21.12.16

Crônica diária

Uma nova experiência

 Na minha idade novas experiências não são comuns. Eu sou bastante metódico, apesar de odiar a rotina. Experimentei dias destes uma nova e desagradável sensação. Fiquei praticamente numa ilha, sem energia elétrica, sem telefone, sem internet. Na verdade estava em casa, na Piacaba, mas as fortíssimas chuvas com fortíssimos ventos devastaram meu jardim, e abalaram profundamente meu conforto. E notem que estou na fase da vida que privilegiamos as zonas de conforto. Ficar sem eletricidade não é só a falta de luz noturna. É ficar sem TV. Sem geladeira. Sem ar condicionado ou ventilador. Sem micro-ondas, sem liquidificador. Como um ser humano pode viver sem uma TV? E as notícias? Mas fiquei sem telefone. Dizem que na verdade, o telefone, no meu caso, não foram o vento e chuva os responsáveis. Um caminhão derrubou um poste, rompeu os fios e fugiu. Não importa, a Oi, companhia "irresponsável" levou exatos quatro dias para detectar o poste e danos na fiação. Sem telefone e sem energia estive todo o tempo sem internet. Para quem publica uma crônica diária, e alimenta um blog, pelo menos, há dez anos, sem um dia de interrupção, foi um abalo emocional profundo. E não estou fazendo drama. Duas outras ocorrências, por falta de sorte,  somaram-se às já citadas: meu aquecedor a gás pifou. As chuvas andaram assoreando as sapatas das pilastras de sustentação do meu novo deck. Aproveitando o pedreiro que fez novas contenções, trocamos muitas telhas danificadas pelo temporal. Essa situação toda, durante uma semana me proporcionou um afastamento  inédito dos meus leitores. Pela primeira vez fiquei privado de notícias sobre a reação de quem lê o FB. Minha mulher que estava em São Paulo fez sob minha orientação as publicações no FB  Comunicava-me pelo celular, que no meu caso, não faz nada além de receber (nem sempre) e fazer ligações, enquanto a bateria aguenta. Postar nos blogs seria pedir muito. Tive então a mesma sensação dos cronistas de jornal. Mandam o texto e nem sempre tem condições de ler no dia seguinte. E o publico de jornal ou revista impressa não manifesta-se com a instantaneidade das redes sociais. No final de uns dias estava até acostumando-me com a nova realidade. Era como estar numa ilha deserta e soltar uma vez ao dia uma garrafa com um bilhete ao mar. Um deles chegou a alcançar 130 curtidas e outros muitos comentários. Só fui tomar conhecimento dias depois.

3 comentários:

João Menéres disse...

Nos primeiros dias ficamos extremamente desconfortáveis. Depois, até descobrimos que o tal isolamento traz vantagens.
Já sei que o seu caso foi levado ao extremo e aí é diferente, obviamente.
Quatro dias para encontrarem um poste derrubado ?
Incrível !

Jorge Pinheiro disse...

Uma espécie de Robinson Crusoe dos tempos modernos.

Li Ferreira Nhan disse...

Lembrei da Tertúlia Virtual... Da tal Ilha deserta no Pacífico.
Tempo bom aquele.

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