5.11.16

Crônica do ALVARO ABREU


Visita de avô

Nem bem apanhei as malas na esteira do aeroporto e já recebi o primeiro pedido, feito com a maior convicção: “Vovô, você faz um arco e flecha pra mim?” Cabeça de menino é sempre uma caixinha de surpresas. Gael mal completou três anos e há meses não frequenta nossa casa nem tenta usar o arco que fiz para o primo dele, já bem mais crescido. 

A produção começou no dia seguinte, com a ida a uma dessas lojas enormes que vendem tudo para jardinagem e serviços afins. Tudo, menos bambu grosso. Só encontramos um tipo, bem fininho, desses que se usa para guiar trepadeiras. Testei a flexibilidade com rigor e escolhi um pacote com seis varinhas. Comprei ferramentas básicas e utensílios indispensáveis, incluindo um rolo de barbante, uma fita adesiva e um pouco de arame fino.Montei a oficina na varanda da casa, incluindo uma cadeira para que o menino pudesse acompanhar o andamento do serviço: cortar, tirar os ressaltos, fazer uma cava em cada ponta, amarrar o barbante em uma das extremidades e, depois de envergar o bambu, dar um nó definitivo na outra. Tratei de fazer o acabamento com uma fita preta, dessas que não soltam jamais, no meio do arco, para marcar o lugar onde se coloca a mão esquerda. A alça de arame para guiar a flecha foi relativamente fácil de instalar. O alicate novinho é mesmo muito jeitoso para serviços miúdos. Tudo feito sem qualquer pressa, com o moleque aflito, doido para experimentar o brinquedo. Mas faltava a flecha.

Escolhi um pedaço ainda mais fino pra fazer a primeira flecha e usei o calor da chapa do fogão elétrico para deixa-la bem retinha. Com uma tampa de pasta de dente, um pedaço de feltro e a tal fita preta, improvisei uma ponta rombuda e bem macia, dentro dos melhores padrões de segurança americanos. O alvo foi feito com o papelão grosso e pintado com giz de cera. Com tudo pronto, é hora de tentar ensinar os netos a usar a arma de caça dos índios, o que começarei tão logo ele e Alice voltem da escola. Haverá campeonato, premiação e tudo o mais que estimule o aprendizado.

Bradenton, 02 de novembro de 2016
Alvaro Abreu
Escrita para A GAZETA

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