Crônica diária
Sempre há tempo
Houve um tempo em que eu lia para saber
o que os outros andavam escrevendo. Hoje não consigo ler mais de duas páginas,
de qualquer autor, de qualquer gênero, sem que tenha duas ou três novas ideias
para escrever. Paro e escrevo. E pergunto-me, como pode ter gente sentindo
falta de assunto? O que tenho sentido é falta de tempo para escrever
mais, sem deixar de lado o meu hábito de ler. Hábito esse que também me
pergunto como pode ter gente que não tenha? Ir ao teatro, já fui bastante, e há
muito tempo não vou. Ir ao cinema, vou raramente. Quando vou gosto muito, e me
pergunto: por que tenho ido tão pouco? E para toda pergunta há sempre
respostas. O que não gostamos é de ouvi-las. E por isso cada dia nos
questionamos menos. Do mesmo modo que não abro mão de bons livros, gostaria de
não ter deixado o teatro, cinema, e música de lado. Mas, às vezes, nem sempre
tudo é possível. Já parei com o cigarro há meio século. Com o açúcar há um par
de anos, e com o sal também. A eles não pretendo voltar, mas ao cinema, teatro
e música, ainda há tempo.


3 comentários:
Pena que, por causa da sagrada saúde, tenha sido obrigado a deixar a pintura, Eduardo.
Quanta saudade tenho da sua obra pictórica !...
Estamos sempre a deixar umas coisas para fazer outras.
E os seus passeios matinais junto ao mar ?
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