não é a opção. Os baixos soldos praticados nas forças armadas
não foram suficientes para manter uma elite moral e intelectual como em
tempos passados. Em poucas palavras, se os Estado Unidos tem um Trump
para digerir, nós outros brasileiros, que habitamos este trópico
corrupto, estamos no mato sem cachorro.
24.1.17
Crônica diária
Anita Raja e seu marido Domenico Starnone
Elena Ferrante, e o mistério
Minha leitora Valeria Garcia fez referência ao best-seller da festejada
Elena Ferrante, e me deixou curioso. O que eu sabia dela, todo mundo
sabe. Apresenta-se anonimamente, sempre dando entrevistas por escrito, e
nunca divulgando fotos, o que foi alimentando o mistério. Quem seria de
fato a Elena. As suspeitas de que se tratava da tradutora Anita Raja de
63 anos aumentou com a publicação do jornalista italiano Claudio Gatti
na revista "The New York Review of Books". As finanças de Anita Raja,
que também é casada com o escritor Domenico Starnone, aumentaram de
forma surpreendente desde que Ferrante começou a fazer sucesso. O casal
comprou nos últimos anos dois grandes apartamentos em Roma e uma
propriedade na Toscana, todos em áreas valorizadas – o custo total teria
sido de milhões de euros. Eu desconfiava, por tratar-se de uma
escritora, que os temas abordados não fossem me interessar. Mas por
dever de ofício fui conferir. Escolhi o livro mais fino e barato de sua
série. "A filha perdida". Se gostasse enfrentaria os de maior sucesso
que foram "A amiga genial" e "História do novo sobrenome". Não há dúvida
que escreve com desenvoltura, talento e cria personagens femininos como
os maiores romancistas do nosso tempo. Porém..., não é definitivamente a
literatura que gosto. Podem me tachar de machista, que não me importo.
Colaborei com as finanças da Anita Raja com o menor valor que encontrei,
e não pretendendo adquirir seus outros livros. Reconheço que minhas
leitoras podem, e certamente gostarão, pois a Anita ou Elena escreve
para vocês. Ainda que Valeria Garcia tenha dito:"Me poupe, Eduardo."
Uma carta adoravel
Marilia Braga
Prezado Eduardo,
Só
umas palavrinhas pra contar que levei seu livro "Cidade Transparente"
para ler na sala de espera do hospital. A chamada estava na senha 23, a
minha era 64. Consegui um assento e comecei a gostar das cronicas: sua
"amizade" com meu ídolo infantil Gary Cooper, os casos da sua infância,
etc. Então entrei na história da Fazenda Forkilha e o sequestro da filha
do milionário. Aí a enfermeira me chamou, a médica conversava e eu com a
Dulce na cabeça, ansiosa para saber se a moça sobreviveria ou seria
assassinada pelo sequestrador. Vamos fazer Raios-X, depois volta aqui
pro diagnóstico: sinusite. Nem liguei. Corri para a farmácia comprei os
remédios, cheguei em casa peguei o livro e corri pro sofá. Final
totalmente inesperado: Dulce não só sobreviveu como casou com o
sequestrador e os dois foram muito felizes e bem sucedidos.
Agora fica a grande dúvida: é tudo verdade? ou tudo mentira? Você é um grande contador de histórias, adorei!
Um abraço,
Marilia
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23.1.17
Crônica diária
Brincando de adivinhar
Vocês já brincaram disso? Minha mulher e eu brincamos sempre, durante as
viagens. Como passa- tempo. No avião, em barcos, e ônibus de turismo.
Você observa uma pessoa, ou preferencialmente um casal, e constrói sua
história. A deles. Profissão, onde moram, e por aí vai. Temos dado muita
risada. Temos errado redondamente. Mas acertamos algumas vezes. Os
trajes, o comportamento, os gestos, tudo contribui como informação. Já
foi mais fácil. Houve um tempo que os trajes eram mais sóbrios. Os
gestos mais contidos, educados. Hoje todo mundo viaja de bermuda,
havaianas, tablets, celulares, e se tatuam. Antigamente tatuagem era
coisa de marinheiro e puta. Esses detalhes dificultaram muito nossa
brincadeira. Freiras não usam mais hábitos, e os turistas europeus que
eram mais sóbrios aderiram à moda "conforto" antes de tudo. E lá se
foram indicativos preciosos para nossa brincadeira. A gravata, o sapato,
e até a caneta Montblanc. Mas continuamos atentos às bebidas que os
passageiros vão tomar a bordo. Pelo jeitão da pessoa adivinhamos se
beberá água, suco de fruta de caixinha, Coca-Cola, ou cerveja, A
brincadeira acaba quando a viagem termina.
Comentários que valem um post
Marilia Braga Embora suspeita, concordo plenamente que se não for por obrigação ou profissão, cada um escreva o que sente e não o que "deve".
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Jean Louis Bize Junior Tropicalmente corrupto , perfeito !
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22.1.17
Crônica diária
A política e o tédio
Recebo o recado de um amigo: "Você precisa
escrever mais sobre política". E acrescenta que eu ando muito
"alienado" ou "por fora", como se costuma dizer
agora." 1967, 19 de outubro, Rubem Braga publicou as frases acima, em
sua crônica no Diário de Notícias. Meus leitores poderiam tomar como minhas,
não fosse o "por fora" como expressão em "uso agora". Ela
tem exatos 50 anos. E o Braga continuava seu texto dizendo: "O amigo tem
razão, mas o diabo é que não gosto de forçar minha natureza, e confesso que mal
tenho lido as seções políticas dos jornais. O tédio me vence". Eu poderia
assinar essa parte da crônica hoje. Cinquenta anos depois. O Brasil é grande,
lento, provinciano, e tropicalmente corrupto. Avança, mas muito lentamente.
Esta croniquinha estava pronta há vinte dias. Ante
ontem recebo este comentário feito por Cassio Penteado: "Pessoalmente gostava mais de sua
versão "comentarista do dia a dia" expondo opinião sobre assuntos
quentes que provocavam os seus leitores. Vc mudou o foco para um passado
glorioso da crônica brasileira com três ou quatro vultos. São agora escritos
históricos apenas. Volte ao bom combate do dia a dia. Seja um renovado Jabor...
Esperei um texto sobre a morte do Ministro e tu vem com Rubem Braga que repousa
no panteão de uma era passada..."
E minha resposta ao meu leitor e primo é mais ou
menos a que o velho Rubem deu 50 anos atrás. Mas vou além, desde sempre minhas
abordagens foram sobre política, literatura, e memórias. Do dia a dia cuidam os
jornalistas, repórteres, e articulistas que tem por obrigação cobrir os
acontecimentos diários. Eu não. E se num passado recente falei quase todos os
dias contra o governo corrupto da Dilma, e do PT, foi por uma necessidade
cívica e patriótica. Hoje não há mais espaço para minha atuação. De quando em
quando saio em defesa do Temer, porque dele depende nossa sorte. De quando em
quando ataco ferozmente os apátridas que continuam bradando: "Fora
Temer", e combatendo os ingênuos, ou nem tanto, que preconizam:
"Diretas já". Quanto aos acidentes aéreos onde as falhas humanas, ou
razões estritamente meteorológicas são as causas, como foram nos casos do Eduardo
Campos e agora do Ministro Teori Zavascki, me nego entrar nessa
bobagem da Teoria Conspiratória que sempre, "os mesmos", levantam. De
resto temos que lamentar a fatalidade que certamente irá prejudicar muito a
Operação Lava jato, ou no mínimo retardar seu desfecho.
Comentários que valem um post
Cassio Penteado Recebo
a sua resposta às minhas invectivas e compreendo as razões e argumentos
que vc colige. É que nos dias que correm alguns textos podem parecer a
orquestra que tocava enquanto o Titanic afundava. Em outras palavras
sinto falta, e como eu talvez outros amigos que o leem, retornos -
quando possível - do Eduardo polemista... Abraços do teu amigo e primo.
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Eduardo Penteado Lunardelli Caro Cassio Penteado,
o velho Eduardo de guerra continua o mesmo. As circunstâncias é que
mudaram. Deixo de fazer um embate político por completo "tédio" como
escreveu o velho Urso. Por outro lado o número de amigos cresceu para
mais de 1610 e a lista de novos pedidos de amizade aumenta. Não estou
cedendo à superficialidade do Facebook, mas nego considerar-me um
polemista. Tenho ideias próprias e as defendo com veemência, isso sim.
Mas estou tranquilo quanto a esta fase de "Eduardo Paz e Amor",
parodiando o investigado pela justiça, e incrivelmente, solto até hoje.
Faço ainda uma observação técnica, atendendo seu desejo de "retorno".
Minhas intervenções diárias, a que dou o nome de crônicas, são
publicadas em livro de papel a cada 300 dias. Para um leitor do livro,
depois de um ou dois anos, os fatos circunstanciais do dia a dia, perdem
completamente a relevância. Essa a razão das minhas croniquinhas
variarem constantemente de temas. Sei que isso também contraria o
espírito da "crônica" como estilo literário. Elas são, num conceito
geral, datadas. O Titanic não vai afundar. Há 50 anos o país era muito
parecido com o que é hoje. Haja vista as palavras do Rubem. Nem a
eleição do Trump é tão grave como estão tentando nos convencer. A
economia americana, que é a maior do mundo, só representa 20% da
economia mundial. Vai atrapalhar um pouco, mas não é o fim do mundo. Sou
um otimista nato. Agradeço sua preocupação com minha orquestra. No fim
todos nos salvaremos.
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21.1.17
Crônica diária
Panetone e Guaraná
Estamos em janeiro e acabo de comprar um panetone por R$15,00 reais e
levar outro igual de brinde. Compre um e leve dois. Liquidação dos
estoques de Dezembro. Este ano, na véspera do Natal cheguei a pagar
R$19,00. É um bolo natalino caro e de origem milanesa do norte da
Itália. Produzido por duas grandes empresas com nome italiano Balducco e
Visconti, que dominam o mercado, é encontrado em produção "caseira" em
qualquer supermercado. Por preços muito inferiores. Mas... a qualidade e
sabor também o são. Adorava come-los tomando leite gelado. Meu pai era
médico e dizia: "Os únicos animais que bebem leite quando adultos são o
gato e o homem. E o gato porque o homem dá". Ele tinha razão. Estou
proibido de tomar leite. Substitui por chá. É mais elegante e mais
nobre. Mas o leite era mais gostoso. Vezemquando como panetone com
Guaraná. Mas tem que ser da Antártica. Os outros são muito doces.
Comentários que valem um post
Cassio Penteado Pessoalmente
gostava mais de sua versão "comentarista do dia a dia" expondo opinião
sobre assuntos quentes que provocavam os seus leitores. Vc mudou o foco
para um passado glorioso da crônica brasileira com três ou quatro
vultos. São agora escritos históricos
apenas. Volte ao bom combate do dia a dia. Seja um renovado Jabor...
Esperei um texto sobre a morte do Ministro e tu vem com Rubem Braga que
repousa no panteão de uma era passada...
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20.1.17
Blog Viciado
Esta imagem postei há anos num blog chamado "Blog viciado" . O autor é desconhecido.
Não se trata de concurso, mas o simples fato de ter a postagem publicada no BLOG VICIADO, isso pode ser entendido como um prêmio.Os blogs cujas postagens fizerem parte do BLOG VICIADO, terão seus links relacionados no sidebar.
HÁ CINCO ANO HOMENAGEANDO OS BONS BLOGGERS
2008 a 2013
BLOG VICIADO , um blog onde prestamos homenagem à melhor postagem da SEMANA. Concorrem todos os bons blogs da web. Levamos em consideração o design ( modêlo), apresentação, regularidade, assunto, oportunidade, texto, e ou imagem, das postagens dos blogs analisados.Não se trata de concurso, mas o simples fato de ter a postagem publicada no BLOG VICIADO, isso pode ser entendido como um prêmio.Os blogs cujas postagens fizerem parte do BLOG VICIADO, terão seus links relacionados no sidebar.
Crônica diária
Rubem Braga, "homem de pouca música"
Assim se definia o maior cronista brasileiro. Apesar de ter sido chamado
de "orelha de pau" foi membro de júri de festivais de música. Entendia
de letras. E escreveu bastante sobre o assunto. Carlos Didier reuniu em
livro suas crônicas sobre música. O que diria ele nos dias presentes?
Lendo parte das letras das 10 mais tocadas do ano de 2016 fiquei
chocado. Foram chamadas de "musica de sofrência". Inicialmente imaginei
em transcrever, aqui, parte das letras, mas desisti. É um monte de
bobagem inenarrável. Braga escrevia sobre as letras do Chico Buarque,
Vandré, Rita Lee, e dos maiores compositores carnavalescos de sua época.
As letras e músicas atuais são de chorar, literalmente. Sofrência é o
que nos submetemos ouvindo essas coisas. Ainda bem que hoje há uma
estação de rádio que só toca notícia. Por pior que sejam, são sempre
melhores do que o cancioneiro nacional no momento.
19.1.17
Cultura geral
O BARÃO DE ITARARÉ!
"O que se leva desta vida é a vida que a gente leva" uma das frases antológicas de Barão de Itararé
Frases impagáveis do Barão de ItararéCriador do jornal “A Manha”, o Barão ridicularizava ricos, classe média e pobres. Não perdoava ninguém, sobretudo políticos, donos de jornal e intelectuais.
Ele não era barão, é claro. Mas deu-se o título de nobre e nobre se tornou. O primeiro nobre do humor no Brasil. Debochava de tudo e de todos e costumava dizer que, “quando pobre come frango, um dos dois está doente”. Ele é um dos inventores do contra-politicamente correto.
Há muito que o gaúcho Apparício Fernando de Brinkerhoff Torelly, o Barão de Itararé (1895-1971) merecia uma biografia mais detida. Em 2003, o filósofo Leandro Konder lançou “Barão de Itararé — O Humorista da Democracia” (Brasiliense, 72 páginas). O texto de Konder é muito bom, mas, como é uma biografia reduzida, não dá conta inteiramente do personagem, uma espécie de Karl Kraus menos filosófico mas igualmente cáustico.
Quatro anos depois, o jornalista Mouzar Benedito lançou o opúsculo “Barão de Itararé — Herói de Três Séculos (Expressão Popular, 104 páginas). É ótimo, como o livrinho de Konder, mas lacunar. No final, há uma coletânea das melhores máximas do humorista, que dizia:O uisque é uma cachaça metida a besta.O que se leva desta vida é a vida que a gente leva.
A criança diz o que faz, o velho diz o que fez e o idiota o que vai fazer.
Os homens nascem iguais, mas no dia seguinte já são diferentes.
Dizes-me com quem andas e eu te direi se vou contigo.
A forca é o mais desagradável dos instrumentos de corda.
Sábio é o homem que chega a ter consciência da sua ignorância.
Não é triste mudar de ideias, triste é não ter ideias para mudar.
Mantenha a cabeça fria, se quiser ideias frescas.
O tambor faz muito barulho, mas é vazio por dentro.
Genro é um homem casado com uma mulher cuja mãe se mete em tudo.
Neurastenia é doença de gente rica. Pobre neurastênico é malcriado.
De onde menos se espera, daí é que não sai nada.
Quem empresta, adeus.
Pobre, quando mete a mão no bolso, só tira os cinco dedos.
O banco é uma instituição que empresta dinheiro à gente se a gente apresentar provas suficientes de que não precisa de dinheiro.
Tudo seria fácil se não fossem as dificuldades.
A televisão é a maior maravilha da ciência a serviço da imbecilidade humana.
Este mundo é redondo, mas está ficando muito chato.
Precisa-se de uma boa datilógrafa. Se for boa mesmo, não precisa ser datilógrafa.
O fígado faz muito mal à bebida.
O casamento é uma tragédia em dois atos: um civil e um religioso.
A alma humana, como os bolsos da batina de padre, tem mistérios insondáveis.
Eu Cavo, Tu Cavas, Ele Cava, Nós Cavamos, Vós Cavais, Eles Cavam. Não é bonito, nem rima, mas é profundo…
Tudo é relativo: o tempo que dura um minuto depende de que lado da porta do banheiro você está.
Nunca desista do seu sonho. Se acabou numa padaria, procure em outra!
Devo tanto que, se eu chamar alguém de “meu bem”, o banco toma!
Viva cada dia como se fosse o último. Um dia você acerta…
Tempo é dinheiro. Paguemos, portanto, as nossas dívidas com o tempo.
As duas cobras que estão no anel do médico significam que o médico cobra duas vezes, isto é, se cura, cobra, e se mata, cobra.
O voto deve ser rigorosamente secreto. Só assim, afinal, o eleitor não terá vergonha de votar no seu candidato.
Em todas as famílias há sempre um imbecil. É horrível, portanto, a situação do filho único.
Negociata é um bom negócio para o qual não fomos convidados.
Quem não muda de caminho é trem.
A moral dos políticos é como elevador: sobe e desce. Mas em geral enguiça por falta de energia, ou então não funciona definitivamente, deixando desesperados os infelizes que confiam nele.
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Enviado por João Menéres
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Falaram do Varal:
"...o Varal de Ideias é uma referência de como um blog deve ser ." Agnnes
(Caminhos e Atalhos, no mundo dos blogs)..."parabéns pelo teu exemplo de como realmente se faz um blog...ou melhor tantos e sempre outstandings...".
(Vi Leardi )





















