13.12.16

Crônica diária

Rio 1940, um bando do barulho

É inevitável que eu divida essa história hilária com vocês, apesar de alguns leitores estarem reclamando que ando falando muito do Antônio Maria, Rubem Braga, e outros cronistas. Esta que conto hoje li no "Antônio Maria" por Joaquim Ferreira Dos Santos publicado em 1996.  Maria morreu em 1964, com 43 anos. Chegou ao Rio, vindo de Pernambuco e foi ser locutor de futebol na rádio Ipanema, em 1940, com dezenove anos de idade. Foi o criador de expressões que se eternizaram no vocabulário dos locutores. "O atacante chuta e a bola no fotógrafo", (fora do gol, claro). Mas o grupo nessa época era composto de Jayme Ovalle, Di Cavalcante, Stefan Zweig, Rubem Braga e Rosário Fusco, todos disputando as mulatas com os malandros numa democracia literótica-racial atrás dos Arcos da Lapa. Foi no meio desse caldeirão num apartamento na Cinelândia que  Maria jogou suas malas logo depois de descer a bordo do Ita Almirante Jaceguai. No Cassino da Urca, Carmem Miranda fazia seus dois últimos shows antes de embarcar definitivamente para os States. Eram  companheiros de quarto do Maria, Fernando Lobo, que chegou ao Rio a bordo de uma banda de Jazz. Em outra cama Abelardo Barbosa o futuro rei dos auditórios Chacrinha. Dorival Caymmi também vivia por lá e segundo contou o Chacrinha, em suas memórias, vendia uísque falso para equilibrar o orçamento. No apartamento ao lado ficava o pintor Augusto Rodrigues. Um determinado dia o locutor que na época se chamava speaker quase matou o Chacrinha bêbado e afogado. Acreditem se quiserem, mas a cena é de chanchada dos filme dos anos seguintes. Chacrinha semi-submerso, bêbado, Maria, na privada, lia uma revista com os pés em cima da barriga do amigo. Maria tinha 1,80m. Pesava 120 quilos. Também bêbado. Sem querer seu peso foi acabando de submergir Chacrinha. Se não fosse Fernando Lobo abrir a porta repentinamente, e ver a cena: "Chacrinha já roxo, tentando botar a cabeça para fora da água. Decadência lamentável. Um  pernambucano fugido da seca ia morrer afogado no Rio vitimado por outro retirante". Por outro lado o autor de "Chuvas de Verão", Fernando Lobo, quando flagrado roubando um prosaico litro de leite da porta de um vizinho, respondeu à pergunta: "Qual é seu nome?", e Lobo disse: "Antônio Maria, senhor." "Miséria absoluta."

Trechos transcritos literalmente do livro de Joaquim Ferreira Dos Santos

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