31.3.16

Crônica diária

A hora chegou

Em janeiro de 2015 parecia tão improvável, como absolutamente necessária, a campanha a favor do impeachment da Dilma. Escrevi com todas as letras para quem lê meus escritos. Fui quase ridicularizado por leitores mais chegados, aqueles que por se considerarem da família, se arvoram em críticos especiais. Diziam que eu trocava "meus desejo" com os fatos reais. Não enxergavam, como não enxergam, o mal que faziam ao país. Perdemos até o momento quinze preciosos meses de nossa vida. Não bastaram os doze anos de aparelhamento do estado, a roubalheira que se instalou no mundo político, a quebra da maior empresa brasileira  e com ela a perda do orgulho nacional. A total destruição da política externa. Conseguiram transformar a instituição Itamaraty em porta voz do atraso bolivariano. A economia e finanças do país foi mera consequência das políticas equivocadas  da Organização Criminosa que se apoderou do governo, primeiro em três eleições pouco corrompidas, e a quarta completamente estelionatária. Foi contra ela que me rebelei. Uma pena não terem nos ouvido antes. Mas sou obrigado a admitir que tudo tem o seu tempo. E a hora chegou.

30.3.16

Vincenzo Scarpellini


Fotografos

Crônica diária

Modernidade e implicância


Eu convivo com ambiguidades desde sempre. Sou conservador no tocante à maneira de me vestir, e moderno em relação a design e arquitetura. Gosto também da mistura do velho e antigo com o contemporâneo e moderno. Sobre minha escrivaninha tenho carimbo e almofada ao lado de um ventilador sem hélices aparentes. Carimbo faz parte de uma das minhas manias. O que fica na escrivaninha é o meu ex-libris.  Carimbo que coloco em todas as páginas de rosto dos meus livros.  Quanto ao ventilador tenho três desse modelo sem hélice. Dois redondos e um oval. Ideal para quem tem netos e não gosta de poeira. Os tradicionais com hélice e proteção são dificílimos de manter sem pó aparente. Sou meio moderno, meio antigo, e implicante completo.

29.3.16

Batata doce

A mega batata doce cultivada na Piacaba. Março de 2016

Crônica diária

 Odores e cheiros nefastos

Claro que até o momento é tudo especulação. Não poderia ser de outra forma, mas assustam-me os nomes e a maneira como se esta desenhando o futuro (próximo) governo do Temer. Em nome da pacificação nacional muitas atitudes conciliadoras estão em jogo. O nome do Nelson Jobim no Ministério da Justiça me arrepia. Além do seu recente passado como estrategista do Lula, é advogado das empreiteiras. Esse tipo de composição pode facilitar em muito qualquer transição, mas é receita segura para que nenhuma das reformas, absolutamente indispensáveis, se implante no país. A dúvida entre Meireles e o Armínio Fraga para a pasta da Economia, faz parte desses desacertos. É cedo para julgar, mas pelo "odor", que anda tão em moda, o cheiro de pizza esta no ar, e isso não convém ao país.

28.3.16

Campo ecológicamente correto

Autor desconhecido. Enviada por José Luiz Fernandes

Crônica diária



O fazedor de velhos

Não gosto do título. Mas o livro é do Rodrigo Lacerda, neto do Governador Carlos Lacerda de quem sempre fui admirador. Hoje o Rodrigo já se impôs como jovem e brilhante escritor. "A República das Abelhas" é prova disso. "O fazedor de velhos", apesar de um livro infanto-juvenil me levou às lágrimas no final. Não é coisa muito difícil, diga-se de passagem. Sou um chorão inveterado. No mais recomendo o autor.

27.3.16

Toscana

Villa Bramasole- Foto enviada por José Luiz Fernandes

 (Allan Robert P.J.  fevereiro 2016)

A Villa Bramasole, do filme Sob o Sol da Toscana, acabou virando uma atração à parte.

Baseado no best seller homônimo autobiográfico da escritora Frances Mayes, no qual ela conta como o divórcio acabou trazendo-a à Itália, onde comprou uma casa na Toscana, reformou e onde passa diversos dias por ano, o filme se liberta da versão original para alcançar um dos objetivos da Walt Disney, atrair público.

Cheio de estereótipos que tanto agradam o público americano, foi recheado de situações que o turista espera encontrar: o latin lover que tem um affair com a escritora, mas que acaba escolhendo a selvagem local; a velha louca que aumenta o preço da casa para quem ela não gosta e acaba vendendo – por uma série de coincidências – à escritora, que não tinha o dinheiro suficiente; o velho que todos os dias passa silencioso com as flores em memória de alguém (interpretado por Mario Monicelli!); o empreiteiro italiano que explora estrangeiros; uma versão leve e atual de Romeo e Giulietta; Pores do Sol de cores quentes; as paisagens rurais da Toscana; praias semi desertas; e reencontro do amor com um outro americano...

A casa que aparece no filme, na realidade não é a Villa Bramasole, casa da escritora, mas  uma outra, usada como cenário. Sim, a Villa Bramasole existe e muita gente vai visitar Cortona para poder conhecê-la. Na maioria, turistas americanos.

A villa (tradução italiana para casa independente) fica a três quilômetros do centro de Cortona, foras dos muros da cidade, em uma daquelas estradinhas estreitas típicas da Itália, circundada por ciprestes plantados em memória aos mortos da Segunda Guerra. Cada árvore tem uma placa velha com o nome do homenageado, que a escritora tem planos de mandar refazer. Cortona é muito agradecida à escritora por projetar a cidadezinha no mundo.
 
 

Crônica diária

Desqualificar o inimigo

Quando a "guerra" esta perdida, resta fuga em massa, e campanha para desqualificar o inimigo. O PMDB já desembarcou do governo, onde a bem da verdade, ocupava mais cargos do que dava apoio. Como sempre. E, proximamente, o veremos no poder de novo, e desta vez, com o presidente do seu partido,  no comando da nação. Dizem seus aliados que o Brasil não tem nada a Temer. Veremos.  Quanto a desqualificar o inimigo, tática usada na Itália pelos réus do processo "Mãos limpas" que inspirou a Lava-Jato, foi exatamente desqualificar a justiça, como o Lula, e a Organização Criminosa que lidera,  tentam contra o juiz Sérgio Moro. O ridículo da ação pode ser medido na proporção do capital moral do Lula e do PT, contra os seis milhões de manifestantes do ultimo dia 13 de Março. Lula não é mais nada no quadro político brasileiro. Não cuida de outra coisa a não ser fugir da polícia e da justiça. É evitado pelos políticos até no telefone. Ao contrário o juiz Sérgio Moro aparece entre os 50 mais influentes do mundo. É o cara.

26.3.16

NY, 1943

Esquina da Rua 42 com a Quinta Avenida – autor desconhecido - Ano em que eu nasci.

Crônica diária



Cordilheira, Daniel Galera e a memória

 Eu achava graça quando minha mãe com cinquenta e poucos anos dizia não lembrar do início de um livro quando ainda estava no final. Ela viveu mais trinta e tantos anos e acabou morrendo sem reconhecer ninguém. Conto isso porque estou a menos de quarenta páginas do fim do livro "Cordilheira", do Daniel Galera, que tenho, agora, absoluta certeza de já ter lido. Ao compra-lo tive dúvidas, mas não lembrava da capa, embora o nome me parecesse familiar. Mas poderia ser um engano. Poderia ser memória da lista de livros escritos pelo autor, e sempre citados nas orelhas. Ao iniciar a leitura tive lampejos de memória, e momentos de absoluto ineditismo. Com o correr da história sempre muito bem escrita, como de hábito na literatura do Daniel, e neste caso na primeira pessoa de uma mulher. A leitura prende e flui. Faltam quarenta páginas para terminar. Tenho absoluta certeza de já ter lido. E, consequentemente, escrito uma resenha sobre o livro. Vou no "procurar" do O Ultimo Blog e lá esta: 20 de Janeiro de 2014. "Cordilheira, Daniel Galera". Agora sei do que falava minha mãe aos cinquenta anos.

"Com este ultimo livro lido, completo a obra de Daniel Galera definitivamente um dos bons jovens escritores brasileiros. Na verdade não é preciso dez linhas para afirmar, com toda ênfase, que sua literatura é importante. Domina os diálogos, a construção de personagens, a dinâmica de uma trama verossímil e a magia do bom contador de história. Tive contra ele o preconceito inicial da idade. Muito jovem. Depois os títulos e capas. Sou muito sensível a esses dois fatores sem nenhuma importância. Mas sua escrita, seus personagens e seus romances me convenceram, e colocaram-no entre meus preferidos autores nacionais. Viva a boa fase da literatura brasileira. Depois de Guimarães Rosa, Érico Veríssimo, Graciliano Ramos,  e  alguns outros, a safra de grandes escritores esta repleta de promessas verdadeiras. Autores que estão ganhando traduções em diversas línguas. Editoras que estão investindo nos jovens, como nunca o fizeram na história da literatura tupiniquim. Viva, e escreva muito Daniel Galera."

Comentários que valem um post

Eduardo Lunardelli: Jorge, tem muita estrada pela frente. Viver dói, mas não mata, enquanto dura.

25.3.16

Varal em Berlim



Foto de Express Newspapers/Getty Images, 13 Nov 1963
Enviado por José Luiz Fernandes

Crônica diária

Golpes, contra golpes, rasteiras e fim de festa

Esta valendo tudo, ou quase tudo. O governo que não chegou a se iniciar em Janeiro de 2015, porque foi fruto de fraude eleitoral, esta em via de ser posto fora do poder por instrumento constitucional, só não usado até o momento, por fraqueza e inércia de parte da oposição, e acomodação popular. Esta caindo de podre. Por si só. Os ratos, os amigos, os comparsas estão abandonando a nau. Trapalhadas sobre trapalhadas. Dois dias depois de fechar ministérios, cria outro para abrigar o ex Ministro da Casa Civil, Jaques Wagner, aquele que faltou à posse porque a Dilma pensava que ele só usasse avião de carreira. Ledo engano da gerentona. Foi de FAB mesmo, o atraso. Lula é salvo da cadeia sendo nomeado Ministro. Quinze minutos depois é destituído do cargo por força de mandato de segurança. Foram mais de cinquenta. Corre corre. Meu deus me acuda. Ministro da Justiça que age pelo olfato. Notas e declarações à imprensa o dia todo. A palavra golpe sendo usada a torto e a todo instante. Desespero. São as ultimas horas da Organização Criminosa no poder. Salve-se quem puder. Lula confinado como rato (ou jararaca) assustado num quarto de hotel em Brasília tentando convencer o Renan e o Sarney a adiarem a convenção do dia 29, quando o PMDB desembarca oficialmente do governo. Lula tentando golpe no ex aliado PMDB. O clima em Brasília é de total baderna administrativa. E ainda faltam mais algumas horas. Tudo ainda pode, e vai acontecer.

24.3.16

Saída

Sempre há uma
Março 2016

Crônica diária

Mario Prata e James Lins

O título do livro é "O playboy que não deu certo" O autor Mario Prata, é meu vizinho aqui em Florianópolis. James Lins, o personagem, amigo de infância do autor na cidade de Lins na noroeste de São Paulo. Publicado em forma de folhetim no jornal O Estado de São Paulo, e em livro em 2003, esta edição que li e comento é de 2013. Mario Prata tem se dedicado ao conto e romance policial. Estaria com ele no próximo dia 25 de Abril no evento "Navegar é preciso 2016",  nas águas do Rio Negro no Amazonas, mas o destino e a grande procura por cabines no navio não permitirão o encontro. O texto do Mario é coloquial e amável. O personagem James Lins tem todos os ingredientes que compõem a personalidade dos boêmios, chantagistas e bandidos urbanos. O leitor, em geral, grande curiosidade em conhecer detalhes desses escabrosos crimes e casos policiais de grande repercussão. Quando o autor é amigo de infância do criminoso, o interesse aumenta. A possibilidade de fatos novos e relevantes esta sempre presente. Nesse clima é que se desenvolve a história. O leitor se diverte  com a condução segura e bem humorada da trama. Recomendo como uma leitura leve e despretensiosa.

23.3.16

Arquitetura

Fora de esquadro
Março 2016

Crônica diária

Conselho machista

Era uma vez um velho e experiente touro com seu filho mais novo. Ambos pastavam bovinamente, no alto da colina, quando o jovem filho avista um grande rebanho de lindas novilhas, todas de rabinho erguido, e sugere ao pai: "Vamos correndo transar com algumas?" Ao que o touro ponderadamente respondeu: "Não, vamos de vagar, comer todas..."

Comentários que valem um post



José Luiz Fernandes: deixou um novo comentário sobre a sua postagem "Crônica diária":

A atriz Lana Turner (1920-1995) chegou a essa conclusão depois de larga experiência.

Postado por Anônimo no blog . em terça-feira, 22 de março de 2016 04:15:00 BRT

22.3.16

Esse é o Brasil



FOTO AÉREA DE CAMPO DE FUTEBOL DE VÁRZEA
(fotógrafo: Marcílio Gazzinelli, de Teófilo Otoni, MG)
Enviada por José Luiz Fernandes

Crônica diária



Comportamento de um cavalheiro
Nas relações sexuais um cavalheiro nada mais é do que um lobo paciente.

21.3.16

MM e José Luiz Fernandes

MARILYN PEDINDO A EDUARDO LUNARDELLI QUE A AJUDASSE  A SAIR
DA PISCINA DO COLÉGIO DE CATAGUASES, ANO  1959
Foto de autor desconhecido, enviada (foto e texto) por José Luiz Fernandes

Crônica diária

"Outra vida"

Em sua primeira edição de 1909 acabo de ler o romance de Rodrigo Lacerda, "Outra vida ", onde anunciava o escritor maduro e competente que se tornou. Um casal e sua filha aguardam na rodoviária de uma cidade grande o ônibus que os levará de volta à pequena cidade de onde vieram. Decepção, corrupção, traição, características familiares diferentes são os ingredientes minuciosamente explorados pelo autor. Durante o tempo de espera para o embarque tudo acontece. Comprei o livro num sebo e me diverti com as anotações feitas pelo antigo dono. Com lapiseira ponta fina de grafite numa caligrafia quase ou totalmente elegível (algumas) me pareceu ser de um psicólogo ou psiquiatra que comenta passagens do romance. Com isso, fiz a minha leitura  e comparei com a dele. Prazer dobrado.

20.3.16

Reflexão



Um cavalheiro é simplesmente um lobo paciente
Autor desconhecido, enviada por José Luiz Fernandes

Crônica diária

Uma nova aventura

Anos atrás minha mulher inventou, e eu aceitei, fazermos uma viagem para ver a aurora boreal. Meus leitores mais antigos devem lembrar dessa história. Renderam crônicas e contos. A viagem nunca se efetivou por culpa do péssimo agente de viagem. E eu acabei aceitando a ideia de ir tão longe, tão frio, para ver a tal aurora, porque resultaria num livro na volta. Não aconteceu a viagem, muito menos o livro. Em Fevereiro deste ano surge nova possibilidade. Essa muito mais perto, muito mais econômica, e talvez até mais agradável. Estávamos planejando participar do "Navegar é Preciso 2016", uma realização da Livraria da Vila, em sua 6ª edição. Explico: Um navio da Auroraeco, sete convidados: Mario Prata (escritor), Fernando Moraes (escritor), Raphael Montes (escritor) Noemi Jaffe (escritora) Rodrigo Lacerda (escritor), Zeca Baleiro (músico) e Clarice Niskier (atriz), e quatro dias nas águas do Rio Negro, no Amazonas. Trilhas, banhos de rio, botos cor de rosa, e duas palestras/debates por dia. Essa era a proposta. Pareceu-me bem mais divertida. E minha intenção era voltar com material para um novo livro, mais uma vez. Os personagens, evidentemente, seriam os sete convidados, e a delegada Moema, personagem fictícia de outros livros meus. Uma trama policial, de ação. Tudo poderia acontecer. O fim desta história meus leitores fiéis já conhecem. Sessenta e três dias antes da data prevista para partida (25 de Abril) fui fazer a reserva e já não havia lugar. Inacreditável. Mais uma frustração.

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