24.5.17

Comidinhas da Piacaba

Filé sobre molho de queijo gorgonzola, e suflê de brócolis com bacon 

Crônica diária



O alemão obsessivo

Nascido em Munique, desde pequeno adorava brincar com régua e compasso, fazendo desenhos geométricos. Um dia seu tio, mestre cervejeiro, voltando de uma viagem ao Brasil aonde havia ido assessorar um fabricante de bebidas, trouxe alguns cartões postais de Brasília. Um deles mostrava um relógio de sol; outros, fachadas de edifícios modernos, recém-construídos, e algumas paredes revestidas de azulejos coloridos, a maioria em branco e azul. As formas e desenhos chamaram a atenção do menino. Eram de algum modo semelhantes a seus obsessivos traços geométricos. Os postais ficaram durante anos na parede de seu quarto. Muito tempo depois, já formado em arquitetura, resolveu viajar a Brasília para conhecer aqueles murais coloridos. Levou os velhos cartões postais do tio como referências. Já no aeroporto, ao passar por um mural amarelo e vermelho, desconfiou fosse obra do artista que viera conhecer. O hotel que escolhera, na chamada Asa Norte, tinha o nome do autor dos famosos azulejos. Assim que entrou no quarto, tirou do frigobar uma cerveja e tomou-a em homenagem ao tio. Com a máquina fotográfica pendurada no pescoço pediu um táxi ao porteiro e mostrou ao motorista um dos cartões postais, fazendo gestos para que ele entendesse o destino pretendido. Rumaram para o Parque da Cidade, na Asa Sul, a poucos minutos dali. Lá estava o relógio de sol que ele conhecia dos cartões, e havia também espelhos d´água, ciclovias, gramados e uma vegetação que em nada pareciam com as imagens dos postais de anos atrás. No horizonte ele via prédios do arquiteto Oscar Niemeyer, que conhecia dos livros da faculdade, e de outros que vieram depois dele. O sol estava a pino, e o alemão aproveitou para fotografar o relógio, sempre cercado de turistas. Não foi difícil avistar um ponto de ônibus e banheiros públicos com as paredes recobertas com azulejos coloridos formando os característicos desenhos do Athos Bulcão. Sentiu um frio na coluna, um arrepio pelo braço e um descompasso no ritmo da respiração ao ver os azulejos em suas formas variadas, predominando a combinação de azul e branco. Aqueles dos cartões da sua infância. Aqueles que tantas vezes tentara copiar. Que sonhava conhecer. Seus olhos chegaram a marejar. Uma emoção enorme. Caminhou até eles. Aproximou-se extasiado com a imagem que tinha na memória há tantos anos. Colocou a mão sobre os ladrilhos como quem toca os pés de um santo na igreja. Embevecido. Tomou certa distância, para fotografar. Os passantes o atrapalhavam, mas a obra de Athos fora feita para eles, não para museus e galerias. Voltou a aproximar-se, para fotografar detalhes. As formas retas e curvas, revelando desenhos abstratos, assentados com lógica ou enganosamente sem critério, eram de uma beleza inimaginável. Mais impactante do que sonhara. Queria olhar um por um. Encontrar um fora do lugar. Procurou obsessivamente. Havia lido que o artista, ao acompanhar a instalação dos azulejos, recomendara aos pedreiros que iniciassem pela fileira de cima, e depois inventassem eles próprios a disposição. No caso desse painel dos pontos de ônibus do Parque, isso não podia ser verdadeiro. Estavam magistralmente dispostos. De moderna forma, contemporânea. E foi com essa observação cuidadosa e obsessiva que ele notou, num canto, perto da abertura da entrada do banheiro, um azulejo cujo tom de azul era ligeiramente diferente. Só perceptível para olhos muito atentos. Um falso Athos Bulcão. Um azulejo pirata no meio de tantos verdadeiros. Fotografou sua descoberta. Imaginou que talvez os fragmentos do original  estivessem enterrados nos arredores da marquise do ponto. Seria um troféu e tanto. Voltou para o táxi e mostrou outros cartões, fazendo o motorista perceber o interesse do seu passageiro. Entendiam-se mais por mímica do que pelo inglês que o motorista não dominava. E aí o trajeto foi mais longo, porém não menos interessante. Brasília lembrava um pouco, na topografia e nos amplos espaços verdes, a cidade de Berlim. Tinha até uma torre de TV entre o hotel e o Parque, e nela outro painel. Fizeram longa peregrinação. Em cada construção que exibia um mural, o motorista estacionava. Brasília estava repleta deles. A emoção de vê-los pessoalmente foi enorme. Fez questão de parar em cada um. De colocar a mão nos azulejo frios, em azul e branco. Fotografá-los. Em detalhe e no conjunto. Mas não encontrou nenhum outro que parecesse falso. Finalmente, quando partiu da cidade, o alemão contemplou aquela imensidão de céu e terra e percebeu que ali era mesmo o local ideal para a obra de Athos, nome do filho de Gaia, a Terra, e Urano, o Céu, na mitologia grega.

PS- Foi com esse conto que participei da inscrição do Desafio dos Escritores, e fui eliminado. Razões? Não faltaram. Por exemplo: foi considerado uma crônica de viagem. Faltou ação para ser considerado conto. E eu concordei plenamente. Afinal, oficina/concurso literário não é para isso?

Comentários que valem um post



João Menéres disse...
IMBITUBA E AS MONTANHAS, ou a versão brasileira, pela mão de Eduardo Cimitan, ao romance de Eça de Queiroz " A Cidade e as Serras " !

terça-feira, 23 de maio de 2017 04:14:00 BRT
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 Gaspar de Jesus deixou um novo comentário sobre a sua postagem "130 anos da imigração dos LUNARDELLI no BRASIL":

Parabéns Eduardo pela efeméride.
O brasão da Família é lindíssimo!

Postado por Gaspar de Jesus no blog . em terça-feira, 23 de maio de 2017 09:25:00 BRT

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Excluir

23.5.17

130 anos da imigração dos LUNARDELLI no BRASIL

Comemora-se hoje, 23 de Maio de 2017 CENTO E TRINTA anos da imigração dos LUNARDELLI

Mais três MONTANHAS

 Menor e mais alta
Aqui as novas três montanhas, ainda secando. Depois serão lixadas.

Crônica diária

Ouça o sino



O apart-hotel ficava a poucas quadras do Palácio da Alvorada, porém suas janelas não permitiam avista-lo. Aliás, por conta do andar baixo e da copa das árvores não se via nada. Mas o casal que ocupava o apartamento 122 não estava nada interessado na vista. Nem a cortina chegaram a abrir. Era a primeira vez que estariam juntos num quarto de hotel. Algumas intimidades já tinham acontecido no banco traseiro do táxi que os levou da boate até o hotel. Ela, muito ansiosa, ele meio alcoolizado, foram direto para o banheiro tomar uma ducha. O casal de meia idade aparentava boa forma física. Tinham até certo orgulho de seus corpos. Despiram-se sem maiores formalidades. Mas uma coisa chamou atenção da mulher. Dez centimetros abaixo do umbigo do companheiro havia uma grande tatuagem. Um sino. O lugar era pouco usual para tatuagens. E a tentativa de confundir o badalo do sino, com o pênis, era ridícula. A mulher achou graça e perguntou: 
Esse sino funciona?
Às vezes, meu bem. E riram.
A ducha era forte, a água quente, mas o espaço do chuveiro não permitia maiores movimentos. Ficaram abraçados por alguns segundos, e foi o bastante para o sino se manifestar. Ensaboaram-se mutuamente, enxaguaram-se e foram enrolados em toalhas macias para o quarto. Junto com o celular e a carteira do homem, sobre a mesa de cabeceira, a mulher notou um santinho de Dom Bosco. Mais uma vez intrigada, perguntou se ele era padre.
Não, minha querida. E riram, novamente.
O homem foi até o frigobar ao lado da TV, pegou duas garrafinhas de dose única de whisky, duas pedras de gelo em cada copo, e levou até a cama, onde a mulher nua lia, aparentemente com atenção o verso do santinho.
Eu explico o porquê desse santinho. Sou jornalista e estou fazendo uma matéria para a revista sobre o sonho de Dom Bosco.
Brindaram com os copos, dizendo:
Ao nosso encontro.
Conta a história desse sonho, disse ela.
Tudo começou com outro sonhador chamado Monteiro Lobato.
O do sítio do pica-pau amarelo?
Exatamente. Ele descobriu que Dom Bosco sonhara que haveria muita riqueza no solo de Brasília, muito antes dela ter sido construída, e muito antes de imaginarem que aqui seria a capital do país.
Interessante. Conta mais.
Agora abraçados, ele bebericando seu whisky, e ela acariciando o badalo do sino, continuaram a conversa.
Monteiro Lobato, como muitos outros políticos, interessados em usar o sonho do santo como avalizador de seus projetos, difundiram o que era na verdade insinuações de difícil interpretação, como são essas previsões visionárias.
Cada um interpreta como quer, disse a mulher, agora mais interessada no badalo do que na história.
É verdade.
Ele segurou a cabeça pela nuca, e deu-lhe um longo beijo na boca. Deixaram os copos de lado, tratando de fazer o sino funcionar.
Meia hora depois, suados, apesar do forte ar condicionado, cada um no seu lado da cama, só com as pernas entrelaçadas, ela perguntou:
Agora me conta essa história do sino.
Ahhh essa foi uma aposta de muitos anos atrás, com um amigo na praia da Enseada no Guarujá. Éramos vizinhos, e passávamos as férias juntos. Tínhamos dezessete ou dezoito anos, e apostamos quem conseguiria seduzir a empregada que trabalhava na casa ao lado da nossa. Era uma linda moreninha jambo, mais velha do que nós, e muito assanhada. Quem perdesse a aposta faria uma tatuagem no peito. Perdi. Fomos a Santos, onde havia um famoso tatuador, e na hora de escolher o lugar, imaginei que aqui era o mais escondido possível.
E por que um sino?
E o que mais eu poderia colocar aqui?
Riram, se beijaram, e fizeram o badalo funcionar o resto da noite.

 PS- De brincadeira escrevi esse conto com as premissas e provocações da 3º semana para os 21 concorrentes do Desafio dos Escritores DF, onde só os 21 classificados estão concorrendo.

Comentários que valem um post

João Menéres deixou um novo comentário sobre a sua postagem "Crônica diário":

Não conhecendo os 21 que o júri apurou, não posso afirmar que este seu conto dos azulejos de Brasília foi injustamente excluído.
Mas posso dizer seguramente que a mim me agradou sobremaneira.
E eu quase me senti retratado nesse arquitecto alemão que um dia fora menino.
Muitos parabéns, Eduardo.

Postado por João Menéres no blog . em segunda-feira, 22 de maio de 2017 04:59:00 BRT 

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Blogger Eduardo P.L. disse...
João, eu conheço os outros 21 contos e concorrentes e posso afirmar que são muito bons e mereceram serem escolhidos. O meu foi recusado por dois motivos principais, segundo um jurado, e concordo: faltou ação e ficou no clichê das provocações. Nas duas seguintes procurei corrigir essas falhas, e acredito ter escrito um conto melhor. São muito úteis essas oficinas literárias.
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22.5.17

Mais uma MONTANHA

Com esta já são seis

Crônica diário

 O alemão obsessivo 

Nascido em Munique, desde pequeno adorava brincar com régua e compasso, fazendo desenhos geométricos. Um dia seu tio, mestre cervejeiro, voltando de uma viagem ao Brasil aonde havia ido assessorar um fabricante de bebidas, trouxe alguns cartões postais de Brasília. Um deles mostrava um relógio de sol; outros, fachadas de edifícios modernos, recém-construídos, e algumas paredes revestidas de azulejos coloridos, a maioria em branco e azul. As formas e desenhos chamaram a atenção do menino. Eram de algum modo semelhantes a seus obsessivos traços geométricos. Os postais ficaram durante anos na parede de seu quarto. Muito tempo depois, já formado em arquitetura, resolveu viajar a Brasília para conhecer aqueles murais coloridos. Levou os velhos cartões postais do tio como referências. Já no aeroporto, ao passar por um mural amarelo e vermelho, desconfiou fosse obra do artista que viera conhecer. O hotel que escolhera, na chamada Asa Norte, tinha o nome do autor dos famosos azulejos. Assim que entrou no quarto, tirou do frigobar uma cerveja e tomou-a em homenagem ao tio. Com a máquina fotográfica pendurada no pescoço pediu um táxi ao porteiro e mostrou ao motorista um dos cartões postais, fazendo gestos para que ele entendesse o destino pretendido. Rumaram para o Parque da Cidade, na Asa Sul, a poucos minutos dali. Lá estava o relógio de sol que ele conhecia dos cartões, e havia também espelhos d´água, ciclovias, gramados e uma vegetação que em nada pareciam com as imagens dos postais de anos atrás. No horizonte ele via prédios do arquiteto Oscar Niemeyer, que conhecia dos livros da faculdade, e de outros que vieram depois dele. O sol estava a pino, e o alemão aproveitou para fotografar o relógio, sempre cercado de turistas. Não foi difícil avistar um ponto de ônibus e banheiros públicos com as paredes recobertas com azulejos coloridos formando os característicos desenhos do Athos Bulcão. Sentiu um frio na coluna, um arrepio pelo braço e um descompasso no ritmo da respiração ao ver os azulejos em suas formas variadas, predominando a combinação de azul e branco. Aqueles dos cartões da sua infância. Aqueles que tantas vezes tentara copiar. Que sonhava conhecer. Seus olhos chegaram a marejar. Uma emoção enorme. Caminhou até eles. Aproximou-se extasiado com a imagem que tinha na memória há tantos anos. Colocou a mão sobre os ladrilhos como quem toca os pés de um santo na igreja. Embevecido. Tomou certa distância, para fotografar. Os passantes o atrapalhavam, mas a obra de Athos fora feita para eles, não para museus e galerias. Voltou a aproximar-se, para fotografar detalhes. As formas retas e curvas, revelando desenhos abstratos, assentados com lógica ou enganosamente sem critério, eram de uma beleza inimaginável. Mais impactante do que sonhara. Queria olhar um por um. Encontrar um fora do lugar. Procurou obsessivamente. Havia lido que o artista, ao acompanhar a instalação dos azulejos, recomendara aos pedreiros que iniciassem pela fileira de cima, e depois inventassem eles próprios a disposição. No caso desse painel dos pontos de ônibus do Parque, isso não podia ser verdadeiro. Estavam magistralmente dispostos. De moderna forma, contemporânea. E foi com essa observação cuidadosa e obsessiva que ele notou, num canto, perto da abertura da entrada do banheiro, um azulejo cujo tom de azul era ligeiramente diferente. Só perceptível para olhos muito atentos. Um falso Athos Bulcão. Um azulejo pirata no meio de tantos verdadeiros. Fotografou sua descoberta. Imaginou que talvez os fragmentos do original  estivessem enterrados nos arredores da marquise do ponto. Seria um troféu e tanto. Voltou para o táxi e mostrou outros cartões, fazendo o motorista perceber o interesse do seu passageiro. Entendiam-se mais por mímica do que pelo inglês que o motorista não dominava. E aí o trajeto foi mais longo, porém não menos interessante. Brasília lembrava um pouco, na topografia e nos amplos espaços verdes, a cidade de Berlim. Tinha até uma torre de TV entre o hotel e o Parque, e nela outro painel. Fizeram longa peregrinação. Em cada construção que exibia um mural, o motorista estacionava. Brasília estava repleta deles. A emoção de vê-los pessoalmente foi enorme. Fez questão de parar em cada um. De colocar a mão nos azulejo frios, em azul e branco. Fotografá-los. Em detalhe e no conjunto. Mas não encontrou nenhum outro que parecesse falso. Finalmente, quando partiu da cidade, o alemão contemplou aquela imensidão de céu e terra e percebeu que ali era mesmo o local ideal para a obra de Athos, nome do filho de Gaia, a Terra, e Urano, o Céu, na mitologia grega.

PS- Foi com esse conto que inscrevi-me no DESAFIO DOS ESCRITORES DF
Concorreram 138 textos, e só 21 autores foram escolhidos para continuarem no certame. Eu não me classifiquei.

21.5.17

Biblioteca do Clube Harmonia de Tenis

Maio de 2017

Crônica diária

Os irmãos Batista, Lula e Odebrecht

Depois da delação coordenada dos irmãos Batista, conhecidos nos últimos sete anos por terem tido uma ascensão vertiginosa no mundo dos negócios, saindo de Goiânia para tornarem-se os maiores processadores de carnes bovina, suína e de aves do mundo. Só podem ser comparados, guardadas as devidas proporções, ao enriquecimento do filho do Lula, aquele que de catador de bosta de elefante, num zoológico paulista, tornou-se milionário. Os valores que os irmãos Batista investiram, legal e ilegalmente, nas campanhas políticas, financiando campanhas de quase todos os partidos deixa as propinas do Marcelo Odebrecht parecendo esmolas. Curiosamente, o Marcelo cumpre pena preso em Curitiba, e os irmãos do JBS, soltos, com passaporte, autorizados a viajarem, com toda a família, para os Estado Unidos, onde tem apartamentos e cinquenta e seis empresas. Ironicamente, cadeia no Brasil, é só para os mais fracos como Funaro, Eduardo Cunha, Palocci, a irmã e primo do Aécio. Deve ser essa a razão pela qual Lula e filhos continuam soltos.

Comentários que valem um post



João Menéres deixou um novo comentário sobre a sua postagem "Ricardo Blauth e FLORES PARA A DELEGADA":

Excelente fotografia de Ricardo Blauth ( ou não estivesse a ler um óptimo livro ! ).

Postado por João Menéres no blog . em sábado, 20 de maio de 2017 06:47:00 BRT

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O que andam escrevendo por aí

MELANCIAS E ABACAXIS

Entre AMIGOS que se respeitam, brincadeiras são naturais e fazem as descontrações serem benéficas para conversas que se prolongam por horas, quando se encontram. Ele paulista eu gaúcho, temos muito em comum, além de morarmos onde amamos. Ele só metade do tempo por aqui, pois tem compromissos em São Paulo e só vem regularmente à Ibiraquera e eu felizmente, agora "pra sempre" em Garopaba. Ontem foi um dia de reencontro e muito a compartilhar noite a dentro. Não lembro mais como foi que a primeira melancia surgiu. Levei uma enorme num destes encontros do passado e continuei a fazer isto em todos outros. Ontem não encontrei melancias a venda, então pensei, porque não abacaxis. Apareci com dois e demos boas risadas juntos ao nos abraçar-mos, saudosos de nossos papos. Sai de lá com um precioso presente, seu último livro de cronicas, "O diabo desse anjo", que recebi em primeira mão. Recebi ainda a incumbência de entregar o penúltimo, "Flores Para Delegada" uma história/romance, para ser entregue autografado para uma AMIGA. Agora pela manhã vi que entrei na madrugada lendo "O diabo desse anjo". Só fui dormir depois da cronica oitenta das trezentas do livro. O livro já está "amaciado" e cheio de marcas e "orelhas". Que surjam ainda muitas novas oportunidades para "abacaxis e melancias". Amigos que se respeitam, mesmo que "vezemquando" divergindo de opiniões. A gente só tem a crescer cada vez mais assim.
RICARDO GAROPABA BLAUTH
Ps.: o nome do meu AMIGO? ...... tá lá, bem grande na capa do livro, Eduardo P. Lunardelli.


Crônica do Álvaro Abreu


Procura-se um candidato

Acho que tem muita gente, como eu, vivendo um tempo sem perspectivas animadoras, sem pontos de referência para imaginar o futuro. Continuo com muita dificuldade em enxergar o que de bom possa estar vindo por aí. Tem dia que chego a ficar com uma certa inveja de quem já tenha escolhido em quem apostar suas expectativas na próxima disputa pela presidência do Brasil. Acreditar em alguma coisa traz esperança e deve fazer bem pra saúde. Aprendi que os ingênuos vivem mais felizes.

Como era de se esperar, tem muita gente confiante na volta de Lula ao Palácio do Planalto. Mesmo não querendo considerar eventuais pecados veniais e mortais que ele tenha cometido, alguns, por prudência, já falam em Haddad. Tem quem esteja acreditando no discurso de salvador de pátria de Ciro Gomes, que deve estar torcendo para que Lula se encrenque de vez na Lava-jato. Candidato bom de gogó, pretende atrair desvalidos políticos e usuários de bolsa família. Pouco tenho ouvido falar em Marina, que deve estar calculando riscos e avaliando oportunidades. Difícil saber o que pretende essa senhora de cabelos tão presos que já encantou tanta gente.

Com Serra e Aécio abatidos e Alckmin na linha de tiro, percebe-se que eleitores carentes começam a se entusiasmar com Dória, provavelmente imaginando que boas jogadas de marketing e conversas com empresários progressistas poderão sustentar um governo de muito sucesso. O que mais me impressiona mesmo é a convicção daqueles que acreditam piamente em Bolsonaro, talvez por imaginarem que o país entraria rapidamente nos eixos com medidas duras e algumas pancadas.

Esse meu estado de alma vem das certezas que tenho hoje: a economia ainda vai patinar bastante e por um bom tempo, a violência não vai esmorecer, os políticos vão continuar distraídos e preocupados em se salvar, a justiça continuará tardando e fazendo falta, o governo Temer seguirá sem credibilidade até o fim, as eleições já entraram, definitivamente, na ordem do dia, e o tempo não parará, por nada neste mundo.


Vitória, 17 de maio de 2017
Alvaro Abreu
Escrita para A GAZETA

20.5.17

Ricardo Blauth e FLORES PARA A DELEGADA

Maio 2017

Comentários que valem um post

Li Ferreira Nhan deixou um novo comentário sobre a sua postagem "Crônica diária":

João, nessa terra há ossos duros de roer! O Temer que ponha as barbas e os ossos de molho!

Empichado Jorge? Nada é certo por aqui; novas revelações vão surgindo ao longo do dia. Certo mesmo foi a proeza do governo petista; se dizia o partido paladino da ética e honestidade e no entanto elegeu, consecutivamente, 3 bandidos na presidência do Brasil.

Postado por Li Ferreira Nhan no blog . em sexta-feira, 19 de maio de 2017 01:26:00 BRT

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 Israel Kislansky deixou um novo comentário sobre a sua postagem "ISRAEL KISLANSKY na Bahia":

Olá João.
A Praça se chama Recanto São Francisco, no bairro do Itaigara. Abraços.

Postado por Israel Kislansky no blog . em sexta-feira, 19 de maio de 2017 07:34:00 BRT 

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Praça dos cristais

Ontem falei do desafio inicial, do concurso/oficina "Desafio dos Escritores DF"  comandado pelo escritor Roberto Klotz. Hoje falo sobre As três "provocações" propostas aos 21 primeiros classificados: "Personagem: Dondoca adultera, Lugar: Praça dos cristais, e "objeto-chave": crachá". Só os 21 selecionados podem participar. Como exercício, e uma brincadeira, resolvi criar uma sinopse de um conto com os três elementos. Espero não cair em nenhum clichê. Meus leitores podem fazer às vezes de júri, criticar e pontuar.
Cândida era linda dos pés à cabeça. Mas além da beleza natural, não fazia outra coisa a não ser cultiva-la. Cuidar de seu corpo, da pele, do cabelo, das unhas, da saúde. Parecia não se contentar com a beleza que já tinha, queria eterniza-la. Era casada com um militar paraplégico preso a numa cadeira de rodas por conta de um acidente de moto. A casa onde viviam aparentava estar além dos rendimentos de um major do exército brasileiro. Ficava à beira da lagoa, bairro mais luxuoso de Brasília. Todos as manhãs um personal trainer apanhava o major, e sua cadeira de rodas, com uma Kombi,  e iam para a Praça Cívica, mais conhecida como Praça dos Cristais, localizado no Setor Militar Urbano, em frente ao Quartel General do Exército, onde trabalhou o major reformado. Lá fazia seus exercícios e matava a saudade da carreira interrompida precocemente. Cândida dormia até tarde, e o resto do dia dedicava-se à sua beleza. Massagens, ginástica, cabeleireiros, manicures, e visita às lojas mais sofisticadas da cidade. O dinheiro, segundo ela filha única, era da herança do pai, rico fazendeiro goiano. O major sempre acreditou nisso, ou fingia acreditar. Cândida antes mesmo de se casar tinha um caso com um político importante. O senador morava na capital do estado que representava. Chegava à  Brasília na terça, e voltava para casa na sexta. Uma vez por semana encontrava com a Cândida num apartamento que aparentemente era consultório de um psicanalista de ambos. Cândida nunca exigiu nada do amante. Era absolutamente discreta, e ambos tinham interesse em manter o relacionamento extraconjugal, e seus respectivos cônjuges. A senha para aumentar a generosa importância mensal, que o senador depositava em sua conta bancária, era a palavra “crachá”. E a cada cinco ou seis meses ela lembrava o amante que ele prometera, há quinze anos atrás, um crachá para ela frequentar o congresso. Para evitar contatos em público, ou por ciúme, ele sempre desconversava, e aumentava a mesada. Com essa prática, que vinha de anos, todos iam vivendo.

19.5.17

Grande oportunidade


Crônica diária

Desafio dos Escritores DF,  Concurso/Oficina


Roberto Klotz, escritor mora há anos em Brasília, tornou-se seu dirigente depois de ter participado como inscrito no concurso/oficina literária “Desafio dos Escritores DF”, e posteriormente membro do júri,. Substitui o criador Marco Antunes. Inicialmente o certame chamava-se "Desafio dos Escritores do Núcleo de Literatura da Câmara dos Deputados". Depois de muitos eventos e a revelação de inúmeros escritores, o Marco deixou o projeto. Nos moldes atuais, os inscritos, moradores de qualquer parte do território nacional, embora no passado portugueses tenham participado, recebem como desafio desenvolverem um conto com um personagem, um lugar da cidade de Brasília, e um objeto-chave, com no máximo 1000 palavras. Do total de inscritos são selecionados 21 participantes, que tem seus trabalhos criticados e pontuados por 15 jurados. Durante as cinco semanas seguintes, vão recebendo novos objeto-chave, lugar e personagem, e sendo criticados, pontudos, e eliminados. Os sete melhores pontuados disputam, nas semanas finais, o título de vencedor. Todos concorrem usando pseudônimo. Li os 21 primeiros contos escolhidos. É impressionante o bom nível dos 21 entre 138 inscritos, de 17 estados do Brasil. Curioso, também, como o desafio proposto com pauta pré-determinada, leva a maioria a criar situações recorrentes. Como exemplo, o personagem para o primeiro conto, eliminatório, foi um “Alemão obsessivo”. O lugar: Relógio de sol no Parque da cidade. Objeto-chave: Athos Bulcão. Em quase todos os 21 contos que li, havia um “azulejo pirata” presente.
PS- Um dia após ter escrito a crônica acima, o Roberto Klotz postou em sua página:
10 de maio às 19:31 •
Curiosidade:
Entre os 138 inscritos
38,4% são mulheres; 61,6% homens.
Entre os 21 selecionados
42,8% são mulheres; 57,2 homens.
47% das inscrições ocorreram no último dia.
O primeiro inscrito foi selecionado mérito.
Incontáveis escreveram que uma alemão desembarcou em Brasília alucinado por Athos Bulcão. Marcou um encontro no relógio de sol e negociou um azulejo pirata. >>> ideia clichê

18.5.17

ISRAEL KISLANSKY na Bahia

 A maquete em argila
 O projeto numa praça da Bahia
 Fundações e base
 Preparo da estrutura
Início da modelagem com cimento e vermiculita
 Preparando o suporte da figura da criança






O rosto da criança chama atenção

A cabeça e olhar perfeito

Comparem com a maquete. Fotos enviadas durante a execução pelo artista.

AS POSTAGENS ANTERIORES ESTÃO NO ARQUIVO AÍ NO LADINHO >>>>>

.

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Falaram do Varal:

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..."parabéns pelo teu exemplo de como realmente se faz um blog...ou melhor tantos e sempre outstandings...".
(Vi Leardi )

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