31.12.16

Crônica diária

Agora sem mistério


Alguns dias atrás escrevi sobre as expressões cuja origem desconhecia. E no mesmo dia que publiquei o texto, lendo Leonardo Padura, em seu livro "Ventos de Quaresma" encontrei: "...pensando na morte da bezerra." Minha mãe usava muito essa expressão nas décadas de 50 e 60, e nessa época Padura estava nascendo (1955) em Cuba. Mais um mistério. Quem e por que teria usado essa expressão? O título desta crônica seria "Segundo mistério". Mas o Fernando Machado e o José Luiz Fernandes se apressaram a dizer que existe um livro que desvenda todos esses "mistérios". E são muito menos "excitantes" que as versões populares. Dou um exemplo: "Bonita pra chuchu" segundo eu li tinha vindo do nome da prostituta francesa, Chouchou na década de 20, no Rio. A versão do livro, segundo o José Luiz é pelo fato de chuchu dar em abundância. Muito. Daí, feia pra chuchu, gorda pra chuchu, etc. Faz sentido, mas não tem a menor graça. "Pintando o caneco" o José Luiz também esclareceu. Agora falta "Pensando na morte da bezerra".

31 de Dezembro de 2016

4 comentários:

José Luiz disse...

Não existe um livro, mas pelo menos uma dezena de livros sobre o assunto. O do Antenor Nascentes é apenas um. O "pra chuchu" não tem mesmo nada a ver com prostituta francesa. Você mesmo usou um "quente pra chuchu" na página 192 do "Dance Comigo" pensando em quantidade, intensidade, e não na libido. Assim como bonita pra chuchu, pode-se dizer feia pra chuchu.
O "pensando na morte da bezerra", várias fontes ensinam que deriva de tradição oral hebraica: um rei teria matado uma bezerra de estimação do filho e este quedou triste e apático. Já "pintando o caneco" significa fazer diabruras; caneco e uma forma de se referir a cão, vale dizer, ao diabo.

Eduardo P.L. disse...

José Luis Fernandez, claro que devo ter usado essa expressão muitas vezes, não só "quente pra chuchu". O que eu não sabia era a origem, e continuo achando a da prostituta Chouchou muito mais excitante do que um pé do prosaico legume. A Chouchou dava muito também. Dava em abundância, e diria até: "dava pra caralho". Como vê também representa quantidade, volume, intensidade. Mas o que esta nos livros não se discute. Acredito mesmo que a sua (dos livros) seja a verdadeira, porém continuo achando sem o charme da prostituta...
Obrigado por mais esta informação sobre a bezerra. Convido-o a deixa-la também no FB para evitar divagações pecuárias de outras fontes.
Um Bom Ano para o amigo e grande colaborador. 2017 chegou, finalmente.

João Menéres disse...

Confirmo que por cá, a expressão PENSANDO NA MORTE DA BEZERRA tem o significado de perder tempo com algo já passado e que não volta mais.
Portanto, é pura perda de tempo.
E nada tem a ver com o sentimento SAUDADE.

Jorge Pinheiro disse...

Um Bom Ano é o que desejo, sem pensar muito na morte da bezerra.

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