17.10.17

Anel de titânio

2017

Crônica diária

Ingratidão com Vinícius

Vinícius de Moraes poetinha e embaixador foi dos homens na terra que mais amou, cortejou e encantou as mulheres. Mas naquele tempo, e não faz muito, as mulheres adoravam os homens. Depois vieram as feministas e gays, e equivocadamente, a meu ver, se empoderaram. Hoje leio com espanto o velho e saudoso poetinha ser chamado de machista. Pura ingratidão. Conheci pessoalmente dois grandes artistas que gostavam de álcool, boemia, e idolatravam as mulheres. Di Cavalcante, e Vinícius de Morares. Digo que gostavam de álcool porque em ambos os encontros o whisky estava presente. E aqui o "whisky" não era nome de cachorro. Di visivelmente alcoolizado confundiu um desenho, na parede de uma casa de amigos, com obra sua. Estranhei a observação que fez, e fui até perto da moldura para conferir. Não era dele. Por outro lado tinha bons olhos e palavras gentis  para com as mulheres, especialmente mulatas. E daí? É absolutamente normal e saudável que homens gostem de mulheres. E nossas mulatas são especialmente bonitas. Quanto ao meu encontro com Vinícius foi por intermédio de outro boêmio paulista, pai dos meus amigos Angela e Ameriquinho, Américo Marques da Costa. As dez da manhã fomos os três a um bar na Avenida São Luiz  beber whisky "on the rocks". Do que falaram, e eu ouvi, não me lembro, mas os amores estavam sempre em pauta. Machistas porque gostavam de mulheres? E elas os adoravam, sem nenhum preconceito. Pobre das mulheres de hoje. Cheias de preconceito, e se achando...

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Jorge Pinheiro deixou um novo comentário sobre a sua postagem "Crônica diária":

É de facto excelente. Só uma pequena correcção: é bolotas, fruto dos sobreiros (árvore de onde se tira a cortiça).

Postado por Jorge Pinheiro no blog . em segunda-feira, 16 de outubro de 2017 08:29:00 BRST

16.10.17

Israel Kislansky

Nu maravilhoso em bronze. Autor: Israel Kislansky, fundida em sua fundição. 2017

Crônica diária

 Jamón ibérico de bellota

A mesma diferença entre uma Bic e uma gorducha Mont Blanc, ou um carro popular coreano e um Mercedez, onde suas funções são as mesmas, mas um nada tem a ver com a qualidade, e preço, um do outro.  Assim é um presunto Sadia ou Perdigão comparado com o famoso "pata negra". Ainda assim o jamón "pata negra" não pode ser comparado ao verdadeiro "jamón ibérico de bellota". Explico porque. O presunto espanhol "pata negra", é assim conhecido porque o porco do qual se origina tem os cascos negros. Mas isso não é garantia de excelência. Essa raça de porcos que tem o pelo escuro, orelhas longas caídas sobre os olhos, canela fina e unhas escuras lhe renderam o apelido de "pata negra". Esse porco ibérico tem um metabolismo que favorece o acúmulo de gordura, condição essencial para dar origem a um bom presunto. Mas não basta possuir o porco, é preciso que ele se alimente de bellotas, uma espécie de castanha, com jeito de pinhão, fruto de azinheiros e sombreiros, com muito calórica e rica em ácidos oleicos. Essas bellotas se encontram nas áreas de preservação chamadas "dehesas". E os porcos vivem soltos nessas extensas áreas, em movimento constante, a gordura penetra na carne e se espalha de forma uniforme. Ele come pouco nos meses quentes e devora as bellotas em ritmo acelerado no inverno. Passa de 90kg a  170kg comendo 12 kg de bellotas por dia. Essa é uma das fundamentais diferenças do "pata negra" criado e engordado em pastos e com ração. Existem só quatro regiões da Espanha classificadas como Denominação de Origem, e autorizadas a produzir o verdadeiro jamón ibérico de bellota. São elas Extremadura, Gijuelo, em Salamanca, Pedroches, na regiãode Córdoba e Jabugo, na Andaluzia. São 27 produtores nos 31 municípios que se estende pelo Parque Nacional de Jaburgo, na Andaluzia que elaboram o jamón ibérico de bellota. São feitos, desde 1879 até hoje, artesanalmente. Ainda para diferenciar os 100% alimentados por bellotas são comercializados com etiquetas invioláveis das cores preta A cor vermelha para os de 50% a 75% de bellota, e as de cores verde e branca para animais de outras raças (jamón serrano) alimentados com ração. O tempo de salga e cura do verdadeiro jamón de bellotas é de 36 meses para o pernil e de 24 meses para a paleta, em ambiente natural, com métodos tradicionais. Isso explica o preço dessa iguaria. Na Espanha uma peça de 7 a 8 quilos custa 600 Euros.
Minha fonte: Patrícia Ferraz, Paladar, Estadão. 

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João Menéres deixou um novo comentário sobre a sua postagem "Crônica diária":

Muito pertinente esta sua Crónica, Eduardo !

Postado por João Menéres no blog . em sábado, 14 de outubro de 2017 21:29:00 BRT

14.10.17

Montanha nº 14 em BRONZE

Montanha em BRONZE. Outubro 2017

Crônica diária

Quando a transparência é despudor

E não vamos falar de transparência de vestidos decotados. Aqui a transparência é a da transmissão ao vivo da seção do STF. Como todo mundo sabe os juízes do supremo devem julgar interpretando a lei máxima, a constituição. Recentemente eu vi, ninguém me contou, eu assisti ao vivo, a saia justa do pleno, julgando a retroatividade na aplicação de uma nova lei. Explico melhor, havia uma lei que condenava os políticos que cometiam crimes nas campanhas ou em seus mandatos com a inelegibilidade por três anos. Em 2011 aprovou-se outra, conhecida como da "Ficha Limpa" que aumentou a pena para oito anos. A discussão era se a nova lei poderia ou não atingir quem já havia sido julgado e condenado aos três anos da lei anterior. É evidente que uma nova lei não pode ser aplicada em casos julgados no passado. Seria uma dupla condenação, que a constituição não permite. Matéria tão óbvia que jamais deveria estar ocupando a pauta desse tribunal superior. Mas os juízes divergiam. E as divergências ficaram tão escancaradas que os próprios juízes não escondiam o desconforto. E para completar o escárnio, o ministro Lewandowski confessou estar recebendo telefonemas de políticos alertando para as graves consequências se o tribunal  aplicasse a lei de conformidade com o seu parecer. Muita transparência  chega a ser um despudor. 

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Gaspar de Jesus deixou um novo comentário sobre a sua postagem "Terra mar e ar":

Gosto disto Eduardo!
Bom domingo.
Gaspar de Jesus

Postado por Gaspar de Jesus no blog . em sábado, 14 de outubro de 2017 15:55:00 BRT

Terra mar e ar

Da "Série Terra, mar e ar" uma tela a óleo, agora na Ilha Bela na casa da Angela Batah -2017

Crônica diária

Censura na arte

Ando totalmente sem paciência e prazer para comentar os últimos acontecimentos envolvendo provocações artísticas. Como não tem só acontecido no Brasil, chego a por em dúvida que sejam para desviar as atenções do quadro degradante da política. Primeiro o affaire de Curitiba com o Banco Santander. Que haviam "obras" de absoluto mau gosto não restou dúvida. Quem patrocina uma exposição, e no caso o Banco, a ele cabe susta-la por qualquer razão, desde que devolva aos cofres públicos incentivos, se houver. Foi o caso do Banco. A explicação dada foi absolutamente compreensível: "Pedofilia não coaduna com a imagem do Banco". Ponto final. Não há o que se discutir. O outro incidente tupiniquim foi no MAM. Um homem nu deitado, e uma criança tocando em seus dedos da mão, e em seus pés. Tudo gravado e incentivado pela mãe. Outra cena de péssimo gosto, outro banco, agora o Itaú, envolvido, e muita mimimi em torno. Vai a museu quem quer. Responde por filhos menores seus pais ou tutores. E responde pelo museu seus curadores. De resto a justiça tem leis suficientes para condenar, se julgar necessário, qualquer infrator. Mas em Paris, na semana seguinte, outra tentativa provocatória aconteceria no jardim Tuilleries anexo ao Museu do  Louvre. Foi cancelada. E nada tem a ver com a degradação política brasileira, mas talvez pela degradação moral dos tempos atuais. Um projeto de instalação do coletivo Atelier Vanlieshout, 2017, grupo  holandês, mais parecendo um objeto de Lego, insinuando um ato sexual. "Domestikator", mais uma vez a falta de gosto, querendo passar por manifestação artística.

13.10.17

Uma flauta

Uma flauta infantil

Crônica diária

O fiel da balança e as minorias

Para esta crônica não virar filosofia brava resolvi mesclar dois temas diferentes em tudo. Em importância e implicações práticas. O fiel da balança que era o fio de metal, ou qualquer outro material, que indicava o centro quando o ponteiro da balança o alcançava. Hoje as balanças não tem fiel e tão pouco ponteiro, são digitais. Mas o termo "fiel" que vem de fio e fidelidade, continua a ser usado para designar o mediador de uma disputa ou desavença. O fato das balanças mostrarem o peso através de números digitais, a exemplo dos relógios, deixou de exigir dos usuários qualquer raciocínio. Uma criança nascida hoje certamente não saberá usar uma balança de dois pratos e pesos de metal. Como terá dificuldade em ler as horas num relógio com ponteiros sem números, como os que eu uso. Mas faço parte das minorias. Meu celular é daqueles que tem tamanho de uma caixa de fósforo (coisa antiga, também) e articula, abrindo e fechando ao meio. Só eu, e alguns personagens do cinema de décadas atrás, usamos tais aparelhos. E sobre ser minoria,  escreveu Sheila Leirner que: "Somos todos minoria", fazendo dela, apologia. É nelas que se encontram (infelizmente) os mais ricos da sociedade. Os mais cultos. Os mais poderosos. E parodiando Vinícius de Moraes: "os feios, os esquerda, e populistas que me desculpem."

12.10.17

Deputado Bonifácio de Andrada

Bonifácio de Aandrada

Crônica diária

 Petit não gostava do Tàpies

Eu gosto muito. Estabelecida a divergência é preciso falar um pouco do conhecido artista plástico catalão Antoni Tàpies. Apesar de ter alguns livros do artista, visitado sua fundação museu em Barcelona, e conhecer obras suas em outros museus, socorri-me do Google para atualizar alguns dados:"Antoni Tàpies i Puig, marquês de Tàpies, foi um pintor catalão, considerado como um dos mais importantes do século XX. Nasceu em 1923 e morreu em 2012 em Barcelona." Mas Francesc Petit escreve em seu livro "Quem inventou Picasso" que ele não era um verdadeiro artista. Chama sua obra de "vulgar, mentirosa e equívoca". Diz ter se utilizado de símbolos pobres, repetitivos,e sem criatividade artística. Que passava o dia todo ao telefone fazendo contatos com importantes políticos catalães em busca de benesses. E chama sua obra de um desses tantos engodos da arte contemporânea. Eu pessoalmente discordo. Mas quem sou eu para falar sobre a arte catalã? Por outro lado concordo com o Petit (que era chamado de Paco, entre os íntimos) de que se come maravilhosamente na Catalunha. Querem um exemplo? "Como entrada, mexilhões e ervas, feitos na panela com água, manteiga, cebola, salsinha, pimenta e aipo. Peneire os mexilhões e reserve o molho do cozido. Acrescente a manteiga, refogue o cerefólio, a azedinha e a salsa-de-estragão. Adicione ao molho dos mexilhões uma boa dose de vinho branco, engrosse o caldo com maisena, e pronto. Como prato principal um Ragout de Mouton, guisado de carneiro. Derreta o toucinho em um caldeirão com manteiga, retire os torresminhos e refogue a cebola, o nabo e as batatas. Coloque tudo separado. Numa frigideira, derreta a manteiga com óleo e coloque o carneiro em pedaços para refogar. Também separe. No caldeirão, faça uma massa fina com farinha e manteiga e refogue os torresmos e os legumes. Acrescente sal e pimenta. Jogue o carneiro no caldeirão e acrescente água quente até cobrir as carnes. Junte os alhos e o bouquet garni. Deixe cozinhar em fogo brando por mais de duas horas. E esta pronto para servir. Como sobremesa a predileta do impressionista Claude Monet, a Tarta Tatin, hoje universalmente conhecida. Para acompanhar o café um belo conhaque e uma variedade de biscoitos petit four e marrom-glacê". Como veem Petit e sua turma do Ateliê das Putas comiam muito bem. 

11.10.17

Pio de pássaro

Imitando o avô Alvaro Abreu. Com a diferença que os meus são comprados...

Crônica diária



Separatistas, Petit e Picasso

Se não bastasse o movimento separatista da Catalunha e a reação contundente da Espanha como um todo, os estados do Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná também fizeram um plebiscito sem validade legal, procurando saber quantos brasileiros, desses três estados da federação, gostariam de proclamar a independência do Brasil. Na ultima enquete eram perto de novecentos mil votantes a favor. Nesta esperavam perto de dois milhões de separatistas e não chegaram a quinhentos mil. Com mais de noventa por cento a favor.  Mas falar de separatismo sem lembrar do Francesc Petit é impossível. Foi sempre um catalão apaixonado, apesar de naturalizado brasileiro. Pesquisando no Google fiquei sabendo que além dos livros sobre "marcas" e publicidade, escreveu sobre a Catalunha, Barcelona e suas tradições artísticas, gastronômicas e sociais, um delicioso livro de ficção chamado "Quem inventou Picasso" (publicado em 2007). Além das informações turísticas, que faz do livro quase um guia, conta muito da história dos artistas, especialmente pintores do século XIX e XX que viveram e produziram arquitetura música e artes plásticas na Catalunha. Mas o livro é também recheado de receitas culinárias catalã. A exemplo do livro da musa do Picasso, Gertrudes Stein, que também escreveu sobre sua secretária, e amante "Autobiografia de Alice B.Toklas", como pretexto para dar receitas, e como preparavam uma boa mesa. Gertrudes em Paris, Francesc Stainer, nome do personagem do Petit, nesse livro, em Barcelona. Aliás essa característica de fazer guias de Barcelona  era uma das "marcas" do Petit. Aqui mesmo nosso amigo Sergio Monte Alegre comentou: "Adorava almoçar com Petit e sua netinha no Gero. Certo dia uma mega surpresa, fui presenteado com um mini-guia, que ele havia feito para mim, antes da minha primeira viagem,entre várias, a deliciosa Barcelona". E tenho notícias de que fez isso com outros amigos. Recomendo "Quem inventou Picasso" para três tipos de leitores: aqueles que pretendem voltar a Barcelona, aos amantes das artes, e aos que adoram comer e beber bem. Uma delícia de leitura. 
PS-1º  Faz-se necessário comentar que em 1986 a mulher do Petit, Inês Mendonça Petit que faleceu em 01/01/2017,  publicou um rico livro, de capa dura, com receitas da "Cozinha tradicional catalã".
      2º  O nome Stainer, adotado pelo personagem do livro do Petit, desconfio foi uma brincadeira com o Benjamim Steiner,  amigo nosso, artista e marchand em São Paulo.

10.10.17

Cinco fases da nova montanha de bronze




Obra em andamento. Outubro 2017


 E o trabalho de acabamento continua.

Crônica diária

Leitura de jornal

Sábado passado o Estadão na sessão de esportes publicou em manchete a possibilidade da seleção argentina não se classificar para o mundial. Quem diria! Na foto que ilustrava a matéria Messi, Mascherano, e companheiros, todos brancos. A outra notícia, na mesma página, dava conta de que os brasileiros devem se despedir com vitória, o que beneficiará a vizinha Argentina. Detalhe, na foto três jogadores da seleção: Neymar, Dani Alves e Jesus, mulatos e os dois primeiros, com cabelos tingidos de loiro.
E na Folha o articulista Mario Sérgio Conti nos conta que "Proust pagou por resenha de seus livros, chegando mesmo a ditar pelos elogios". Agora, escreve Conti,  os Odebrecht podem dizer:"Dei um dinheirinho para obter um parecer favorável". 
E vamos levando...


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